26/02/10
12/02/10
Uma sociedade doente
Esta notícia mostra a insanidade a que se chegou em matéria de sexualidade e o tresloucamento que vai na cabeça do legisldor. O rapaz, de facto, portou-se mal ao fazer um filme de um acto sexual privado, uma felação, e o ceder a uns amigos, que fizeram o favor de o espalhar pela escola. Mereceu pagar a indemnização à parceira, mereceria ainda uns bons açoites. Mas a acusação que o levou ao banco dos réus, acusação de acordo com a lei em vigor, revela a doença mental que atravessa as nossas sociedades. O rapaz foi a julgamento, e condenado a uma multa, por crime de pornografia de menores. Ele tinha acabado de fazer 16 anos. Ela tinha 15. Quem faz estas leis? Uma sociedade que instiga, a partir do próprio poder, à sexualidade, à educação sexual nas escolas, que permite todo o tipo de exibição do sexual, depois acha que uma filmagem de um acto sexual consentido entre dois miúdos é pornografia de menores. Se o rapaz fosse condenado por violação da privacidade, seria compreensível. Isto mostra apenas que estamos intoleravelmente doentes. Diga-se, em abono da verdade, que a justiça foi, contrariamente a outras situações, até bastante responsável. Mas o legislador...
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09/02/10
A putrefacção
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29/11/09
Ratos
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21/11/09
O arquivamento
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11/11/09
De rastos
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07/11/09
O tempo das avaliações
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02/11/09
Padrinhos e afilhados
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25/10/09
Um padre explosivo
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24/10/09
O caso Freeport e o fim do romancista
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05/10/09
O costume e a lei
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29/09/09
No rés-do-chão?
Num desses escritórios de advogados - Vasco Vieira de Almeida e Associados - estão cerca de dez investigadores, acompanhados por um magistrado e por um representante da Ordem dos Advogados, adiantou a fonte. Naquele edifício, as buscas centram-se no rés-do-chão, onde os investigadores procuram documentação relativa ao processo de aquisição dos submarinos (Público). Mas se o assunto trata de submarinos, não seria mais lógico procurar na cave? Seja como for, e ao contrário de outros agentes, a Justiça parece conhecer o calendário eleitoral.
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Marcadores: Justiça
08/09/09
Uma tristeza
A cegueira da justiça é o símbolo mais apropriado para a situação do Freeport. A cegueira não significa a independência da instituição, mas a incapacidade para ver uma coisa que se mete pelos olhos dentro: a intromissão, através de manobras enviesadas, do poder judicial na luta política. O que se diz aqui tanto serve para a justiça portuguesa como para as informações vindas de Inglaterra. Que notícia é esta em plena campanha eleitoral? Serve quem? Há muito que o caso Freeport deveria estar resolvido, ainda por cima um caso que já assombrou, ao de leve, a campanha eleitoral anterior. Há muito fumo, demasiados foguetes e gente a lançar fogos ou a fazer de bombeiro. Mas o que seria mesmo bom é que a Justiça e a investigação criminal em Portugal não fosse o exercício diletante em que parece terem-se tornado. Se há altos responsáveis suspeitos de conduta dolosa que sejam levados a julgamento, mas tentar condicionar resultados eleitorais através deste tipo de manobras está longe de ser um exercício salutar de democracia. Adicionalmente, leva o cidadão comum a perguntar, sempre que existam casos que envolvam políticos ou responsáveis do futebol, pela cor política ou clubística dos investigadores, dos magistrados e dos juízes. Uma tristeza.
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06/09/09
Um equívoco
Um equívoco e uma perda de tempo: Ministério Público está a investigar 700 casos de corrupção. Em Portugal, contrariamente ao que se diz levianamente, não há corrupção. Apenas se fazem uns favores em troca de outros favores, tudo num clima de amizade familiar. A economia do dom, que assim floresce, não pode ter o terrível nome de corrupção. Pelo contrário, dela resulta o fortalecimento dos laços familiares e inter-familiares. Por que razão, por exemplo, um decisor público, como agora se diz, há-de entregar certa empreitada a alguém que desconhece? A coisa deve ficar na família, entre amigos e vizinhos. Chamar a esta solidariedade grupal corrupção é mesmo coisa de educação protestante, algo que pode funcionar lá para o norte da Europa, sítio onde, como se sabe, não há grande apreço pela família. Portanto, coisa de gente pouco temente a Deus e pouco amiga do seu amigo. Será justo que o Ministério Público desbarate o dinheiro dos contribuintes, ao perder tempo a investigar uma coisa que nem existe?
