A edição semanal, em papel, do Jornal Torrejano traz, a propósito das eleições autárquicas, um conjunto de dados sócio-demográficos de Torres Novas e dos vários concelhos envolventes. Cansado, entretive-me a estabelecer uma relação entre número de eleitores e número de licenciados - vamos admitir que todos os licenciados dos concelhos são eleitores nesses mesmos concelhos. Os resultados são curiosos. Vejamos a percentagem de eleitores licenciados: Alcanena – 8,3%; Constância – 7,1%; Entroncamento – 16,9%; Golegã – 8,7%; Torres Novas – 11,9%; VN da Barquinha – 9,8%.
Quem conhece estes concelhos percebe de imediato o peso de duas coisas. Por um lado, a dimensão do concelho; por outro, a sua natureza urbana ou rural. Entroncamento, apesar de não ser o concelho com mais população, é aquele que é completamente urbano. Isso explica a grande diferença na percentagem de licenciados relativamente a Torres Novas. Talvez existam outras razões. Julgo, porém, que entre essas muitas razões há uma, quase subterrânea, que terá uma importância não irrelevante. Trata-se de o Entroncamento ter tido ensino liceal público uns anos antes de Torres Novas. Isso gerou um outro tipo de relação com o saber, relação essa que se foi transmitindo de geração em geração.
Estes dados mostram, por outro lado, a pouca capacidade de Torres Novas fixar gente com formação superior. Significa isso que o tipo de trabalho existente é ainda pouco exigente e pouco diferenciado. Também se percebe, por aí, que Torres Novas não tenha, ainda hoje, uma classe média social e culturalmente diferenciada, como se o concelho continuasse a ser uma emanação de um mundo essencialmente rural e operário. Esta é a grande desvantagem de Torres Novas. Não tem massa crítica suficiente, mesmo comparado com outros concelhos semelhantes, mas com burguesias locais mais fortes e tradicionais. Torres Novas precisa de formar os seus jovens e de os fixar, eles ou outros. Pena os partidos políticos terem mais que fazer do que pensar nestas coisas. A própria transferência da FERSANT para Santarém tem um significado que não convirá desligar daquilo que aqui se disse.
Jorge, talvez não fosse má ideia esclarecer os leitores que não são de cá ou que nunca cá vieram, e cuja primeira imagem que têm de TN foi obtida através desta fotografia, que não estamos geminados com Istambul, Argel ou Casablanca.
ResponderEliminarJR
Em profunda reflexão,interrogo-me sobre o que fará Lisboa dos milhares dos seus jovens licenciados...ou dos jovens que aqui se licenciam...
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