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14/10/08

A euforia das bolsas

A euforia voltou às bolsas. Parece que o maldito dinheiro do Estado tem animado, mundo ocidental fora, os génios sofisticados da bolsa, certamente adeptos da mão invisível e de menos Estado, ou de preferência Estado nenhum, ou quase. Mas o que cada vez me preocupa mais é mesmo o estado de euforia daquela gente. Parece que voltaram a ganhar muito dinheiro, mas quem o estará a perder?

Ser capitalista

A crise financeira tem pelo menos a virtude, não despicienda, de nos fazer sorrir. O governo português ameaça agora os bancos que não amortizarem as dívidas garantidas pelo Estado de os intervencionar, fazendo assim entrar o sector público no capital privado. O negócio não é mau. Se as coisas correrem bem, os bancos pagam ao Estado e amigos como dantes. Se correrem mal, o Estado entra no capital de um Banco que para estar morto só falta ser-lhe rezada uma missa pro defunctis. Cada vez mais acho que ser capitalista, do ramo da finança, não é nada mau. Bem me queriam atirar para um curso de economia, lá tinham as suas razões.

12/10/08

Um passo em frente

Decisões tomadas hoje no seio da Zona Euro são "grande passo em frente", diz Durão Barroso, o querido líder da nossa União. Por que razão me lembrei imediatamente daquela história em que alguém estava à beira do abismo e deu um passo em frente?

10/10/08

Dias negros

Eu sei, a comunicação social tem destas coisas, mas chega a ser cansativo. Agora, por tudo e por nada se fala em dia negro nas bolsas. Eu proponho que arranjem uma espécie de escala colorida, tipo alerta amarelo, laranja, vermelho, etc., para a bolsa. É que, a continuar assim, já ninguém distinguirá os dias que são negros, dos dias que são negros-escuros ou dos negros-claros. Ou então arranjem um calendário com os dias fastos e nefastos. Nos primeiros, abre-se a bolsa e transacciona-se em alta. Nos nefastos, fecha-se a bolsa e vai-se para as igrejas, mesquitas, etc. rezar.

09/10/08

Bravo, Nico

Leia-se este excerto do Público: «O deputado do CDS-PP João Paulo Carvalho pediu à maioria socialista que comentasse "o caso do conselho pedagógico de uma escola de Barcelos que decidiu que os alunos podem passar de ano mesmo com cinco negativas".

Na resposta, o deputado do PS Bravo Nico não se referiu à questão dos computadores Magalhães.

Quanto ao caso de Barcelos, o deputado do PS a deu a entender estar de acordo com a decisão do conselho pedagógico, argumentando que "é sempre muito mais exigente e dá sempre muito mais trabalho às escolas e aos professores integrarem os alunos com percursos de aprendizagem difíceis".

"É sempre mais fácil colocá-los fora da escola. A nossa resposta é fazer com que as crianças fiquem dentro da escola. O direito à educação é um direito básico", acrescentou Bravo Nico.»

É assim, com esta bravura, que todos os alunos portugueses se hão-de tornar uns verdadeiros nicos.

08/10/08

O dom da fé

Quase que me esquecia. Ocupações diversas levaram-me a passar em branco a anunciação do retorno de Pedro Santana Lopes. Como é que é possível, depois dos desastres da governação e da câmara de Lisboa, ainda atribuir qualquer credibilidade a esta personagem política? Nem o cansaço da sua presença é suficiente para dar lugar a outros? Que país é este em que se está sempre disposto a perdoar a mediocridade? Santana Lopes parece despertar, como poucos, o dom da fé. E a fé é o que nos salva…

07/10/08

A crise financeira e a escola portuguesa

Os professores portugueses andam, por ordem do governo, todos entretidos a determinar objectivos para serem avaliados. Os princípios da avaliação fundam-se em concepções retiradas da gestão de empresas. Muito desses princípios são análogos àqueles que orientaram a economia ocidental até ao presente buraco em que se encontra. O que se prepara na escola é, apesar de menos visível e espectacular, uma desgraça idêntica à do mundo da finança. Há um princípio comum que toda a gente percebe: no mundo da finança, vendia-se crédito a quem quer que seja, para atingir e ultrapassar os objectivos; na escola portuguesa, vão-se passar alunos sem saber nada, para atingir os ridículos objectivos que o delírio governamental impôs aos professores. Há muito tempo que descobri que a estupidez é uma coisa que se propaga a grande velocidade e tende para a dominação universal, nem as catásrofes a fazem recuar.

