25/12/09
24/12/09
Botticelli - Natividad Mística (1500)
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23/12/09
Maestro de la Natividad del Louvre - The Nativity
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22/12/09
Piero della Francesca - La Natividad (1472)
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30/10/09
Enigmas
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19/09/09
Simónides de Céos
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08/12/08
El Greco - La Inmaculada Concepción
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28/11/08
João Queiroz na Quadrado Azul
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22/07/08
Perante o espelho
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Marcadores: A prosa dos dias, Pintura
13/05/08
10/05/08
Sobre pintura e desenho de Gustav Klimt - Quarenta e seis
[Roma, Galleria Nazionale d'Arte Moderna]reclinas a cabeça sobre a infância que te coube,
e os rios deixassem de correr para o mar
e o vento recusasse tocar uma a uma
as folhas hirtas e leves das árvores,
se tudo assim fosse e o teu corpo viesse despido
fender o ar das ruas por onde passo,
sentar-me-ia na esplanada mais desabrigada
e esperaria a infinita passagem dos teus olhos
adormecidos perante o espanto dos meus.
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Marcadores: Pintura, Poesia, Poesia - em mim
09/05/08
Sobre pintura e desenho de Gustav Klimt - Quarenta e cinco
a esplêndida deusa dos mares, a que na beleza
escondia a face de um monstro, o abismo terrível
onde a pele sedosa se transforma na áspera
carapaça do animal ou o tranquilo
e azul mar da manhã em tempestade ao meio-dia.
Que estranha sabedoria é esta que esconde
na mais delicada aurora os traços sombrios
da noite rude e invernosa? Foi desse teu corpo,
um vórtice nele havia, que brotaram as forças hostis
e soltas vieram pelo mundo. Se nelas havia beleza,
a que as filhas herdam das mães,
os olhos, humanos e divinos, não a viram.
Apenas a ausência de luz se encontra naqueles
olhares frios, gélidos como as terras áridas
banhadas pela lava impiedosa do vulcão.
Que ódio trazias no regaço quando Fórcis
te tomou e no leito nupcial deixou a semente
dos males que haveriam de tingir a roxo
o sangue vermelho dos homens. São belos
os corpos despidos se a juventude os toca, mas logo
a avara doença, filha que chocaste no fel, se derrama
e o vigor é apenas a seca palha arrastada
pelo ingénuo sopro dos ventos. Quebrados pela dor,
lancetados pela amargura, aguilhoados pelo destino,
despem-se homens e mulheres da beleza e mirram
na poeira do leito onde jazem recostados
ao seio frio e murcho da filha que trouxeste,
por esses dias de desespero, no ácido ventre que te coube.
Entre os mais promissores dos mortais,
onde a razão virá a ser a luz
que ilumina planícies e montanhas,
lançaste tu, filha de Ponto e Geia, o rasto
insensato que te saiu do ventre para enlouquecer,
ao meio-dia, aqueles que os deuses benevolentes
quiseram favorecer com o prudente dom da razão.
Insidiosa veio a loucura e com andar sussurrado
ou como um cavalo tomado pela dor,
se atirou para o campo de batalha a dizimar
os melhores entre os melhores,
a fechá-los na escura gruta do pensamento,
para que se perdessem em devaneios de sangue
ou nos prados de ervas azedas e odor sulfúrico.
Assim vão caindo os melhores
enlaçados pelo abraço que saiu do teu ventre
e com eles somos nós, dia e noite, arrastados
pelo mais torpe sonho que a beleza poderia plantar
no esquálido jardim que se ergue sobre o mar.
O que fez, impiedosa deusa, tremer a colina
de teu coração para que de nós, rasos mortais,
doentes e loucos, te apiedasses? Rasgaste-nos
o corpo, açoitaste o espírito, enviaste o tirano
e quando se ouviu o lobo a uivar
lembraste-te que também esse lobo
doente tivera um dia a forma que cobre
homens e deuses e os subtrai ao convívio
dos animais perdidos no avaro mundo.
Presa ao sublime ocaso, o sol
a mergulhar ao longe nas águas do mar,
a revestir de vermelho o fundo oceano,
teu pai, dizem, o coração, se os deuses
o possuem no peito brilhante,
foi-te tocado por um sentimento misterioso
e as negras imagens dos homens consumidos
pelo amor das tuas filhas acendeu para nós,
ó incomparável mãe, uma esperança.
