Vida, sociedade, prestação de provas
No De Rerum Natura encontrei este texto de Francesco Alberoni sobre os exames:A verdade é um erro exilado na eternidade. (Cioran)
No De Rerum Natura encontrei este texto de Francesco Alberoni sobre os exames:
Postado por
Jorge Carreira Maia
à(s)
12:19
0
comentários
Nuno Ribeiro
Postado por
Jorge Carreira Maia
à(s)
20:17
0
comentários
Adriano Correia de Oliveira - Trova do vento que passa
Voltamos à face oculta da alma pátria. Como José Afonso, Adriano Correia de Oliveira chega à canção de intervenção pela mediação do fado de Coimbra. Entre 1960 e 1962, grava quatro EP's (discos com 4 faixas), todos eles dedicados à canção de Coimbra. A sua orientação como cantor de intervenção surge de forma nítida no quinto EP, editado no ano de 1963, Trova do Vento que Passa, onde todos os poemas cantados são de Manuel Alegre. Consta que foi um grande êxito comercial. O que é interessante na música portuguesa é o paradoxo de o sebastianismo e a saudade, manifestações ideológicas conectadas com a direita, terem encontrado as suas mais autênticas vozes em cantores de intervenção, como Luís Cília, José Afonso e Adriano Correia de Oliveira.
Postado por
Jorge Carreira Maia
à(s)
12:49
1 comentários
Marcadores: Alma Pátria, Arqueologias, Música
Joaquim Agostinho
Postado por
Jorge Carreira Maia
à(s)
11:35
0
comentários
Marcadores: Ciclismo
Jimi Hendrix - Purple Haze at Woodstock 1969
The Who - My Generation [Woodstock 1969]
Jefferson Airplane Saturday Afternoon Woodstock 1969
As efemérides são sempre amigas dos bloggers falhos de imaginação. Passam hoje 40 anos do Woodstock. Podemos dizer que o evento condensou toda uma cultura juvenil que se foi formando ao longo da década de sessenta. De certa maneira é o sumário do passado e um programa de futuro. Quarenta anos depois, o mundo que é o nosso é o que aquela gente e muitos dos que gostariam de lá ter estado formataram. Não se pode dizer que seja um mundo brilhante, mas há uma coisa de que não podemos acusar a geração do Woodstock: falta de eficiência. O niilismo e o relativismo que a animava foram eficientemente disseminados e tomaram conta do Ocidente.
Postado por
Jorge Carreira Maia
à(s)
21:51
0
comentários
Fernando Farinha - O Meu Destino - Sempre Linda
Fernando Farinha era um dos fenómenos da Rádio nos anos sessenta e, presumo, cinquenta. Era conhecido como o Miúda da Bica, referência ao bairro da Bica, Lisboa, para onde veio residir em criança, vindo do Barreiro. Começou a cantar muito cedo. Esta gravação parece ter sido feito quando ele tinha apenas 11 anos. É uma curiosidade, pois trata-se de um velho 78 rpm. Eis como soava, mais ou menos, um disco nos finais dos anos trinta ou início dos quarente.
Postado por
Jorge Carreira Maia
à(s)
17:45
1 comentários
Marcadores: Alma Pátria, Arqueologias, Música
Postado por
Jorge Carreira Maia
à(s)
17:22
0
comentários
Marcadores: Ciclismo
A Condição Pós-moderna, escrita como uma encomenda oficial, restringe-se essencialmente ao destino epistemológico das ciências naturais - a cujo respeito, como Lyotard mais tarde confessou, o seu conhecimento era menos do que limitado. O que ele entreviu nelas foi um pluralismo cognitivo, baseado na noção - inédita para os públicos franceses, embora já há muito estereotipada para os anglo-saxonicos - dos diferentes e incomensuráveis jogos linguísticos. A incoerência da concepção original de Wittgenstein, muitas vezes notada, foi apenas acrescida pela afirmação de Lyotard de que tais jogos eram autárcicos e agonísticos, como se pudesse haver um conflito naquilo que não possui uma medida comum. A influência subsequente do livro esteve, neste sentido, em relação inversa ao seu interesse intelectual, quando se converteu na inspiração de um relativismo vulgar que, muitas vezes - aos olhos quer dos amigos, quer dos inimigos - passa pela marca do pós-modernismo. [Perry Anderson, As Origens da Pós-Modernidade. Lisboa: Ed. 70, pp. 39/40]
Postado por
Jorge Carreira Maia
à(s)
15:43
0
comentários
O ubíquo e conspícuo Moita Flores veio anunciar ao mundo que não votaria na dr.ª Ferreira Leite, mas espera que o PSD de Santarém continue a apoiar a sua independente candidatura à câmara local. Este intelectual do regime, que transpira palavras de ética por todos os ecrãs que apanha a jeito, deveria pura e simplesmente não aceitar candidatar-se pelo partido chefiado pela senhora que parece abominar. Se as pessoas não gostam de um partido ou do chefe, o caminho é ir para outro lado, ou ficar quietas em casa à espera que as chamem para comentar mais um crime ou um jogo de futebol.
