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10/12/09

Sebald - o meu avô



Hoje, porém, releio sempre as histórias do almanaque, provavelmente porque, como observou Benjamim, uma marca da sua perfeição é que facilmente as esquecemos. Mas não foi somente a etérea fugacidade da prosa de Hebel o que, ao cabo de um par de semanas, me levou a querer saber se o barbeiro de Segringen e o alfaiate de Pensa ainda existiam; o que me faz voltar constantemente a Hebel é também o facto, inteiramente fortuito, de o meu avô, cuja linguagem em muitos aspectos fazia lembrar a do amigo da casa, ter o hábito de comprar todos os anos um calendário Kempten no qual anotava, a lápis de tinta, os dias da festa onomástica de parentes e amigos, a primeira geada, o primeiro nevão, a irrupção do föhn, as trovoadas, granizos e similares, bem como, nas páginas para notas, uma qualquer receita para o fabrico de vermute ou de aguardente de genciana. [W. G. Sebald (2009). O Caminhante Solitário. Lisboa: Editorial Teorema, pp. 12]
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Volto a um dos meus autores preferidos, W. G. Sebald. Esta minha preferência talvez se deva à partilha do seu culto pela memória. Educado filosoficamente numa tradição que vai da reminiscência platónica à rememoração de Ricoeur, passando pela memória como presente do passado, de Agostinho de Hipona, com o passar dos anos, e o crescimento inusitado das memórias, fui ficando cada vez mais sensível aos exercícios mnésicos na literatura, chegando a pensar, muitas vezes, que toda a literatura não é outra coisa senão um imenso exercício memorial.

O meu culto de Sebald, porém, não se deve apenas a essa atenção comum à memória. Deve-se à destreza como ele convoca e entrelaça as memórias para narrar uma história, uma história que, sendo-me absolutamente estranha, parece ser a minha história. Neste pequeno excerto, Sebald começa por falar nas histórias de almanaque de Johann Peter Hebel (1760-1826), um dos grandes escritores de língua alemã, famoso precisamente por essas histórias, mas logo deriva para a memória do seu avô, dos seus gestos e da forma como regulava o mundo.

Eu, que nunca tive um avô, pois morreram ambos muitos anos antes de eu nascer, vejo-me a recordar esse avô que não tive, e recordo-me dele a anotar o seu calendário, talvez uma vulgar agenda, a anotar os dias de aniversário de filhos e netos, os acontecimentos climáticos significativos, o dia que nevou, ou aquele em que o fogo devastou o pinhal à saída da aldeia. Chego a vê-lo a consultar as suas anotações sobre receitas de aguardentes e licores. Sei bem que toda esta recordação é imaginada, mas só em parte. Conheci várias pessoas que faziam algumas daquelas coisas que regulavam a vida do avô de Sebald, mas a história que o escritor me conta permitiu sintetizá-las numa única figura, aquela que nunca conheci, o meu avô. E este meu avô comove-me, como se tivesse existido e me tivesse passeado e mostrado as estrelas e os campos. Um grande escritor é aquele que me faz ter o avô que nunca tive.

12/11/09

Leituras



Tenho estado a trabalhar sobre um texto de Joseph de Maistre denominado Éclaircissement sur les Sacrifices. Há nessa operação uma dupla ambiguidade. Maistre, um autor anti-iluminista, e é o mínimo que se pode dizer do seu reaccionarismo, utiliza no título do seu estudo uma das palavras mais caras ao Iluminismo, Éclaircissement, Esclarecimento. Esclarecer não é mais do que levar a luz da razão aos lugares onde as trevas predominam. Esclarecer significa literalmente tornar claro, visível. O Esclarecimento é atravessado por um ideal de transparência, por uma luta sem fim contra a opacidade do real. O que Maistre faz, porém, é levar a luz até ao lugar onde ela não penetra, até a uma espécie de buraco negro que deglute toda a energia, que elimina a luminosidade, que mostra um limite à transparência. Esclarece para mostrar que nem tudo pode ser esclarecido, como se brincasse com os seus inimigos teóricos de predilecção, como Voltaire.

A segunda ambiguidade reside em mim, leitor de Maistre. Muito do que leio repugna-me o sentimento e atiça a ferocidade polémica da razão. Ao mesmo tempo, contudo, insinua-se um secreto prazer na leitura, uma prazer que não nasce da transgressão, mas do reconhecimento de uma voz muito antiga que o tempo tinha recalcado. É como se a superfície racionalista que cobre a minha educação cedesse a um longínquo apelo daquilo que, para a razão, há de mais tenebroso e ameaçador. Sinto-me divido entre a vontade de polémica e a sedução que os textos de Maistre exercem sobre mim. Já há muito que não encontrava textos que me pusessem neste estado de ambiguidade. Os livros de Agustina Bessa-Luís, por exemplo, tinham essa capacidade. Fascinavam-me e repeliam-me. Faziam-no de tal maneira que cheguei a jogá-los violentamente contra a parade ou para o chão e pontapeá-los, para depois os apanhar e retomar sofregamente a leitura. Ninguém se iluda, ler não leva à glória dos altares, nem é um exercício para almas cordatas. Ler pode ser uma batalha campal.