03/10/08

Reconheçamos…

Nada pior do que a auto-ilusão. Podemos não gostar do governo e de Sócrates, mas é preciso reconhecer que nem tudo lhe está a correr mal. As sondagens começam a sorrir-lhe e agora a Argentina também quer o Magalhães (estas coisas impressionam o eleitorado). Para cúmulo não existe oposição. A de esquerda é mais dinâmica, embora tenha perdido intenções de voto, mas não é oposição para tomar conta do poder. A de direita pode tomar conta do poder, mas não tem energia nem propostas diferenciadas do governo actual. O mais natural é o eleitorado continuar nos braços dos socialistas. Pelo menos sabem com o que contam: não contam com grande coisa, mas sempre haverá animação, Magalhães, Internet, quadro electrónicos, e o mais que a tecnologia acender na imaginação dos zorrinhos do governo. Pode ser que não seja nada. No fim de contas, já vivemos assim há uns 900 anos e a coisa lá vai correndo.

02/10/08

A minha desrazão

O Público escreve isto: “O Presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, afirmou hoje que a actual crise financeira constitui um acontecimento “sem precedentes desde a II Guerra Mundial” e pediu uma maior cooperação dos países europeus para a enfrentar. “Nada no passado se assemelha ao que assistimos actualmente”, afirmou o líder da entidade central, em entrevista ao canal de notícias France 24, antes de acrescentar: “Os acontecimentos que enfrentamos são provavelmente os mais graves desde a II Guerra Mundial”. Não sei se estaremos a perceber o que se vai dizendo. Sinto muita comichão quando vejo em tão curto espaço duas referências à II Guerra Mundial. Parece que eu sou pessimista, mas gostava que o optimismo reinante me mostrasse a minha desrazão.

28/09/08

Planeamento em Portugal

Portugal é um país com elevada capacidade de planeamento. Vejamos o caso dos médicos. Neste momento, trabalham já em Portugal 4287 médicos estrangeiros e o governo prepara-se para permitir mais contratações de médicos sul-americanos (Público). Outro caso notável de planeamento é o do excesso infinito de professores que foram produzidos país fora. Perante tão notáveis casos, as perguntas que devemos fazer são as seguintes: que forças se movimentaram pela noite para que as universidades portuguesas não produzissem atempadamente os médicos de que, segundo parece, necessitamos? Que forças se movimentaram para que escolas superiores de educação e universidades produzissem tanto licenciado na área da educação? Responder a estas questões pode ajudar a perceber aquilo que somos. É um exercício tão interessante como a compreensão da história das casas camarárias no município de Lisboa.

27/09/08

Ó Magalhães, Magalhães...

O Magalhães é uma arma poderosa da propaganda do governo não porque seja quase dado ou porque confira à governação uma faceta tecnológica que falta ao país, mas porque está de acordo com o Zeitgeist. Numa sociedade cuja finalidade parece ser o retorno ao útero materno, os processos de infantilização social são sempre recebidos com manifesto agrado. Não há nada que mais se tema, hoje em dia, do que a seriedade de se ser adulto e, portanto, a leveza da infância é um desiderato, um passo crucial no caminho para dissolução intra-uterina. O Magalhães é o brinquedo perfeito acessível às grandes massas de pobres e semi-pobres que os governos ajudaram a fazer ou não evitaram que acontecessem. Sem Igreja nem o futebol credível ao domingo, ao poder político resta apenas a invenção constante de pequenos artifícios para manter a turba na infância a que aspira. Ó Magalhães, Magalhães, para que estava guardado o teu pobre nome…

Sobre este Magalhães ver aqui, aqui e aqui.

Experiências de invisibilidade

Quando escrevia o post anterior, lembrei-me de uma outra ocorrência passada, há meses, num daqueles restaurantes de referência, garfo de ouro do Expresso, que se encontram relativamente perto de Torres Novas. Chegámos e entrámos para uma sala onde havia apenas outro casal. Fomos sentados numa mesa suficientemente longe desses comensais. Passado pouco tempo, ficámos sozinhos. Até que chega um novo casal, gente cinquentona como nós, acompanhado pela mãe dele. Falavam alto e nasalavam as palavras, marido e mulher por pouco não se tratavam por tio e tia. Evidenciavam uma boa instalação na vida e a frequência dos sítios certos. A mãe dele olhava para a nora com a habitual condescendência que se tem quando se acredita que os filhos não souberam escolher a mulher. O empregado teve a infeliz ideia de dizer “podem escolher, estejam à vontade” (é aqui que eu começo a desconfiar dos garfos de ouro). Ora um português nunca deve ser deixado à vontade. Entre as múltiplas mesas existentes na sala vazia, a única que interessou a estes extraordinários portugueses deixados à vontade foi a contígua à nossa, ali mesmo a uns escassos 50 a 70 cm do meu prato. A esta primeira amabilidade que me fez acreditar possuir o poder da invisibilidade, acrescentaram, perante o silêncio constrangido em que tomámos a refeição, ainda as suas ruidosas opiniões sobre isto e aquilo e até sobre uma pessoa que, por acaso, conhecíamos muito bem de outras paragens. Por vezes, penso que sofremos de um défice de qualquer coisa, ou de um superavit de estupidez.

