28/01/10

Humilhações


Falando em humilhações, tenho lido muitas coisas, li Platão e Aristóteles, li Kant, Fichte, Schelling, Hegel, Nietzsche, Husserl e Heidegger, e mais não sei quantos grandes, pequenos e médios filósofos. Mas esta gente nunca me humilhou como o faz Herberto Helder. Na verdade, nunca me humilhou. Nem os poetas, nem os romancistas, por excessivos que sejam. Só há uma autora que me causava tamanha humilhação. Eu lia-a e, por vezes, ativarava com violência os livros contra a parede ou para o chão e calcava-os, depois pegava neles e retornava à leitura. Era uma leitura física. Deixei de a ler, não sei se retornarei. Porque a humilhação que nela se sente não é apenas a da escrita, da composição, a do excesso de bem escrever. É uma humilhação que ultrapassa o literário e até o social. É uma humilhação de natureza ontológica. O leitor é um verme e eu, enredado no jogo social daquelas narrativas, sentia-me um verme. O nome dela, Agustina Bessa-Luís. Peço desculpa ao Saramago e ao Lobo Antunes e a todos quanto..., mas literatura a sério é a da Senhora D. Agustina.

1 comentário:

Luísa disse...

Percebo-o.
Eu não lhe chamaria humilhação, mas eu não sou escritora sou leitora.
É outro o meu sentimento, mas não lhe sei dar nome, quando estou perante a escrita complexa, astutamente lúcida e enredada no profundo da natureza do ser dessa verdadeira "Sibila" nortenha.
Então.... deixo-me ir, não faço reacção e assim não arrisco a saúde dos meus livros!
Abraço,
L