14/07/08

Exodus - XXI

Eram tecedeiras. No vagar teciam longas horas,
obscuras sombras tudo cobriam e na voz
rouca, voz era o que se ouvia, enchiam
os minutos de suspeitas, a lama
a crescer num inverno de dedos cruzados,
os olhos negros no fundo do rosto, a vida vendida
a retalho, a mercearia de tulhas já vazias.

Os cereais tinham acabado e nada restava
onde os braços pudessem mergulhar as mãos,
assim os terminavam. Pela noite, soltava-se
um instinto mortal e elas vogavam pelas casas,
cabelos soltos a tocar os seios descaídos,
uma ânsia de assassínio no canto da boca,
ou a solidão a aplanar o caminho do coração.

O que ferir alguém que morra, morrendo morrerá…
A noite avançava incólume na escuridão
sem estrelas, onde tudo abrandava, e a morte
cansada deixava a carne em frágil decomposição.
De olhos cerrados adormecia como se sonhasse
impérios desfeitos, camisas de seda,
ou o branco véu, à noiva no altar cobre.

Jorge Carreira Maia (2007). Exodus.

La marseillaise - 219 aniversário Revolución Francesa

Fez hoje 219 anos que se deu a tomada da Bastilha, data simbólica da Revolução Francesa. Este vídeo diz respeito às grandiosas comemorações de 1989, do bicentenário do evento. A grande Jessie Norman dá voz ao hino que sublima um dos mais espantoso dos movimentos políticos, senão o mais espantoso, que sobre a terra e debaixo dos céus ocorreu.

Da natureza do político (príncipe)

Quão louvável seja num príncipe (político) o manter a palavra dada e viver com integridade e não com astúcia, qualquer um o entende. No entanto, vê-se pela experiência do nosso tempo terem feito grandes coisas aqueles príncipes (políticos) que tiveram em pouca conta a palavra dada e que souberam, com astúcia, dar a volta aos cérebros dos homens; e no fim superaram aqueles que se fundaram na sinceridade. [Nicolau Maquiavel (2008). O Príncipe. Tradução de Diogo Pires Aurélio. Temas e Debates/Círculo de Leitores]

Fim dos bairros sociais e responsabilidade individual

Na sequência dos graves acontecimentos ocorridos na Quinta da Fonte, surgiram especialistas a defender o fim dos bairros sociais. Na verdade, os bairros sociais são verdadeiros guetos onde a pobreza e a marginalização se tornam o caminho para condutas desviantes. Há ali um acumular incalculável de pólvora que no primeiro momento explode. Mas o problema não é apenas um problema de territórios e da convivência dentro dos territórios. A questão é outra e prende-se com a forma como a comunidade nacional e as suas instâncias políticas lidam com os processos de integração daqueles que chegam vindos de outras paragens ou dos que já cá estavam mas não faziam parte efectiva da comunidade. A integração não pode ser apenas uma espécie de assistencialismo social, um distribuição de casas e subsídios que acabam por gerar o pior. A integração deve assentar numa dialéctica muito forte entre direitos e deveres, em que os primeiros geram os segundos e estes fortalecem os primeiros. Essa dialéctica forte, porém, não deve ser deixada ao acaso e é preciso que Estado e sociedade civil, com as suas instituições diversificadas, participem activamente na integração. Mas nada disto fará sentido se àqueles que se devem integrar não se fizer também sentir a sua responsabilidade nessa integração. Isto porque não pode haver direitos e deveres sérios sem o princípio de responsabilidade individual. Acabar com os bairros sociais é uma óptima ideia se o caminho for o da tripla responsabilização: do indivíduo, da sociedade civil e das instituições políticas. Talvez o bairro social seja a imagem de marca de um assistencialismo negador da responsabilidade da pessoa que acabou por não resolver coisa nenhuma.