26/09/08

O que não sabemos

O que não sabemos sobre o falhanço do plano Bush, o dos 700 mil milhões de dólares, para a crise financeira americana é provavelmente o mais interessante: que interesses se jogam, nos bastidores, de tão súbito e tão grande amor pela intervenção estatal? E que interesses incendeiam os corações republicanos que, mesmo com a bênção presidencial, a recusam?

25/09/08

Leviandades europeias

Agora, a Comissão Europeia vai proibir as importações da China de produtos para crianças. Isto deve estar já a apoquentar os nossos liberais. Mas, falando seriamente, isto não é a confissão da leviandade com que se escancarou as portas? Não se deveria ter tomado, logo de início, cuidado, tanto na qualidade dos produtos como nas condições da sua produção. Quantos milhares de empregos se perderam com esta leviandade?

24/09/08

Visão burguesa do mundo

Longas horas passadas à porta da maternidade. De vez em quando, alguém sai e fala ao telemóvel: já nasceu. Eram três horas. Ah, pesava três quilos e duzentos e media 49 cm. Como se as coordenadas numéricas fossem o essencial. Só faltava o custo por grama parido.

Escola de sucesso

Hoje, aula de Filosofia de 12.º ano. Carteiras organizadas em «u», eu estou sentado na abertura do «u». A aula versava, para introduzir Platão, sobre algum pensamento pré-socrático. Começámos pelo fragmento de Anaximandro e continuámos por Heraclito e Parménides. Os alunos super-concentrados, desejosos de saber, exigentes com a prestação do professor. Nestes momentos, perante alunos assim, sinto um enorme orgulho na minha profissão. Esta é a verdadeira escola de sucesso e não aquela que nasce do milagre estatístico e da imaginação delirante dos governantes. Tudo nela é simples: o professor ensina, o aluno estuda, o professor tem de estudar mais para que o aluno aprenda mais. É isto que este governo, como os anteriores, destruiu. O que me está a acontecer não é a normalidade, é a excepção.

20/09/08

Colisões


No Público: «Um trabalho artístico mostra uma colisão planetária na constelação de Aries. Massas de poeira que flutuam em torno de um distante sistema solar binário sugerem que dois planetas semelhantes à Terra se desintegraram mutuamente numa violenta colisão, revelaram ontem investigadores dos Estados Unidos. Imagem: Lynette R. Cook/Reuters/ cedência da UCLA.»
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Acabar assim é mais interessante do que através da gripe das aves, do aquecimento global ou mesmo de uma promissora guerra termonuclear. Isto sim, é finar-se em grande estilo. O Universo lá vai tendo desta perfeições.

19/09/08

Um novo cowboy?

Depois de Bush, os republicanos escolheram como candidato o senhor McCain. Neste vídeo, fica-se a perceber a profundidade do conhecimento que o candidato republicano possui da Europa. Foi assim, com este desprezo pela realidade, que Bush se deixou arrastar para o Iraque e arrastou uma parte dos seus aliados para a aventura. Se os americanos se deixarem comover pela senhora Palin e por este novo cowboy, que aventuras nos esperam ainda?

18/09/08

A perspicácia da senhora Rice


Eu até simpatizo com esta senhora. Eu sei, eu sei da história dos ciclos da testosterona e da mudança de perspectiva conforme o nível da hormona, mas todos temos o direito aos nossos ciclos baixos. Apesar da simpatia, também reconheço que a senhora tem direito aos ciclos negativos no uso da inteligência. Dizer que a Rússia, depois dos acontecimentos da Geórgia e dos projectos de apontar armas nucleares a países pacíficos, está a caminho do isolamento e da irrelevância não me parece particularmente perspicaz. Não só os Europeus rastejaram em torno do senhor Putin, como, por esse mundo fora, ninguém se mostrou particularmente aborrecido com o excesso de testosterona dos russos. Talvez já estivessem cansados dos excessos hormonais dos americanos e precisassem, para passar o tempo, de novidade.

17/09/08

E por cá?

Parece que não é só nos EUA que há bancos em muito má situação. Também no Reino Unido começam a aparecer. Quanto tempo falta para se descobrir o mesmo por cá?