25/03/09
24/03/09
Os dias de suspensão
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Jorge Carreira Maia
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Marcadores: Ocasionália
21/03/09
Um jogo de equívocos
O futebol é um jogo perverso. Mobiliza demasiadas emoções e demasiadas paixões, mobiliza grandes interesses, mas está sempre sujeito a um erro da equipa de arbitragem. O Benfica, o meu Benfica, ganhou a Taça da Liga (nem sei bem o que isso é) ao Sporting. Mas o golo do Benfica, aquele que empatou o jogo, nasceu de uma decisão errada da equipa de arbitragem. Não era já mais do que tempo de se começar a usar meios electrónicos para detecção da verdade de certas jogadas? Com o dinheiro envolvido e as emoções clubísticas sempre tão acirradas, o uso desses meios é quase uma obrigação para manter a paz pública, isto para além da verdade objectiva dos jogos. Os homens enganam-se. Em princípio, presume-se que os árbitros, mesmo enganando-se, estão subjectivamente convencidos da verdade das suas decisões. Mas não é disso que se trata, mas da verdade objectiva do jogo. Parece, porém, que existe uma verdadeira indústria, talvez um lobby poderoso, que vive das paixões propiciadas pelos enganos no futebol. Talvez seja ele que não está interessado no uso de meios electrónicos para auxílio da arbitragem. É por coisas destas que o futebol cada vez me interessa menos. No fundo, não passa de uma brincadeira de garotos, ou de homens que teimam em não deixar de ser garotos, onde o erro, a distracção e a batota, como nos jogos infantis, têm um papel preponderante na determinação do mérito. Perdoem-me os benfiquistas menos dados, em matéria clubística, ao uso da razão. Mas qual o prazer de ganhar quando há um engano que perverte a verdade? Mesmo que essa verdade não seja aquela que os adeptos do adversário, neste caso do Sporting, supõem na sua indignação.
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Mudança na correlação de forças
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20/03/09
O Provedor de Justiça
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Amália Rodrigues - Gaivota
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Um novo começo
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Jornal Torrejano, 20 de Março de 2009
Em linha, já há umas horas, está a edição semanal do Jornal Torrejano. Destaque para a inauguração formal das instalações do CEPTON (uma extensão local do Politécnico de Tomar). Notícia é também o encontro internacional de Ginástica realizado no Pavilhão de Torres Novas. Refira-se, ainda, a homenagem em preparação por antigos hoquista do CDTN a José Trincão Farinha, meu antigo companheiro de estudos, falecido há 5 meses.
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19/03/09
Prolegómenos à escravatura voluntária
Eu não esperaria que esta gente que governa tivesse um mínimo de decoro e respeito pelas pessoas. Quem inventou o concurso de professores titulares é capaz de tudo. Portanto, é capaz de criar uma situação de tal ordem na escola que, muitos professores em desespero de causa, peçam a aposentação com elevadas penalizações. Depois, é capaz de vir dizer que eles são necessários, desde que voluntários.
Há uma coisa, porém, que me intriga: O que terá a cara dos professores de diferente da de outros cidadãos? Fala-se que o Ministério da Saúde vai também recorrer a médicos aposentados, mas pagando-lhe. Por que motivo os professores hão-de ser voluntários nas escolas? Ainda por cima, se houver voluntários, estes terão de fazer um relatório crítico da sua actividade, uma espécie de auto-avaliação (a cabeça burocrática desta gente nunca pára de pensar). Este governo começou por baixar drasticamente os salários dos professores, como se eles fossem privilegiados relativamente a outros licenciados (a mais pura das mentiras), e agora acha que devem trabalhar gratuitamente. Parece que estamos perante os prolegómenos a uma nova prática de escravatura. A escravatura voluntária. O que vale é que o escravo tem o dever de fazer um relatório e de se auto-avaliar.
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Jorge Carreira Maia
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Joseph de Maistre - O estado habitual do género humano
A história prova, infelizmente, que a guerra é o estado habitual do género humano num certo sentido, isto é, o sangue humano deve correr sem interrupção sobre o globo, aqui ou ali, e a paz, para cada nação, é apenas um pequeno descanso.
Cita-se o encerramento do templo de Janus, sob Augusto, cita-se um ano do reino guerreiro de Carlos Magno (o ano de 790) onde ele não fez a guerra. Cita-se uma curta época depois da paz de Ryswicki, em 1697, e uma outra tão curta após a paz de Carlwotizz, em 1699, onde não houve guerra; não apenas na Europa, mas mesmo em todo o mundo conhecido.
Mas estas épocas são apenas momentos. [Joseph de Maistre, Considérations sur la France]
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Jorge Carreira Maia
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Abertura da escola à comunidade - II
O meu post anterior, Abertura da escola à comunidade, gerou alguns comentários discordantes. Em primeiro lugar, será bom olhar para o estatuto disursivo do post. Ele é, claramente, um post crítico e caricatural. A caricatura é sempre hiperbólica, aumenta desconfortavelmente os traços daquilo que é caricaturado, mas tem a vantagem de dar a ver o que a visão normal não compreende. O efeito aumentativo, digamos assim, mostra o sentido das coisas.
