08/10/07

Ensinar filosofia

Quando se ensina filosofia a jovens de 15 anos, a tentação é explorar o pathos que se abate sobre aquelas pobres crianças, num momento onde o corpo e a cabeça mal acabaram de sair da turbulência tenebrosa da puberdade. Mas essa exploração do sentimento confuso não passa de uma manobra kitsch. Onde se manifesta esse kitsch? Na sentimentalidade do “todos os homens são filósofos” ou na do “em filosofia cada um tem a sua opinião”. Tudo isto é dito como se da boca saísse um suspiro e da alma um anelo do céu. Mas a filosofia não é a rude disciplina do conceito?

2 comentários:

Valter Boita disse...

Partilho da sua ansiedade! Mas os culpados desta situação são alguns dos manuais editados.
A filosofia torna-se "kitsch", perdendo o seu carácter filosófico, na medida em que se adoptam discursos apologéticos.

O melhor seria não explicar o que é a filosofia, e entusiasmá-los com o filosofar, a partir dos tantos problemas constitutivos da filosofia e que até lhes interessam!

Jorge Carreira Maia disse...

Caro Valter,

Os manuais são aquilo que são, mas isso não implica que se siga tudo o que lá vem, ou mesmo que se siga o que lá vem.

Seja como for, parece haver um esforço dos autores de manuais para abandonar o "kitsch" e o discurso patológico e emotivo, para o centrar na argumentação.

Não sendo tudo, é bom o esforço.