24/03/09

Os dias de suspensão


Este blogger está inactivo. A verdade, porém, é que as pilhas de trabalhos para ler, avaliar e discutir com os alunos me têm roubado tempo e disposição. Em verdade, em verdade, vos digo: nada melhor do que uns testes para avaliar os alunos. O controlo da fraude faz-se na sala de aula. Depois corrigir testes é uma coisa, ler trabalhos é outra [e a preocupação coma fraude é pior do que a angústia do guarda-redes no momento do penálti (será assim que se escreve? Não, o dicionário da Porto-Editora grafa penalty)]. Quando os alunos fazem seriamente os trabalhos aprendem 100 vezes mais do que num teste, o problema é mesmo a seriedade com que alguns se entregam ao acto. Enfim, ossos do ofício, mas a verdade é que depois de ler tanta coisa que seria bom não se ter lido, pouco discernimento resta para passar pelo blogue. Vamos ver se a coisa começa a aliviar.

21/03/09

Um jogo de equívocos



O futebol é um jogo perverso. Mobiliza demasiadas emoções e demasiadas paixões, mobiliza grandes interesses, mas está sempre sujeito a um erro da equipa de arbitragem. O Benfica, o meu Benfica, ganhou a Taça da Liga (nem sei bem o que isso é) ao Sporting. Mas o golo do Benfica, aquele que empatou o jogo, nasceu de uma decisão errada da equipa de arbitragem. Não era já mais do que tempo de se começar a usar meios electrónicos para detecção da verdade de certas jogadas? Com o dinheiro envolvido e as emoções clubísticas sempre tão acirradas, o uso desses meios é quase uma obrigação para manter a paz pública, isto para além da verdade objectiva dos jogos. Os homens enganam-se. Em princípio, presume-se que os árbitros, mesmo enganando-se, estão subjectivamente convencidos da verdade das suas decisões. Mas não é disso que se trata, mas da verdade objectiva do jogo. Parece, porém, que existe uma verdadeira indústria, talvez um lobby poderoso, que vive das paixões propiciadas pelos enganos no futebol. Talvez seja ele que não está interessado no uso de meios electrónicos para auxílio da arbitragem. É por coisas destas que o futebol cada vez me interessa menos. No fundo, não passa de uma brincadeira de garotos, ou de homens que teimam em não deixar de ser garotos, onde o erro, a distracção e a batota, como nos jogos infantis, têm um papel preponderante na determinação do mérito. Perdoem-me os benfiquistas menos dados, em matéria clubística, ao uso da razão. Mas qual o prazer de ganhar quando há um engano que perverte a verdade? Mesmo que essa verdade não seja aquela que os adeptos do adversário, neste caso do Sporting, supõem na sua indignação.

Mudança na correlação de forças

Consta que o PS vai deixar cair dois diplomas (o do voto presencial dos emigrantes e o do pluralismo enão concentração dos media) vetados por Cavaco Silva. Não quer criar mais atritos com o Presidente. Este súbito ataque de harmonia institucional, depois do que se passou com o famigerado estatuto dos Açores, significa apenas que os socialistas começam a perceber que a maioria absoluta lhes pode escapar e que um conflito com Cavaco Silva não lhes rende um voto, nem à esquerda. Significa uma mudança na correlação de forças e nada mais do que isso.

20/03/09

O Provedor de Justiça


Se isto é verdade, então o PSD bem pode limpar as mãos à parede. Jorge Miranda tem todas as condições para ser, como Nascimento Rodrigues, um Provedor da Justiça ferozmente independente e sério. Miranda é um dos pais da constituição. Mas acima de tudo é um homem de bem, um homem que, para além da sua formação académica na área do Direito constitucional, é reconhecidamente uma pessoa honesta. A Dr.ª Manuela Ferreira Leite que se deixe de estados de alma, reconheça, ao menos, que o PS teve, neste caso, golpe de asa. Mas sejamos prudentes. Vejamos o que os protagonistas têm para dizer nos próximos dias. Seja como for, se Jorge Miranda fosse o escolhido para Provedor de Justiça alguma coisa melhoraria na democracia portuguesa, ou pelo menos não pioraria.

