19/04/08
18/04/08
Sobre pintura e desenho de Gustav Klimt - Vinte e quatro

24 - Gustav Klimt - Schloß Kammer am Attersee IV, 1910 [O palácio de Kammer no lago de Atter]
Vinte e Quatro
Fora o mundo um espelho, uma água verde
salpicada de amarelo, talvez um palácio
de paredes velhas e incertas onde se abrem janelas
para a tarde, fora o mundo como um lago
onde o teu nome ecoa no verão que desce
ou umas árvores a fingir arcadas
ou roseiras breves a mesclar de cor
os dias luminosos da primavera,
fora o mundo tudo isso e eu
cavalgaria um barco de remos carcomidos
e esperar-te-ia escondido na luz
para te levar para além daquele clarão
onde me sonhas, na esperança
que eu possa existir fora desse sonho,
um deus to enviou nas tardes
em que adormecias na obscura câmara
onde afirmavas, na cálida voz que era a tua,
ser ali, naquele quarto sem nome, o lugar
onde me sonhavas quando me vias.
Jorge Carreira Maia, Sobre pintura e desenho de Gustav Klimt, 2008
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Don Camillo - Discorso di Peppone
Por causa deste post do A Ágora lembrei-me de ir à procura de D. Camillo (o pároco anti-comunista de Brescello na Emilia Romagna) e de Pepone (líder comunista local). Ali estava desenhada a estranha relação entre comunistas e democratas-cristãos na Itália do pós-guerra. D. Camillo e Peponne eram duros adversários, chegavam mesmo a vias de facto, mas, para além disso, eram amigos ou quase irmãos. Nas múltiplas histórias de Giovanni Guareschi, o criador das personagens romanescas, chega um a monsenhor e outro a senador. Li sempre com muito agrado e boa disposição estas historietas ingénuas, ou talvez nem tanto. Também vi os filmes e os trejeitos de Fernandel.
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PSD e o apoio à selecção
No Abrupto li isto: Ribau explica os prazos: "É preciso um equilíbrio (...) para não gastarmos tempo de mais, porque o partido está numa situação em que tem de arrumar [a situação] bem e o mais depressa possível. Não podemos deixar que se arraste o tempo. Em Junho queremos estar todos a apoiar solidariamente a selecção nacional de futebol", no Campeonato da Europa. (Lusa)Claro, o problema essencial do PSD não é o das divisões provocadas por ideias e estratégias políticas. Dizem as más-línguas que ideias e estratégias são coisas que não existem por lá. À falta de substância, ao menos que não se criem divisões artificiais no apoio solidário à selecção de futebol. Ribau? Alguém se importa de explicar quem é esta personagem?
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Jornal Torrejano, 18 de Abril de 2008
Na opinião, comece-se, como é hábito, com o cartoon de Hélder Dias. Depois temos as crónicas escritas: Mais Logo Existo de José Ricardo Costa, “Morte aos Judeus! Morte aos Hereges!” de Santa-Maia Leonardo, E-mail para Havana de Jorge Salgado Simões, Um Regalo de Miguel Sentieiro, Arruaceiros, fora com eles de Élio Batista, Tsunami na Luz de Carlos Henriques e Absurdemos a vida deste humílimo bloguer.
Para a semana, se não houver baixas e outras coisas inesperadas, voltará a notícia do Jornal Torrejano. Bom fim-de-semana.
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Um Menezes equivocado?
Há leituras da demissão de Menezes que indiciam o retorno em força, a partir de uma vaga de fundo das sagradas bases, do querido líder demissionário. É provável que isso passe pela cabeça do desgostado presidente da confraria, que ele se veja à luz táctica que iluminou um dia Sá Carneiro. No entanto, há dois equívocos na manobra. Por um lado, Luís Filipe Menezes não é Sá Carneiro; por outro, mesmo que o golpe resulte dentro do PSD, quem, no país real e fora da partidarite, lhe dará um grama de crédito? Confundir o PSD ou qualquer outro partido com o país pode ser uma ilusão letal. O melhor mesmo é Menezes levar a sua palavra até ao fim e deixar o espaço aberto.
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17/04/08
Sobre pintura e desenho de Gustav Klimt - Vinte e três
Vinte e três
Rosas e maçãs as vejo quando te olho no rosto
e assim vagueio pelos jardins que o mundo me doou
como se uma dor me ferisse ou uma agonia tocasse
ao de leve a pele viva onde encerro o coração.
