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09/01/10

A força do Benfica


Nunca pensei que o Benfica, esta temporada, estivesse tão forte. Percebia que estava melhor, mais competitivo, que tinha outro espírito. Mas confesso que estava longe de me sentir seguro de que ele fosse um verdadeiro candidato ao título. Percebi-o ontem ao ver, nos telejornais, o discurso de Pinto da Costa, presidente do Futebol Clube do Porto. Numa espécie de sessão espírita, produziu um discurso absolutamente assombroso, mas onde o assombro não conseguia disfarçar um certo medo e uma atitude desesperada. O Benfica nem vai em primeiro lugar e já todo o arsenal de uma velha guerra ideológica está já a ser mobilizado, como se ganhar ou perder um campeonato fosse a coisa mais importante da existência humana.

Que o Presidente de um clube faça isto (e que outros gostassem de ter o talento dele para estas rábulas) ainda se percebe, mas que a comunicação social dê relevância a este tipo de coisas, as quais acabam por difundir um clima odioso entre as pessoas, só por causa de uns pontapés na bola, é coisa que me deixa ainda mais consternado com o nosso pobre rectângulo, para usar uma metáfora futebolística. Um jogo de futebol, coisa de que gosto, não passa, por muito dinheiro que nele seja investido, de uma reunião onde 22 rapazolas correm, com mais ou menos talento, atrás de uma bola para ver se a conseguem enfiar numa rede. Como é que o sentido da vida de milhares de pessoas pode ser dado pelo desenlace de uma coisa destas? Como é que um clima que parece anunciar uma fracturante guerra civil pode ter acolhimento na comunicação social e na razão das pessoas? Por ser assim, o futebol deveria ser considerado com um factor de perturbação da ordem e da paz públicas. Mas não é, e o pior é que toda a gente acha estas coisas normais.

14/12/09

Alan Kardec



Ao Benfica parece que não basta Jesus, ele mesmo. Precisa de mais. Agora acaba de contratar Alan Kardec. Talvez por o mestre estar em greve de milagres, como se viu em Olhão, os dirigentes encarnados voltaram-se para o espiritismo (sim, Alan Kardec tem o nome de um dos inventores do espiritismo). Talvez os defuntos comuniquem aos vivos o segredo das vitórias, pois estes, os vivos, já nem sabem o que isso é.

Por falar em espírito, este contínuo e infindável ruído - refiro-me às milhões de contratações que o clube faz ou podia fazer - que envolve o Benfica é capaz de não predispor o espírito da equipa da melhor maneira. Mas o melhor é mesmo pedir ao Kardec que comunique com o outro mundo para ver se alguém tem opinião espirituosa, ou mesmo espiritual, sobre o assunto.

12/12/09

Não me parece que...



O empate com o Marítimo, a derrota em Braga, a forma medrosa como empatou em Alvalade e o empate hoje com o último, Olhanense (2-2), é o outro lado das goleadas. Este Benfica ainda está longe de ser consistente. As goleadas podem encher de ilusões muitos adeptos do clube, mas estes pontos perdidos são demasiado significativos para que não se olhem bem de frente. O campeonato não vai obviamente ficar definido no próximo domingo, mas Benfica e Porto vão mostrar o que efectivamente valem. Como benfiquista, ainda que quase desisteressado do futebol, estou longe de estar tranquilo.

07/12/09

A minha primeira vez





Não queria deixar de assinalar aqui, no averomundo, o acontecimento. Ontem, pela primeira vez, entrei no novo estádio do Sport Lisboa e Benfica. Há muitos anos, desde o fim da faculdade, que não ia ver o Benfica a jogar na Luz. Ontem, graças à generosidade e à estratégia de marketing do clube, lá fui para a bancada TMN. O jogo, enfim, é o que menos conta. Apesar de ser um espectador fleumático e de o futebol me interessar já muito pouco, gosto de ver o ambiente e de sentir o fervor do clube. Isso liga-me à minha infância e à memória do meu pai. Uma das coisas que tenho pena foi não ter conseguido levá-lo a ver a nova Luz, inaugurada quando ele estava já gravemente doente. Ontem, porém, pude ver a obra por dentro. Ela é, do ponto de vista arquitectónico, muito mais interessante vista do interior do que do exterior. Há uma leveza naquela arquitectura de ferro que faz lembrar uma águia planando sobre a presa. Depois, a concepção permite um escoamento fácil. Acabado o jogo, tudo flui e os vestígios do acontecimento nas imediações do estádio desaparecem rapidamente. Para coroar a visita, 4 golos à Académica. Talvez lá volte um dia destes.