Postado por
Jorge Carreira Maia
à(s)
21:56
2
comentários
Marcadores: Política
Filarmónica Fraude - 25
Uma fraude que nasceu em 1968 e terminou em 1969. Nasceu, segundo parece, entre o Entroncamento e Tomar. A Filarmónica Fraude representou um corte com o tipo de música que se praticava em Portugal, combinando o ritmo da pop ou o rock progressivo com a música tradicional portuguesa. Não consegui nenhum vídeo com os grandes temas da banda, nomeadamente Flor de Laranjeira e Menino. Aliás, este tema, 25, uma referência à guerra colonial, foi o único vídeo disponível que encontrei e diz respeito a uma das faixas do único álbum do grupo, Epopeia.
Postado por
Jorge Carreira Maia
à(s)
20:03
0
comentários
Marcadores: Alma Pátria, Arqueologias, Música
Postado por
Jorge Carreira Maia
à(s)
17:35
0
comentários
Marcadores: Ciclismo
Ainda não consegui compreender, certamente por limitação minha, a ânsia que existe em certos sectores por aquilo a que chamam um novo regime, ou outro regime, ou outra coisa. A ideia do novo regime, de um regime presidencialista, é uma reformulação do messianismo sebástico. Mas, para além da referência à mitografia nacional, o que mais pode oferecer um novo regime? Não pode alterar o povo que somos, e logo aí 95% da virtude do novo regime se desvanecem. Restam 5%. Dizem respeito ao pastor do povo, o miraculado Presidente a vir com o novo regime. Mas onde iríamos nós buscar essa ditosa pessoa que nos salvaria de nós próprios? Não estou a ver onde, a não ser à classe política, às gentes que pululam no PS e no PSD. Com um novo regime, como é moda agora querer, a vigorar, talvez o Presidente-Rei e primeiro-ministro se chamasse José Sócrates. Um Sócrates ainda mais exuberante, sem o contraponto de Belém nem o aborrecimento de ter de ouvir seriamente os deputados, valham estes o que valerem. O problema fundamental não é de regime. Os mesmos vícios e as mesmas escassas virtudes estiveram presente no constitucionalismo monárquico, na primeira República, no Estado Novo, na República actual. O que variou foi o uso do cajado pelo pastor, umas vezes mais brando, outras mais duro. A essência não muda, pois como se sabe, desde o velho Platão, as essências são eternas e imutáveis.
Postado por
Jorge Carreira Maia
à(s)
11:34
0
comentários
Marcadores: Política
Alfredo Marceneiro - Amor de Mãe
Depois do interregno de ontem, volta o Alma Pátria com um nome grande do fado, Alfredo Marceneiro. Aqui não é o lugar para contar a história dos artistas seleccionados, nem o blogger tem competência para o fazer (pode ver aqui uma pequena biografia do grande Marceneiro). Não identifiquei o autor, talvez seja o próprio Marceneiro, mas a letra deste fado é uma nova e exuberante lição de sociologia pátria. "Há vários amores na vida / Lindos como o amor perfeito / Belos como a Vénus querida / De tantos que a vida tem / Só um adoro e respeito / É o santo amor de mãe". Elucidativo.
Postado por
Jorge Carreira Maia
à(s)
17:07
0
comentários
Marcadores: Alma Pátria, Arqueologias, Música
Postado por
Jorge Carreira Maia
à(s)
11:49
0
comentários
Marcadores: Ciclismo
Sabe-se que os inovadores da pátria não gostam de Medina Carreira. É um pessimista e catastrofista, etc., etc., etc., dizem. Como também não sou especialmente adepto do optimismo, escuto e leio sempre com atenção o que diz este antigo ministro. Por exemplo, vale a pena ler isto: «Sempre que um partido em Portugal tem maioria absoluta, os deputados ficam reduzidos a zero. Se tem maioria relativa, há estas contendas brutais em que o PSD está metido porque sabem que sem ir ao Governo não têm lugares para tratar da vida e dos negócios. E, portanto, digladiam-se para ver se têm acesso aos lugarzitos que restam». Ou então isto: «É para empregar os primos, os tios, para fazer negócios de auto-estradas e outras coisas no género. Portugal hoje é um grande BPN». O problema dos inovadores da pátria é que eles pertencem a este tipo de gente que Medina Carreira denuncia. O seu optimismo é optimismo que advém da expectativa da política lhe abrir outros horizontes, e ninguém está a pensar em horizontes espirituais. O pessoal quer é tratar da vida, isto é, da sua vidinha.