17/09/08

Do daltonismo na história

Mas que sabemos nós do rumo da história, que segundo uma lei que a lógica não compreende, que se move e muda de direcção no seu movimento, muitas vezes num momento decisivo, por causa de minudências imponderáveis, por uma mera corrente de ar quase imperceptível, uma folha que cai no chão, uma troca de olhares no meio de um grande ajuntamento! Mesmo em retrospectiva, não podemos saber como era realmente antes e como surgiu este ou aquele acontecimento mundial. O mais rigoroso estudo do passado não chega mais perto dessa verdade que a imaginação não atinge do que, por exemplo, a disparatada afirmação que uma vez ouvi a um tal Alfonse Huyghens, diletante que vivia na capital da Bélgica e há décadas se dedicava a investigar Napoleão, segundo o qual todas as convulsões causadas nos países e reinos da Europa pelo imperador dos Franceses se deviam somente ao seu daltonismo que o impedia de distinguir o vermelho do verde. Quanto mais sangue corresse no campo de batalha, disse-me o investigador belga, mais verdes lhe pareciam os campos. [Sebald, Campo Santo, pp. 19]
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Não falta por cá Huyghens. De daltónicos também temos o stock bem provido.

16/09/08

W. G. Sebald - Campo Santo


Nos dias que passaram em Paris, os dois amigos [Max Brod e Franz Kafka], um tanto abatidos, visitaram diversos lugares e tentaram a sua sorte ao amor num bordel «racionalmente mobilado» com «campainha eléctrica», onde tudo era feito com tal despacho que os clientes se viam de novo na rua quase sem darem por isso. «Ali», escreve Kafka, «é difícil ver as raparigas bem de perto […] Na realidade, só tenho na memória a que estava sentada mesmo na minha frente. Tinha frinchas entre os dentes, esticava-se toda para cima e, segurando o vestido amarfanhado sobre as vergonhas, fechava com força tanto os olhos grandes como a boca grande. O cabelo louro estava sujo. Era magra. Medo de me esquecer de tirar o chapéu. É preciso agarrar bem a aba com a mão». Até o bordel tem que ser comme il faut. «Solitário, longo, sem sentido, o caminho para casa», conclui a nota.

01/09/08

Adolfo Bioy Casares - O herói das mulheres


Nessa noite Laura estava mais bonita que nunca. Mudou de penteado, pôs um vestido que o seu marido não conhecia, um colar e uma pulseirinha de corais. Quanto aos homens, arrebatou-os a eloquência. Talvez na ânsia de se vangloriarem diante de Laura de uma impecável imparcialidade, ou meramente na ânsia de serem generosos, chegaram a uma situação estranha: depois de um bocado a alegar, cada um tinha-se passado para a posição do outro, de modo que o conservador fundava as suas esperanças na transformação da sociedade e o radical, no escrupuloso respeito pela tradição. Vistos de agora, estes dois inspirados conversadores de uma noite perdida no passado e na imensidão do nosso campo parecem-me figuras românticas. Já se disse, figuras de outro tempo.

20/05/08

Robert Musil - O homem sem qualidades - I


Vou dizer-te o que tenho contra ele - repetiu Ulrich. - O homem científico é hoje uma coisa absolutamente inevitável: não se pode deixar de querer saber! E em nenhuma outra época foi tão grande a distância entre a experiência de um especialista e a de um leigo. Qualquer um vê isso quando olha para o que um massagista é capaz de fazer, ou um pianista; ninguém manda hoje um cavalo para as corridas sem uma pre­paração especial. Só no que se refere às questões do que significa ser humano é que toda a gente acha que tem uma palavra a dizer, e há um velho preconceito que diz que nascemos e morremos seres humanos! Mas, embora eu saiba que as mulheres, há cinco mil anos, escreviam aos seus amantes exactamente as mesmas cartas que escrevem hoje, já não posso ler nenhuma dessas cartas sem me perguntar se isso não irá mudar um dia!

Clarisse parecia inclinada a concordar com ele. Já Walter sorria como um faquir que nem pestaneja quando lhe enfiam um alfinete de chapéu de um lado ao outro da cara.

- O que significa provavelmente que, até nova ordem, tu te recusas a ser um ser humano! - objectou.

Mais ou menos isso. Reconheço que suscita uma desagradável sen­sação de diletantismo!

