14/09/11
15/01/10
As coisas técnicas
Esta belíssima imagem de propaganda a um transístor portátil da Grundig (1958) foi vampirizada de o Dias Que Voam, um blogue que merece bem estas vampirizações, para além de inúmeras visitas e leituras. Aliás, há lá outro anúncio notável da Grundig (1957), uma verdadeira lição de sociologia da época. Este transístor seria então, segundo a publicidade, uma jóia. Pequena, mas autêntica. Se pela autenticidade a Grundig nos assevera o seu carácter verdadeiro, oposto a uma falsificação, pela associação com uma jóia faz evocar em nós o que é belo e aquilo que resiste ao tempo, aquilo que é eterno.
Eis aqui, porém, a mentira da técnica. As coisas técnicas, na sua verdade, podem ser belas, e num momento apenas, mas não eternas. A beleza delas decairá rapidamente, para não falar no facto de serem produzidas para se tornarem obsoletas. Por exemplo, eu olho quase como a rapariga do anúncio para o meu e-book Kindle, mas sei já que ele representa o passado. A beleza que ainda entrevejo nele e o prazer que me dá na suavidade da leitura que me proporciona serão em breve ultrapassados por um novo objecto que se oferecerá imperativo, pelo saber da técnica e do design, à minha voluptosa faculdade de desejar.
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04/01/10
Ponto G, afinal não há, ou haverá?
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01/01/10
O alelo 334
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31/12/09
Do saudável e do patológico
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22/12/09
A catolicidade de Shakespeare
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20/12/09
O problema das compras
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19/12/09
Um mastro de cem metros
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14/12/09
Banha da cobra
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13/11/09
Icebergs à deriva
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07/10/09
Um país de vigilantes
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02/10/09
Estou deprimido
Estou deprimido! Por causa desta notícia do Público sobre a nossa tetravó Ardi. A depressão não é por ter enriquecido o álbum de família, nem por esta nossa antepassada ser peluda, todos sabemos que naqueles tempos não havia tempo para ir a depiladora. Mais macaca peluda menos macaco, a família já não pode ficar mais descomposta do que está. O que me deprime é isto: Pensava-se, por exemplo, que o antepassado comum aos homens e aos chimpanzés teria sido um ágil trepador, conseguindo pendurar-se nos ramos das árvores, baloiçar-se e saltar de árvore em árvore tal como os chimpanzés de hoje. E também que, tal como eles, caminhava apoiado nos nós dos dedos das mãos. Mas não foi nada disso que os investigadores descobriram ao examinarem Ardi. Como explica ainda o comunicado acima referido, quando se encontravam no chão, os hominídeos de Ardipithecus caminhavam erguidos, apoiados nas suas duas pernas (isto é sugerido pela anatomia dos pés). Uma outra ideia estabelecida pode, aliás, estar em causa aqui: a que supõe que o bipedismo dos hominídeos nasceu quando eles se lançaram para espaços mais abertos, para a savana e não quando ainda viviam na floresta. Os Ardipithecus eram “bípedes facultativos”, dizem os investigadores. Quer dizer que os antepassados comuns a nós e aos grandes primatas eram mais parecidos connosco do que com eles? Quer dizer que eles mudaram mais do que nós? Quer dizer que nada garante que, num futuro mais ou menos longínquo, os nossos netos não sejam uma espécie de grandes orangotangos? Uma pessoa deprime-se, não é?
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13/05/09
As teorias conspiratórias da gripe suína
O mundo sempre foi propício a teorias da conspiração. Estas são o sal da história. Sem uma conspiração por detrás dos acontecimentos, a história dos homens não passaria de uma narrativa insossa. Nisto revela-se a propensão metafísica da humanidade. Os factos históricos são puros acidentes, os quais têm a sua origem na essência verdadeira, a conspiração. Com a epidemia da gripe suína veio para a esfera pública a discussão de uma nova conspiração. Segundo os adeptos da teoria, o vírus teria sido fabricado em laboratório. Dividem-se, porém, os teorizadores em dois grupos. Num dos lados, estão os adeptos do acidente; no outro, encontram-se aqueles que defendem o fabrico propositado do vírus para infectar intencionalmente as populações e assim se venderem vacinas.
A pregnância destas teorias reside na verosimilhança dos seus supostos. Em primeiro lugar, é verosímil que pessoas ajam maldosamente com vista ao lucro. Faz parte da natureza humana. Em segundo lugar, o conhecimento científico e técnico está suficientemente desenvolvido para produzir este tipo de vírus. Em terceiro lugar, está instalada uma forte desconfiança entre as populações e os vários tipos de elites. Nestas incluem-se as elites económicas e científicas. Este terreno é fértil para todo o tipo de delírios da razão. Mas o problema central é este: e se o delírio não é delírio? Do ponto de vista jurídico, cabe aos teóricos da conspiração provar que ela existe ou existiu. Mas do ponto de vista da percepção social o problema é diferente: cabe àqueles que não conspiraram provar que de facto não o fizeram. Esta contradição parece insanável.