Postado por
Jorge Carreira Maia
à(s)
11:05
0
comentários
Marcadores: Política
Simone de Oliveira - Desfolhada Portuguesa
Simone de Oliveira é uma presença constante, desde os finais dos anos cinquenta, no panorama da cultura popular portuguesa. De certa forma, ela acompanha a evolução da vida social e política portuguesa. Começa a sua preparação, enquanto cançonetista, numa "escola" do regime, o Centro de Preparação de Artistas da Emissora Nacional. A sua estreia, como cantora, dá-se em 1958. Onze anos depois, vence o Festival RTP com uma canção, Desfolhada Portuguesa, escrita pelo poeta e letrista comunista José Carlos Ary dos Santos. O delicioso desta história reside no facto da afirmação, no corpo do poema, "quem faz um filho, fá-lo por gosto" tem gerado controvérsia, o que levou a que se considerasse a letra como muito ousada. Curioso também é ter passado na censura. Estávamos a começar a primavera marcelista e havia um certo amaciamento, que desapareceu rapidamente, do regime. Já agora, note-se a força que emana de Simone de Oliveira.
Postado por
Jorge Carreira Maia
à(s)
19:16
0
comentários
Marcadores: Alma Pátria, Arqueologias, Música
Postado por
Jorge Carreira Maia
à(s)
18:50
0
comentários
Marcadores: Ciclismo
Muitas vezes tenho a estranha sensação de que nós, portugueses, sofremos de uma qualquer anormalidade. Dito de outra maneira, não somos bons da cabeça. Nas estradas, constatamos isso com frequência. Agora, teve de vir a ministra da Saúde chamar a atenção para comportamentos anti-sociais de certos adultos, comportamentos esses que visam propagar entre crianças o vírus da gripe A, segundo parece, como retaliação. Este tipo de comportamento não é criminalizado? Quando nem a boa educação, coisa de que uma parte dos portugueses não faz ideia do que é, nem os imperativos da consciência moral são suficientes para travar certos actos, deve ser o Direito a fazê-lo.
Postado por
Jorge Carreira Maia
à(s)
20:28
2
comentários
Marcadores: Sociedade
Postado por
Jorge Carreira Maia
à(s)
19:27
0
comentários
Marcadores: Ciclismo
Os Conchas - Acredita e Be Bop A Lula
Este vídeo pertence a uma apresentação de Os Conchas (José Manuel Aguiar de Concha e Fernando Gaspar) na RTP, em 1960. O Rock'n' Roll estava no auge da sua popularidade nos EUA e as novas gerações europeias ansiavam pela americanização, vista talvez como uma certa libertação dos constrangimentos que a velha Europa impunha. Portugal, apesar da ditadura do Prof. Salazar, não ficou imune. Os Conchas são uma prova disso. A capa apresentada não corresponde às canções do vídeo. Pertence ao primeiro EP gravado pelo duo, mas um EP partilhado com Daniel Bacelar. Duas canções para Os Conchas, duas para Daniel Bacelar. Era equitativo e o vinil estava caro.
Postado por
Jorge Carreira Maia
à(s)
19:07
0
comentários
Marcadores: Alma Pátria, Arqueologias, Música
Esta notícia e mais esta mostram que a organização separatista basca ETA continua bem viva. Espanha já tentou tudo, desde a repressão franquista, ao olho por olho e dente por dente do tempo de González, à repressão democrática com Aznar e ao diálogo com Zapatero, mas os resultados são pura e simplesmente nulos. Há problemas que são insolúveis e a ETA parece ser um deles. Se o Estado espanhol quisesse correr riscos talvez houvesse uma possibilidade de deslegitimar completamente a ETA. Se permitisse um referendo sobre o País Basco, um referendo não nacional mais autonómico, talvez a ETA perdesse e ficasse deslegitimada aos olhos das novas gerações. Isso é, porém, um risco. Em primeiro lugar, porque nada garante que uma derrota da ETA nas urnas a levasse a depor definitivamente as armas e os atentados terroristas. Em segundo lugar, poderia acontecer uma coisa paradoxal: o País Basco votar pela continuação na coroa espanhola e outras autonomias exigirem o referendo mas com resultado diverso. A ETA está para Espanha como o Médio-Oriente para o mundo. São problemas insolúveis.
