Uma contradição no mundo do consumo

A elite empresarial, nomeadamente a casta dos gestores, vive dilacerada entre a nostalgia dos «velhos» valores conservadores, e o seu papel de revolucionários permanentes, cuja função é destruir e desestruturar, através da «inovação», a vida social, para que as pessoas se sintam coagidas (aplico a palavra no seu efectivo sentido) a consumir cada vez mais, os lucros das empresas cresçam e os seus honorários subam.
Mas a contradição efectiva não se encontra na subjectividade dilacerada da casta dos gestores. Não é o antagonismo afectivo entre o olhar nostálgico para o passado e a acção presente. A contradição está noutro lado: foram os velhos valores conservadores e burgueses que permitiram a essa elite ascender aos lugares que ocupa. Mas quem os poderá substituir se já desapareceram os velhos valores e os novos valores são puramente valores de dissipação? O mundo empresarial exige que os consumidores sejam continuamente dissipadores, mas como nesse caldo cultural se poderá formar uma elite que dirija o mundo empresarial sem dissipação? Os valores dominantes contêm em si um princípio suicidário, uma auto-contradição da qual não se vislumbra como solução senão a pura destruição.
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