Robert Doisneau - La dernière valse du 14 Juillet

13/07/08

Exodus - XX

Veio, entre os cabelos havia nuvens
e da boca saíram palavras como tronos.
Visito a maldade dos pais sobre os filhos,
e depois partiu. A janela embaciada abriu-se.
No chão, estilhaços, restos de garrafas partidas,
aqui um gargalo ainda sóbrio, guardanapos
de papel ensebados pela boca, cascas
desvairadas pelo trabalho das mãos.
Ouvia-se uma melodia no saguão,
mas os sonhos eram trevos desfolhados,
um caule, o sobejo da raiz a baloiçar
ao vento da tarde, da janela o sopravam.

Toda a matéria da vida era um rumor,
palavras sussurradas, gestos inacabados,
suspensos no último instante.
No horizonte, um vórtice, mas a chama
apagada não se reacendia e tudo
era um barco esquecido sobre a pálida
areia, a quilha ao abandono, os remos
carcomidos, a madeira oca pelo sal,
a tudo infecta. Havia canaviais, o vento os tocava,
e a luz, pois luz era, neles se escondia,
sombreando as tardes onde o sol se punha.

Jorge Carreira Maia (2007). Exodus.

Bach - Cantata BWV 147. 5

E se a subida do petróleo fosse uma oportunidade?

Diz o Público: “A empresa alemã Steiff, que inventou os ursinhos de peluche, fez regressar a Portugal parte da produção deslocalizada para a China, num movimento que se começa a verificar noutros sectores da economia, devido ao aumento do preço do petróleo.” Por muito que nos custe pagar a gasolina quando se enche o depósito do carro, o preço alto do petróleo, à partida uma desgraça, poderá ser uma oportunidade a vários níveis. Em primeiro lugar, vai obrigar à racionalização dos consumos e poderá dar uma ajuda no combate ao aquecimento global. Em segundo lugar, poderá obrigar o Ocidente a olhar com olhos sérios para a crise que atravessa e as suas causas efectivas e tentar encontrar um caminho inovador para reorganizar as suas formas de vida. Por fim, a própria economia ocidental, nomeadamente a europeia, pode receber de volta, como está a acontecer com a Steiff, parte das empresas que se deslocalizaram para oriente. Haverá ainda força e criatividade suficientes para enfrentar uma profunda crise com uma mudança de paradigma e uma abertura de novos caminhos?

Da inconstância e da força

Porque, além das coisas já ditas, a natureza dos povos é inconstante e é fácil persuadi-los de uma coisa, mas é difícil mantê-los firmes nessa persuasão: e por isso convém estar ordenado de modo que, quando eles já não crêem, se possa fazê-los crer pela força. Moisés, Ciro, Teseu e Rómulo não teriam podido fazer-lhes observar por muito tempo as suas instituições se tivessem estado desarmados, como aconteceu no nosso tempo a frei Jerónimo Savonorola, o qual se arruinou com as suas ordens novas, mal a multidão começou a não acreditar nele, e ele não tinha maneira de manter firmes os que tinham acreditado nem de fazer acreditar os descrentes. [Nicolau Maquiavel (2008). O Príncipe. Tradução de Diogo Pires Aurélio. Temas e Debates/Círculo de Leitores]

12/07/08

Exodus - XIX

Lívidas figuras na escuridão se desenham,
lívidas figuras de tudo se acercam, como regato
de outro regato, ou os dias aos dias, neles
escrevo sobre a brancura exausta da areia...
Vêm ondas e as palavras soçobram na água,
as sílabas a desfazer-se, sobejam letras órfãs
e lágrimas correm e tumultuam a face,
ganem na floresta, se para o tormento da luz
os segredos, lívidas figuras, expulsam.

Assim como vos levei sobre os pássaros da tarde,
e vos trouxe a mim, descerei no dorso
de um animal e em seu caminhar derrubarei
flores, jardins de pedras, palavras de ócio,
poemas, espelhos despolidos, rasgados em
cada verso que a outro segue. Não cantam,
não indicam e quando falam, ainda a nuvem
fica por dizer, mesmo se iluminada, mesmo se crua.
Um gesto, o esgar da garganta, o débil sopro
da voz e não mais do que do pó pérola o poema é.

