14/04/08

Do valor do preconceito, da tradição, da dificuldade e do constrangimento

O pai teria dito mais ou menos: «Se deixam alguém fazer aquilo que quer, em breve baterá com a cabeça nas paredes de tanta perplexidade.» Ou então assim: «Quem pode fazer tudo o que quer acaba por não saber o que mais desejar.» Ulrich divertia-se a repetir para si próprio estas frases. Esta sabedoria ancestral parecia-lhe um pensamento muito original. É preciso que o homem se sinta primeiro limitado nas suas possibilidades, nos seus planos e sentimentos pela acção dos preconceitos, das tradições, de dificuldades e constrangimentos, como um louco num colete de forças, para que aquilo que ele consegue realizar tenha algum valor, maturidade e solidez… [Robert Musil, O homem sem qualidades I, Dom Quixote, tradução de João Barrento, pp. 46/7]

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