13/02/09
Suspensão de facto dos direitos sindicais
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Jornal Torrejano, 13 de Fevereiro de 2009
Em linha (este blogue acaba de sofrer uma inflexão nacionalista) está já a nova edição do Jornal Torrejano. Destaque para as primeiras propostas do PSD para as autárquicas. Referência também para a comemoração, na novíssima biblioteca municipal, do Dia Europeu da Internet Segura, com um debate. Triste é a notícia que refere o Desportivo: cada vez mais último.
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Falta de leituras
Falta de leituras. É o que dá o espírito do tempo. As pessoas chegam a ministros e não leram nada do que é essencial, e depois são apanhadas de surpresa. Foi o que aconteceu com o nosso pobre ministro das Finanças, foi apanhado de surpresa. E isto de um ministro das Finanças ser apanhado de surpresa é coisa rara. Só mais raro é um ministro dos Negócios Estrangeiros ser apanhado de surpresa. Mas vamos ao que interessa. Perante os resultados fornecido pelo INE e referentes ao último trimestre de 2008, onde se mostra que o país entrou em recessão técnica, Teixeira dos Santos disse «Não esperaríamos quebra tão acentuada» Fiquei perplexo. Eu já estou habituado a que os economistas se entreguem às previsões mais desencontradas e que não acertem em nenhuma, mas este grau de surpresa deixa-me atónito. Eu recomendava ao senhor ministro uma leitura sistemática dos fragmentos de Heraclito. Mas Heraclito era economista? Não. Seria Heraclito ministro das Finanças de Éfeso? Também não. Mas sabia pensar, qualidade que entretanto se deteriorou. Num dos fragmentos diz que quem não espera o inesperado não o encontrará. Equipado por tal sabedoria, Teixeira dos Santos já não seria apanhado de surpresa e teria evitado a necessidade de mais um orçamento rectificativo. [Cartoon rapinado daqui]
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A santidade científica

Ontem foi dia de S. Darwin. Sempre me espanta o espírito religioso não apenas dos ateus mais acérrimos (a crença na inexistência de Deus é tão religiosa como o seu contrário), mas das gentes da ciência. Na galeria dos santos da ciência há alguns que são inevitáveis. S. Galileu, S. Darwin. Einstein está a caminho da beatificação. Estes santos têm os seus dias de culto e há cerimónias litúrgicas para os incensar. Não vejo, do ponto de vista da propensão geral da humanidade para a superstição, problema nenhum no assunto. No entanto, há duas pequenas coisas que sempre me acodem ao espírito quando vejo este tipo de rituais.
Em primeiro lugar, não esqueço que entre a ciência, produto da aliança entre a razão e a experiência, mediada pela imaginação, e a religião há um efectivo elo de ligação. Comte bem o pressentiu. A religião é um produto da imaginação, fundada numa certa experiência empírica do mundo e articulado pela razão. É do fundo religioso que vai emergir a filosofia, a qual estabelece o nexo, agora oculto, entre religião e ciência. Tende-se a esquecer que ambas são produtos das faculdades humanas e a obnubilar o efectivo traço que existe entre elas. Traço esse, aliás, que se manifesta na santificação e culto dos cientistas.
Em segundo lugar, a minha razão ri-se sempre um pouco (maldita razão céptica) com a pretensão da ciência como explicação do mundo. Não é apenas a revisibilidade a que os conhecimentos científicos estão sujeitos, devido ao progresso da investigação. É mais do que isso. Um dia chegará, poderemos imaginá-lo, em que as explicações científicas, isto é, o empreendimento da ciência, parecerá às mentes mais racionais desse tempo uma coisa tão irrazoável como hoje parece ser, para as mentes racionais, os discursos religiosos de Abraão, de Moisés, de Cristo, de Maomé, de Lao Tsé, etc. E estes discursos, podemos constatá-lo, representaram formas muito interessantes de razoabilização da vida humana.
