29/06/07

Bocage 04 - Aspirações do Liberalismo, excitadas pela Revolução Francesa...

Liberdade, onde estás? Quem te demora?
Quem faz que o teu influxo em nós não caia?
Porque (triste de mim!) porque não raia
Já na esfera de Lísia a tua aurora?

Da santa redenção é vinda a hora
A esta parte do mundo, que desmaia.
Oh! Venha… Oh! Venha, e trémulo descaia
Despotismo feroz, que nos devora!

Eia! Acode ao mortal que, frio e mudo,
Oculta o pátrio amor, torce a vontade,
E em fingir, por temor, empenha estudo.

Movam nossos grilhões tua piedade;
Nosso númen tu és, e glória, e tudo,
Mãe do génio e prazer, ó Liberdade!

2 comentários:

Ana Mateus disse...

Sublime.Simplesmente.

Anónimo disse...

A liberdade está, quiçá, na ausência de interrogação da mesma.
Creio ter para mim que é um conceito que morreu na génese do mesmo. Ao se admitir a nossa entrega a um sistema de quotidiano comum, mesmo – e é este o caso – quando se idealiza uma existência colectiva individualizada.
Será sempre uma lâmina de dois gumes, a liberdade, sabemos antes de mais nada que a liberdade por nós gerada não é igual à liberdade natural. As naturais obedecem a processos, por outro lado, a nossa, a vontades internas e a imperiosas condicionantes exteriores. É tentar passar uma passadeira, sendo o pião a vontade de acção.
Posto isto, a liberdade nossa, em tudo uma articulação, é premissa necessária à nossa incapacidade de ser uno em si mesmo também se deve em parte ao facto de toda e qualquer acção da nossa parte ter reflexos nos nossos.
Em suma, o conceito de livre liberdade só se deve aplicar ao plano racional e criativo do nosso âmago pois, infelizmente, o actual vero só respeita o conceito de liberdade sub-repticiamente caracterizada pela lei, esquecendo aspectos mais severos que esse, também a liberdade imperativa. Ora, à lupa, o vero molda ainda cânones de subjugação à aplicação da denominada liberdade. Não quero essa liberdade, admito ser seguidor da liberdade de miolo. Valores impostos não são genuínos nem pertencentes à pessoa e às pessoas em si. Sei que se necessita de um punhado de intelectuais nas também de uma malha de cidadãos que racionalizem com julgo semelhantes à sua pessoa.