16/01/09

Giovanni Palestrina - Missa Papae Marcelli - Gloria

Eça de Queiroz - Editorial do Distrito de Évora


Enquanto pela triste força dos factos, pela influência da tradição, peia obediência inerte dos espíritos, pelo adormecimento das consciências, pelo amedrontamento das almas, pelas predominâncias estéreis, pela força dos interesses pequenos, pelo afrouxamento dos sentimentos livres, pelo abaixamento moral, pela fraqueza, pela indolência, por tudo isto, os interesses deste território forem desprezados, os desenvolvimentos impedidos, as livres consciências esmagadas, a acção abafada, as administrações descuradas, todos os elementos fecundos sufocados, um jornal, que procure representar o direito, a justiça, a razão, o princípio, a consciência moral, não será por certo inútil.

Jornal Torrejano, 16 de Janeiro de 2009


Na opinião comece-se com o cartoon de Hélder Dias. Carlos Henriques escreve Benfica volta à liderança [eis o exemplo de que não há só notícias más], Carlos Nuno, Não há Portugal, Francisco Almeida, Para lá do mar, Inês Vidal, Mariana, José Ricardo Costa, A Normalidade Radical e Miguel Sentieiro, A Liliana resolve.

Aqui fica a notícia de mais uma edição do Jornal Torrejano. Bom fim-de-semana.

15/01/09

Tarde em Itapuã - Vinicius de Moraes + Toquinho

Da razão e da adrenalina

Claro que não há problema nenhum em uma mulher não muçulmana, para não falar já das muçulmanas, em casar com um muçulmano. Por exemplo, o marido se se cansar da feliz escolhida basta dizer três vezes «eu te repudio» (isto é um verdadeiro descanso). Já a mulher, se quiser ver-se livre do marido, tem de invocar uma razão. Daqui se conclui o seguinte: 1. No Islão os homens estão dispensados de usar a razão, mas as mulheres precisam de uma razão adicional; 2. O cardeal Policarpo bem sabia o que estava a dizer, ao aconselhar as jovens enamoradas pelos D. Juans maometanos a usar a razão (pensar duas vezes). É uma questão de treino. Mas se a razão da jovem, ou a falta dela, a inclinar para a consumação do acto, então pode jogar na lotaria (ou na roleta russa como no filme O Caçador, de M. Cimino) e fazer uma viagem à terra natal do eleito. Segundo um xeque não identificado, contactado pelo Público, «se a mulher viajar para o país do marido "o que pode acontecer depende das famílias", explica o xeque. "Se forem mais conservadoras, ela poderá ter que seguir um estilo de vida mais tradicional".» Portanto, eu antevejo já o gozo adicional da feliz rapariga tentando antecipar se a família do cônjuge é conservadora ou não. Não há nada como a adrenalina.

