António Ramos Rosa - III A Pedra
A pedra é bela, opaca,
peso-a gostosamente como um pão.
É escura, baça, terrosa, avermelhada,
polvilhada de cinza.
Contemplo-a: é evidente, impenetrável,
preciosa.
António Ramos Rosa, Ocupação do Espaço, 1963
A verdade é um erro exilado na eternidade. (Cioran)
A pedra é bela, opaca,
peso-a gostosamente como um pão.
É escura, baça, terrosa, avermelhada,
polvilhada de cinza.
Contemplo-a: é evidente, impenetrável,
preciosa.
António Ramos Rosa, Ocupação do Espaço, 1963
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Jorge Carreira Maia
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Uma coisa o terrorismo islâmico já conseguiu, a transferência do Dakar para a América do Sul (Argentina e Chile). Quaisquer laços que possam ligar ocidentais e muçulmanos parece que terão de ser cortadas. Enfim, nada de infiéis de jeep e de moto a profanar a sagrada terra dos camelos. Até a geografia anda fora dos eixos.
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Marcadores: Escrito na areia, Política, Religião
As próximas eleições americanas serão um belo retrato do estado da União. Há coisas que já se sabem. Eleger um Presidente mórmon não é, por enquanto, possível. Mas os Democratas estão interessados em fazer uma experiência: Será que o negro Obama ou a senhora Clinton poderão chegar à Casa Branca? Que América seria essa que elegeria uma mulher ou um não branco para a presidência? Por agora, apesar da liderança da senhora, o homem que «veio» da Nigéria parece estar a preparar-se para defrontar um antigo herói de guerra. A acompanhar com interesse não apenas políticos, mas também sociológico.
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Marcadores: 500 caracteres, Política
Construir uma democracia sem um conjunto de bens económicos e sociais para distribuir é missão quase impossível. Num dia, dois atentados contra o Presidente da República e Primeiro-Ministro até em Timor-Leste é obra. Mesmo que o líder da revolta tenha morrido, a situação é frágil e os tempos vão continuar negros. Onde falta quase tudo, nunca falta motivo para aventuras militares.
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Marcadores: Escrito na areia, Política
O álcool de Dezembro é frio e rouco.
O cigarro amarga. É um cigarro clínico.
Sílabas.
Com sílabas se fazem versos.
O tampo da mesa é liso.
Uma colher é uma forma complexa
familiar e deliciosa.
Um copo é nítido
como um criado sem servilismo.
Uma mulher condensa-se
no olhar do poeta.
Um corpo. Duas sílabas.
O dinheiro à justa. A gola da gabardina
para tapar a nuca
e os ouvidos.
Sílabas.
António Ramos Rosa, Viagem Através Duma Nebulosa, 1960
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Siglos XIII y XIV. Gótico. Italia. Escuela de Florencia, 1302-1305. Fresco. 200 x 185 cm. Capilla de los Scrovegni. Padua. Italia.
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Como é possível que um homem como António Barreto fale com tanta altivez do que não sabe? Como é possível que a crença ideológica na bondade da municipalização do ensino lhe obscureça a independência e a objectividade que deveria ser a do cientista social? No artigo de hoje no Público, fez de novo a sua apologia da entrega das escolas às câmaras, verberou os centralistas educacionais, e fantasiou sobre uma realidade e sobre motivações que claramente não conhece. Vejamos três pequenos exemplos.
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Em qualquer parte um homem
discretamente morre.
Ergueu uma flor.
Levantou uma cidade.
Enquanto o sol perdura
ou uma nuvem passa
surge uma nova imagem.
Em qualquer parte um homem
abre o seu punho e ri.
António Ramos Rosa, O Grito Claro, 1958
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Siglo XX. Escuela de París, 1938. Óleo sobre lienzo. 60 3/8 x 55 in. Instituto de Arte de Chicago. Chicago. USA.
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Marcadores: Música
O arcebispo de Cantuária, Rowan Williams, primeiro dignitário da Igreja de Inglaterra, de que a rainha é o chefe supremo, declarou anteontem que, tarde ou cedo, a Inglaterra tem de "incorporar" a lei islâmica, a Sharia, porque os muçulmanos não se reconhecem na lei em vigor, evidentemente de origem cristã. Isto implica que passaria a existir uma lei para cada religião e que ficaria ao arbítrio de qualquer um escolher a mais favorável ao seu caso ou mais conforme às suas convicções de momento. E presume também que a tradição jurídica anglo-saxónica se tornaria um resíduo, só aplicável a um pequeno grupo de anglicanos, se eles por acaso quisessem. O arcebispo de Cantuária não falou nisso, mas com certeza que, estabelecida a Sharia, os católicos não prescindiriam de uma lei católica, como os judeus de uma lei judaica e a menor seita, por esotérica que fosse, das suas próprias regras, cuja igualdade e dignidade não se poderiam negar.
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Marcadores: Comentário, Política, Religião, Sociedade
No espaço de uma geração a Europa terá de adoptar uma de duas soluções em relação à "questão islâmica". Ou faz aquilo que o arcebispo da Cantuária propôs para o Reino Unido – a adopção (parcial?) da Sharia – ou terá de forçar os muçulmanos à conversão: ao "ateísmo" ou ao "cristianismo". Aqueles que, legitimamente, não aceitem nenhuma das duas opções serão então expulsos. Será o regresso dos princípios de "razão de Estado" adoptados pelos reis católicos no século XV. O resto é wishful thinking. [Fernando Martins, Desconcertante]
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Público - A remodelação foi suficiente? O que acha da política de educação?
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