Esta minha posição não representa uma atitude anticientífica. Mas entedia-me a tentação de absolutização, ainda que subreptícia, de uma coisa que só pode ser relativa e ter um significado relativo, pois é produto do espírito humano. Mas, note-se, o problema não está em retornar às velhas explicações criacionistas para contrapor a Darwin, ou ao cosmos ptolemaico-aristotélico em contraposição a Kepler e a Galileu. O problema é que talvez tenha chegado a hora de se começar a pensar na pós-ciência. Por vezes, interrogo-me que caminhos poderiam ser abertos por uma análise transcendental (atenção, à maneira kantiana) das faculdades humanas, agora porém iluminada pelos contributos da própria ciência, da neurobiologia, por exemplo.
Dir-me-ão: mas não será contraditório fundar-se na ciência a sua ultrapassagem? Eu respondo com duas perguntas: não foi na religião que se encontrou o fundamento da filosofia? Não foi na filosofia que se encontrou o alicerce que fez nascer a ciência?
Até esses?
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12/02/09
Será obsceno?
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Aquelas imagens que passam
Aquelas imagens que passam
e a melancolia que há nos olhos
são um rasto de sombra no Inverno
ou a lenta queda de um grave.
Se fosse apenas ciência,
ainda poderia acreditar nos passos que oiço,
se ao longe ecoa o restolhar das folhas caídas.
Mas um simulacro de vida,
quem nele pode confiar?
Sento-me e deixo a escuridão correr,
como se a noite me visitasse
para anunciar a hora que vai chegar.
Abro os olhos, mas nada vejo.
Oiço-te a soletrar breves palavras
e todo o teu corpo me cheira a cansaço.
Cala-te, o filme acabou.
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Mahler 2nd - Finale End - Simon Rattle/CBSO
The overwhelming close of Mahler's 'Resurrection' Symphony from a fantastic performance by The City of Birmingham Symphony Orchestra in '98. Soloists are Anne-Sofie von Otter and Hillevi Martinpelt.
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Marcadores: Música
A paz perpétua - Primeira Secção, § 6
São estratagemas desonrosos, pois mesmo em plena guerra deve ainda existir alguma confiança no modo de pensar do inimigo já que, caso contrário, não se poderia negociar paz alguma e as hostilidades resultariam numa guerra de extermínio (bellum internecinum); a guerra é certamente apenas o meio necessário e lamentável no estado da natureza (em que não existe nenhum tribunal que possa julgar, com a força do direito), para afirmar pela força o seu direito; na guerra, nenhuma das partes se pode declarar inimigo / injusto (porque isto pressupõe já uma sentença judicial). Mas o seu desfecho (tal como nos chamados juízos de Deus) é que decide de que lado se encontra o direito; mas entre os Estados não se pode conceber nenhuma guerra de castigo (bellum punitivum) (pois entre eles não existe nenhuma relação de um superior a um inferior). – Daqui se segue, pois, que uma guerra de extermínio, na qual se pode produzir o desaparecimento de ambas as partes e, por conseguinte, também de todo o direito, só possibilitaria a paz perpétua sobre o grande cemitério do género humano. Por conseguinte, não deve absolutamente permitir-se semelhante guerra nem também o uso dos meios que a ela levam. — Que os mencionados meios levam inevitavelmente a ela depreende-se do facto de que essas artes infernais, em si mesmas nunca convenientes, quando se põem em uso não se mantêm por muito tempo dentro dos limites da guerra, mas / transferem-se também para a situação de paz como, por exemplo, o uso de espias (uti exploratoribus), onde se aproveita a indignidade de outros (que não pode erradicar-se de uma só vez); e assim destruir-se-ia por completo o propósito da paz. [Immanuel Kant, A Paz Perpétua - Um Projecto Filosófico]
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Três (pequenos) poemas de Álvaro de Campos
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11/02/09
Jogos de linguagem
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Na Venezuela, a democracia progride
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10/02/09
Les Huguenots - duet - "Si j'étais coquette"
Dame Joan Sutherland as Marguerite de Valois and Anson Austin as Raoul sing a duet from act II of Les Huguenots by Meyerbeer. This is from Joan's last performance at the Sydney Opera House.
