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27/02/10

A canonização de uma insubmissa


A canonização desta mulher, Mary MacKillop, levanta dois problemas. O primeiro diz respeito à relação de pessoas excepcionais com a hierarquia da Igreja Católica, hierarquia essa composta por gente normal, a maior parte das vezes com uma visão do mundo, da vida, da moral e da religião puramente convencional. Certos religiosos de ordens contemplativas ou de ordens activas, como é o caso de Mary MacKillop, têm um comportamento que ultrapassa em muito a capacidade de compreensão daqueles que possuem o poder na Igreja, numa Igreja que foi criada para a excepção da santidade, mas que, como em todas as coisas humanas, prefere a rotina da convencionalidade. Daí nasce a incompreensão e desta à perseguição vai um passo. Mary MacKillop chegou a ser excomungada. Não deverá ser o primeiro caso em que um excomungado é reconhecido depois como santo.

O segundo ponto é o da necessidade dos milagres para declarar alguém digno da glória dos altares. Mas a santidade, isto é, a excepcionalidade da experiência religiosa de uma pessoa, não se deveria medir pela capacidade taumatúrgica, mas pela vida que viveu, pelos milagres que operou não contra as leis da natureza, mas aqueles que resultaram de uma acção verdadeiramente livre que conseguiu, em certo momento, flectir o curso habitual do mundo e abrir caminhos que os outros puderam trilhar. A santidade é uma luta contra a inelutabilidade do destino, uma afirmação da liberdade contra o peso da necessidade.

07/06/08

A esquerda e a Igreja Católica

D. Manuel Clemente, bispo do Porto, veio sublinhar ao Ministro Vieira da Silva a importância social da manifestação da CGTP. O que me espanta muitas vezes é o espírito anticlerical de muita gente de esquerda. Ainda não perceberam que a Igreja Católica é um dos últimos aliados que lhes resta e que resta aos mais pobres. Por exemplo, há sempre um grande acinte contra o Papa Ratzinger. Acusam-no de inquisidor-mor e de perseguidor da teleologia da libertação. Mas não percebem o essencial: Ratzinger não é nem nunca foi adversário da libertação dos pobres. Aquilo a que se opôs foi à confusão de jogos de linguagem entre política e teologia, para usar uma expressão de Wittgenstein.

27/09/07

D. Francisco Chimoio, a SIDA e o sexo

O arcebispo de Maputo, D. Francisco Chimoio, acusou dois países europeus de estarem a matar a população africana. Não só os anti-retrovirais para combate ao HIV estariam infectados, como os preservativos seriam fabricados propositadamente com o vírus da SIDA. Este delírio persecutório assenta na tradicional obsessão dos altos dignitário da Igreja Católica com o sexo fora e dentro do casamento. A única solução para a SIDA seria “casamento, maridos fiéis às suas mulheres… jovens que se abstêm de ter relações sexuais.” Mas tal preocupação, fundada numa mentira, da casta sacerdotal católica não parece ser mais do que um sintoma do mundo lúbrico que, recalcadamente, a habita. Depois queixam-se de que a Igreja perde influência.