02/12/09

Um século de futebol



Este belíssimo cartaz anuncia a exposição, inaugurada no passado 28 de Novembro, sobre os 100 anos de futebol em Torres Novas. Quem puder passar pela Biblioteca Municipal Gustavo Pinto Lopes, um excelente  projecto arquitectónico enquadrado numa das zonas mais atraentes da cidade, não perderá o seu tempo. Até 10 de Janeiro.

20/11/09

Conflito das interpretações



O que para a Irlanda foi um roubo, foi para a França um milagre. Como se vê, nem no futebol se escapa à hermenêutica. A única coisa que parece não estar em jogo foi o engano do árbitro. A hermenêutica de Ricoeur dir-nos-ia, porém, que aquela engano se deveu à falibilidade humana. Mas no futebol, isso não existe.

A virtude de Henry



As palavras de Thierry Henry deveriam passar em todas as escolas portuguesas. Deveriam suscitar análise, discussão, transformar-se em exemplo. Por que se envergonha um homem que contribuiu, com a sua batota, para o apuramento da selecção do seu país para o mundial? Mesmo que nada se possa fazer em relação à Irlanda, a confissão virtuosa de Henry é absolutamente excepcional. Aquilo que o jogador diz é incompreensível para a generalidade dos nossos alunos, para não falar para a generalidade dos portugueses. E isso deveria preocupar-nos.

18/11/09

África minha



Este blogue, que não é um especial adepto do professor Queirós, reconhece que Portugal conseguiu os mínimos. Bem, conseguiu um pouco mais que os mínimos. No jogo de hoje a selecção nunca esteve em perigo, controlou o jogo e poderia ter ganho por mais. Gostava imenso de alterar a visão turva que tenho de Queirós como treinador e seleccionador de gente crescida. A África do Sul pode ser uma boa ocasião para Queirós se emancipar do passado, um passado glorioso ao nível das camadas jovens e cinzento no futebol a sério.

13/11/09

11/11/09

A morte de Robert Enke



Por causa do presuntivo suicídio do antigo guarda-redes do Benfica, Robert Enke, actualmente a jogar no Hannover 96, João Gonçalves escreve isto, e o Zé Ricardo, isto. Mas talvez a questão do acto de Enke não resida nem em Deus nem na alma, não possua uma explicação filosófica, ou teológica, ou sociológica. Talvez a explicação seja idêntica àquela que se dá quando alguém morre de  cancro ou de tuberculose, ou sei lá eu de quê, tantas são as estratégias da morte ligadas às patologias. Se Thanatos escolhe uma desregulação na multiplicação das células, uma pneumonia ou uma depressão que aniquila o livre-arbítrio e conduz o paciente para a auto-imolação, estará a fazer coisas diferentes? Tecnicamente falando, do ponto de vista da ordenação jurídica da vida, o caso de Enke foi um suicídio, mas terá sido? A morte por cancro é um suicídio?

05/11/09

A lei das compensações



Os ingleses é que pagam as frustrações de Braga. A vida é assim, umas coisas compensam as outras. Mas para se ficar mais tranquilo sobre o real valor da coisa, é preciso ganhar aos grandes de cá, não bastam os médios de lá de fora.

02/11/09

Falência técnica



Depois da SAD do Sporting, a do Benfica entrou em falência técnica. A do Porto está um pouco melhor, mas não muito. Esta é a verdade do nosso futebol, talvez a verdade do futebol de muitos países europeus. O futebol expandiu-se como contraponto ao fenómeno capitalista. O desenraizamento provocado pela proletarização de milhões de pessoas conduziu à necessidade de encontrar novas raízes e formas de identidades. Na Europa, o futebol foi o principal veículo desse apelo ao enraizamento. De certa forma, o futebol era uma reacção ao mundo moderno das sociedades capitalistas. No momento, em que ele próprio se torna um empreendimento essencialmente capitalista, perde a sua identidade originária e dá o triste espectáculo a que assistimos. Eficácia financeira e tradição identitária e afectiva são coisas que casam mal, pelo menos por cá.