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Perfilados de medo
O General Ramalho diz que existe um clima de medo crónico de criticar para não ser prejudicado e de arriscar. Por que razão será? Porque a nossa sociedade é constituída por gente muito dependente. A sociedade portuguesa é uma teia de gente frágil, onde alguns menos frágeis ditam o rumo que lhes interessa. Os portugueses não foram educados num espírito de independência e de amor pela liberdade. Veja-se o caso mais paradigmático de todos. O Partido Socialista nasceu como um grande partido da liberdade e de homens livres, de gente independente que afrontou o anterior regime e fez frente à possibilidade de uma nova ditadura vinda do outro lado do espectro político. Mas o que é hoje o Partido Socialista? Onde está aquele espírito dos heróis fundadores? Foi deglutido pelos profissionais da política, por gente que nunca afrontou nada de perigoso, por gente que pensa apenas nas suas carreiras. O Partido Socialista tornou-se num partido perigoso. As pessoas têm medo dele e ele dá-lhes razão e gosta de que as pessoas tenham medo. Quem se mete com o PS leva. Esta frase de um antigo dirigente mostra o espírito da coisa. Se o Partido Socialista se tornou uma agência de dominação, como não hão-de os portugueses, na sua miséria ancestral, não ter medo. Em Portugal, sabe-se muito bem quanto o poder é poderoso, como ele liquida a vida das pessoas, como os seus braços são como Deus, estão em toda a parte e cuidam de nós. Os portugueses foram treinados, e continuam a sê-lo todos os dias, para o medo e para a cobardia. E se levantam a cabeça, aprendem muito rapidamente que os olhos não se devem levantar do chão. O General, um homem corajoso, às vezes confunde-se. Perfilados de medo...
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09/02/09
A vida amorosa
A SIC decidiu prendar o país com uma mini-série sobre a vida íntima de Oliveira Salazar. Independentemente da qualidade e da verosimilhança, o que ocorre perguntar é a intencionalidade da coisa. É provável que não se pretendesse mais nada do que explorar, para consumo popular e voyeurista, a equivocidade da vida sentimental do ditador. Mas estes projectos não são inócuos. Como é dito no Portugal dos Pequeninos, para estudar o Estado Novo e Salazar não é preciso a vida íntima de Salazar para nada. Mas o problema não é tão simples. Salazar sempre foi discreto em relação à sua vida amorosa e deixou transparecer uma espécie de castidade que legitimava a sua pertença à imaginária galeria dos heróis e santos varões que tinham feito de Portugal um imenso império. A gestão da sua intimidade não pode ser desligada nem da ideologia nem da forma como fazia política. Contudo, esta mini-séria da SIC não é a desmontagem de um mito, mas o sintoma de que os tempos mudaram. Se homens como Salazar e Cunhal eram mais ou menos secretos na sua vida amorosa, se os outros eram relativamente discretos, isso acontecia não apenas por uma questão de carácter, mas porque o tempo lhes exigia isso, porque a política era suficiente para concentrar o interesse público. O que se passa hoje em dia é uma alteração do interesse público. Este retraiu-se para a esfera da intimidade e as pessoas, treinadas pelos reality shows e por uma televisão sôfrega de episódios picarescos, apenas se interessam em espreitar para a suposta vida íntima das grandes personagens. O que este episódio televisivo mostra não é Salazar, mas a destruição do espaço público na nossa sociedade e o desinteresse geral que a política gera no mercado das emoções populares. A intencionalidade desta realização não é desmontar ou reabilitar a personagem do Professor Salazar, mas cimentar o novo espírito do tempo, o espírito niilista que toca em tudo e a tudo dissolve no acto de espreitar.
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Façamos de conta
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Marcadores: Política
Filhos de políticos para a escola pública
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07/02/09
Mais tarde
o silêncio da luz veio
soletrar uma trégua
nas frívolas águas de Janeiro.
Que palavra terás para dizer?
Casas de tijolo,
as lágrimas sufocadas,
os lençóis intactos,
onde a noite descansou.
Que palavras terás para dizer?
As romãs estão maduras,
não há quem as colha.
Olho-te,
nesse abandono
com que o sol te ilumina,
e espero a tarde que vem
para atear a sombra
e roubar-te a seiva
que me há-de caber.
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Pablo Neruda & Paco Ibáñez: Puedo escribirte los versos...
Pablo Neruda, "Puedo escribirte los versos más tristes esta noche"; Paco Ibáñez & Cuarteto Cedrón;Barbra Streisand, "The Prince of Tides" (1991)
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