31/12/08
Há um ruído de corvos no lancil do passeio.
Ao longe ouve-se a agonia de uma ambulância,
o estrídulo repicar do aço sobre um incêndio de palha.
Se as vozes alvorecem a cantar, adormecem surdas,
deixando um rasto de sangue e saliva
na orla negra, um dia rio lhe chamaram.
Apagaram os faróis e o mar é um cemitério de barcos
carcomidos pelo sal, um depósito de algas negras,
sacos de plástico, peixes e almas em decomposição.
Assim começam todos os anos e assim terminam.
Mas o ardor do álcool e a ilusão do sangue
semeiam quimeras ali onde os dias germinam.
25/12/08
Stille Nacht (Silent Night) German - Sing Along
Este "Stille Nacht", cantado na língua original pela Nana Mouskouri, é especialmente dedicado à leitora Maria Correia. Um Bom Natal.
24/12/08
22/12/08
Fora do tempo

19/12/08
Jornal Torrejano, 19 de Dezembro de 2008
Nova edição on-line do Jornal Torrejano. Destaque para a aprovação do orçamento municipal, um orçamento na ordem dos 70 milhões de euros. Referência também para apresentação, por António Rodrigues, da taxa de execução do programa Turris XXI. Nota ainda para o sentimento de insegurança que atemoriza torrejanos.18/12/08
O governo conseguiu

17/12/08
O problema da educação

O desespero

Cegueira por cegueira

Explosões gregas
14/12/08
Camarada Enver Hodja
Como na totalitária Albânia, Paulo Portas, o querido líder do CDS-PP, conseguiu um histórico resultado na reeleição para chefe do seu pequeno partido (95,1%). Agora que o camarada Paulo Portas está reeleito já pode a pátria dormir descansada.13/12/08
Robert Ambrose Conducts Tristan Murail (part 1)
Por estranho que possa parecer, eu gosto da música do compositor francês Tristan Murail. Mas isso não é sinal de qualquer elevação espiritual, ou de uma extraordinária predisposição intelectual, ou mesmo de um refinamento do gosto. É antes sintoma da minha desagregação mental, da dilaceração do pensamento, da guerra civil que me percorre o cérebro e lança neurónios contra neurónios, hemisfério contra hemisfério. Começo assim por ouvir a anunciação do anjo da guerra e os exércitos entram em acção. A terra arde e todas as sensações que nascem em mim são estilhaços de vidro e fragmentos de granadas. Ao longe, oiço trovões. Como o mundo, tudo em mim se cinde. Tento sintonizar o ouvido na música e uma volúpia de cinza e fogo arrasta-me para fora do silêncio da noite. A madrugada ainda não é um risco no horizonte, apenas dois sóis se chocam no interior da galáxia, talvez o meu cérebro, dirão.
Poetas Torrejanos Contemporâneos

