03/07/07

Bocage 08 - A um velho maldizente

Tu, maligno dragão, cruel harpia,
Monstro dos monstros, fúria dos Infernos,
Que em vil murmuração, ralhos eternos,
Estragas sem descanso a noite e o dia;

Tu, que nas horas em que o mocho pia,
Caluniaste os meus suspiros ternos,
Sacode a carga de noventa Invernos
Nas descarnadas mãos da Morte fria.

Cai de chofre no Báratro profundo,
Cai nas entranhas da voraz fornalha,
Deixa em sossego o miserável mundo

E entre a maldita, réproba canalha,
Lá bem longe de nós, lá bem no fundo,
Arde, murmura, amaldiçoa e ralha!

1 comentário:

  1. "A Água",
    de Manuel Maria Barbosa du Bocage.




    Meus senhores eu sou a água
    que lava a cara, que lava os olhos
    que lava a rata e os entrefolhos
    que lava a nabiça e os agriões
    que lava a piça e os colhões
    que lava as damas e o que está vago
    pois lava as mamas e por onde cago.


    Meus senhores aqui está a água
    que rega a salsa e o rabanete
    que lava a língua a quem faz minete
    que lava o chibo mesmo da raspa
    tira o cheiro a bacalhau rasca
    que bebe o homem, que bebe o cão
    que lava a cona e o berbigão.


    Meus senhores aqui está a água
    que lava os olhos e os grelinhos
    que lava a cona e os paninhos
    que lava o sangue das grandes lutas
    que lava sérias e lava putas
    apaga o lume e o borralho
    e que lava as guelras ao caralho


    Meus senhores aqui está a água
    que rega rosas e manjericos
    que lava o bidé, que lava penicos
    tira mau cheiro das algibeiras
    dá de beber ás fressureiras
    lava a tromba a qualquer fantoche e
    lava a boca depois de um broche.

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