Mas quero dizer-te que tens razão noutra coisa, totalmente dife­rente - acrescentou Ulrich, depois de um instante de reflexão. - Os especialistas nunca dão por acabada a sua especialização. Não só não a concluíram hoje em dia como também são incapazes de conceber um fim para as suas actividades. Talvez até nem o desejem. Será possível, por exemplo, imaginar que o homem ainda terá uma alma no momento em que aprenda a compreendê-la e a tratá-la biológica e psicologicamente? E, apesar disso, aspiramos a esse estado de coisas. É esse o problema. O saber é uma forma de comportamento, uma paixão. No fundo, um comportamento ilícito; porque, tal como a dependência do álcool, do sexo ou da violência, também a compulsão de saber molda um carácter em desequilíbrio. É um erro pensar que o investigador persegue a ver­dade; de facto, é ela que o persegue a ele. É ele que tem de suportá-la. A verdade é verdadeira, o facto é real, sem se preocuparem com ele: ele é que sofre da paixão, da dipsomania dos factos que define o seu carácter, e está-se nas tintas para saber se as suas descobertas levarão a alguma coisa de total, humano, perfeito ou o que quer que seja. É uma natureza contraditória, sofredora e, ao mesmo tempo, incrivelmente enérgica!

- Sim, e depois?

- E depois o quê?

- Não me vais dizer que podemos deixar as coisas tal como estão!
Por mim, deixava-as tal como estão - respondeu Ulrich calma­mente. - A ideia que fazemos do mundo, e de nós próprios, muda a cada dia que passa. Vivemos numa época de transição. E se não enfrentarmos os problemas mais graves que temos pela frente melhor do que fizemos até agora, talvez essa transição se prolongue até ao fim do planeta. Ape­sar disso, se formos lançados para o meio das trevas, de nada nos serve começar a cantar para espantar o medo, como uma criança. Mas é isso que fazemos, cantar por medo, quando fingimos que sabemos como devemos comportar-nos aqui em baixo; podes gritar desalmadamente, que continua a ser apenas medo! Mas uma coisa sei: avançamos a galope! Estamos ainda muito longe dos objectivos, estes não se tornam mais próximos, nós nem sequer os avistamos, ainda vamos perder-nos muitas vezes e muitas vezes teremos de mudar de cavalos. Mas um dia - pode ser depois de amanhã ou daqui a dois mil anos - o horizonte começará a deslizar e precipitar-se-á sobre nós com um rugido avassalador!

15/04/08

Ruben A. - KAOS

Uma camada de homossexualidade misógina cobria a Pátria, Lusitânia chamada pelos heróis do 5 de Outubro. Dos altos de rio de Onor até à última fortaleza da costa algarvia as elevações de ter­reno abafavam-se de uma moleija aveludada. Uma vontade de homem por homem, de homem a homem, de homem esquecendo homem. Os oficiais de artilharia viviam-se uns nos outros esque­cendo as mulheres. As casas fechadas, os logradouros tapados, os jardins hervados, a camada de homossexuais renascia na vida políti­ca. Todos os homens queriam outros homens, ambicionavam estar, ouvir, desmentir, sentir, apalpar, abraçar, reviver, gozar com outros homens. A demão espessa dos mais machos sobrepunha-se a todos os animais, à junta de bois, às aves de rapina, sequências de fomes de homem, tudo o que em cada um era amor precisava de concreti­zar-se numa farda, numa maricagem total. Ai Ai ai e que tal o Almei­da, não sei se ele será capaz de fazer alguma coisa a favor das crianças desprotegidas. E o Costa? E o Machado dos Santos? E o Gonçalves? E os bravos do Mindello? Homens a salvarem homens, a mastur­barem-se com a República, num coito imorredoiro, apoteótico, com os acordes da «Portuguesa» no auge do orgasmo. A cambada só falava só ouvia o que o Braga ia fazer e a demissão do Arriaga, a verdade de homem para homem, de amor para amor de amor para ódio e Zémacho assistia esgazeado a este comunitarismo infernal. Todas as noites ao deitar pensava no Dino, no Costa, no Carvalho, no Teles, no Gonçalves, no Marques, pensava neles ali na cama, ao lado da mulher, queria dizer-lhes umas verdades. Obcecados de bebedeira política os homens formavam governo provisório para formarem governo constitucional. Queriam juntos decretos de mas­turbação homossexual. E no chegar à noite depois do jantar apare­ciam outros homens que se interpunham às mulheres, rezavam comuns de ladainha para saber se o Sousa ficava com o Costa ou o Gonçalves com o Almeida e se o Dino sempre esperava pelo Gomes depois de ouvido o Braga. Dos recônditos surgiam os menos gradua­dos, mais machos, com virilidade de chinfrim. As mulheres cosiam meias gastas, outras preparavam batatas cozidas com feijão. À espe­ra da conversa de barafunda para saber quem entrava no Ministério da Guerra, e sem dúvida que o Barreto era o melhor, mais radical, do lado do Costa e contra o Arriaga e ao pé do Dino. Mas quem é ele? perguntava a mulher do Gonçalves. Nunca ouvi falar nesse tipo, dizia a cunhada do Almeida.