Postado por
Jorge Carreira Maia
à(s)
20:54
0
comentários
Marcadores: Política
Não há nada melhor, para um blogger veraneante, do que as efemérides. Sempre dão motivo para que se blogue qualquer coisa. Hermann Hess morreu faz hoje precisamente quarenta e sete anos, eis a efeméride. É um autor que a morte não apagou. Os seus livros continuam a traduzir-se e a vender. O que terei lido dele? Tanto quanto recordo, li o inevitável Siddhartha, Narciso e Goldmundo, Ele e o Outro, Lobo das Estepes e Jogo das Contas de Vidro. Todos estas obras deram-me prazer ao lê-las e talvez tenham contribuído para um certo auto-conhecimento. Essa é uma das funções fundamentais da literatura, possibilitar ao leitor o reconhecimento de si mesmo. Mas é também com Hermann Hesse que faço uma outra experiência fundamental da literatura: o do limite da obra. Quando tentei uma releitura de obras como o Lobo das Estepes ou Jogo das Contas de Vidro, obras de que tinha gostado particularmente, não o consegui fazer. As obras tinham-se tornado, para mim, desadequadas, como se a experiência ontológica que elas permitem estivesse há muito ultrapassada. Isso manifestava-se em cada linha do texto, em cada imagem apresentada. Esta experiência não se deve confundir com uma outra corrente em literatura, a experiência da datação da obra. Certas obras fazem sentido na sua época, mas não contêm em si um princípio de universalidade e tornam-se, passado algum tempo, ilegíveis. Esta é uma experiência mais de carácter social e tem uma dimensão quase objectiva. A outra experiência é subjectiva, não depende das metamorfoses sociais, mas das transformações pelas quais passa o sujeito que lê.
Postado por
Jorge Carreira Maia
à(s)
17:53
0
comentários
Marcadores: Literatura
Luís Cília - Canto do desertor
A pátria, in illo tempore, tinha uma alma oculta, uma alma que não podia manifestar-se na Rádio e na Televisão portuguesas, mas manifestava-se, por exemplo, na televisão francesa. Era uma alma recalcada. A voz de Luís Cília - não é uma grande voz, mas é uma voz de que gosto bastante pelo seu timbre nostálgico - era uma das vozes dessa alma abscôndita, que atravessava o país pelo silêncio da noite. Aqui canta uma canção contra a guerra colonial. O original em disco é de 1964 e a gravação que se apresenta, em condições não muito boas, é de 1966. Pelo que se percebe da imagem da capa, no canto superior direito, o disco foi editado pela célebre editora discográfica de gauche Le Chant du Monde.
Postado por
Jorge Carreira Maia
à(s)
16:17
0
comentários
Marcadores: Alma Pátria, Arqueologias, Música
Postado por
Jorge Carreira Maia
à(s)
16:06
0
comentários
Marcadores: Ciclismo
Mais uma história mal contada. A não recondução do Professor João Lobo Antunes para o Conselho de Bioética mostra a natureza do governo de Sócrates. A atitude é de tal maneira descabida que a deputada socialista Maria de Belém Roseira admite que, se soubesse que o governo não reconduziria Lobo Antunes, ela própria o proporia. Não é apenas a afronta ao Presidente da República que está em causa. O pior é que este governo parece não tolerar ninguém que tenha alguma estatura moral, que se tenha distinguido pela qualidade do seu trabalho. O gesto é político, mas a sua leitura deve ser mais ampla. Ele é sintoma da ânsia da actual direcção socialista em destruir tudo o que não seja meramente rasteiro. No fundo, é a tal inveja de que falou José Gil.
Postado por
Jorge Carreira Maia
à(s)
20:06
1 comentários
Postado por
Jorge Carreira Maia
à(s)
18:43
0
comentários
Marcadores: Ciclismo
Raul Solnado - A Guerra de 1908
Palavra de honra que tinha programado, lá mais para a frente, este post sobre o Raul Solnado. Mas tendo ele morrido hoje, antecipei-o. Quantas vezes terá passado esta historieta humorística na rádio portuguesa de illo tempore? Bem, não é música, mas é como se fosse. É o humor que era permitido. Raul Solnado, porém, não é um homem do antigo regime, aliás como muitos outras figuras que passam pelo Alma Pátria. Pelo contrário, ele é uma das faces da democracia portuguesa. E acima de tudo, Raul Solnado era uma pessoa de bem. Isso é o mais importante.