Slavoj Zizek: A filosofia moderna e a foda


Na medida em que aceitarmos esta noção de relação sexual como a referência absoluta, somos tentados a rescrever toda a história da filosofia moderna nos seguintes termos:
- Descartes: «Fodo, logo existo», isto é, só na actividade sexual intensa sinto a plenitude do meu ser (a resposta «descentradora» de Lacan a isto teria sido: «Fodo onde não existo, e não existo onde fodo», ou seja, não sou eu quem fode, mas «isso fode» em mim);
- Espinosa: Dentro do Absoluto enquanto Foda (coitus sive natura), devemos distinguir, no mesmo sentido da distinção entre natura naturans e natura naturata, entre a penetração activa e o objecto fodido (há aqueles que fodem e os que são fodidos);
- Hume introduz aqui a dúvida empirista: como sabemos se a foda, enquanto relação, existe? Só existem objectos cujos movimentos parecem coordenados.
- Resposta kantiana a esta crise: «as condições da possibilidade de foder são ao mesmo tempo as condições da possibilidade dos objectos [da] foda»;
- Fichte radicaliza esta revolução kantiana: foder é uma actividade incondicional que se postula a si própria e que se divide em fodedor e objecto fodido, ou seja, é o próprio foder que pressupõe o seu objecto, o fodido;
- Hegel: «é crucial conceber o Foder não só como substância (o impulso substancial que nos subjuga), mas também como sujeito (como actividade reflexiva inserida no contexto do significado espiritual)»;
- Marx: devemos regressar ao foder real e rejeitar a filosofice masturbatória idealista, ou seja, nos termos literais em que o expressou na Ideologia Alemã, a vida real está para a filosofia, assim como o sexo real está para a masturbação;
- Nietzsche: a Vontade é, na sua expressão mais radical, a Vontade de Foder, que culmina no Eterno Retorno do «quero mais», de uma foda que prossegue indefinidamente
- Heidegger do mesmo modo que a essência da tecnologia não é nada «tecnológica», a essência de foder não tem nada a ver com a foda enquanto simples actividade ôntica; ou melhor, «a essência do foder é o foder da própria Essência», isto é, não somos apenas nós, humanos, que fodemos a nossa compreensão da Essência», é a Essência que já está em si mesma fodida (inconsistente, retraída, errante);
- e, finalmente, a intuição de como a própria Essência está fodida, leva-nos à expressão de Lacan «a relação sexual não existe».
[Slavoj Zizek, Lacrimae Rerum, pgs 150-152, nt 108]
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Não menos interessante do que a leitura da história da filosofia moderna ancorada na foda, é o facto de esta nota, a 108 do capítulo sobre o realizador polaco Krzysztof Kieslowski, não ter, no corpo do texto (as notas estão todas agrupadas no fim do capítulo) uma chamada. De facto, entre a nota 107 e a 109, na tradução portuguesa, não existe qualquer nota. Ocorrem, porém, duas notas 109, que remetem, dessa forma, para uma reflexão sobre o Tristão e Isolda, de Wagner. Eis um belo acto de censura do inconsciente do paginador, ou será do processador de texto? O que introduz um mistério quase teológico: terão os processadores de texto também um inconsciente?

A matéria e a forma


Vai por aí um grande banzé com as declarações do cardeal Policarpo sobre os casamentos entre mulheres cristãs e homens muçulmanos. O cardeal de Lisboa teve a infeliz ideia de sugerir às jovens o uso da razão. Pensem duas vezes, terá dito. Num mundo em que pensar uma vez é já um exercício execrável, talvez o cardeal Policarpo se tenha excedido. Como podem as jovens portuguesas pensar duas vezes? Talvez seja uma manifesta impossibilidade. Mas pior que o irrealismo cardinalício sobre as capacidades das jovens (e já agora dos jovens) portugueses para pensar, é o coro de virgens que se faz ouvir a propósito destas declarações. Parece que é uma pouca vergonha aquilo que D. José Policarpo fez, sintoma de um comportamento impróprio do século XXI, um atentado contra o espírito ecuménico e o diálogo inter-religioso, um desconhecimento dos imperativos multiculturais, talvez mesmo um exemplo de racismo e xenofobia. Pobre cardeal. É evidente que aquilo que ele disse não interessa para nada. E se uma jovem portuguesa se meter num monte de sarilhos é um problema de somenos. Também, para toda esta gente que adora a forma correcta, a situação da mulher em muitas sociedades islâmicas é irrelevante, bem como a cultura, que em muitas dessas sociedades é permitida, e que faz da mulher um ser abaixo e submetido ao marido, é matéria que não interessa discutir. Para mim, neste mar de indignação contra as palavras do cardeal-patriarca ecoa uma nostalgia. A nostalgia dos tempos em que os homens cristãos podiam fazer às suas mulheres cristãs aquilo que os muçulmanos ainda vão podendo fazer. A igualdade da mulher deixa muitos homens, de aspecto viril, com a barriga das pernas a tremer.

12/01/09

A professora primária

Por causa deste escrito do Zé Ricardo, lembrei-me de uma história antiga. Um amigo meu e colega de universidade, logo nos primeiros tempos da nossa amizade, confidenciou-me que o professor que tinha tido mais importância na sua vida era a professora primária, julgo que na altura terá dito que era uma professora, e que ainda tinha prazer de a ver. E justificava a sua preferência dizendo que tinha sido ela que o tinha ensinado a ler e a escrever, e que isso era o mais importante. Resta acrescentar que esse meu amigo não é bem português. Cinquenta por cento dele é de origem finlandesa. A diferença entre esta história e aquela contada pelo explica muito bem porque os resultados do nosso ensino são o que são e os dos finlandeses se inscrevem entre os melhores do mundo. Começa tudo pelo respeito e pelo reconhecimento de quem nos ensina a ler e a escrever. Por vezes, chego a pensar que muitos alunos jamais perdoarão o crime de ter havido um professor, ou uma professora, que tentou ensiná-los a ler e a escrever.