Se os corpos se entregam à ruína e os espíritos
à demência, melhor será que mergulhem no mar
infinito onde não há água, ou peixes, ou plâncton,
e deixem sombrear a alma sem norte no nada,
alívio desejado daqueles que na vida são
atormentados pela face das filhas que te saíram
do ventre. Foi com piedade que enviaste sobre nós
a tua terceira filha, outra górgona de cabelos de serpente,
a espalhar nos exércitos derrotados o sabor suave
e luminoso da tecedeira. Fizeste de nós mortais,
roubaste-nos uma eternidade de dor e loucura,
engrandeceste, mãe, o destino de uma alma que se perde
e nesse nada onde se esvai encontra salvação
do fogo que a consome e da sede que devasta cada gesto
e o expõe ao riso sórdido do moscardo,
insecto amarelo que habita no coração dos deuses
e faz de nós um pobre pano de algodão que se rompe
mal o meio-dia passa e o ponteiro ao de leve se inclina
para ocidente, a casa sombria que te ergueram
para longínqua habitação.
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08/05/08
Sobre pintura e desenho de Gustav Klimt - Quarenta e quatro
[Nova Iorque, colecção particular]Move-se a água onde dormem mulheres cansadas,
ali encontraram repouso e oferecem ao frio e às
correntes o corpo despido e os cabelos
a ondular como se um vento líquido os tocasse.
Cansaram-se dos jardins de areia e pó; traídas
pelos deuses da terra, dão-se em holocausto
às divindades aquáticas, esperando uma
redenção de cinza que as permita flutuar
e assim retornar à luz do dia e oferecer os corpos
àqueles que amaram na obscura passagem
pelas ruas e avenidas de onde para a água fugiram.
Deusas esquecidas no movimento do mar,
sereias exíguas perdidas nas planícies
que o homem jamais vindimou, para onde apontam
as vossas mãos se o horizonte na linha de água
há muito se afundou?
Jorge Carreira Maia, Sobre pintura e desenho de Gustav Klimt, 2008
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07/05/08
Sobre pintura e desenho de Gustav Klimt - Quarenta e três
[Viena, Secession]em que cruzas os dedos e com as mãos
assim ordenadas esperas, o corpo nu
e o seio desvelado, que os tempos, aqueles
em que te rias diante dos olhos que te amavam,
voltem resplandecentes de luz e glória,
a fina glória que os corpos ainda jovens
apresentam ao olhar ávido daquele
que os espreita, a carne brilhante e firme,
a pele não enrugada pelo pouco uso
que a vida ainda dela fez.
Se te olho é porque já não sei a palavra
com que te chamava, nos dias em que uma
chama me queimava os intestinos e no ardor
que me acometia era o teu nome que me
saltava da boca e me fazia rastejar
pelo chão do quarto, perdido na penumbra
da tarde onde nascia, sem saber de onde,
um perfume a flores secas que me faziam
lembrar aquele chapéu de palha;
então o punhas e desfilavas perante mim
e com o ar marcial que arvoravas
deixavas os seios desenharem-se breves
nessa camisa que julguei ser o uniforme
onde te fechavas e do mundo te esquecias.
Eram tempos de fortuna, as flores cresciam
pelos bordos da estrada, faziam tufos de cor,
deixavam um odor a mundo que começa
pelos sítios onde caminhavas e coleccionavas,
num herbário pardacento, pétalas que o tempo
secara, como se anunciassem as rugas que a tua
pele haveria de ter, mesmo longe do calor
dos meus braços. Desses dias, resta a nostalgia
que te faz cruzar as mãos e te deixa
um traço tão amargo que o olhar
se inclina, sob o peso da solidão,
para o sítio mais negro onde não há lugar
para uma sombra, uma nuvem ou um riso,
feroz riso que, sob a estridência dos dias,
esconde a vergonha verde de uma súplica.
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06/05/08
Sobre pintura e desenho de Gustav Klimt - Quarenta e dois
[Viena, Österreichische Galerie]como se ainda não sentisse um corpo
no seu corpo ou um coração fosse
apenas um buraco negro e vazio, o sítio
perdido que não tem lugar nos jardins
a que os homens, em nome de Deus,
chamaram, pelo calor dos Verões, paraíso.
No seu olhar, pressinto já a dor
de Inês e no abandono pueril de Adão
ressoa o desassossego futuro que tomou
conta da mão de Pedro, feroz mão de Adão
libertada da vida tranquila, entre
árvores e flores, pela astúcia da serpente.