Postado por
Jorge Carreira Maia
à(s)
13:47
0
comentários
Marcadores: Alma Pátria, Arqueologias, Humor
Postado por
Jorge Carreira Maia
à(s)
13:07
0
comentários
Conjunto António Mafra - Sete e Pico
Não consegui determinar a data da primeira edição desta cantiga do Conjunto António Mafra. Um tom brejeiro e uma certa crítica dos costumes não afastaram este grupo das emissões da Rádio portuguesa. Este é um outro lado da Alma Pátria, o qual vai ganhar desenvolvimento em canções de teor brejeiro, ainda mais ao gosto popular, depois do 25 de Abril de 1974. Para dizer a verdade, não faço a mínima ideia do que hei-de dizer sobre este símbolo vindo do nosso passado.
Postado por
Jorge Carreira Maia
à(s)
20:27
1 comentários
Marcadores: Alma Pátria, Arqueologias, Música
Nos últimos dez anos, apenas dois portugueses ganharam a Volta a Portugal em bicicleta (Vítor Gamito e Nuno Ribeiro). Esta tendência é, porém, relativamente recente. Até 1974 sódois estrangeiros tinham ganho a Volta. Em 1973, o espanhol Jesus Manzaneque (Caves Messias). O primeiro estrangeiro a vencer a nossa Volta, a trigésima, foi o belga Antoine Houbrechts, no ano de 1967. Corria na altura pela Flandria, uma equipa também belga. Esta foto pertence a Houbrechts mas a correr numa outra equipa. Tanto quanto me lembro, a Flandria equipava de camisola vermelha com uma risca branca ao centro.
Postado por
Jorge Carreira Maia
à(s)
19:27
0
comentários
Marcadores: Ciclismo
Paulo de Carvalho - Corre Nina
Retornamos ao Festival RTP da canção, agora à edição de 1970. Paulo de Carvalho interpreta Corre Nina. Já não estamos perante o tipo de canção que marcou o país na década anterior. Parece aberto o caminho para uma nova geração já não de cançonetistas mas de cantores. A canção em causa, apesar disso, é francamente desinteressante e pouco adequada à voz do intérprete. Aliás, Paulo de Carvalho é para mim um mistério. Uma das vozes mais interessantes da música portuguesa, mas que falhou uma grande carreira. Não é que não tenha tido êxitos, mas nunca teve uma continuidade no tipo de música que fez.
Postado por
Jorge Carreira Maia
à(s)
22:24
0
comentários
Marcadores: Alma Pátria, Arqueologias, Música
Postado por
Jorge Carreira Maia
à(s)
19:53
1 comentários
Marcadores: Ocasionália
Postado por
Jorge Carreira Maia
à(s)
19:36
0
comentários
Marcadores: Ciclismo
João Maria Tudella - Kanimambo
Um novo retrato de Portugal do anos cinquenta e sessenta. João Maria Tudella nasce em Moçambique e é um cantor de síntese entre a cultura social vigente no Portugal metropolitano e a cultura dos portugueses presentes na então colónia portuguesa. Muitas das suas canções têm por tema Moçambique, as suas cidades e regiões. Kanimambo é o primeiro grande êxito do cantor, um êxito de 1959, mas que passou assiduamente na rádio durante muitos e muitos anos. Apresenta-se a capa do EP (45 rpm) com a montagem de uma foto posterior, do tempo dos festivais RTP da canção. Não faço ideia se a edição do disco tinha uma capa rígida de cartão e aquilo que vemos é apenas uma espécie de subcapa que quase todos os discos tinham.
