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25/06/08

Retratos da Pátria – IV. A crise da Universidade

O défice cognitivo tem uma justificação simples: a miséria. A Universidade de Aveiro, uma das mais pujantes no país, está sem dinheiro para pagar as despesas de funcionamento. Segundo o Público, a Universidade está a utilizar dinheiro destinado à investigação para pagar os subsídios de férias de funcionários e professores. Eis o resultado do choque tecnológico que nos haveria de fazer entrar, a grande velocidade, na sociedade do conhecimento. Há uma coisa que ainda me consegue espantar: por que razão os políticos não têm medo de ser ridículos. Mentirosos, eu compreendo que sejam, mas ridículos?

17/09/07

A psicologia e a morbidez comportamental dos portugueses

Há já uns anos que acompanho com atenção as colocações dos alunos na Universidade pública portuguesa. Espanta-me o número de vagas do curso de Psicologia. Só este ano, nas universidades públicas havia 823 vagas, a que há que adicionar mais 27 num politécnico público. Tudo já preenchido, como acontece há vários anos. Adicionemos o número indeterminado de vagas no ensino privado. Estou convencido que entre 1200 e 1500 alunos matriculam-se anualmente num curso de Psicologia. Alguém acredita que estes alunos, depois de licenciados, irão encontrar trabalho na sua área? Só se toda a população se declarar psicologicamente doente. Portugal é um caso patológico.

01/07/07

A morte do espírito

Há um furor de destruição das instituições em Portugal. Pela mão de Mariano Gago, o governo prepara-se para destruir a Universidade Portuguesa, para lhe retirar o carácter de Universalidade, para a transformar numa espécie de agenciamento de trabalho. Ora a lógica Universidade não é puramente técnica. Melhor, não é essencialmente técnica. A Universidade visa elevar os indivíduos ao universal e formar a elite espiritual de um país. Ora isto é incompreensível para engenheiros e economistas. Num país pouco dado ao espírito e à cultura, há que temer o pior. [Ver mais abaixo post com texto de Vasco Pulido Valente. Ler o texto completo no Público.]

Vasco Pulido Valente - Partir tudo o que ainda resta

Um dia destes, o dr. João Salgueiro, com a velha audácia da ignorância, explicava ao povo que, existindo cursos que levam ao desemprego (uma verdade incontestável) e cursos que não levam, o Estado português, como o Estado da Coreia do Sul, não faria mal em orientar a criançada, através, por exemplo, da concessão ou recusa de bolsas de estudo. Suponho que esta ideia agradaria ao eng.º Mariano Gago e que entre os cursos que o dr. João Salgueiro se propõe eliminar estarão os cursos de "Humanidades". Mas se o dr. João Salgueiro por acaso soubesse um pouco de História, de Filosofia ou de Sociologia talvez compreendesse que o elemento decisivo para o progresso ou atraso de uma sociedade é a cultura que nela domina e não recomendasse com tanta ligeireza reduzir a universidade a um mero fornecedor de mão-de-obra "qualificada".

É este, de resto, o grande erro do eng.º Mariano Gago. Como o nome indica, qualquer autêntica universidade pretende educar e formar um homem universal. A universidade indígena, sem campus e sem "vida em comum", já não cumpre, ou provavelmente nunca cumpriu, esta função básica. Infelizmente, a reforma que o Governo prepara não se destina a corrigir a desagregação e o isolamento, que hoje sufocam o espírito académico. Pelo contrário, Mariano Gago quer partir tudo o que ainda resta de uma universidade mutilada e dispersa e subordinar cada bocadinho a uma tutela exterior e ao arbítrio do que governos passageiros esperam do futuro e pensam que o país precisa.
Vasco Pulido Valente, Público de hoje, 1 de Junho.