17/04/07

Gil Nozes de Carvalho - Bule de Sol 2

Poisa num filamento do mundo, a escolha, suspensa,
da mão sobe, o minarete, a oração.
Quem vem de longe sabe.
O que se ergue na água é sublime quando
o corpo sai no pescoço dum grito
e pousa, folha húmida, na memória.

Do interesse em política

Fala-se muito de interesses em política. Por norma, associa-se a «interesse» o ganhar vantagens financeiras devido à função que se exerce. Mas essa é apenas um parcela diminuta do vasto continente dos «interesses» que se jogam na acção política. A produção da boa consciência, o engrandecimento do ego, corroboração da sua existência através do reconhecimento feito por «amigos» e «inimigos» políticos são outros tantos interesses que fundam a acção dos agentes políticos. Esta é a parcela a que os antigos chamavam glória. Do ponto de vista moral, são tão imorais quanto as vantagens financeiras, pois todos eles radicam, por muito que o neguem, no engrandecimento do ego próprio.

Relativamente à política, há três possibilidades. A primeira é a indiferença da massa. Aqui sofre-se a política como algo exterior. Na atitude passiva a política é ressentida como pura estranheza, como algo que cai sobre a pessoa e, de certa forma, a esmaga. Os elementos da massa apenas aspiram a libertar-se do peso da política.

A segunda possibilidade é a da participação activa do jogo político. Aqui a política é sentida como aquilo que lhe é próprio e a forma como o ego se realiza. É o lugar da paixão pura pelo poder, ou da luta por ele. O equívoco de Platão foi pensar que poderia tornar o exercício do poder como um lugar «desapaixonado» e «desinteressado», como um lugar puro de serviço à comunidade. Mas não há política sem paixão e esta é sempre um sintoma dum ego em busca de afirmação ou de confirmação.

A terceira possibilidade é a de olhar a política como espectador comprometido. Comprometido porque sabe que a política é estruturante da vida comunitária e não tem a fantasia de poder escapar aos seus efeitos; espectador porque não toma, activa e deliberadamente, parte nela. O importante, neste caso, é observar, sem qualquer ilusão, a comédia humana que se desenrola sob a proclamação das boas intenções. Só aqui é o lugar da não paixão. Este lugar é idêntico ao daquela pessoa que vai ver um jogo de futebol sem simpatizar com qualquer das equipas em confronto. Vai apenas ver.

No mundo de hoje, não fazem falta agentes políticos. Faltam, porém, espectadores. Corre-se o risco do jogo morrer por falta de quem o possa ver.

Ponto de fuga

16/04/07

Al Berto - Kandinsky escondido atrás da tela

muito antes de ter adoptado formas
rigorosamente geométricas (para fugir à anarquia)
pintei este arco negro ligando duas zonas
da mesma paisagem: ponte escura
por onde – tu que me olhas – podes passar
ao encontro da intensa chama das manhãs

e do outro lado do arco o vento e a árvore
se perdem na euforia das suas próprias cores
– escondido atrás da tela – vejo-te
cada vez mais próximo como se avançasses
pela desintegração do átomo ou pelo deslumbramento
dos lumes te acercasses de mim: o olhar envolto
na teia harmoniosa de colorida música.

O lado obscuro da liberdade

A chacina na Universidade de Virgínia Tech mostra-nos o lado mais obscuro dos EUA. Este caso, apesar de ser o mais brutal, é apenas um entre muitos outros. É como se existisse, dentro sociedade americana, uma pulsão ao mesmo tempo homicida e suicida. Um caso destes pode ocorrer em qualquer lugar do mundo, múltiplos casos tornam o problema uma espécie de epidemia social, mas não só. Tornam-se uma especificidade.

Se há sociedade onde o culto da liberdade é extraordinariamente forte é a americana. Não é por acaso que um dos seus símbolos é a estátua da liberdade. No entanto, este amor desmedido pela liberdade oculta a própria essência da liberdade. A abertura dos possíveis parece ter como contrapartida um fundo de sufocação social, mas também ontológica, que acaba por gerar este tipo de fenómenos. Thanatos, a pulsão da morte, inscreve-se assim na vida das comunidades, tomando múltiplos aspectos e formatos: o culto das armas, a disseminação da pena de morte, a violência urbana, uma política externa violentamente evangelizadora e, também, estes casos que se sucedem em universidades e escolas.

Ler este tipo de acontecimentos como um fenómeno de uma sociedade ultracapitalista é perder o essencial. O ultracapitalismo, a tendência evangelizadora da política externa e a violência social são inscrições de algo muitos mais profundo e que se esconde por detrás da liberdade, ou melhor, que faz parte da própria liberdade. Esse «algo» resiste ao próprio pensamento. Não é por acaso que Kant coloca a liberdade da vontade no domínio do incognoscível. É aí, naquilo que há de mais obscuro, de mais perigoso e de mais mortal, que se instala o que merece ser pensado.