Caminho entre as cores que o horizonte me traz
e soletro no silêncio do peito o teu nome
revestido de azul; embriago-me ao pensar
no fugaz corpo que, sob a árvore, tocou meus dedos
e os abriu para um céu de Agosto, mesmo que o
vento frio de Dezembro desminta as rosas
que os meus olhos vêem ou a fruta madura
que te ofereço no recôndito do meu braço.
Tenho as mãos nos bolsos e olho o dia que passa
mas as minhas palavras correm para esse pomar
iluminado onde uma Eva segredou palavras
brandas ao coração imperfeito daquele homem
tão cansado que todos lhe chamam Adão.
Se Eva eras tu na inquietação do meu peito
e eu mais não era do que um inútil Adão,
os pomares e as rosas vinham sobre mim
como a casa de onde o implacável juiz,
preso em seu silêncio, me expulsou, para que
no vasto mundo um pequeno pomar
deixasse crescer as rosas que te enfeitam o corpo
e as maçãs que te enganam o acre sabor da solidão.
Jorge Carreira Maia, Sobre pintura e desenho de Gustav Klimt, 2008
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A demissão de Menezes
Este foi o primeiro acto digno de nota de Luís Filipe Menezes enquanto líder do PSD. Com ele, Menezes aproximou-se decisivamente de Guterres. Ambos descobriram no meio dos seus mandatos que não tinham vocação para aquilo onde estavam metidos. Há uma coisa, porém, que o actual ex-líder do PSD deveria ter evitado: a referência aos críticos. Como se deve estar a rebolar de riso Luís Marques Mendes.
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Patxi Andión, Una Dos y Tres
Patxi Andión, Una Dos y Tres
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O poder e o mal
O senso comum, aquele que se expressa pela boca do homem do táxi, tem a estranha intuição da maldade natural do homem político. A opinião esclarecida, pelo contrário, tende a compreender o homem político na sua relação com a comunidade e o bem comum, ou com os interesses gerais que esse homem representa. Por norma, embora isso esteja a mudar por pressão popular ou populista, há uma tendência para separar a vida pública e a vida privada do político.Mas a verdade, porém, é que, com essa separação, o político se torna incompreensível. A raiz da sua compreensão não está na obra que realiza, mas nos impulsos que o levaram a procurar o caminho político. É nos devaneios do seu eu, no mais secreto de si, que reside a chave para uma compreensão dos actos. Grandes palavras e grandes actos procuravam os heróis homéricos e essa procura da grandeza habita, ainda hoje, os sonhos do mais insignificante presidente de junta de freguesia. É verdade que muitos não ultrapassam os níveis extremos da vileza e da insignificância, incapazes e impotentes, no efectivo sentido da palavra.
Mas como aferir essa grandeza? No número de vidas destruídas, como muito bem o sabe Ulrich, o homem sem qualidades, personagem do romance de Musil. Os grandes heróis homéricos, os que combateram na guerra de Tróia tornavam-se grandes não apenas pelas palavras que proferiam, mas pelas vidas que ceifavam. A grandeza do político funda-se então nesse trabalho de destruição. Não me refiro apenas às grandes personagens históricas, a Alexandre da Macedónia, ou a Júlio César, ou a Bonaparte, ou a Hitler, ou a Robespierre, ou a Estaline, ou ao Marquês de Pombal. Também nas democracias a grandeza nasce das vidas que, secretamente, se destroem.
Se ainda por um momento nos iludimos com o político democrático, talvez isso se deva à fragilidade da nossa faculdade de julgar, aos devaneios trazidos por uma democracia jovem e às ilusões que a Europa viveu durante a Guerra-fria. Agora que todas as ilusões acabaram, a natureza do político, mesmo o democrático, vem ao de cima: a busca da grandeza funda-se no número de vidas destruídas. A retórica reformista não é outra coisa do que a legitimação da busca de grandeza de um ego que, apesar de se ocultar na privacidade, espera encontrar no espaço público o lugar da glória através da destruição de vidas. Hoje, na vida das sociedades de direito, o político não destrói vidas através do assassínio, fá-lo através da lei. Mas o impulso homicida que funda o lugar do poder lá está, pronto para saltar se lhe for dada oportunidade.