Kronos Quartet plays Pelle Gudmundsen-Holmgreen


A escrita de Deus

Tal como criou seu trono, Deus criou uma mesa para escrever tão vasta que um homem poderia caminhar nela mil anos. E era a mesa feita de pérolas branquíssimas e as suas extremidades de rubis e o seu centro de esmeralda. Tudo o que nela escrevia era da mais pura claridade. Deus olhava para a mesa centos de vezes por dia e, cada vez que a olhava, construía e destruía, criava e matava… Tal como criou a mesa, Deus criou uma pena de luz para escrever, tão larga e longa que um homem a poderia percorrer, em largura ou comprimento, quinhentos anos. E, esta criada, Deus ordenou-lhe que escrevesse. Disse a pena «Que escrevo?» A ela respondeu, «Escreverás a minha sabedoria e todas as minhas criaturas, desde o princípio do mundo até ao seu fim». O Livro da Escada de Maomé, cap. XX

11/01/09

Pierre Boulez : Rituel in Memoriam Bruno Maderna



Celebrar o futuro


Numa daquelas campanhas inúteis a que os partidos políticos dão extrema importância, o PS lançou, por altura das festas de Natal e Ano Novo, vários cartazes. Num deles inscreveu o slogan É TEMPO DE CELEBRAR O FUTURO. Todos sabemos o que valem estes cartazes. No entanto, a sua leitura revela mais do que os dirigentes partidários gostariam.

Celebrar o futuro, à primeira vista, apenas parece alinhar o partido do governo pela dinâmica da modernidade. Esta, ao contrário das sociedades tradicionais escoradas no passado, vive voltada para o futuro, o lugar onde o bem se consumará.

Mas a questão é um pouco mais complexa. O futuro como promessa radiosa fazia sentido no século XIX, talvez ainda no século XX, para as organizações sociais e políticas que faziam da revolução social o seu programa. Elas eram, de certa forma, puras e virginais relativamente ao exercício do poder, e, por isso, podiam prometer um mundo novo e pleno e mostrar o futuro como o lugar do cumprimento dessa promessa.

Mas o que significará a palavra É TEMPO DE CELEBRAR O FUTURO, na "boca" de um partido no governo? Os antigos sabiam bem que o que se pode celebrar são os grandes feitos. Um feito para o ser tem, obrigatoriamente, de estar consumado, de ser passado. A única coisa que no presente se pode celebrar é essa grandeza realizada. Quando um partido no governo nos diz, à beira das eleições, que o tempo é de celebrar o futuro, isto é, aquilo que não aconteceu, está a confessar a sua inépcia política. Da sua acção passada, nada há para celebrar. Não há feito que mereça memória e comemoração. Resta a expectativa que o buraco vazio do futuro possa trazer qualquer coisa que mereça ser lembrado. Convocar à celebração do futuro é não só celebrar o nada, mas também a confissão de que, no passado que vai ser julgado pelos eleitores, nada foi feito que mereça celebração.

Dito de outra maneira, o cartaz socialista é o que se chama um verdadeiro acto falhado, pelo qual se confessa aquilo que se queria esconder.

10/01/09

Tom Waits Waltzing Matilda live 1977

G. K. Chesterton - A mais negra e ousada das conspirações


[Uma história policial] mantém de certo modo presente o facto de a própria civilização ser o mais sensacional dos desvios e a mais romântica das rebeliões. Num romance policial, quando o detective, de uma forma um tanto estupidamente temerária, se vê sozinho perante facas e punhos no covil dos bandidos, isso serve certamente para nos fazer lembrar que é o agente da justiça social que constitui a figura original e poética, enquanto os ladrões e assaltantes são apenas velhos e plácidos conservadores cósmicos, felizes na respeitabilidade imemorial de macacos e lobos. [O romance policial] baseia-se no facto de a moral ser a mais negra e ousada das conspirações (G. K. Chesterton, A Defense of Detective Stories).