Podemos afirmar que os acontecimentos passado na Escola Básica 2/3 de Silgueiros, Viseu, são o resultado directo das políticas do actual governo? Não, não podemos. Mas podemos dizer outra coisa. Podemos dizer que a forma como o actual governo tem incrementado a chamada abertura da escola à comunidade, na continuidade de anteriores governos, desprotege as instituições escolares perante estes acontecimentos. A escola é um território onde as famílias se movem, ou pretendem mover, como se estivessem em casa. Este mover-se como se estivesse em casa não é uma pura metáfora. Os valores provenientes das famílias, muitas vezes adversos ao ethos escolar, invadem e instalam-se na escola, devido ao papel atribuído pelo poder político (note-se bem) às famílias, dentro da escola. Quando se abre a escola à comunidade entram pessoas que pensam segundo o bem comum e o ethos escolar, mas também entram todos os outros com culturas adversas.
Este acontecimento, aliás como muitos outros, é um revelador do que significa abrir a escola à comunidade. Percebo que o problema não seja apenas português. Não o é. Mas isso não isenta de culpa aqueles que, em Portugal e nos países ocidentais, têm advogado semelhantes políticas. Essas pessoas têm nome, essas pessoas foram investidas nos mais altos cargos para tomar decisões. As decisões que tomaram foram erradas e, em vez de proteger a escola da sociedade, retiraram-lhe todas as defesas, deixando-as à mercê do arbítrio da comunidade. Essas pessoas que, no poder político fomentaram tais políticas, devem arcar com estes acontecimentos em cima dos seus ombros.
A escola não é um lugar como os outros, pois o que se pretende ali não é reduplicar a vida tal como ela acontece, mas preparar as novas gerações para integrar a comunidade, mas trazendo para essa comunidade o melhor, um conjunto de valores depurados pelo ambiente escolar, um conjunto de valores que, muitas vezes, devem contradizer as práticas e os preconceitos dessa comunidade. Um exemplo: na vida civil a honestidade é, hoje em dia, pouco apreciada. Na escola, deveria ser um valor indiscutível, um "dogma" do qual nenhum aluno pudesse duvidar, um preceito que deveria fazer tremer aquele aluno que pensasse fazer batota. Ora, se a escola se abre à comunidade, são os valores da comunidade que penetram na escola, pois a comunidade é muito mais forte do que a instituição escolar.
O meu post anterior nada tinha a ver com os professores e as sua reivindicações (muitos defendem, tragicamente, a retórica da abertura da escola). Tinha tudo a ver com os alunos, a sua defesa, a defesa das novas gerações. Como disse Hannah Arendt, é preciso proteger as novas gerações da sociedade e a sociedade das novas gerações. A abertura da escola à comunidade não faz uma coisa nem outra. É evidente, repito, que os acontecimento de Viseu não são associáveis directamente ao executivo. Mas este intensificou até ao paroxismo algo que já vinha do tempo do marcelismo, e que a democracia apenas incrementou, algo que destruiu aquela fronteira invisível que dizia a todos nós, etnias com culturas diferentes incluídas, que há uma diferença ontológica entre o espaço escolar e o espaço público onde decorre a vida civil. Essa fronteira invisível já era frágil, mas por acção do poder político, e não por qualquer movimento espontâneo da sociedade, essa fronteira já não existe. Por isso, aqueles que entraram dentro da escola de Silgueiros agiram com toda a naturalidade e espontaneidade, os portões da escola já não significam nada.
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18/03/09
Abertura da escola à comunidade
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SIDA, sexo e abstinência
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Marcadores: Religião
Não fora isso, e não seriam carecas nem teriam gota
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Marcadores: Filosofia
16/03/09
A vaidade de parecer civilizado
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15/03/09
Moisés David Ferreira - Reencontro XXV
(o copo tornando ampla
cada sílaba, unindo
um sopro fundo
ao estremecimento das mãos.
fronteira, fractura, frémito:
a língua avolumada
num iridescente vórtice –
e, entre a chuva e a manhã,
uma
ponte aberta em resplendor.)
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Heimat-Trilogy (Heimat / Heimat II / Heimat 3)
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Marcadores: Cinema
Vasco Pulido Valente - O Estado paga e o povo pasma
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14/03/09
Moisés David Ferreira - Reencontro XXIV
e a infância corre-te, indesvendada,
imóvel,
no enigma dos dias diluídos,
chegada do mar, segurando-o
num búzio, num
fio de sal, num peixe pressentido. conta-te
o seu rol de adivinhações,
todos os cais, todos os raptos,
todas as impossíveis rotas –
e assim te concebe olhando-a,
e longamente te prepara
para o nascimento.
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