Amália Rodrigues - Gaivota

Um novo começo


Até agora, as posições do Presidente americano, Barack Obama, têm mostrado que a troca de Bush pelo actual inquilino da Casa Brana tem sido bastante proveitosa para o mundo. A arrogância texana foi substituída pela inteligência. Veja-se o caso das relações com a Rússia, veja-se a posição de Obama perante o escândalo dos prémios de "produtividade" aos gestores da AIG, veja-se, agora, a mensagem dirigida ao povo e às autoridades iranianos. De facto, é necessário um novo começo. Com este gesto, longe de ser naïf, Obama encosta o regime de Teerão à parede. Já não há desculpa da arrogância e da prepotência americanas. É provável, mas apenas provável, que o mundo, desde que George W. Bush saiu da Casa Branca, se tenha tornado um pouco menos perigoso. Obama tem sido obreiro dessa transformação. Esperemos que os ventos lhe continuem a correr de feição. Nós, europeus, precisamos desesperadamente de uma América confiável e madura.

Jornal Torrejano, 20 de Março de 2009


No que toca à opinião, comece-se pelo cartoon de Hélder Dias. Na opinião escrita, Carlos Henriques escreve Benfica sem classe (estas as coisas a gente sabe, escusava de as ver escritas no jornal), Carlos Nuno, O Cine Clube, Francisco Almeida, Apenas Humano, Inês Vidal, Tartan e José Ricardo Costa, A Idade das Trevas.

Por esta semana está dada a notícia das notícias torrejanas. Bom fim-de-semana.

19/03/09

Argentino Luna

Prolegómenos à escravatura voluntária



Eu não esperaria que esta gente que governa tivesse um mínimo de decoro e respeito pelas pessoas. Quem inventou o concurso de professores titulares é capaz de tudo. Portanto, é capaz de criar uma situação de tal ordem na escola que, muitos professores em desespero de causa, peçam a aposentação com elevadas penalizações. Depois, é capaz de vir dizer que eles são necessários, desde que voluntários.

Há uma coisa, porém, que me intriga: O que terá a cara dos professores de diferente da de outros cidadãos? Fala-se que o Ministério da Saúde vai também recorrer a médicos aposentados, mas pagando-lhe. Por que motivo os professores hão-de ser voluntários nas escolas? Ainda por cima, se houver voluntários, estes terão de fazer um relatório crítico da sua actividade, uma espécie de auto-avaliação (a cabeça burocrática desta gente nunca pára de pensar). Este governo começou por baixar drasticamente os salários dos professores, como se eles fossem privilegiados relativamente a outros licenciados (a mais pura das mentiras), e agora acha que devem trabalhar gratuitamente. Parece que estamos perante os prolegómenos a uma nova prática de escravatura. A escravatura voluntária. O que vale é que o escravo tem o dever de fazer um relatório e de se auto-avaliar.

Joseph de Maistre - O estado habitual do género humano



A história prova, infelizmente, que a guerra é o estado habitual do género humano num certo sentido, isto é, o sangue humano deve correr sem interrupção sobre o globo, aqui ou ali, e a paz, para cada nação, é apenas um pequeno descanso.

Cita-se o encerramento do templo de Janus, sob Augusto, cita-se um ano do reino guerreiro de Carlos Magno (o ano de 790) onde ele não fez a guerra. Cita-se uma curta época depois da paz de Ryswicki, em 1697, e uma outra tão curta após a paz de Carlwotizz, em 1699, onde não houve guerra; não apenas na Europa, mas mesmo em todo o mundo conhecido.

