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24/09/11

Cantar de Emigração


Esta é uma das canções de intervenção de que sempre gostei. O poema é da poetisa galega Rosalía de Castro e a música, de José Niza, desaparecido ontem. A voz, de Adriano Correia de Oliveira. Que melhor canção se poderia dedicar a José Niza? Este parte, aquele parte, e todos, todos se vão... Infelizmente.

07/09/11

Cristina Branco - Redondo Vocábulo


Cruzamento entre uma voz do fado e o melhor de José Afonso. Ainda hoje sou capaz de ouvir a música do cantor de Setúbal. Não toda, há alguma música panfletária para que não tenho paciência. Mas sejam as trovas mais tradicionais, sejam canções de álbuns como Cantigas do Maio e Venham Mais Cinco, fazem parte daquilo que na música popular ainda me dá prazer ouvir, nem que seja o prazer da memória. Com uma voz e uma cara como as da Cristina Branco, então todo se torna ainda mais agradável.

06/09/11

NATALIA JUSKIEWICZ - "COM QUE VOZ"


Talvez por a minha adesão ao fado ser tardia, não sou purista e acho este tipo de experiências interessantes. Descobri esta violinista fadista no ionline, e, embora o fado não precise para ser universal da abstracção da voz, a verdade é que o violino tem um poder de expressão que supera qualquer barreira linguística. Por outro lado, a tensão entre violino e a viola e a guitarra portuguesa não deixa de ser um jogo, dantes dir-se-ia uma dialéctica, feliz.

27/02/10

26/02/10

21/02/10

The Astounding Eyes of Rita


Se dissesse que tinha comprado este CD devido ao título, mentiria. A música de Anouar Brahem é uma das que gosto há bastante tempo. A verdade, porém, é que aquela capa e aquele título, mesmo que não conhecesse o músico e o seu percurso, levar-me-iam a ouvir o disco, movido talvez pelo adjectivo astounding, por aquilo que se pensa nele, e pela conexão estabelecida entre o cenário da capa e esse adjectivo.

Olho para a fotografia e vejo a melancolia íntima de uma mulher. Ela olha para fora de si mas é um olhar que fica preso ao interior do compartimento onde se encontra. O mundo da vida, o mundo público onde se desenrola a existência prática, sofreu uma epochê, isto é, foi posto entre parêntesis, foi suspenso. Aquela mulher, só com muita relutância lhe chamaria Rita, está fechada no segredo do seu espírito e é de lá que ela olha.

Como do olhar desta mulher se chega aos olhos astounding de Rita? O que pensamos nós no adjectivo astounding? Pensamos múltiplas coisas. Por exemplo, o estar aturdida, o estar abismada, o estar aterrada, o estar espantada, mas ainda a natureza fantástica, no sentido de excepcional, desse olhar. Os olhos fantásticos de Rita revelam o seu estado de excepção, mas este provém do aturdimento, do terror, do abismo, de tudo isso que provoca espanto.

É aqui que se cruzam os olhos de Rita e aquela mulher que povoa o cenário que encapa o CD. Os olhos fantásticos de Rita são-no, de forma adjectiva, porque o seu olhar provém do espírito, e este é abismo e fonte de aturdimento e de terror. Mais poderoso que o mundo exterior, o espírito é causa de espanto. Os olhos de Rita são astounding, mas o espírito que os move é, verdadeiramente e simultaneamente, substantivo e verbo, é efectivamente astound, se o verbo, to astound, pudesse ser substantivado. A melancolia que vemos no olhar da mulher da foto é o indício da distância que vai do adjectivo ao verbo/substantivo, que vai do olhar ao espírito. A melancolia é sempre o sintoma de uma cisão, de uma separação. Entre os fantásticos olhos de Rita e o abismo que é o espírito há uma distância irreparável.

Será que a música, o universal sem conceito, no dizer de Nietzsche, dirá melhor tudo isto que a palavra fundada em conceitos universais? O melhor será mesmo ouvir.


19/02/10

16/02/10

15/02/10

14/02/10

Charles Aznavour - La Boèhme

É um retorno, julgo. Mas não cansa. Isto pertence a uma geração anterior à minha, mas ainda é do meu tempo, como se dizia.

10/02/10

08/02/10

06/02/10

Mozart - Requiem - Karl Bohm

De acordo com o espírito do tempo.

05/02/10

Every Time We Say Goodbye - Cinzia Spata & Marc Copland

Amanhã à noite, ele, o pianista Marc Copland, estará a solo em Torres Novas, no Cine Teatro Virgínia.