Pensar é inscrever conceitos num território, como se eles fossem divisórias que na sua articulação constroem uma estrutura de sentido. A dificuldade, porém, reside na identificação do território que permita a inscrição e a articulação conceptuais. Pressente-se, em todos estes fenómenos, algo que sendo mudo nos fala, mas que nós não conseguimos, ao escutar, compreender. A liberdade ergue-se como uma parede de cristal: a sua máxima transparência funciona como ocultação suprema.

Talvez o primeiro passo seja o de perceber a existência desse território ignoto, impensado e, até hoje, impensável: o lado obscuro e abscôndito da liberdade, aquele que se oculta à luz da própria razão.

Caminhos

15/04/07

Luís de Camões

Enquanto quis Fortuna que tivesse
Esperança de algum contentamento,
O gosto de um suave pensamento
Me fez que seus efeitos escrevesse.

Porém, temendo Amor que aviso desse
Minha escritura a algum juízo isento,
Escureceu-me o engenho co’o tormento,
Para que seus enganos não dissesse.

Ó vós que Amor obriga a ser sujeitos
A diversas vontades! Quando lerdes
Num breve livro casos tão diversos,

Verdades puras são e não defeitos;
E sabei que, segundo o amor tiverdes,
Tereis o entendimento de meus versos.

Baleal, a sombra do mar

Talvez Raul Brandão tenha razão e o Baleal seja a mais bela praia portuguesa, talvez… Gosto do Baleal, não tanto no Verão, quem é que consegue gostar de uma praia no Verão?, mas quando há menos pessoas e se pode passear pelas areias sem compartilhar o espaço com demasiada gente. Sentir o mar, olhar as cores que tingem as águas, suportar o sopro do vento norte. Antigamente, parece que havia uma clara divisão classista entre frequentadores do Baleal norte e do Baleal sul. Talvez ainda seja assim, mas isso é lá mais para o tempo de férias. Agora, as praias pertencem às gentes do surf e àqueles que, como eu, escolhem o tempo frio para olhar o mar, pisar a areia, e deixar-se envolver pelos cheiros marinhos, pelo fragor das ondas sobre as rochas, pela luz que reverbera nas águas.

Quem não gostar de areia, pode dar uma volta pela ilha, melhor pela península. Apesar da colonização humana, apesar das casas e dos carros, o espaço ainda é visitável e permite contemplar, de múltiplos lugares, o mar, ouvir, uma vezes, o cicio, o sussurro das ondas e, outras, o bater trovejante da água na pedra dura e imóvel. Pode olhar as Berlengas, ao longe, fechar os olhos e sonhar com viagens marítimas, aventuras coloniais e terras ultramarinas. Depois, sonhe-se com baleias e grandes caçadas. Sentado numa esplanada, não se iluda se vir, ao longe, uma massa branca em movimento. Não, não é Moby Dick, a baleia branca, nem atrás virá o terrível capitão Ahab. São apenas nuvens, pedaços de mar a fugir das águas e a perderem-se na pureza azul do céu. Há dias que é possível ver, de relance, Posídon, o terrível sacudidor, deus indisposto e feroz que persegue os heróis. Mas, num tempo como o nosso, quem se preocupa com isso? Nem heróis há para terem tal preocupação, nem acreditamos nos deuses que estão perante o nosso olhar.

O sol está alto e chegou a hora de almoço. Sim, Peniche, ali mesmo ao lado, tem variegadas possibilidades. Mas tome o IP 6 e corte logo, nos primeiros metros, para a estrada que leva à Consolação. Quando chegar ao cruzamento para esta praia, siga em frente em direcção a S. Bernardino. Entrando no Lugar da Estrada, uma daquelas aldeias que cresceram ladeando uma estrada em linha recta, espere até encontrar, à sua direita, um restaurante com o estranho nome Faz as Pazes.