Os homens reuniam-se mais, mais juntos com os jornalis­tas — a quem chamavam de minhas queridas putas, pela forma tão equilibrada como deturpavam as notícias em primeira mão que lhes davam.

06/04/08

Platão - Protágoras

— De ciência, creio eu — respondi-lhe. — E não é bom, meu amigo, que o sofista, elogiando os artigos que vende, nos seduza como o fazem o comerciante e o retalhista com os alimentos para o corpo. Porque esses não sabem se os produ­tos que trazem são bons ou maus para o corpo (antes, elo­giam tudo o que vendem) e nem o sabem também os clientes, a menos que se trate, por acaso, de um professor de ginástica ou de um médico. Do mesmo modo, também aqueles que le­vam a ciência de cidade em cidade, vendendo-a a retalho, elogiam sempre ao interessado tudo quanto vendem, mas tal­vez alguns deles, meu caro, desconheçam o que é que desses artigos que vendem é bom ou mau para a alma. E o mesmo se passa também com os seus clientes, a não ser que, por aca­so, algum seja médico da alma. Se, pelo menos, fizeres uma ideia do que é bom ou do que é mau, então não te fará mal comprar a ciência de Protágoras ou de qualquer outro. Mas, se não, vê bem, meu amigo, não jogues os dados à sorte, nem corras riscos em matérias tão delicadas. Porque o perigo é muito maior na compra da ciência do que na compra dos ali­mentos (313 c - 314 a).

25/03/08

Thomas Bernhard - Correcção

E eu prossegui a descrição do nosso caminho para a escola, esse caminho comum tinha obviamente servido de fundamento à nossa amizade a três, disse eu, e ela tornara-se uma amizade para toda a vida, ainda que tivéssemos muitas vezes vivido muito afastados durante bastante tempo, a nossa amizade não fora nunca por isso afectada, nem ao passarmos por todas as oscilações da história que já tínhamos vivido, por exemplo pelo período da guerra, pelo contrário, essa nossa amizade a três tinha-se aprofundado de ano para ano e fora, eu assim o disse efectivamente, porque de repente tive a sensação de ser necessário dizer tudo, depois do longo e, por fim, angustiante silêncio, de repente dizer tudo, uma preciosa amizade. E fui levado a fazer mesmo a observação de que essas amizades como a nossa a três duravam para além da morte.

06/03/08

Jean-Pierre Le Goff - La barbarie douce


Já falei deste livro (aqui e aqui). Mas em tempo de «revolta de professores», este é um livro luminoso sobre os processos de modernização cega nas escolas e nas empresas. Vale a pena encomendar (Amazon.fr, p. ex.) e ler. O que o sociólogo francês nos diz sobre o que se tem passado em França, sobre o que há de bárbaro nestes processos, é o que se projecta para Portugal, nomeadamente nas reformas educativas. No livro, pode-se perceber como é que os intrumentos de avaliação «libertadores» (não é a senhora ministra que diz que esta avalição é boa para os professores?) são formas de manipulação da realidade. Percebe-se também a verdadeira natureza totalitária do «eduquês». Um livro já de 1999, mas que, para nós, é absolutamente actual. Livro de releitura...

03/03/08

Ana Luísa Amaral - Coisas de Partir


O TOM DA PACIÊNCIA

Não são só os cromáticos momentos
que esculpem edifícios:
a lama serve o barro, o barros as casas
até conter o círculo

do infinito tom da paciência
da lama no cinzento:
aos bocados de sol sempre é tempo
e traços de palácios

27/02/08

Thomas Bernhard - DERRUBAR ÁRVORES uma irritação

Falar com jovens não conduz a nada, pensei eu, e quem afirma o contrário é hipócrita, pois os jovens não dizem nada às pessoas já de uma certa idade e aos velhos, esta é que é a verdade; não tem interesse absolutamente nenhum o que dizem jovens a pessoas idosas, absolutamente nenhum, pensei eu, e é a maior hipocrisia afirmar o contrário. Foi sempre moderno dizer que os velhos devem falar com os jovens, porque os jovens têm muito a dizer aos velhos, mas o contrário é que é verdade: os jovens não têm absolutamente nada a dizer aos velhos. Obviamente os velhos teriam alguma coisa a dizer aos jovens, mas os jovens não entendem o que os velhos lhes dizem, porque não podem de modo nenhum entendê-lo e, por isso, também de modo nenhum o querem entender (pp. 165).