Se de facto a epidemia alastrar com com elevado número de mortes, a teoria da conspiração ganhará terreno e poderá mesmo ser alavanca de grande agitação social. Por isso, há, do ponto de vista político, todo o interesse em mostrar que o vírus que atormenta a humanidade apareceu naturalmente e sem intervenção demiúrgica humana. Com a intervenção da OMS, o problema deixou de ser apenas científico e tornou-se eminentemente político. Era bom que não se esquecesse isso.
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13/03/09
Leituras
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07/10/08
Rédea curta no mulherio
Admirável mundo novo! Mas o mundo de que quero falar não parece novo, mas saído há instantes da Idade Média. Na Arábia Saudita uma fatwa (édito religioso) proferido pelo xeque Muhammad al-Habadan determina que as mulheres quando saírem à rua, e não tenham a cara completamente coberta com um lenço, só poderão mostrar um olho, e não dois como tão desavergonhadamente faziam até aqui. Parece que é um reforço das regras de modéstia. No Irão, para não se ficar atrás no zelo com a modéstia, e depois de se ter criado um linha de táxis só para mulheres, criou-se um carro só para mulheres. Roídos de inveja, os judeus ultra-ortodoxos não perderam a oportunidade para imitar os seus arqui-inimigos. Criaram patrulhas de modéstia e assaltaram casas para agredir mulheres (acto honrado e heróico) por usarem “blusas vermelhas” ou por “conviverem com homens”. Por certo, blusas brancas são menos eróticas e o convívio de mulheres com mulheres é muito mais decente. Consta também que não gostam de modems de acesso à Internet e de leitores MP4 por causa dos downloads de filmes pornográficos. Será que isto nos vai contaminar? Não faltará por aí muito homem desejoso de pôr rédea curta ao mulherio.
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06/10/08
Notícias do paraíso
Olhemos apenas para a edição on-line do Público. O paraíso a que se chegou está aí em todo o seu esplendor: Autoeuropa pára produção de monovolumes por quebra na procura. Quer continuar na área da economia? Maior queda sempre para o PSI-20 (índice da Bolsa de Lisboa): quase dez por cento. Esta, um pouco anterior, também não é desinteressante: Lisboa cai mais de oito por cento e liderava mais um dia negro para bolsas europeias. Mais economia? Mercados antecipam contágio de crise financeira ao resto da economia. E do mundo da política, de que feição correm os ventos para nós, pobres europeus: NATO alerta para dificuldade de travar produção de bomba nuclear iraniana. Bem-vindos ao paraíso, ao admirável mundo novo.
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27/09/08
Escola centrada no aluno
Estava a almoçar num restaurante. Chega um grupo de adultos acompanhado por três crianças com idades abaixo dos quatro anos. O silêncio e a discrição que reinavam foram substituídos por um mar infinito de guinchos e gritos. As crianças, perante a complacência feliz dos adultos, exprimiam todo o seu ser, dando-nos, a nós felizes comedores, a oportunidade de partilhar a berraria da sua felicidade. De um momento para o outro, naquela sala, já só existiam as crianças. As conversas sussurradas suspenderam-se por impossibilidade prática de prosseguirem o seu rumo tranquilo. Admirável mundo novo este que prepara a criançada, desde tão tenra idade, para a escola centrada no aluno.
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17/09/08
Economia da testosterona
Uma equipa de investigação da Universidade de Aberdeen, no Reino Unido, chegou à conclusão que o tipo de pessoa que achamos sexualmente atraente varia em conformidade com os níveis de testosterona (aqui), de cada momento. Depois de muito meditar, achei que o estudo tinha elevado potencial económico. Talvez possa mesmo vir a ser um ponto de viragem na malfadada crise económica. Poder-se-á prever o surgimento, a breve prazo, de um kit com um aferidor salivar de testosterona e as respectivas pílulas hormonais, para casos de baixa produtividade. Vale mais uma pessoa acautelar-se, não vá sentir-se atraída por alguém que, noutro pico de produção glandular, se arrependa. Não faltarão clientes.
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15/09/08
A coisa está má...
Neste admirável mundo novo, se escaparmos à crise económica que aí vem, há ainda a esperança de que a humanidade não resista à pandemia da gripe das aves. Se também esta falhar, que não se desanime, pois há os furações, o degelo, enfim, o efeito estufa e o aquecimento global. Mesmo assim se a peste humana teimar em permanecer neste malquisto planeta, há sempre a solução da guerra nuclear.
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06/08/08
Hiroshima
Passa hoje mais um aniversário do lançamento da bomba atómica sobre a cidade japonesa de Hiroshima. Este é um acontecimento decisivo na história do homem. Não porque tenha, com o seu aparato e o infinito cortejo de mortos e doentes e segundo uma contabilidade ao mesmo tempo realista e macabra, poupado centenas de milhares de vítimas, nem porque tenha evidenciado a especial perversidade dos americanos. O que há de decisivo neste acontecimento é a constatação de que o homem, seja americano ou pigmeu, não hesitará em lançar mão daquilo que puder para alcançar os seus objectivos. Mas o acontecimento é ainda decisivo porque foi o dia em que a ciência-técnica ocidental perdeu a inocência e a aura em que estava envolvida desde a «santificação» de Galileu. Em Hiroshima, sobre um pântano de cadáveres, reinou como uma estrela brilhante essa profunda aliança entre saber e poder. Foi mais um passo, um passo decisivo, na construção do nosso admirável mundo novo.
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