Se Inês, naquelas horas de ternura, assim
se encostava ao corpo de Pedro
não era a inquietação de eros que a movia,
mas o inacabado sonho que, de mulher em mulher,
veio de Eva e, na árida terra que recebemos
em herança, vê um jardim criado à sombra
de uma botânica divina. Os olhos de Eva
são agora a luz da pobre Inês e na névoa
que se ergue perante eles já não vê serpentes,
nem do mundo as feras convenções,
mas apenas a água que corre nos rios do paraíso
onde Adão mergulha para a abraçar
como se Eva fora a Inês que Deus lhe dera.
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05/05/08
Sobre pintura e desenho de Gustav Klimt - Quarenta e um
que o rei, para do destino se proteger,
desenhara num lugar onde campos e mares,
pássaros da tarde ou animais da manhã,
jamais sentissem o seu cheiro de mulher
e o desejo daquele corpo fosse levado
a inquietar os homens e do ventre sulcado
pela paixão viesse o implacável assassino.
Descuidada na sua prisão, solitária na cela eterna,
deixa Dánae o seio desvelado e a coxa entreaberta.
Aquilo que os homens aos homens proíbem
oferece-se aos deuses e Zeus sentiu o coração
insaciado e nos olhos divinos não havia outros
que os da cativa que também a ele tem cativo.
Rumina o deus o destino a dar à sua paixão
enquanto sonha com o seio branco e o corpo nu
e as florestas onde ocultos haveriam de se dar,
ela a sua pele branda e mortal e ele o hálito vivo
de quem pela morte não será tomado.
Enquanto pensa e ronda a prisão vê o deus
a telha quebrada. Nuvem é agora Zeus
e batido pelo Sol deixa cair de si a chuva de ouro;
a branca e virginal princesa a acolherá
na lâmina aberta por onde virá o filho do deus
cumprir, na tranquilidade da tarde, o destino
que pertence àqueles que na terra dele fogem.
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04/05/08
Sobre pintura e desenho de Gustav Klimt - Quarenta
Colecção Particulare com os dedos desenhavas montes e flores,
suaves arbustos presos à luz que se desvanece,
rosas e gerânios, talvez amores-perfeitos,
violetas tardias ou pequenos miosótis,
eu via reflectida na face que te iluminava
a imagem de Deus a criar o paraíso
e a desenhar no pó da terra o corpo de Eva,
esse teu corpo que agora se esconde
na colina onde tudo soletra o nome
que te deram e me inclina o coração
para te tomar em meus braços
como se colhesse cada flor
para a elevar ao céu vinda do chão.
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03/05/08
Sobre pintura e desenho de Gustav Klimt - Trinta e nove
e se ergue ao meio-dia como se a gravidade não existisse
e tudo fosse um enorme e único vazio. São assim as frases
com as quais abandonas a harmonia e entras
na liça onde tudo se submerge. De onde vem a água, perguntas
nesses instantes em que as sombras se reflectem
no campo lavrado, lago assim lhe chamam. A casa atrai-me
e deixo que os pés me levem, como se asas fossem, para lá
da fronteira e reencontro o mundo, o mundo da infância, dizem-me,
recoberto de silêncio e flores aprumadas pelo ofício
do divino jardineiro. Ao longe, havia uma serra, não a ferocidade
das grandes montanhas, cinzelada no calcário,
de onde sopravam ventos a amainar as tardes de calor,
a cobrir de pó as giestas, a orvalhar as rosas, se as havia.
Quando um olhar atento cai e encontra uma face,
é a tua face que se aproxima na distância, inacessível
distância que a tudo cobre com a sua voz de alcateia,
ou o pulsar exacto das mãos que escavam as nuvens,
brancas nuvens aos céus ocultam. Daquelas janelas, depois
de teres entrado pela porta invisível, espreitaste o mundo
e esperaste que as estações do ano passassem e tu com elas,
a contar primaveras, à espera de um beijo sobre a face
e um ramo de rosas para cerzir a inacessível distância
e calar a alcateia que havia na tua voz, quando uivavas
de cio, se os ventos da serra não vinham amainar
os calores de Julho, o ano sempre os traz, e os homens
não resistiam aos ferozes decretos da gravidade.
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01/05/08
Sobre pintura e desenho de Gustav Klimt - Trinta e sete

37 - Gustav Klimt - Desenho
Trinta e sete
Não levantes os braços.
Jamais voarás como
aqueles pássaros que
desprezam a linha
do horizonte
e vogam perfeitos
pela limpidez
dos céus.
Desconhecem da terra
a raia
juncada por rosas
e trepadeiras,
talvez buganvílias
onde te escondes
na sombra da tarde
que sobre a folhagem
ao de leve cai.
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Quinta-feira de Ascensão - feriado municipal
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