Mas estas épocas são apenas momentos. [Joseph de Maistre, Considérations sur la France]

Abertura da escola à comunidade - II



O meu post anterior, Abertura da escola à comunidade, gerou alguns comentários discordantes. Em primeiro lugar, será bom olhar para o estatuto disursivo do post. Ele é, claramente, um post crítico e caricatural. A caricatura é sempre hiperbólica, aumenta desconfortavelmente os traços daquilo que é caricaturado, mas tem a vantagem de dar a ver o que a visão normal não compreende. O efeito aumentativo, digamos assim, mostra o sentido das coisas.

Podemos afirmar que os acontecimentos passado na Escola Básica 2/3 de Silgueiros, Viseu, são o resultado directo das políticas do actual governo? Não, não podemos. Mas podemos dizer outra coisa. Podemos dizer que a forma como o actual governo tem incrementado a chamada abertura da escola à comunidade, na continuidade de anteriores governos, desprotege as instituições escolares perante estes acontecimentos. A escola é um território onde as famílias se movem, ou pretendem mover, como se estivessem em casa. Este mover-se como se estivesse em casa não é uma pura metáfora. Os valores provenientes das famílias, muitas vezes adversos ao ethos escolar, invadem e instalam-se na escola, devido ao papel atribuído pelo poder político (note-se bem) às famílias, dentro da escola. Quando se abre a escola à comunidade entram pessoas que pensam segundo o bem comum e o ethos escolar, mas também entram todos os outros com culturas adversas.

Este acontecimento, aliás como muitos outros, é um revelador do que significa abrir a escola à comunidade. Percebo que o problema não seja apenas português. Não o é. Mas isso não isenta de culpa aqueles que, em Portugal e nos países ocidentais, têm advogado semelhantes políticas. Essas pessoas têm nome, essas pessoas foram investidas nos mais altos cargos para tomar decisões. As decisões que tomaram foram erradas e, em vez de proteger a escola da sociedade, retiraram-lhe todas as defesas, deixando-as à mercê do arbítrio da comunidade. Essas pessoas que, no poder político fomentaram tais políticas, devem arcar com estes acontecimentos em cima dos seus ombros.

A escola não é um lugar como os outros, pois o que se pretende ali não é reduplicar a vida tal como ela acontece, mas preparar as novas gerações para integrar a comunidade, mas trazendo para essa comunidade o melhor, um conjunto de valores depurados pelo ambiente escolar, um conjunto de valores que, muitas vezes, devem contradizer as práticas e os preconceitos dessa comunidade. Um exemplo: na vida civil a honestidade é, hoje em dia, pouco apreciada. Na escola, deveria ser um valor indiscutível, um "dogma" do qual nenhum aluno pudesse duvidar, um preceito que deveria fazer tremer aquele aluno que pensasse fazer batota. Ora, se a escola se abre à comunidade, são os valores da comunidade que penetram na escola, pois a comunidade é muito mais forte do que a instituição escolar.

O meu post anterior nada tinha a ver com os professores e as sua reivindicações (muitos defendem, tragicamente, a retórica da abertura da escola). Tinha tudo a ver com os alunos, a sua defesa, a defesa das novas gerações. Como disse Hannah Arendt, é preciso proteger as novas gerações da sociedade e a sociedade das novas gerações. A abertura da escola à comunidade não faz uma coisa nem outra. É evidente, repito, que os acontecimento de Viseu não são associáveis directamente ao executivo. Mas este intensificou até ao paroxismo algo que já vinha do tempo do marcelismo, e que a democracia apenas incrementou, algo que destruiu aquela fronteira invisível que dizia a todos nós, etnias com culturas diferentes incluídas, que há uma diferença ontológica entre o espaço escolar e o espaço público onde decorre a vida civil. Essa fronteira invisível já era frágil, mas por acção do poder político, e não por qualquer movimento espontâneo da sociedade, essa fronteira já não existe. Por isso, aqueles que entraram dentro da escola de Silgueiros agiram com toda a naturalidade e espontaneidade, os portões da escola já não significam nada.

