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24/01/10

Gran'Gula em Coruche



Chega à pacata vila de Coruche, ali no vale do Sorraia, e apetece-lhe uma refeição tranquila, diferenciada, onde exista bom gosto e sobriedade, que não é outra coisa senão o sintoma desse bom gosto. Onde poderá encontrar isso, se é que pode? Pode. Encontra-o no Gran'Gula (se seguir o link, terá acesso à ementa e a uma panorâmica geral do restaurante).

O ambiente e a decoração são sóbrios e elegantes, o atendimento é gentil e com sábio equilíbrio entre a atenção necessária e distância certa. A comida, segundo a experiência que lá fizemos, é óptima, um sempre difícil equilíbrio entre a tradição portuguesa e a cozinha de autor. Começou-se com pão com manteiga, uma manteiga de ovelha de Azeitão, um jogo entre o sabor da manteiga e a evocação do queijo. Entre as entradas disponíveis, escolheu-se a farinheira preta com abacaxi, ambos grelhados. O abacaxi equilibra muito bem a farinheira preta, corta-lhe ameaças de indigestão, e joga como se fosse uma espécie de metáfora, embora comece a ser relativamente corrente, aproximando dois campos gustativos muito distantes. Resulta bem.

Filetes de linguado marinados com açorda de tomate e limão (não consta da lista do blogue linkado mais acima). Dos filetes nada há dizer, a não ser que se apresentaram como se esperava, bem temperados, sem oleosidades, sápidos, e muito bem acompanhados por uma açorda de gosto delicado e suave. Uma belíssima combinação. No prato de carne, experimentámos o folhado de perdiz. Também ele excelente. O folhado vinha coberto por uma redução de vinho tinto e chalota que lhe dava um toque de distinção e acompanhado por um gratinado de brócolos e arroz selvagem. Como sobremesa, preferiu-se o crumble de maçã e pêra, que igualou a qualidade de toda a refeição. Tudo isto foi acompanhado, como sempre fazemos, por um tinto da zona, um Vale das Lebres (2006). Não conhecíamos e foi uma nova e belíssima surpresa da enologia ribatejana. Vale a pena ir a Coruche.

17/01/10

Herdade de Cadouços


Não tema o ocasional leitor que este blogger se vá arvorar em especialista de vinhos. Não é, não vai. Mas, confesso, sou um diletante, mero amador sem formação técnico-científica, coisa hoje sempre necessária para falar de vinhos, para além da formação em retórica. Gosto de vinhos, de bons vinhos, como milhões de pessoas. Nos últimos tempos tenho-me tornado um adepto, cada vez mais fervoroso, dos vinhos do Ribatejo. Sei que as condições edafoclimáticas desta província não se podem comparar com as do Douro, mas os projectos vinícolas ribatejanos são cada vez mais interessantes.

Este vinho, por exemplo, devido ao nome que ostenta, tinha todas as condições para não ser por mim comprado. Há coisas que me recuso a experimentar por causa do nome que ostentam ou do rótulo. Preconceitos meu. Mas numa visita gastronómica à Herdade de Cadouços (Bemposta, Abrantes) bebi um dos vinhos da Herdade, o Memorium (na altura, devido ao tal preconceito, recusei este Yes We Can). Foi uma belíssima experiência. Ora, à saída da Herdade, há uma loja de vinhos e comprei vários exemplares dos produtos da casa, o Cadouços 2007 (7 €), o Harmony (14 €), o Memorium (17 €)e o famigerado Yes We Can (17 €) [preços na herdade, embora se comprar não sei quantas garrafas deste e daquele sai a um pouco menos. No restaurante da herdade, o vinho está ao mesmo preço]. Hoje abri uma garrafa do Yes We Can. Esqueça-se o nome, a identidade com o slogan de Obama, esqueçam-se os preconceitos, e beba-se lentamente, bem lentamente. Tanto o Memorium como o Yes We Can passam o exame deste pobre examinador com uma bela nota. Veremos os outros.