Uma palavra de Lachelier



No início do "Avant-Propos" da sua obra Héritage des Mots, Héritage d'Idées, Léon Brunschvicg escreve: "Conta-se que o grande filósofo, Jules Lachelier, nomeado para o Liceu de Toulouse, começou as suas aulas perguntando: o que é a Filosofia?, e acrescentou imediatamente: não sei. O que provou o divertimento de toda a cidade de Toulouse; o professor de Filosofia que lhe tinham enviado de Paris não sabia o que era a Filosofia." Brunschvicg não data o episódio, mas ele terá ocorrido, certamente, entre 1857 e 1864, datas que marcam a época em que Lachelier ensina em diversos liceus franceses. Portanto, em pleno século XIX.

O que é interessante nesta história não é tanto o aspecto filosófico dela. A Filosofia é essa estranha sabedoria feita do reconhecimento do não saber e, em primeiro lugar, do não saber o que é a própria Filosofia. Aqui não haverá qualquer novidade para quem esteja minimamente ligado ao mundo da Filosofia. Interessante é o aspecto social. Em pleno século XIX, as palavras de um professor de Liceu, ditas perante adolescentes, eram objecto de comentário pelos "círculos que interessavam", numa grande cidade francesa.

Todos se congratularão, hoje em dia, com a democratização (se é que ele existe de facto) do ensino liceal. Essa democratização, porém, trouxe como consequência que nenhuma palavra de um professor liceal será memorável. Todas as palavras que os professores liceais (do secundário, na nossa estúpida e inútil designação) proferem em todas os liceus (escolas secundárias, na abjecta designação que o poder político democrático escolheu para os liceus) deste país serão apenas banalidades que se perdem mal termine a aula. Lachelier fez rir os círculos bem-pensantes de Toulouse, mas fez ao mesmo tempo pensar os seus alunos. Eles sentiram-se chocados e reportaram aos seus pais esse mesmo choque. Que palavra poderei proferir numa aula de filosofia que choque os meus alunos? Isto é, que os faça pensar? E Lachelier não disse mais do que dizem muitos dos professores de filosofia que há por esse país fora.

Talvez, sob a capa deste história anedótica, se esconda uma verdade sobre a democratização do ensino. Na verdade, não houve qualquer tipo de democratização. O ensino liceal (não esqueçamos que cá se designa pelo humilhante nome de ensino secundário) a que se tem direito é apenas uma ténue sombra daquele que as elites tinham no século XIX e em parte do século XX. A democratização do ensino liceal talvez não tenha passado de uma gigantesca manobra de falsificação da realidade. Sendo assim, é muito provável que o nome de ensino secundário seja de facto o mais exacto, devido à mixórdia que o poder político serve nessas escolas a que, em Portugal e sem pudor, se deu o nome de escolas secundárias. Sim, um ensino de segunda ordem.

Desilusão meteorológica


Tornei-me um adepto incondicional do serviço meteorológico do Sapo. É um sintoma de envelhecimento. Os velhos do tempo em que eu era novo estavam sempre muito preocupados com o estado do tempo. Agora que me tornei num velho de um tempo em que são outros os novos comecei a interessar-me pelas alterações da meteorologia. Não sintonizo a Emissora Nacional, não. A Emissora Nacional mudou de nome e eu sou um velho dos novos tempos. Consulto o estado do tempo para o meu concelho, Torres Novas, aqui, no Sapo. A coisa por norma bate certo e a actualização é contínua.

Mas a meteorologia é uma ciência parente da economia e, como tal, vive de previsões. Quando me fui deitar, a previsão indicava que hoje o dia estaria ensolarado, com algumas nuvens e haveria queda de neve. Esperança. Acordei pelas 7 da manhã e fui ver o dia a despontar. Não nevava, mas a consulta ao Tempo do Sapo, continuou a animar-me. A previsão mantinha-se. Fui dormir mais duas horas. Quando acordei, a previsão tinha-me atraiçoado. Não haverá neve. Revisão em baixa, para falar à maneira dos economistas. Já não se pode confiar em nada.