26/10/09

Benfica 6 - Nacional 1



Benfica venceu por 6 a 1 o Nacional da Madeira (ver também aqui). Há trinta anos seria uma trivialidade, hoje não é bem assim. Quando a fartura é muita, o pobre desconfia. Depois de anos e anos de fastio, o Benfica de Jesus entra em campo com vontade de jogar futebol e de marcar golos. Não sei se é para continuar. Ver-se-á em Braga, com o Porto e com o Sporting, mas que este ano a coisa está substancialmente diferente, lá isso está.

22/10/09

Benfica e Governo, num só dia



Consta que já temos governo. Uma espécie de evolução na continuidade, para falar à maneira de Marcello Caetano. Na Educação, confirma-se Isabel Alçada (licenciada em Filosofia, mas passou por Boston, péssimo sintoma). Teria preferido a Enid Blyton, mas não estava disponível. Azar de Jose Sócrates. Mas coisa séria mesmo é o triunfo do Benfica sobre o Everton. Confesso que cada vez compreendo menos a má disposição de Saramago contra a Bíblia. Não fora Jesus, e onde estaria o glorioso? Que ao menos ele continue a dar alegrias ao povo, pois do governo nada de bom se pode esperar.

19/10/09

Será a sorte grande?



Bósnia-Herzegovina. Talvez tenha saído a sorte grande a Carlos Queiroz. Esperemos bem que sim. Uma fase final sem Portugal seria desagradável. De certa maneira, habituámo-nos, nos últimos tempos, à presença da selecção Portuguesa nesse género de eventos. Façamos figas para que não haja surpresas, daquelas que tantas vezes nos acontecem, e não sejamos vítimas de algum desvario balcânico. O terreno é fértil em armadilhas.

14/10/09

Veremos



Portugal cumpriu. Ganhou por 4-0 aos amigos malteses. Mas aquilo que se viu, nomeadamente na segunda parte, não deixa ninguém muito tranquilo para o play-off. Como disse o Toni, que é um péssimo comentador mas sabe muito de futebol, Hungrias e Maltas acabaram. Queiroz tem um mês para pôr Portugal na África do Sul. Veremos.

10/10/09

Será que Queiroz vai ganhar?



Portugal 3 - Hungria 0. O averomundo não é um especial adepto de Carlos Queiroz, mas hoje há que lhe dar os parabéns. A selecção fez o que tinha de fazer, ganhar. Ainda por cima marcou golos. Simão jogou muito bem, também Pedro Mendes e Bruno Alves. Liedson fez bem o seu papel. Portugal não foi brilhante, mas estamos todos cansados de derrotas com exibições brilhantes. Bom seria que Carlos Queiroz demonstrasse, primeiro com o apuramento e depois no Mundial, que é um treinador de equipas adultas e não apenas um condutor de jovens promessas. Será que ele vai ganhar essa aposta?

30/09/09

Ai Jesus


As acções do Benfica SAD já valem mais que as do Porto e Sporting juntas. Pudera, com a contratação do treinador ao Céu, as acções só podem mesmo é subir. Esperemos, porém, que Jesus seja mesmo o Ungido e não um qualquer anjo caído.

10/09/09

Top ten


Eu sei que é desagradável, que deixa alguma gente indisposta, mas o glorioso, no século passado, fez parte do top ten do futebol europeu. O pior é o século XXI, mas ainda há 90 anos para assegurar a manutenção.

05/09/09

A selecção e a aritmética



Chegou o momento em que selecção já não depende de si mesma. Nunca vi um país em que as pessoas tivessem tantas dificuldades em matemática e que, ao mesmo tempo, tanto gostassem de fazer contas. Pelo menos na aritmética deveríamos ser bons.