Que a glória política esteja ligada à destruição de vidas é um dos enigmas maiores da história da espécie humana. Que os próprios homens, potenciais vítimas do furor de glória do político, só reconheçam grandeza àqueles que têm verdadeira capacidade de carrascos, não é também mistério despiciendo. Mas como se explicará que, apesar de uma experiência de milhares de anos, ainda não consigamos perceber que o poder não é apenas o lugar do mal, mas a oportunidade do mal absoluto? Razão tinha o teórico da contra-revolução francesa, o reaccionário Joseph De Maïstre, em ver no carrasco a figura central da comunidade política. A contrapartida da grandeza de uns é a acção do carrasco, real ou metafórico, sobre os outros. Aos homens comuns não lhes deve importar quem tem o poder, mas o modo de o limitar, seja a quem for. A bondade da democracia não está na possibilidade de escolher quem maneja o cutelo, mas limitar o mais possível aquele que ocupa o lugar do poder. De certa forma, os únicos políticos que servem o cidadão são os que estão na oposição e apenas enquanto lá estão.
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Peter Sloterdijk - "A filosofia e a escola"
É a razão pela qual o caminho do pensamento, no sentido forte do termo, passa unicamente por aquilo que a tradição religiosa nomeia como o temor e o tremor, ou o que a linguagem política do século XX chama estado de excepção. A filosofia, concebida como uma meditação do estado de excepção, é na sua consequência última uma dimensão anti-escolar. Já que a escola incarna o interesse pelos estados normais, ela tem mesmo, e justamente, uma orientação anti-filosófica, mesmo quando pratica a filosofia como disciplina. No seu estado escolar, a filosofia deve dar a ilusão de uma normalidade que ela não pode revestir na medida onde se a concebe na sua acepção ambiciosa. [Peter Sloterdijk (2000). La Domesticationde L'Être. Paris: Mille et Une Nuits]
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A natureza do benfiquista
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Aguiar Branco e a corrida no PSD
Começou a corrida. Aguiar Branco está disponível para liderar o PSD (Sol). Qual o currículo político da nova eminência? Foi ministro da Justiça desse notável governo chefiado por Santana Lopes. Se Santana foi possível, se Menezes é o chefe da agremiação, porque não eu, terá pensado o Dr. Branco. Portugal é um lugar de esperança: em nenhum outro país tantos possíveis se tornaram reais.
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16/04/08
Sobre pintura e desenho de Gustav Klimt - Vinte e dois
22 – Gustav Klimt – Desenho
Vinte e dois
Se ela se enfeita
e logo se deita
e assim se ajeita
o que será
que espreita?
Jorge Carreira Maia, Sobre pintura e desenho de Gustav Klimt, 2008
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Negro sobre negro
Depois de estar a ganhar por dois a zero, aquele bando de rapazolas que vestem a camisola do Benfica mostrou a sua verdadeira classe: perdeu por cinco a três. Perder com o Sporting não é uma anormalidade. Anormal mesmo é pensar que aqueles jogadores com outra camisola não estariam a caminho da divisão de honra.
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Janet Baker: Das Lied von der Erde (Der Abschied)
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Gustav Mahler - Das Lied von der Erde
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O peso e o talento
Manuel Alegre alertou para o facto de Portugal, devido ao tratado de Lisboa, voltar a perder peso institucional na União Europeia. Sócrates, o primeiro-ministro, respondeu com uma frase extraordinária: “Não se trata de uma questão de peso, mas uma questão de talento” (cf. Lusa). Eu, cada vez mais ignorante dos negócios mundanos, não sabia que o tratado de Lisboa tinha instituído a medição do talento para a tomada de decisão. Portanto, cada vez que for necessário tomar decisões políticas importantes, Portugal ou recorre à medição do talento do Cristiano Ronaldo ou pede uma moratória para fazer um concurso na RTP tipo Dança Comigo ou Chuva de Estrelas. De facto, a política está mesmo a mudar.
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A morte de Pedro Bandeira Freire
Segundo noticia o Público, morreu hoje Pedro Bandeira Freire. De entre as suas múltiplas actividades, aquela que mais me interessou foi a fundação do cinema Quarteto. Durante alguns anos da minha vida, os anos de universidade, ir ao cinema era ir ao Quarteto. Numa das quatro salas, senão em todas, haveria um bom filme a ver. Depois, com o afastamento de Lisboa, deu-se o afastamento do Quarteto e, durante anos, do próprio cinema. Há três ou quatro anos ainda fui ver um filme ao Quarteto, mas já nada era como dantes. A aura tinha desaparecido, as pessoas que frequentavam a casa eram de outro género. A ASAE fechou o cinema e o seu criador desapareceu. Lisboa e o mundo tinham já mudado.
