07/12/07

A Cidade Flutuante - 32. Colheste os frutos

Colheste os frutos,
na árvore os havia,
e deixaste crescer os jarros
na margem do rio.

Depois, os musgos secaram
e a erva estiolou
enquanto as gentes passavam,
de memória acorrentada,
o olhar inquieto
e um sobressalto por morada.

Frágil coração
era o daqueles dias
em que trazias o rosto
suspenso
na luz que o iluminava,
se os frutos caíam
se os jarros secavam
de tanta água ver passar.

Musgo seco
e erva estiolada
é o que resta na memória
do teu corpo
sem nome,
sem morada.

[JCM. A Cidade Flutuante. 1993/2007]

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