Postado por
Jorge Carreira Maia
à(s)
19:59
1 comentários
Marcadores: Alma Pátria, Arqueologias, Música
Postado por
Jorge Carreira Maia
à(s)
13:11
0
comentários
Marcadores: Ciclismo
Pacheco Pereira é o cabeça de lista do PSD pelo meu círculo eleitoral, o de Santarém. Do meu ponto de vista, o parlamento vai ficar mais rico com a presença de PP. No entanto, a figura do candidato está longe de ser, do ponto de vista eleitoral, interessante. Tem contra si o facto de não estar ligado ao distrito de Santarém, de surgir de supetão numa região que não conhece, ou conhece mal (por acaso já o vi há dias num conhecido restaurante do concelho de Alcanena, mas talvez estivesse só a passear). Também não lhe é favorável o facto de ser um intelectual e de tentar pensar pela própria cabeça. Como se sabe, não há partido algum que goste de gente que pense pela sua cabeça, mas regra geral os partidos gostam de ter uns intelectuais para mostrar ao povo e o povo desses partidos sente-se confortado. Mas as bases do PSD são uma emanação de um certo espírito anti-intelectual que grassou durante séculos no país, e o PSD não é um partido que goste de intelectuais, não lhe está no sangue. Duvido que os confrades laranjas do distrito de Santarém engulam a pílula. O presidente da distrital, Vasco Cunha, já ameaçou apresentar a demissão. Veremos se após as constituição das listas de candidatos, Manuela Ferreira Leite ainda tem soldados no terreno.
Postado por
Jorge Carreira Maia
à(s)
19:48
1 comentários
Marcadores: Política
José Viana - Fado do Cacilheiro
José Viana não era propriamente falando um fadista. Fundamentalmente, foi um homem de teatro, de um teatro que terminou quando o regime salazarista se finou, o teatro de Revista. Este fado é uma das imagens de marca desse teatro e o principal título de glória do artista. O teatro de revista, uma manifestação eminentemente lisboeta, era uma espécie de oposição tolerada ao regime, apesar da censura feroz que se abatia sobre os gracejos mais ou menos brejeiros que os números de revista tinham. As piadas políticas, não passavam disso, eram indirectas, leves alusões que o público compreendia e das quais ria. Mas só rimos daquilo que toleramos e o regime sabia disso. Se permitia algumas gargalhadas sobre a sua idiossincrasia, era porque isso não o punha em causa, pelo contrário, servia como escape das tensões ocultas que atravessavam a sociedade. Por muito que isto possa chocar as leituras do teatro de revista como forma de oposição ao salazarismo, a verdade é que ele se inseria no Zeitgeist e o reforçava. Não resistiu à democracia.
Postado por
Jorge Carreira Maia
à(s)
19:20
1 comentários
Marcadores: Alma Pátria, Arqueologias, Música
Anda mal a dr.ª Ferreira Leite. Não é só o não ter sabido aproveitar a vantagem que as últimas eleições europeus lhe deram, mas também por causa das listas de deputados. Se é meritório querer alguma renovação, o mérito só será confirmado pela qualidade dos novos candidatos. Mas mal mesmo é querer introduzir na lista de Lisboa dois candidatos a braços com a Justiça. Há qualquer coisa que me escapa na raciocínio dos dirigentes políticos. Depois da condenação de um antigo dirigente, governante e autarca modelo do PSD, depois da conexão cada vez mais visível entre o BPN e antigas figuras gradas do PSD, não se percebe esta insistência. O capital de seriedade que a pessoa de Manuela Ferreira Leite representa esvai-se com a apresentação destas pessoas, por mais que se presuma, como se presume, a sua inocência. Grandeza teve-a Luís Marques Mendes, mas era excessiva para o PSD e para o país.
Postado por
Jorge Carreira Maia
à(s)
09:16
0
comentários
Marcadores: Política
Hermínia Silva - Fado da Sina
Este Fado da sina pertence, segundo julgo, à banda sonora do filme Um Homem do Ribatejo, de Henrique Campos (1946). Interpretado por um dos nomes grandes do fado e da rádio portuguesa, Hermínia Silva, é também ele um repositório do topos ideológico que percorria Portugal nos anos quarenta. É evidente que esse topos não tem a sua origem nessa época. É provável que possa ter origem nas correntes políticas e sociais derrotadas pelo liberalismo e que tiveram em D. Miguel o seu representante. A sua permanência num Portugal rural só desapareceu com o fim desse mundo, nos anos noventa do século passado e a europeização da vida social portuguesa.
Postado por
Jorge Carreira Maia
à(s)
20:37
0
comentários
Marcadores: Alma Pátria, Arqueologias, Música
Curioso não é o facto de um antigo ministro ter sido condenado, em primeira instância e enquanto autarca (uma classe menor e mais atreita a confrontos com a Justiça entre a elite política), refira-se, a sete anos de prisão efectiva, embora se possa dizer que é um caso inusitado. Curioso é ler, no Público, a vox populi na caixa de comentários à notícia. É sempre edificante meditar estes comentários, lição segura do sentimento social que percorre a pátria. E como todos sabemos vox populi, vox Dei.