Jorge Carreira Maia (2007). Exodus.

Cavaco e a Matemática

Ontem, sexta-feira, segundo a TSF, Cavaco Silva mostrou-se satisfeito com os resultados dos exames de Matemática, afirmando mesmo que a subida das médias é uma boa notícia. Como nada no mundo da política acontece por acaso, estas declarações de Cavaco Silva apenas podem significar uma coisa: um estender de mão a uma ministra que se tornou o símbolo da decadência do ensino em Portugal, num momento em que o país se ri à gargalhada com os resultados dos exames e provas aferidas de Matemática. Não é a primeira vez que o Presidente da República estende a mão a Maria de Lurdes Rodrigues. Este gesto tem uma arqueologia e tem também um significado muito sério para o futuro.

Do ponto de vista arqueológico, percebe-se a simpatia e a solidariedade de Cavaco para Maria de Lurdes Rodrigues. Ele sabe muito bem que o que ela está a pôr no terreno é a continuação da Reforma Roberto Carneiro, o seu ministro da Educação. Tudo o que de perigoso, para os alunos portugueses, estava contido naquela reforma está agora a ser posto no terreno com os resultados que os portugueses começam a perceber: prémio para a preguiça, incentivo para o desinteresse e a irresponsabilidade dos alunos e castigo para aqueles que querem trabalhar e esforçar-se, sejam alunos, sejam professores.

Mas Cavaco terá de perceber que se tornou, mais uma vez, co-responsável daquilo que vem aí. O que o Presidente da República disse ontem ao país é que não vale a pena o esforço, que o caminho que Portugal deve seguir é fingir que não existem dificuldades nem obstáculos. Cavaco caucionou, invocando inclusive o seu exemplo, aquilo que nem muitos dos mais acérrimos defensores da Ministra da Educação caucionaram: o ilusionismo que transforma Portugal de um país com uma difícil relação com a Matemática num país de matemáticos.

O apoio dado à Ministra da Educação por Cavaco Silva é também, e mais uma vez, uma afronta aos professores portugueses, fundamentalmente àqueles que acreditam que só há um caminho para o sucesso escolar: o trabalho duro, a disciplina e o rigor. É pena que Cavaco não queira para os alunos portugueses aquilo que o ajudou a triunfar na vida.

O apoio ao Zimbabué

O veto imposto, no Conselho de Segurança da Nações Unidas, pela China e Rússia a sanções ao Zimbabué mostra, pelo menos, duas coisas. A primeira diz respeito à visão da democracia que essas potências possuem. Toda a tragédia que afecta o povo do Zimbabué é-lhes completamente indiferente, bem como a verdade das eleições que culminaram com a «vitória» de Mugabe. Mostra também, mais uma vez, que China e Rússia possuem as suas próprias agendas políticas e que aspiram a exercer um papel na cena internacional que as aproxime, cada vez mais, dos EUA. Será apenas um primeiro passo até se erguerem como grandes senhores da política global. Apesar de esperado, este veto é mais um sintoma da fragilidade do Ocidente e do valor da democracia na arena mundial. O Zimbabué é apenas o pretexto.

No país da lenga-lenga

O Provedor de Justiça é uma espécie de curador dos interesses dos cidadãos. Nascimento Rodrigues têm-no sido com probidade. Está na hora de abandonar o cargo e em entrevista ao Expresso falou da sua experiência. Disse que tendo “deparado com quatro Governos – Guterres, Durão Barroso, Santana Lopes e Sócrates – este último ganha aos pontos na ‘lenga-lenga’. É preciso paciência.” Esta confissão é um bom retrato da relação do actual PS e do seu governo com os cidadãos. Percebeu-se há muito que esta gente sente um desprezo infinito pelo cidadão comum. Os direitos cívicos e o respeito moral pelas pessoas não passam, para as actuais elites governativas, de lenga-lenga para a qual não têm qualquer paciência.