Que conflitos e guerras terão levado a tão estranho nome, não faço ideia. Seja como for, encha-se de um espírito pacífico e entre. A sala não é pretensiosa nem grande, mas acolhedora. Sob o trabalho de um casal, ele na cozinha e ela na sala, vai encontrar uma bela refeição, uma cozinha esmerada, onde se combina o tradicional com a singularidade de quem a produz, tudo num ambiente discreto e cheio de simpatia. Para entrada, o refogado de mexilhões ou o queijo de cabra salteado com azeite e alho. Experimentou-se a «raia cozida com molho de pitau», um molho da tradição local, feito à base de azeite, alho, vinagre e colorau. O molho dá vida à raia, ao mesmo tempo que lhe sublinha as qualidades, joga como uma espécie de contraponto dialéctico à brancura fistulada do peixe. Como será de imaginar, pela localização, há vários pratos de peixe. Depois, na carne, não perder o «miminho de boi com pimentas», onde um naco de excelente carne açoriana grelhada se combina com uma multiplicidade de pimentas, acompanhadas por batatas fritas às rodelas finas e uma salada, bem temperada. As pimentas não disfarçam a carne, têm, antes, o poder de ressaltar a sua qualidade. Entre as sobremesas, pode perder-se na «pêra em vinho tinto e frutos silvestres» ou, então, num «sorvete de maçã reineta com esses de Peniche». A carta de vinhos é sóbria, mas permite, já que estamos perto do mar, múltiplas navegações. Vários prémios e reconhecimento do Expresso, valha isso o que valer, atestam a qualidade do trabalho desenvolvido e recomendam a experiência. Experiência de que não se sai, pelo menos não saí das vezes que experimentei, arrependido. Para antecipação do prazer pode consultar o site http://www.faz-as-pazes.com/

Rugas

14/04/07

David Mourão-Ferreira - Fogo

A gôndola que fogo te penetra
que por dentro canais vai descobrindo

Até quando seremos os serenos
amantes que do fogo tudo aprendem

destroços que do fogo tudo esquecem

Títulos vãos e glórias frágeis

César morreu com cinquenta e seis anos, tendo sobrevivido apenas quatro anos a Pompeu. Esta dominação, este poder soberano que ele não deixou de perseguir através de mil perigos, e que obteve com tanta dor, apenas lhe acarretou um título vão e uma glória frágil, que atraíram o ódio dos seus concidadãos. [Plutarco, Vida de César, LXXV]

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Agora que estamos em tempo de títulos e de busca de glória, nada melhor do que meditar na frase de Plutarco. Apesar de não ter sido o caso de Júlio César, há muitos que na política entram como leões e acabam por sair como sendeiros. E por muito que muitos se imaginem tal, poucos são os que podem ser césares. A vida é o que é.

Afluentes de pedra


13/04/07

Vasco Graça Moura - Salmo 136

não são muitos, são muito poucos, os poetas
que inventam a poesia portuguesa
como radical abalo do mundo, ou metáfora
a estremecer que o refigura, ou como

crispação do destino e subversão,
no risco visceral da sua própria vida.
assim, e porque toda a liberdade reenvia
ao necessário exílio, eles atrevem-se

a atravessar sem rede o vão por sobre o abismo:
prendem-se a quanto é neles explosão, remorso,
erros, desequilíbrios, amores, visões, enganos,
nuvens de forma humana. pela palavra queimam

contradições passadas e presentes, peregrinam
em sarça que arde, enovelada, a fogo escuro,
iluminando a fronteira dúplice: os reflexos intermitentes
entre os vultos amalgamados de uma greda pobre

e uma sua imagem a lo divino feita;
não são muitos os que enfrentam o real,
retesando a percepção no meio dos salgueiros,
em desapego crepuscular dos instrumentos bíblicos:

flautas e cítaras sobre a terra tão áspera,
que tocam e rejeitam e rejeitam e tocam,
entre a decepção e o declive, no fio bambo
sobre os rios que vão por babilónia.

Utopia Cinética

O projecto da Modernidade funda-se, por conseguinte, — o que ainda nun­ca foi claramente enunciado — numa utopia cinética: todo o movimento do mundo deve passar a ser realização do plano que nós temos dele. Os nossos próprios movimentos vitais passam a ser, progressivamente, idênticos ao próprio movimento do mun­do; o processo mundial, no seu todo, coincide progressivamen­te com a nossa manifestação de vida; as coisas acontecem conforme se pensa, porque aquilo que acontece cada vez mais se realiza por nós o fazermos. Seria demasiado pouco dizermos que a Modernidade prometeu ser ela própria, doravante, a fazer a história humana. No seu núcleo ardente, ela não quer apenas fazer história, mas também Natureza. Enquanto este século du­ro se aproxima do seu fim, vai-se espalhando a noção de que a história a fazer era um pretexto. O tema decisivo dos tempos modernos é a Natureza que há a fazer.
[Peter Sloterdijk, A Mobilização Infinita. Para uma Crítica da Cinética Política]

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1. É dentro desta utopia cinética que deveremos compreender a retórica política dominante. Constantemente somos confrontados com um movimento que pretende mobilizar-nos para uma contínua reconstrução das instituições, funções, atitudes e até dos próprios gestos. Veja-se o que se passa nas instituições e nas empresas. A necessidade de inovação não é mais do que a narrativa legitimadora da mobilização infinita do homem até à reconstrução da sua natureza, ao homem novo, até que se possa dizer: Ecce Homo!