Postado por
Jorge Carreira Maia
à(s)
19:40
0
comentários
Na minha experiência, um aluno que incorreu num disparate representou sempre para mim uma oportunidade de crescimento e não uma perda. Um aluno aprende ao ser-lhe mostrado o erro: a sua concentração aumenta, a sua atenção tem um foco e, em geral, erros que são corrigidos a tempo não são repetidos.
Postado por
Jorge Carreira Maia
à(s)
19:08
0
comentários
Marcadores: Filosofia, Ler os outros
Para voltar ao problema de base, a questão a colocar é a seguinte: Qual é a ideia de Brouwer que eu adoptei e fiz dela um factor de orientação para a minha vida?
Postado por
Jorge Carreira Maia
à(s)
18:53
0
comentários
Marcadores: Filosofia, Ler os outros
Acabo de ler no A Origem das Espécies uma nota sobre a morte de M. S. Lourenço, ocorrida ontem. Era um intelectual notável, poeta e filósofo. Fui seu aluno, em Lógica, nos anos oitenta, precisamente no ano em que retornou definitivamente a Portugal. Foi o grande patriarca da filosofia analítica em Portugal. A sua presença, aparentemente discreta no panorama cultural e filosófico português, é muito maior do que se pode imaginar, nomeadamente ao nível da Filosofia. Pode-se consultar a nota do Público, a referência da Wikippedia e a página pessoal de Manuel Lourenço dedicada à Filosofia da Matemática.
Postado por
Jorge Carreira Maia
à(s)
21:39
0
comentários
Reconheço ao dr. Louçã e aos seus confrades do Bloco de Esquerda talento. Conseguiram pegar em duas organizações esquerdistas antagónicas (trotskystas e estalinistas) mais uma composta por transfugas do PCP e cozinhar tudo num novo partido de esquerda com ar moderno. O dr. Louçã é bom analista do mercado político. Percebeu onde podia encontrar um nicho de mercado e tem-no explorado com eficiência. Os empresários portugueses , caso não fossem tão preconceituosos, muito teriam a aprender com ele. É evidente que os sinais de modernidade são postiços e, mal chegam as eleições, lá lhe foge o pé para a chinela. Segundo a Lusa, Francisco Louçã, defendeu hoje que o seu partido vai levar a cabo "uma campanha que atravessa as ruas do país", de forma a auscultar directamente a população. O populismo adora a rua e a esquerda que não deixa de sonhar com revoluções, mesmo que seja lá bem no inconsciente, baba-se com desfiles e bandeiras pelas ruas. Um país civilizado não teria campanha de rua. Seríamos poupados aos apertos de mão, abraços e beijos que as elites políticas resolvem distribuir de eleição em eleição pela plebe democrática, para parecerem populares. Ora, o que povo sonha mesmo não é que as elites sejam populares, mas o contrário, que os populares passem a fazer parte das elites. Coisa impossível fora da escandinávia, como se sabe. Era bom que os Louçãs dos vários partidos, quase todos os chefes políticos gostam da rua, se civilizassem e nos poupassem às suas auscultações.
Postado por
Jorge Carreira Maia
à(s)
20:07
0
comentários
Marcadores: Política
António Calvário - Oração
Música: João Nobre. Letra: Francisco Nicholson e Rogério Bracinha. Intérprete: António Calvário. Decididamente, o Alma Pátria teria de entrar alguma vez no Festival TV da Canção, o grande momento anual da música ligeira portuguesa, nos anos sessenta e princípio de setenta. As famílias juntavam-se para ver o Festival e, com as grelhas fornecidas pelos diários, seguiam o escrutínio até se apurar o vencedor. Oração é a primeira canção vencedora de um Festival, em 1964. António Calvário representou Portugal no Festival da Eurovisão e recebeu a excepcional pontuação de zero pontos. Enfim, um conspiração do cosmopolitismo europeu contra o nacional-cançonetismo. Seja como for, peço o favor de escutarem bem a canção. A atenção não deve ser apenas focada na música. A letra é mais uma lição de sociologia pátria. Aliás, o Festival TV da canção até ao 25 de Abril de 1974, bem como a sua relação com o público, seria matéria relevante para interessantes análises da nossa portugalidade.