Jornal Torrejano, 12 de Dezembro de 2008
Mais um edição do Jornal Torrejano on-line. Para primeira página veio a alternativa do PSD para a Câmara Municipal, João Sarmento. Destaque também para a manifestação da população da Ribeira Branca devido à falta de médico na freguesia. Referência também o novo livro de Joaquim Rodrigues Bicho, um século da igreja torrejana.Para a semana haverá mais, assim o determinem os astros. Bom fim-de-semana e vá vendo o que se passa por aqui indo até ao Jornal Torrejano.
Encerrado
11/12/08
Sinais políticos
Tocata e fuga
Messiaen • Quartet for the End of Time [w/dance]
Passaram ontem 100 anos do nascimento do compositor francês Olivier Messiaen. Esta post vem com um dia de atraso, mas este blogger já esteve, enquanto blogger, em melhor forma. Ainda por cima, Messiaen é um dos seus compositores contemporâneos favoritos. Este estranho quator foi escrito num campo de prisioneiros, em Görlitz, na Silésia e estreado perante uma não menos estranha audiência em 15 de Janeiro de 1941: prisioneiros das mais diversas proveniências e oficiais nazis (cf. aqui o post de Pedro Mexia com o seu artigo no Público de dia 6.).
10/12/08
Irritações e ajudas
09/12/08
Maiores de 23
07/12/08
Colapso?
Noções difíceis e esforço inútil
Ser espanhol?
Domingo
05/12/08
Carrilho e a educação
Jornal Torrejano, 5 de Dezembro de 2008
Está já online a edição de hoje do Jornal Torrejano. Notícia grande é a inauguração pelo Presidente da República, Cavaco Silva, do nova Biblioteca Municipal. Referência também para o alerta do CRIT: 400 pessoas com deficiência permanente, no concelho.José Ricardo Costa - O Fascismo da Avaliação
Eu sou professor e esta crónica é sobre avaliação. Mas não é sobre a avaliação dos professores. É sobre a cultura da avaliação ou a religião da avaliação.Qualquer trabalhador deve ser avaliado. Mas ser avaliado não é o mesmo que uma cultura da avaliação. A cultura da avaliação leva-nos a uma espécie de fascismo da avaliação que, a par do fascismo higiénico, sanitário ou estético, tendem a tornar as nossas sociedades democráticas mais totalitárias e opressivas.
É fácil avaliar o desempenho de um trabalhador. Em qualquer empresa, hospital, escola, loja ou oficina, sabe-se quem desempenha bem ou mal o seu papel. Se é assíduo ou não, se chega ou não atrasado, se produz ou não produz, se faz bem ou não o que lhe pedem para fazer.
Mesmo na minha profissão, uma das mais difíceis de avaliar, sabe-se perfeitamente quem são os dois ou três profissionais que, em cada escola, por isto ou aquilo, desempenham mal as suas funções.
Ora, se em cada serviço há pessoas que, por inépcia ou irresponsabilidade, desempenham mal as suas funções, será apenas uma questão de intervir superiormente para corrigir os erros e, se não houver da parte do avaliado qualquer interesse em corrigir, intervir disciplinarmente.
Porquê então esta obsessão pela avaliação, por esta moderna cultura da avaliação? Comecemos pelo mais óbvi a questão financeira. Pagar menos ao maior número de pessoas. Mas, depois, falta a parte ideológica: a manipulação das ideias, uma mentalidade que legitime esta cultura e que leva as pessoas a aceitar a cultura da avaliação como sendo a coisa mais óbvia do mundo.
O que está, então, por detrás da avaliação? A ideia de que nunca somos suficientemente bons, que podemos fazer melhor, que há sempre alguma coisa que ainda não fizemos. E quando se trata de pensar no que é ainda possível vir a fazer, a imaginação fica descontrolada e pode começar mesmo a delirar.
Há tempos, na minha escola, estive a analisar os critérios de avaliação que permitiriam atribuir um ”Excelente” ao professor. Fiquei em estado de choque. Caso um professor os aplicasse para ser excelente, deveria ser expulso do ensino. Só um alienado poderia cumpri-los. Admito que haja professores assim. O problema é quando tais professores, considerados pelo poder como uma espécie de elite sacerdotal, passam a funcionar como modelos.
Mas atenção. Ninguém fica abandonado. Aí está a avaliação para nos ajudar, inspirar, ensinar o caminho. Ser avaliado é um privilégio, uma catequese que visa uma perfeição profissional cada vez maior. Devíamos mesmo beijar a mão daqueles que zelam por nós, que pensam e trabalham para nos avaliar e nos ajudam a superar-nos a nós mesmos.
Isaiah Berlin é um filósofo muito cá de casa. Um dos seus principais contributos é a célebre noção de liberdade positiva. Em si mesma, não é má de tod representa o desejo do indivíduo ser dono de si próprio, autónomo. Belíssimo.
Só que há aqui um problema. Eu não sou ainda o que, num mundo ideal, deveria ser. Sou imperfeito, tenho limitações, erro. Se ficar entregue a mim próprio não sou capaz de ser eu próprio, cumprir o meu desejo de ser eu próprio.
Mas não há problema. Há quem me possa proteger, ensinar, guiar: o Estado, o Partido, esta ou aquela instituição. Mais: há regras para nos ensinar o que todos devemos fazer para uniformizarmos os nossos comportamentos, para que ninguém fique isolado, marginalizado, perdido. Há um farol que nos ilumina, que nos tira as imperfeições, que não nos deixa errar.
A actual cultura da avaliação serve para os trabalhadores terem consciência que ainda não estão a conseguir ser o que gostariam de ser mas que, com a sua permanente auto-avaliação, poderão lá chegar.
Décadas depois de Hitler e Estaline, chegou a vez das nossas democracias liberais nos protegerem de nós próprios, dos nossos erros e imperfeições. Ensinam a sermos o que nós, no íntimo de nós mesmos, gostaríamos de ser: belos, saudáveis, perfeitos no trabalho, mais eficazes.
O actual PS não deixa os seus créditos por mãos alheias. Infestado de sociólogos, engenheiros sociais, planificadores, avaliadores, o PS não nos abandona, o PS protege-nos do mau azeite, das bolas de Berlim, da obesidade.
Como professor, também o PS me quer ajudar. Avalio-me e poderei então dizer, feliz: errei, falhei, sou imperfeito, mas, graças ao PS, pude descobri-lo e assim melhorar. Melhorar, melhorar, melhorar, como ovos que se vão sucessivamente partindo para fazer uma omeleta que nunca chega verdadeiramente a aparecer.
Será que não posso explicar melhor a matéria aos alunos? Não haverá ainda mais estratégias para eu poder explorar? E projectos? Será que estou a desenvolver os projectos que façam de mim um professor ainda mais activo e dinâmico? E será que estou a usar suficientemente as novas tecnologias? Estarei a ser suficientemente moderno? E será que não posso ter ainda mais um bocadinho de compreensão e paciência com um aluno que me chama ”filho da puta”? Será que estou a dar o meu total contributo para poder melhorar o ensino? Não poderia dar um bocadinho mais de mim mesmo? Não poderia ir mesmo a casa do aluno que abandonou a escola e trazê-lo de volta? Posso ou não posso? Posso ou não posso? Claro que posso, há professores que o fazem: os excelentes.
Pois, sabem o que eu digo a todos esses patifes do PS que nos governam? Vão dar banho ao cão. E não digo outra coisa porque sei que há senhoras de idade que lêem este jornal. (Jornal Torrejano, 5 de Dezembro de 2008)
04/12/08
A graça de um bom governante
03/12/08
Schubert - Ave Maria - Jessye Norman
Entrámos na época natalícia. Esqueçamos a azáfama e o comércio das prendas. Saudemos: Avé Maria, ó cheia de graça. Sim ouvir esta voz é uma das provas da existência de Deus e da graça que habita no seio das mulheres.
As causas da única e verdadeira oposição
Qual a causa que move o governo?
Reformismo educacionais
Amanhã farei greve
BPP - O dinheiro na arena da vida
Afrontas - o estatuto dos Açores
01/12/08
Primeiro de Dezembro