Vasco Pulido Valente - "O Estado da Nação".

O"Estado da Nação"? Basta olhar para a Assembleia, quieta e calada, para se perceber o "Estado da Nação". Em nenhum parlamento da "Europa" subsiste um partido como o Partido Comunista Português, que não deixou ainda a "guerra fria" e vê Portugal como o via em 1960. Com uma certa razão. O PCP não é, por assim dizer, o artifício de um fanatismo inexplicável e ridículo: é o produto arcaico de uma economia arcaica e de um Estado autoritário e monstruoso. Num país moderno não existiria; na eterna "modernização" de Portugal prospera. Exactamente como o Bloco, que vem do mundo dúbio da heterodoxia marxista e se alimenta da pobreza letrada e de uma velha história, que só neste ermo, esquecido e miserável, continua. O PC e o Bloco são, segundo as sondagens, 20 por cento do eleitorado.

Fora isto, que já chega, há o "debate" entre os presuntivos representantes da democracia "burguesa". De facto, não há debate - de qualquer espécie. A oposição fala do atraso e da insuficiência do país, que naturalmente quase não varia, e atribui ao Governo a culpa dessa interminável desgraça. O Governo devolve a culpa à oposição, que já foi governo, e gaba os méritos das duas ou três coisas, que no meio da balbúrdia conseguiu fazer. Nunca, em tempo algum, se sai daqui. Assistir a uma sessão é assistir a todas. Nem as personagens mudam; e a realidade, essa, não penetra em S. Bento. Para os participantes neste ritual, a substância de uma questão ou de um argumento não contam. "Ganhar" é a afirmação de uma simples superioridade teatral ou da "esperteza" bronca e bruta, que "apanha" o próximo e que o indígena tanto estima.

Em 1975, a Assembleia ainda sabia gramática e usava com alguma eficiência a língua portuguesa. Hoje papagueia sem vergonha os lugares-comuns da propaganda partidária ou perora num calão administrativo e "técnico", que se destina habilidosamente a esconder a verdade ou o vácuo. A tradição oratória, até a salazarista, desapareceu. Não há memória de um discurso organizado e claro, que tenha tido sobre a opinião pública um efeito profundo e duradouro. A Assembleia é um clube privado que, de quando em quando, a televisão mostra a um país mais do que indiferente.O "debate" sobre o "Estado da Nação" da última quinta-feira exibiu involuntariamente o país como ele é: a indigência intelectual, a mesquinhez de propósito, a irresponsabilidade política. Daquela gente não se pode esperar nada.
[Público de 12 de Julho de 2008]

11/07/08

Exodus - XVIII

Já não há quem se multiplique, feneceu a aritmética
e os cálculos foram à sombra abandonados.
Um esquecimento tão esquecido cresceu obsessivo
e obsessivo se ergueu, pegou em suas mãos vazias
e com elas desenhou um milhafre ferido.
As pústulas eram tão perfeitas no arco pelo peito
desenhado, se o pássaro respirava, a própria
perfeição o impelia, enquanto o caminho
decrescia e a dor era um mar a lavrar
sob a pele tumefacta, dos pulmões o movimento escondia.

Queima os livros, a parca juventude os deu,
acende com eles uma fogueira e aqueça ela,
no Inverno, o frio pensar. Deixa arder,
em feroz combustão, conceitos, a tudo recolhem,
juízos, uma ordem vesperal trazem,
raciocínios, aí encorpa a cega loucura.
Vem falar não a tigres, mas a homens sentados
nas espessas esplanadas da cidade.
Desenha-lhes um carro cego e, com inquieto dedo,
mostra-lhes o caminho onde gritem de pavor,
tocados pela mansidão debruada pelo cântico
dos limoeiros. Ó exaustas sentenças, cansadas
equações, leves chagas cobertas pelo pó das gramáticas:
cantem a raiva rosada pela álgebra, rasto
eterno no fogo das colinas, verdes de tanto Outono.