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25/08/09
O lastro
A notícia da detenção de dois suspeitos de um crime violentíssimo ocorrido na zona de Torres Vedras gerou, mais uma vez, uma catadupa de comentários. Estes comentários feitos, na sua grande maioria, a coberto de um suposto anonimato deveriam ser de leitura obrigatória por parte dos dirigentes políticos. Um crime violento é sempre ocasião para que venha ao cima o que há de pior em nós. Caso a caso, esta reacção popular é inócua, mas lentamente e com o acumular dos casos, a que se junta uma forte desconfiança no sistema de Justiça, ela vai construindo um substrato psico-social onde se podem alicerçar coisas muito desagradáveis. Estas caixas de comentários, como já aqui disse, são a nova forma da voz do povo. E a voz do povo é continuamente um apelo à justiça pelas próprias mãos, como se os nossos tribunais fossem já incapazes de fazer reinar a ordem e proteger e restabelecer, através do direito penal, a paz pública. Parece que estamos a criar, com o nosso proverbial deixa-andar, o lastro para a intolerância, o racismo, a xenofobia, o lastro para uma deriva securitária.
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03/08/09
Vox populi, vox Dei
Curioso não é o facto de um antigo ministro ter sido condenado, em primeira instância e enquanto autarca (uma classe menor e mais atreita a confrontos com a Justiça entre a elite política), refira-se, a sete anos de prisão efectiva, embora se possa dizer que é um caso inusitado. Curioso é ler, no Público, a vox populi na caixa de comentários à notícia. É sempre edificante meditar estes comentários, lição segura do sentimento social que percorre a pátria. E como todos sabemos vox populi, vox Dei.
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10/07/09
Uma epifania
Há notícias que são uma epifania. Epifania não de um deus, mas da nossa natureza eternamente 'tuga'. Esta história mostra que há alguma coisa que em nós, portugueses, não funciona. Não é apenas a necessidade de durante anos e anos se torturar os outros sem qualquer razão ou sentido, mas o julgar-se acima da lei e das disposições que regem a vida em comum. Não é só no caso dos vizinhos ruidosos, é em todo o lado da vida social, nomeadamente no comportamento que se tem ao volante de um automóvel. De facto, existe uma subcultura que acha que tem o direito de partilhar dos benefícios da vida em comum, mas que julga não ter qualquer tipo de deveres para com esse viver em comum. Estes comportamentos, contudo, são apoiados numa justiça tão lenta que os prevaricadores se acham omnipotentes. Como é possível que um processo sobre um conflito com a vizinhança por causa do ruído nocturno demore quase oito anos a estar definitivamente resolvido?
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Justiça e Preconceito
O que diríamos da Justiça Portuguesa se o caso Nicolas Bento se tivesse passado em Portugal? Talvez por se tratar de um emigrante, ainda por cima com um estranho nome, Amilton Nicolas Bento, talvez por cansaço com casos mediáticos na Justiça, talvez por o processo ter decorrido na sagrada e intocável Albion, a sua condenação a prisão perpétua não indignou muitos dos habituais indignados de serviço. E no entanto, se olharmos para aquilo que os jornais dizem, muitas dúvidas se levantam relativamente à bondade e à qualidade da Justiça britânica. O mínimo que se pode dizer é que deveria ter funcionado, desde o início, o velho princípio in dubio pro reo. Mas isso seria o mínimo, como o veio a reconhecer a própria Justiça inglesa. A pergunta que apetece fazer é então a seguinte: quanto terá pesado, no processo original, o preconceito contra o estrangeiro imigrado? Esta pergunta é legitimada pela simples constatação de a condenação estar fundada em "provas" tão frágeis como aqueles que ditaram, em primeira instância, a sorte de Nicolas Bento. O que levanta, mais uma vez, o problema da preparação dos agentes judiciais. O velho filósofo francês, Gaston Bachelard, recomendava que todos os cientistas deveriam fazer uma espécie de psicanálise antes de iniciarem o trabalho de investigação, para depurarem as suas teorias de preconceitos produtores de erro. Se isso é pertinente para o caso da ciência, o que dizer no caso da Justiça? É que esta para ser justa necessita de se fundar na verdade dos acontecimentos, e a verdade ou a falsidade do que se estabelece como facto pode ter consequências demasiado desastrosas para a vida de um ser humano.
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04/07/09
O estudo da SEDES
O estudo efectuado pela SEDES sobre o actual estado do regime político tem aspectos, ligados à questão do poder, bem desagradáveis. Tanto o poder judicial como o poder político recebem uma avaliação bastante negativa. Esta avaliação confirma apenas a percepção comum de um real e efectivo afastamento entre as elites político-judiciais e o povo que elas, putativamente, deveriam representar e defender.
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29/06/09
O exemplo Madoff
O senhor Bernard Madoff montou um esquema fraudulento que defraudou, durante anos e anos, muita gente em muitos milhões de dólares. Descoberta a trapaça há meses, este poderoso financeiro foi preso, julgado e hoje conheceu a sentença. O juiz aplicou-lhe uma pena de 150 anos. O que impressiona, porém, é menos a dureza da pena do que a rapidez da justiça. De notar também o facto da condição social do réu não ter contado para a decisão do juiz.
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