2. Observe-se, também aqui, como marxismo e liberalismo, socialismo e capitalismo se apresentam como as duas faces da mesma moeda. No marxismo, é a necessidade que empurra a mobilização militante até ao paroxismo; no liberalismo, é a liberdade que se realiza como movimento contínuo de diluição no futuro.

3. No mundo marxiano, o movimento, ao fundar-se na necessidade, tornou-se mais rígido e duro. A mobilização militante conduziu directamente à sobreposição da dimensão militar.

4. No mundo liberal, o movimento, ao fundar-se na liberdade, torna-se mais plástico e mais maleável, mas também mais dissolvente das instituições e modos de vida. Para não perecer imediatamente, necessita do contínuo apelo à inovação. A produção do novo está para o mundo liberal como a mobilização militar estava para as sociedades marxistas: o véu que cobre o puro vazio.
[JCM]

Participação

12/04/07

José Tolentino Mendonça - O Vento

Pelo secreto e espesso bosque da penumbra
que dolorosas viagens as indefesas figuras realizam
que terríveis segredos lhes revelam
pois se quedam assim emudecidas
e que brandura os líquenes adivinham
para crescer nelas e não em nós

Não te posso hoje dar nenhuma certeza
e se soprar o vento neste jardim de Villa Borghese
quem sabe talvez tudo voe

E destes nomes só um resíduo
uma réstia de alegria permaneça
a iluminar toda a vida

Habilitações e hierarquias

Tal «anarquia» tinha ainda uma origem importante na própria «revolução liberal» por que o país passara. Não havia hierarquias de género tradicionalista na classe política, à volta de gran­des aristocratas, como ainda acontecia na Inglaterra. Como reflectiu João Franco quando suge­riu a abolição do pariato hereditário, em Portugal «é-se geralmente avesso a tudo o que são «privilégios». Como bons liberais, os políticos portugueses só reconheciam o «mérito» individual somo critério diferenciador. Daí a importância que davam às habilitações e desempenhos acadé­micos. Os políticos provinham dos mesmos meios sociais e das mesmas escolas, e viviam todos em Lisboa, frequentando os mesmos lugares, ouvindo histórias e inconfidências uns dos outros. Conheciam-se demasiado bem para reconhecerem facilmente superioridade a um deles. Ressen­tiam o domínio uns dos outros, e tendiam a revoltar-se contra qualquer sinal de ascendência. O «predomínio no governo» de um deles era sempre experimentado pelos outros como tendo «alguma coisa de tirania». Não era por acaso que os chefes de partido designavam os seus part­idários como «amigos políticos», para atenuar qualquer efeito hierárquico. A «amizade» recobria indistintamente relações de igualdade ou de patrocínio, debaixo de um mesmo afecto recíproco e igualitário. [Rui Ramos, D. Carlos] [Fotografia de João Franco]
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Uma nova citação de Rui Ramos, do seu livro sobre D. Carlos. Começa-se a perceber que aquilo que vivemos tem muito pouco de original. O nosso Abril de 74 é analogável à «revolução liberal», veja-se a questão das «hierarquias» e dos «privilégios», nomeadamente a retórica do actual governo acerca dos presuntivos privilégios de certos sectores. Compare-se o culto das habilitações, assunto tão em voga nos dias que correm.

Entre colunas


11/04/07

Jorge Sena - Amátia

Timbórica, morfia, ó persefessa
meláina, andrófona, repitimbídia,
ó basilissa, ó scótia, masturlídia,
amata cíprea, calipígea, tressa

de jardinatas nigras, pasifessa,
luni-rosácea lambidando erídia,
erímea, erítia, erótia, erãnia, egídia,
eurínoma, ambológera, donlessa.

Ares, Hefáistos, Adonísio, tutos
alipigmaios atilícios, futos
da lívia damitada, organissanta,

agonimais se esgorem morituros,
necrotentavos de escancárias duros,
tantisqua abradimembra a teia canta.

Olhares excênticos

O falhanço total do marxismo [...] e o dramático desmembramento da União Soviética são apenas os precursores do colapso do liberalismo ocidental, a principal corrente da modernidade. Longe de ser alternativa ao marxismo e a ideologia reinante do fim dahistória, o liberalismo será a peça seguinte do dominó que cairá.
[Takeshi Umehara]

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Nós, ocidentais, deixamo-nos envolver demasiado nas nossas querelas particulares como se fossem a única coisa existente à face da terra. Ainda hoje somos vítimas dessa cisão que constitui a modernidade: liberalismo e socialismo. O que compreendemos quando lemos as palavras de Umehara, ou quando o mundo islâmico rejeita os nossos valores?

A divisão entre liberalismo e marxismo ocultou uma outra, muito mais funda e estrutural: tradição e modernidade. A nós, ocidentais, a palavra tradição repugna-nos, mas aos outros?