Jorge Carreira Maia (2007). Exodus.

Pablo Casals plays BACH - Suite no 1 for Cello - part 1

Quinta da Fonte, um aviso

Os desacatos ocorridos ontem e hoje (Sol) no Bairro da Quinta da Fonte, em Loures, dão que pensar sobre a saúde do Estado de direito em Portugal. Por duas vezes, a lei e o monopólio pelo Estado da força legítima foram violados de forma drástica criando um território em estado de excepção, onde a lei foi suspensa independentemente da vontade do soberano. O que se passou, para lá da qualidade da intervenção policial, não é um mero caso de polícia. Foi a essência do próprio Estado que foi posta em causa. Aquilo que merece meditação, para além do conflito partidário, é o caldo de cultura que permitiu estes acontecimentos. Um aviso para os mais distraídos.

S. Martinho do Porto, 1919

Esta fotografia foi publicada no excelente blogue O Jansenista. O título dado pelo dono do blogue é Visões da Arcádia: São Martinho do Porto, 1919. Quem conheceu a antiga praia ainda pelos fins dos anos 60 exalta-se cada vez que passa por lá e vê aquilo em que a transformaram. Esta fotografia, porém, cria uma nostalgia daquilo que nunca se conheceu. A presença humana está ali, mas a paisagem construída pelo homem ainda não tinha começado a colonizar o espaço. Era uma promessa de um mundo que poderia ser melhor. Não o foi. Hoje alguns sabem que o caminho para o melhor é a imutabilidade, o não tocar no que está, o deixar ser. Mas isso é um segredo. Segredo não porque não seja dito, mas porque raramente é escutado. É o que se chama falta de atenção. Na essência da desatenção reside o descuido e o desleixo, em última análise, o amor pelo lixo.

Matemática – a mudança de estratégia

Saíram os resultados dos exames de Matemática do 9.º ano. Verificou-se uma queda de classificações negativas de quase 40%. Depois dos milagres nas provas aferidas e nos exames do secundário, o nono ano também foi consolado com o seu milagrezinho, um tudo nada mais modesto, mas mesmo assim um belo milagre. Depois de a anterior estratégia ter feito o país rir à gargalhada, os milagreiros mudaram de tom. Consideram uma recuperação de 40% um mau resultado e choram pelo facto de haver cerca de 50% de classificações negativas (Público). Por certo, naquelas cabeças, já fervilha o milagre do ano que vem, esse sim um ano jubilar a valer.

Jornal Torrejano, 11 de Julho de 2008

On-line está já a edição n.º 627, da segunda série, do Jornal Torrejano. Na primeira página, Incêndio em prédio abandonado relança questão de segurança no centro histórico. Destaque também para Câmara abriu concurso para remodelação da Praça 5 de Outubro. Refira-se, ainda, a publicação por Miguel Sentieiro do livro ”comichões” crónicas, onde agrupa cerca de 70 crónicas publicadas no Jornal Torrejano.

Na opinião. Inicie-se o périplo pelo cartoon de Hélder Dias. Depois, e por ordem alfabética, Carlos Henriques escreve Trapalhada jurídica, este blogger, A tenaz, Jorge Salgado Simões, ExpoCidade, José Mota Pereira, O Boquilobo golf: outra vez?, José Ricardo Costa, A Ministra do Petróleo, José Trincão Marques, Ambiente e intermunicipalidade, Miguel Sentieiro, Se até o chimpazé percebe, Santana-Maia Leonardo, O Colégio La Salle, Vítor Lúcio Freire, O meu menino é d’oiro.

Tem muito para ler e meditar durante estes dias. Então, bom fim-de-semana.