31/03/08

A primavera de Praga

Dois blogues [Água Lisa e Entre as Brumas da Memória] falam hoje da Primavera de Praga. Eu ainda não tinha, na altura, 12 anos e lembro-me perfeitamente da crise, de a ver passar na televisão. É provável que a censura fosse, neste caso, muito mais branda do que noutros. Sempre se passava num país comunista. Lembro-me muito bem do estudante que se imolou pelo fogo aquando da chegada dos tanques soviéticos. Isso impressionou-me vivamente, por estranho que pareça. Não que eu tivesse uma especial propensão para a política, não deveria ter. Mas a agitação nas ruas e aquela imagem terrível da imolação foram absorvidas. Lembro-me também do nome do presidente checo, Dubcheck. O curioso desta história é que a brandura da censura, neste caso, não teve muitos efeitos. Nem em mim, nem em muitos da minha geração, pois o episódio não evitou que pessoas estruturalmente conservadores tivessem passado, no final da ditadura e no início da democracia, pelo marxismo. É provável que se em 1968 vivêssemos já em democracia, toda uma geração teria passado ao lado do marxismo e da aceitação do comunismo.

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