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09/10/08

Troca de beijos

Só numa sociedade de adolescentes retardados é que um homem e uma mulher trocam beijos no acto de apresentação ou como forma de cumprimento.

11/09/08

Ser professor

Ser professor, hoje em dia, não é uma profissão nem a realização de uma vocação, mas apenas um acto de penitência.

15/07/08

Da importância da perspectiva

Há vinte anos vivia-se pior, mas toda a gente acreditava que poderia melhorar. Hoje, vive-se melhor, mas todos desconfiam que só podem mudar para pior. É tudo uma questão de lugar de onde se olha.

10/03/08

Envelhecer

Envelhecer é abrir o corpo à insónia.

27/02/08

O bom-gosto

O bom-gosto ainda é um gosto comum e um gosto comum não é gosto. Ninguém saboreia em comum. Um gosto nasce ali no silêncio e na escuridão que envolve quem abandonou a estrada e, perdido, se aventura onde não há caminho.

27/10/07

Ruínas e declínio

O mundo não está em ruínas, nem os tempos são de declínio. O mundo nunca deixou de ser uma imensa ruína e o tempo que outra coisa faz se não declinar?

25/10/07

O cansaço dos outros

- E se o eu apenas for o espaço vazio onde uma comédia se representa?
- A morte não será mais do que o sintoma do cansaço dos espectadores.

06/10/07

Virtudes Teologais - I Fé

Em que posso crer?

Que tudo pode ser dito.
A realidade a tudo suporta;
a ninguém e a nada se dá.

Virtudes Teologais - II Caridade

O que devo fazer?

Evitar atormentar os outros com as minhas dádivas.

Virtudes Teologais - III Esperança

O que me é permitido esperar?

Da comunidade, dos outros, nada.
De ti, nada.
De mim, ainda menos.

05/10/07

Aliviar-se


Estou voltado para o sarcasmo. Não é inventivo nem resolve seja o que for, mas alivia a bílis. Não há nada como uma pessoa aliviar-se.

22/09/07

Celebrar Missa



Os padres deveriam celebrar Missa como Karajan dirigia a Filarmónica de Berlim.

12/09/07

A morte colectiva III

Quando se denuncia um massacre ou um genocídio matamos uma segunda vez as vítimas. Dissolver a identidade de cada uma na colectividade do massacre é reduzi-las a nada. Os assassinos ganham sempre: ganham se houver silêncio, ganham se houver denúncia.

A morte colectiva II


Na contabilidade da nossa percepção sensível um não deixa de ser um simples um. Horrível seria nomear cada um dos seis milhões de judeus sacrificados por Hitler, por exemplo.

A morte colectiva I

Fala-se, hoje em dia, muito em morte colectiva, em massacre, em genocídio. Mas não há morte colectiva, apenas mortes singulares: este, aquele, a outra, aqueloutra, num nunca mais acabar.

A falibilidade humana

Não é o mal que incomoda as nossas consciências modernas. O que as transtorna até à paranóia é a falibilidade humana. Ser falível não se inscreve na retórica com que, desde o século XVII, o homem ocidental se pinta a si mesmo.

07/09/07

Os destemperos do tempo

Está calor, um calor pegajoso, um prenúncio de inferno. Sentir de forma tão viva os destemperos do tempo é sinal da velhice que assim se anuncia.

01/08/07

História, mal e negatividade

O cristianismo disseminou a ilusão que a história, apesar do mal e da negatividade, conduziria os homens a um fim feliz. Hoje dissipou-se a ilusão cristã, mas resta a história que apenas leva a mais história e a mais história, isto é, resta apenas o mal e a negatividade sem fim.

28/07/07

Uma questão de elasticidade

Pertenço a uma geração que nasceu numa época quase pré-moderna, foi educada nos valores da modernidade, vive num mundo pós-moderno. Em 50 anos quase viveu mil. Não há elasticidade que chegue para tal estiramento.

25/07/07

Coerência


A incoerência contumaz é a única coerência em que acredito.