03/10/08

Reconheçamos…

Nada pior do que a auto-ilusão. Podemos não gostar do governo e de Sócrates, mas é preciso reconhecer que nem tudo lhe está a correr mal. As sondagens começam a sorrir-lhe e agora a Argentina também quer o Magalhães (estas coisas impressionam o eleitorado). Para cúmulo não existe oposição. A de esquerda é mais dinâmica, embora tenha perdido intenções de voto, mas não é oposição para tomar conta do poder. A de direita pode tomar conta do poder, mas não tem energia nem propostas diferenciadas do governo actual. O mais natural é o eleitorado continuar nos braços dos socialistas. Pelo menos sabem com o que contam: não contam com grande coisa, mas sempre haverá animação, Magalhães, Internet, quadro electrónicos, e o mais que a tecnologia acender na imaginação dos zorrinhos do governo. Pode ser que não seja nada. No fim de contas, já vivemos assim há uns 900 anos e a coisa lá vai correndo.

3 comentários:

Anónimo disse...

O contador de viagens há-de dar fé das minhas visitas, mas queria às vezes reconhecer também. Vou tentar fazê-lo pois já ando a ver o mundo há algum tempo e gosto bastante das iluminações que dele aqui se fazem. Obrigada.

Anónimo disse...

Ando a ver o mundo há algum tempo, mas hoje gostava de reconhecer também e de agradecer as iluminações que aqui encontro.

Alice N. disse...

Temos políticos medíocres e um povo anestesiado, vergado, esmagado pelas dificuldades... Um povo pouco exigente com os seus governantes e que, tristemente, perdeu a esperança… Um povo carente que exulta com brindes e fogos-de-artifício. É triste ver como é fácil manipular as massas – basta, por exemplo, dar-lhes uns Migalhães (nome mais adequado do que “Magalhães”) e show-off quanto baste. Ah! maravilhosa propaganda!

Não sei se é assim em todo o lado, mas os portugueses adoram que lhes dêem coisas. Não importa se elas são ou não úteis e prioritárias. Não importa a diferença entre o que é dado e o que é tirado, entre o que é oferecido e o que é devido. É dado, logo é bom.
Porque não reclama o povo um ensino público de qualidade e realmente gratuito? Porque não exige exames sérios e credíveis? Porque não exige escolas onde não se passe frio, onde haja salas de aula decentes e bibliotecas dignas do nome? Ah! nada disso é importante face aos maravilhosos Migalhães, quadros electrónicos e afins! A tecnologia tudo trará. Jesus disse a Lázaro "levanta-te e anda", mas Sócrates fez mais: deu o Migalhães e anunciou o nascimento de um Homem novo. E o povo, maravilhado e agradecido pela bondade, beija-lhe as mãos…

Será possível venerar assim o seu próprio carrasco? Estarão os portugueses pacientemente à espera que ele caia da cadeira? Veremos daqui a um ano…