Postado por
Jorge Carreira Maia
à(s)
19:34
0
comentários
Marcadores: Alma Pátria, Arqueologias, Música
O Expresso de ontem trazia, nas páginas 14 e 15 do primeiro caderno, um artigo intitulado Teses à venda na Net por 1500 euros. Depois descreve todo o negócio que gira em torno da produção de trabalhos, dissertações e teses. Alunos incapazes ou preguiçosos recorrem a terceiros para produzir os seus trabalhos académicos. Parece que o sucesso é acentuado. Segundo o penalista Costa Andrade, estas práticas não são crimes, apenas fraudes académicas. O mercado é grande e a concorrência entre os empresários de teses começa a fazer-se sentir. Tudo isto é absolutamente vergonhoso e deplorável e mostra aquilo que nós, portugueses, somos. Veja-se o que diz, segundo o Expresso, uma dessas empresárias: "Uma vez um professor viu o nosso anúncio na Net e ligou-me, fazendo-se passar por um aluno para ver se vendíamos mesmo os trabalhos prontos. No fim identificou-se e disse que o que fazíamos não era ético e estava muito errado. O senhor devia ser de outro planeta porque isto é do mais comum que há". Está aqui tudo. Está aqui a razão pela qual somos um povo quase miserável. Uma parte não quer trabalhar e paga para que lhe façam os trabalhos e aqueles que têm iniciativa preferem este tipo de acção imoral a lançar-se em qualquer coisa que crie riqueza efectiva. O ensino em Portugal desde o ensino básico às pós-graduações é, cada vez mais, uma fraude. Uma fraude académica, note-se.
Postado por
Jorge Carreira Maia
à(s)
14:25
0
comentários
O regime venezuelano encerrou trinta e duas rádios e duas televisões críticas do regime. Como acontece quase sempre nestas coisas, a justificação dada nunca é a que realmente desencadeia o acto, mas qualquer coisa ligada à lei e ao direito. Mas não há nada como ouvir o director da Comissão Nacional de Telecomunicações da Venezuela para perceber as verdadeiras razões: "não é a liberdade de expressão a liberdade mais sagrada que pode existir". Estamos conversados, se preciso fosse acrescentar mais alguma coisa ao que já sabemos, sobre a natureza do regime de Chávez.
Postado por
Jorge Carreira Maia
à(s)
20:37
0
comentários
Marcadores: Política
Continua acesa a polémica em torno do convite ou não convite dirigido a Joana Amaral Dias, antiga deputada do Bloco de Esquerda, pelo Partido Socialista ou um por qualquer secretário de Estado. A história em si não merece qualquer comentário. Todos já percebemos que as hostes do engenheiro andam muito preocupadas em arranjar cromos de esquerda para completar a caderneta. É normal, faz parte da estratégia política e da forma como se tenta enganar o eleitorado. O que eu não percebo é a importância dada à senhora. Eu sei que o pai dela é um psicanalista importante, tanto quanto um psicanalista o pode ser em Portugal, mas a ela nunca lhe ouvi uma palavra interessante sobre que assunto for. A senhora, do ponto de vista político, é absolutamente irrelevante. Só a falta de assunto e o início da silly season poderão explicar tanto tempo gasto com o seu putativo convite. E diz o PS que tem ideias, o que aconteceria se ele não as tivesse...
Postado por
Jorge Carreira Maia
à(s)
19:53
0
comentários
Marcadores: Política
Carlos Ramos - Não Venhas Tarde
Não consegui encontrar a data de criação deste fado cantado por Carlos Ramos. Também não encontrei, na Internet, a capa da gravação original. Carlos Ramos faz parte de um trio de vozes masculinas muito interessantes, que deviam estar no auge na altura em que nasci, em meados dos anos cinquenta. Para além de Ramos, refiro-me a Max e a Alfredo Marceneiro. Este Não Venhas Tarde é um retrato social do país que então éramos. Não me refiro à infidelidade, pois essa é, como o amor, eterna. Refiro-me ao tipo de relação homem mulher subjacente ao texto. O homem cindido entre o puro amor e o desejo erótico, cada um deles representado por um tipo de mulher, como se a sua coincidência numa única fosse impossível. Esta ideologia era também subjacente ao regime político que se vivia na altura. Não estou a dizer que foi o regime que a produziu. Diria até o contrário: é este tipo de ideologia social que acaba por permitir e mesmo requerer o tipo de regime que se vivia. Dito isto, repito: Carlos Ramos tinha uma voz assinalável
Postado por
Jorge Carreira Maia
à(s)
18:32
0
comentários
Marcadores: Alma Pátria, Arqueologias, Música