18/03/09

Abertura da escola à comunidade

É isto a chamada abertura da escola à comunidade. Parabéns a todos os governantes, com especial incidência a Lurdes Rodrigues, Valter Lemos, Jorge Pedreira e Engenheiro Sócrates. Estão a conseguir.

SIDA, sexo e abstinência


Há na Igreja Católica uma estranha limitação da inteligência naquilo que diz respeito à sexualidade. O Papa retomou a questão do preservativo e dele não ser solução para combater, em África, a propagação da SIDA. Contrapõe a abstinência sexual como modo eficaz de luta. De facto, tem alguma razão. Se deixar de haver relações sexuais, logo deixa de haver perigo de contágio por via sexual. Do ponto de vista lógico, o raciocínio é exemplar. O problema, porém, é a SIDA não ser uma questão lógica, uma espécie de erro de raciocínio ou de falácia formal. O pensamento da hierarquia da Igreja Católica sobre o assunto é que se tornou falacioso. O que irá na cabeça destas pessoas, pessoas inteligentes como Ratzinger, para achar que os africanos, ou outros quaisquer, se irão dedicar à abstinência e o mundo inteiro se tornará num universo de auto-castrados? O preconceito sexual da Igreja é tão forte que esquece um dos seus ensinamentos essenciais: o homem é um ser caído, logo pecador. Essa é a sua natureza. Esperar que o mundo se converta à abstinência é a mesma coisa que esperar que nasçam laranjas nos postes de electricidade. Não lhes está na natureza. Portanto, há que lidar com a realidade tal como ela é. O dever de todos, Igreja Católica incluída, é aconselhar uma sexualidade responsável, chamando à atenção para a sua dimensão ética e para a responsabilidade de cada um perante o outro.

Há ainda outra coisa que me deixa perplexo. Eu posso compreender que certos indivíduos possam viver a sua sexualidade através da abstinência. Esta não é uma assexualidade, mas uma sexualidade activamente não consumada. Posso respeitar essa opção, posso mesmo admirá-la. Não posso, porém, querer que ela se torne em lei universal da natureza humana, pois isso arrastaria o fim da própria humanidade (basta ler Kant para perceber a imoralidade da universalização da abstinência). Além do mais, há qualquer coisa de ímpio nesta posição da Igreja. Não me estou a referir ao facto do seu discurso poder fomentar a propagação da doença. Estou-me a referir à tentativa desesperada em pôr fim às artimanhas do desejo, que empurram continuamente os indivíduos para a sexualidade. Mas não terá sido isso que o Criador terá querido? Não estaria ele interessado que a vida humana se propagasse? Não terá sido por isso que o ser humano foi dotado de um desejo irresistível pelo sexo, de forma a que a vida vencesse as limitações que a natureza ou a razão lhe querem impor? Em última análise, não seria melhor a Igreja deixar Deus e o pecado fora do assunto? Que se saiba Deus ainda não explicou qual a melhor forma de tratar da SIDA.

Não fora isso, e não seriam carecas nem teriam gota


O maior médico de sempre – e fundador da medicina como ciência — dizia que as mulheres estavam ao abrigo da queda do cabelo e de dores nos pés: ora, hoje vemo-las sem cabelo e com gota nos pés! Não que a natureza das mulheres sofresse alguma mutação. Só que foi ultrapassada, e, como elas se igualaram aos homens em matéria de excessos, passaram a sofrer dos mesmos distúrbios físicos que os homens. Não fazem menores noitadas nem bebem menos do que eles; no consumo óleo e de vinho rivalizam plenamente com os homens. Tal como eles, “restituem” pela boca as iguarias que o estômago rejeita e aliviam-se, vomitando, do vinho consumido; tal como eles, chupam bocados de gelo para aliviar a azia. Em matéria de sensualidade também em nada cedem aos homens: elas, que nasceram para ser passivas (possam os deuses e deusas castigá-las como merecem!), tão longe se aventuraram na via da licenciosidade que agora, com os homens, são elas quem desempenha o papel activo! Porquê admirar-nos então que Hipócrates, a glória da medicina, o maior conhecedor da natureza humana, seja assim apanhado a mentir, dada a presente abundância de mulheres calvas e atacadas da gota?! Elas perderam as regalias próprias do seu sexo e, renunciando à feminilidade, viram-se condenadas às moléstias dos homens. [Séneca, Cartas a Lucílio, XCV]