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Santana Castilho - Lembrem-se de Pirro
Comecemos por uma questão semântica: entendimento e acordo são vocábulos sem diferenças, do ponto de vista da significação, que justifiquem o esforço da Plataforma Sindical para os distinguir. Vão a um bom dicionário. No contexto que "aproximou" sindicatos e ministério, são sinónimos. Mas se essa fosse a questão, então capitular dirimia o conflito. E não estou a ser irónico. Voltem a um bom dicionário.Posto isto, passemos ao que importa. ministério e sindicatos acertaram, concertaram sob determinadas condições. No fim, os sindicatos cantaram vitória. Permitam-me que invoque alguns argumentos para desejar que os sindicatos não voltem a ter outra vitória como esta.A actuação política deste Governo e desta ministra produziu diplomas (estatuto de carreira, avaliação do desempenho, gestão das escolas e estatuto do aluno) que envergonham aquisições civilizacionais mínimas da nossa sociedade. A rede propagandística que montaram procurou denegrir os professores por forma antes inimaginável. Cortar, vergar, fechar foram desígnios que os obcecaram. Reduziram salários e escravizaram com trabalho inútil. Burocratizaram criminosamente. Secaram o interior, fechando escolas aos milhares. Manipularam estatísticas. Abandalharam o ensino com a ânsia de diminuir o insucesso. Chamaram profissional a uma espécie de ensino cuja missão é reter na escola, a qualquer preço, os jovens que a abandonavam precocemente. Contrataram crianças para promover produtos inúteis. Aliciaram pais com a mistificação da escola a tempo inteiro ( que sociedade é esta em que os pais não têm tempo para estar com os filhos? Em que crianças passam 39 horas por semana encerradas numa escola e se aponta como progresso reproduzir o esquema no secundário, mas elevando a fasquia para as 50 horas?). Foram desumanos com professores nas vascas da morte e usaram e deitaram fora milhares de professores doentes (depois de garantir no Parlamento que não o fariam). Promoveram a maior iniquidade de que guardo recordação com o deplorável concurso de titulares. Enganaram miseravelmente os jovens candidatos a professores e avacalharam as instituições de ensino superior com a prova de acesso à profissão. Perseguiram. Chamaram a polícia. Incitaram e premiaram a bufaria. Desrespeitaram impunemente a lei que eles próprios produziram. Driblaram as leis fundamentais do país. Com grande despudor político, passaram sem mossa por sucessivas condenações em tribunais. Fizeram da imposição norma e desrespeitaram continuadamente a negociação sindical. Reduziram a metade os gastos com a Educação, por referência ao PIB. No que era essencial, no que aumentaria a qualidade do ensino, não tocaram, a não ser, uma vez mais, para cortar e diminuir a exigência e castrar o que faz pensar e questionar. A questão que se põe é esta: por que razão esta gente, que tanto mal tem feito ao país e à Escola, que odeia os professores, que espezinhou qualquer discussão ou concertação séria, que sempre permaneceu irredutível na sua arrogância de quero, posso e mando, de repente, decidiu "aproximar-se" dos sindicatos? A resposta é evidente: porque os 100.000 professores na rua, a 8 de Março, provocaram danos. Porque a campanha eleitoral começou a reparar os estragos para garantir mais quatro anos.
O tempo e a oportunidade política da plataforma sindical aconselhava uma firmeza que claudicou. Porque quem estava em posição de impor contemporizou. Porque de um dia para o outro se esqueceram as exigências da véspera. Porque quem demandou a lei em tribunal pactuou com uma farsa legal. Porque quem acusou de chantagem acabou a negociar com o chantagista. Porque quem teve nos braços uma unidade de professores nunca vista pensou pouco sobre os riscos de a pôr em causa.
É verdade que os sindicatos ganharam uns trocos. Mas o lance não era para trocos. Era para devolução integral: da dignidade perdida.
Aqui chegados, permitam-me a achega: pior que isto é não serem capazes de superar isto. E lembrem-se de Pirro, quando agradeceu a felicitação pela vitória: " Mais uma vitória como esta e estou perdido". [Santana Castilho, Público de 16 de Abril de 2008]
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Julgo que os sindicatos não tinham outra solução. Se não assinassem o acordo, o ónus cairia irremediavelmente sobre os professores. Tirando isto, convém não esquecer uma linha do que escreve Santana Castilho.
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