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28/11/09

Desporto e virtude


Não sei se aquela retórica, que ribombava no meu tempo ao anunciar o desporto como escola de virtudes, ainda está em vigor. Provavelmente, mas claramente fora do prazo de validade. A máfia das apostas, segundo a justiça alemã, conseguiu perverter os resultados de competições desportivas em 17 países. Um dia, as pessoas decentes proibirão os filhos de pronunciar a palavra desporto. Quantos filmes não foram feitos sobre a perversão das corridas de cavalos? Agora começamos a suspeitar que não há jogo, seja de que modalidade for, que não faça parte de uma enorme rede e que qualquer resultado é fruto não do mérito, mas do embuste? Mas quando se acha que tudo é mercadoria e que o desporto é uma indústria, o que se pode esperar que aconteça? Mas o pior é que a suspeita não fica por aqui. A suspeita cresce desmesurada até à pergunta ingénua sobre quanto na economia real não é já fruto da mão invisível das máfias.

02/10/09

A força do Brasil


Esta atribuição do Jogos Olímpicos de 2016 ao Rio de Janeiro é sintomática do imenso poder do Brasil. Nem a insegurança crónica da cidade, nem a falta de infra-estruturas, nem o facto do Brasil organizar em 2014 o Mundial de Futebol, nada disso foi suficiente para desviar o evento para Madrid. Os brasileiros comemoram o facto cheios de orgulho patriótico. O que é curioso no meio de tudo isto é que, enquanto entre os europeus grassa a retórica contra o Estado-Nação, as potências emergentes não dispensam o orgulho nacional e muito menos o Estado-Nação. Um dia os europeus terão de se interrogar se as construções teóricas que visam decretar o fim do Estado-Nação não terão sido armas para desestruturar o próprio poderio europeu. Olhemos para as potência emergentes. China, Rússia, Índia, Brasil. Quem ali está interessado em destruir o Estado-Nação?

25/08/08

Contabilidades olímpicas

Há sempre múltiplas maneiras de fazer as contas das vitórias e derrotas nos Jogos Olímpicos. A China foi o país que mais medalhas de ouro ganhou, cinquenta e uma. Mas é fácil demonstrar que Portugal ganhou muito mais do que a China. Basta estabelecer a relação entre o número de medalhas e o número de habitantes. Portugal ganhou uma medalha de ouro por cada 10 milhões de habitantes, enquanto a China, com cerca de 1 500 milhões, apenas obteve 0,34 medalhas de ouro por cada 10 milhões de habitantes. É uma questão de proporção.

24/08/08

O triunfo de uma nação

Os Jogos Olímpicos de Pequim, terminados hoje, são uma espécie de retorno a uma época que parecia terminada com o fim da Guerra Fria. Se durante décadas a Europa de Leste e o Ocidente se defrontaram politicamente através dos resultados dos seus atletas, esse espírito parecia ter acabado. Mas Pequim foi o momento do seu retorno. A China fez dos Jogos uma exibição marcadamente ideológica da sua presença no mundo. Por ideologia não se deve entender, porém, o comunismo, mas o nacionalismo chinês. O comunismo, entendido como ideologia proveniente do marxismo, parece não ter qualquer influência por aqueles lados e o Partido Comunista representa apenas uma forma de congregação de uma elite política que segura ferreamente um poder autocrático.

Assim, o que esteve em causa não foi a disputa sobre a superioridade de um regime político-económico (socialismo versus capitalismo), mas a afirmação de uma potência ascendente na cena internacional. Desde a organização até à competição propriamente dita, a China nada descurou e obteve um triunfo em toda a linha. Mas que mensagens deixou a China ao mundo? Por entre a racionalidade que caracteriza os dirigentes chineses, ficou claro que a China quer ser mais do que uma potência de segunda ordem. Ela aspira ao papel de hiperpotência e mesmo ao de potência hegemónica. Em segundo lugar, tornou-se evidente que o horizonte para onde a China pretende caminhar não é o de continuar a ser eternamente o lugar da mão-de-obra barata. Quem aspira a hegemonia política mundial só o pode fazer se aspirar a ser também uma hiperpotência científico-tecnológica. Os jogos serviram para sublinhar este aspecto.

O mais curioso, todavia, é que o caminho que está a ser seguido não é, como aconteceu no Ocidente, o corte radical com a tradição. Pelo contrário, o que assistimos foi a uma subtil montagem onde tradição e modernidade se fundiram escoradas na afirmação do poder do Estado-Nação. Os Jogos Olímpicos foram o triunfo de uma nação, num tempo em que os políticos europeus não sabem que fazer com os seus próprios estados-nação.

22/08/08

Medeiros Ferreira e as medalhas

Embora visando de forma subtil, como é o seu hábito, a política interna do clube, Medeiros Ferreira (aqui) não se eximiu de salientar que as medalhas de ouro e de prata portuguesas foram conseguidas por atletas do Benfica. É um facto, mas eu – benfiquista confesso – não consigo ver qualquer ligação entre as medalhas de Vanessa Fernandes e Nelson Évora e o Benfica. Aliás, como não via ligação entre o Carlos Lopes e o Sporting, a Fernanda Ribeiro e o Porto (julgo que era do Porto) ou a Rosa Mota e o clube dela (não faço ideia qual era). Essa ligação existirá certamente, mas no caso deste tipo de desportos não tem qualquer impacto na clubite nacional. O comentário de Medeiros Ferreira, intrigas à parte, só se compreende pela secura que se vive no futebol.