16/03/09

A vaidade de parecer civilizado


Há um mistério que não consigo explicar. Por que motivo a legislação que rege o mundo escolar parece adaptada a um país que não o nosso. Hoje, uma adolescente de 13 anos, agrediu a soco e a pontapé uma professora. Esta teve de receber tratamento hospitalar. O que devia espantar os portugueses, se eles estivessem minimamente interessados no futuro do país, seriam as seguintes questões: como é que passou pela cabeça da "criança" poder agredir uma professora? Que sistema educativo é este que permite que os alunos tenham iniciativa para fazer coisas destas? A política educativa é de tal maneira permissiva para com as diabruras da criançada, que nos faz pensar que estamos num daqueles países do norte da Europa, onde a consciência moral e cívica é de tal forma forte que não há ninguém que pense prejudicar os colegas, fazer batota nos estudos ou faltar ao respeito aos adultos.

Em Portugal, no campo da educação, a legislação é uma mentira social. Os alunos que nós temos não são nórdicos. São portugueses. Não gostam de trabalhar, não têm remorsos se fazem batota, pelo contrário, não têm, muitos e muitos deles, qualquer noção de respeito pelos outros. A escola na Finlândia, na Suécia, na Dinamarca, etc. pode estar aberta à comunidade, pois a escola é uma emanação da comunidade e dos valores desta. Em Portugal, a abertura da escola à comunidade é um erro trágico. Em Portugal os valores fundamentais da escola são estranhos à comunidade. Quando a escola se abre, entram para dentro da escola todos aqueles valores negativos que uma educação saudável deveria erradicar.

A legislação e os sistemas sociais dos países devem estar de acordo com os povos que servem, e não ser uma aplicação mecânica de coisas interessantes que se fazem lá fora, noutras circunstâncias e entre outros povos. Mas como explicar isto aos políticos que nos governam? Como fazer frente àquela triste vaidade de quererem parecer civilizados porque fazem leis aparentemente civilizadas, mas que apenas contribuem para a degradação cívica de um povo?

15/03/09

Moisés David Ferreira - Reencontro XXV

(o copo tornando ampla
cada sílaba, unindo
um sopro fundo
ao estremecimento das mãos.
fronteira, fractura, frémito:
a língua avolumada
num iridescente vórtice –
e, entre a chuva e a manhã,
uma
ponte aberta em resplendor.)
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Com este poema completa-se a publicação do ciclo de autoria de Moisés David Ferreira. A minha pública gratidão, por ter permitido a sua publicação no A Ver o Mundo. Foi, sem dúvida, um dos momentos mais altos na vida deste blogue. Muito obrigado. A poesia voltará daqui a uns tempos, como é hábito nesta casa.

Heimat-Trilogy (Heimat / Heimat II / Heimat 3)

Vasco Pulido Valente - O Estado paga e o povo pasma

Clique na imagem para aumentar (crónica no Público, de hoje)

14/03/09

Moisés David Ferreira - Reencontro XXIV

e a infância corre-te, indesvendada,
imóvel,
no enigma dos dias diluídos,
chegada do mar, segurando-o
num búzio, num
fio de sal, num peixe pressentido. conta-te
o seu rol de adivinhações,
todos os cais, todos os raptos,
todas as impossíveis rotas –
e assim te concebe olhando-a,
e longamente te prepara
para o nascimento.