09/01/09

A cegueira do poder


Como é do conhecimento público do burgo fui, não desde a primeira hora, um apoiante de António Rodrigues. Continuo a sê-lo, penso mesmo que é um dos mais importantes presidentes da história do município torrejano. Há uma Torres Novas antes de António Rodrigues e há outra depois, sendo esta bastante melhor.

Este intróito é uma espécie de justificação para, por uma vez, falar de um assunto estritamente local. António Rodrigues reconheceu que a construção do bairro social na via panorâmica das Tufeiras foi um erro. Eu diria um erro histórico, talvez o que de pior se fez nos seus mandatos. António Rodrigues diz que essa era a política da altura. Pode ser verdade. Mas também é verdade que houve pessoas que anteciparam aquilo que se iria passar. Lembro-me de falar desse desastre previsível quando se começou a esboçar o projecto. Não sei se cheguei a escrever um artigo no Jornal Torrejano, mas recordo-me de o ter dito informalmente a António Rodrigues e a outros vereadores, nomeadamente a Pedro Ferreira. Outras pessoas o fizeram. Penso que o João Carlos Lopes também o fez, e o José Ricardo Costa escreveu na altura qualquer coisa sobre o assunto, mas não estou certo disso. Isto para além de um editorial do Jornal Torrejano. É evidente que estas opiniões negativas eram meras opiniões, mas os argumentos eram bons e realistas.

O que me interessa aqui, porém, é outra coisa: a cegueira do poder. Há qualquer coisa de misterioso que cega, quem detém o poder, para aquilo que é óbvio. Ninguém na vereação da câmara queria os resultados que o projecto teve, mas todos se precipitaram para eles cantando alegremente, cegos e surdos ao que se dizia. Porquê? O que leva o poder a cometer erros estúpidos? O que leva o poder a ser incapaz de pensar? Este caso é apenas um exemplo, bem pequeno, dessa incapacidade estrutural do poder, qualquer que seja, para escutar o que vem de fora. É como se a necessidade de acção elidisse a capacidade de pensar, e de pensar aquilo que contraria os desígnios de quem ocupa o poder. Há uma atracção fatal do poder pela irracionalidade. Este não é um dos mistérios menores do poder.

A António Rodrigues, neste caso e ao contrário de muitos outros actores políticos de outros casos, reconheça-se a capacidade de reconhecer o erro, em vez de o disfarçar. Talvez se tenha aprendido alguma coisa. Seria bom que se escutasse com atenção os argumentos que contrariam aquilo que o poder pensa ser o melhor. Só por uma questão de precaução.

Jornal Torrejano, 9 de Janeiro de 2009


Na opinião, comece-se com o cartoon de Hélder Dias. Na opinião escrita temos: F. C. Porto em primeiro, de Carlos Henriques; Bairro social, de Inês Vidal; A crise de que se fala, de Jorge Cordeiro Simões; Sopa dos pobres, de José Ricardo Costa; No reino dos invertebrados, de Santana-Maia Leonardo.

Para a semana haverá mais Jornal Torrejano. Bom fim-de-semana.

Só falta mesmo a neve


Têm sido uns dias esplendorosos. Um sol brilhante e um frio de cortar. Contrariamente ao que se pode pensar, a verdadeira luz é fria. A luz que aquece, acaba por derreter, mas a luminosidade fria ilumina e deixa ver. Não por acaso, que, há muito, o Verão, quando ele se ergue como a antecâmara do inferno, se me tornou insuportável. Mas esta luz solar, impotente para domar o frio vindo do pólo, é-me absolutamente indispensável. Mesmo que fique em casa rodeado pelo calor artificial, a imaginação devaneia sempre por longas caminhadas sob um sol frio e temperaturas de enregelar. Agora, porém, o que falta mesmo é a neve. Que ela venha sorrateira iluminar este frio.

Maderna: "Biogramma"

Para começar o dia, a música do compositor italo-germânico Bruno Maderna (1920-1973). Talvez não seja bem a música indicada para um programa tipo despertar, mas neste blogue não se pretende despertar seja quem for. Quem quiser dormir que durma, quem quiser ouvir que oiça...