20/01/10
19/01/10
O livro do entardecer 22
e tudo crescia para além da esperança
o caminho costumado que te levava
um raio de sol na poeira
o cavalo na saliência do dia
se a primavera começava
esmagavas nas mãos as flores
e sentada de coração escalavrado
esperavas o fim do estio a chegar
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Dave Brubeck - All The Things You Are - 1972
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DA JANELA
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Cavaco e a fé na educação
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18/01/10
B.B King / Eric Clapton - Come Rain or Come Shine
Uma dupla de peso.
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Eça de Queiroz - Não querem ideias...
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17/01/10
O livro do entardecer 21 - o silêncio
o silêncio é um verão antigo
onde se guarda a memória
daquilo que então amámos
o olhar que se cruza contigo
um rosto que não teve história
a voz com que cantámos
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Dr. Luiz Goes - Fado da Despedia
Talvez um dia destes explique o motivo desta queda (veja-se mais abaixo o que se diz acerca da queda) no fado de Coimbra.
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Herdade de Cadouços
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A queda
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Não é o conteúdo substantivo da tese de Gillepsie que me interessa aqui, mas a sua referência às imagens. Estou de acordo que as duas imagens marcantes e que, de certa forma, fecham o século XX, e abrem o século XXI, são as referidas pelo autor. Aquilo que dá que pensar, no entanto, não são as crenças e as formas de existência a que essas imagens se ligam, mas as próprias imagens. Quando falamos num mundo de imagens e no facto do nosso mundo ser um mundo de imagens fazemo-lo, ainda que inconscientemente, para fugir à própria imagem. Assim, ela é signo ou símbolo de qualquer outra coisa dada na nossa existência social e histórica (o fim do comunismo ou do optimismo liberal). Isso tranquiliza-nos. Mas sob essa capa escondem-se outras camadas de sentido.
Estas imagens, que em aparência são ligadas a realidades diferentes, referem-se a uma mesma coisa: a queda. O século XXI começou, assim, sob o símbolo da queda. A queda é um velho símbolo presente na tradição judaico-cristã, um símbolo inaugural. A queda de Adão e Eva, a expulsão do paraíso, a ruína física e a degradação ontológica. Cabe perguntar, então, o que significa uma época que tem, ou que escolhe, como seu símbolo a queda? Por analogia, sabemos que é uma época de expulsão dos nossos paraísos, de ruína material e de degradação da nossa própria condição ontológica.
Na queda do muro de Berlim vimos, ansiosamente, o símbolo da liberdade. Não menos ansiosamente, pensámos na queda das Twin Towers um acto de maldade e perversidade extremas. Mas tudo isso são conversões morais que evitam olhar de frente o acontecer, a pura queda e a sua conexão com a espessa experiência da humanidade consubstanciada na simbologia religiosa da queda. Em Berlim e em Nova Iorque é um mundo que rui, por sinal o mesmo, apesar das aparências em contrário, o mundo da modernidade e do Iluminismo. Tudo isso, porém, está longe de significar uma libertação e uma emancipação. Se nos deixarmos instruir pelo velho símbolo da queda, talvez comecemos a entrever o significado desses acontecimentos.
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16/01/10
Dan Dennett e os 'memes' perigosos
Uma excelente conferência do filósofo Dan Dennett, mesmo que a terapia que se desenha para a propagação de ideias perigosas possa ser ela mesmo fonte de perigo. Pode consultar a página de Daniel Dennett aqui.
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Eça de Queiroz - Deixar a Europa
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Eça de Queiroz - Os tubarões do mar humano
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Marcadores: Literatura
15/01/10
O livro do entardecer 20
agora o vento empurra a chuva
fá-la crescer contra a minha vidraça
e eu sou todo nessa chuva que cresce
quase um homem quase uma farsa
três vezes a chuva sobre mim cantou
e outras tantas me adormeci nela
água não é o que oiço contra a janela
mas o deus que um dia me sonhou
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Pedro Caldeira Cabral - Balada da Oliveira
Para acompanhar a nostalgia que a chuva traz à noite.
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As coisas técnicas
Esta belíssima imagem de propaganda a um transístor portátil da Grundig (1958) foi vampirizada de o Dias Que Voam, um blogue que merece bem estas vampirizações, para além de inúmeras visitas e leituras. Aliás, há lá outro anúncio notável da Grundig (1957), uma verdadeira lição de sociologia da época. Este transístor seria então, segundo a publicidade, uma jóia. Pequena, mas autêntica. Se pela autenticidade a Grundig nos assevera o seu carácter verdadeiro, oposto a uma falsificação, pela associação com uma jóia faz evocar em nós o que é belo e aquilo que resiste ao tempo, aquilo que é eterno.
Eis aqui, porém, a mentira da técnica. As coisas técnicas, na sua verdade, podem ser belas, e num momento apenas, mas não eternas. A beleza delas decairá rapidamente, para não falar no facto de serem produzidas para se tornarem obsoletas. Por exemplo, eu olho quase como a rapariga do anúncio para o meu e-book Kindle, mas sei já que ele representa o passado. A beleza que ainda entrevejo nele e o prazer que me dá na suavidade da leitura que me proporciona serão em breve ultrapassados por um novo objecto que se oferecerá imperativo, pelo saber da técnica e do design, à minha voluptosa faculdade de desejar.
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Afinal, a social-democracia...
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Marcadores: Política
Preparemo-nos para o pior que há-de vir
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Jornal Torrejano, 15 de Janeiro de 2010
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14/01/10
O livro do entardecer 19 - paixões
as paixões não são incêndios na planície
nem de labaredas se tecem os corpos
apenas um frio de fogo chega
sob o rumor da folhagem tocada pela hera
trazem uma nostalgia de movimento
para fugir à eterna imobilidade que as espera
e assim se entregam ao desmoronamento
como se a vida não fora mais que queda
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Marcadores: Poesia, Poesia - em mim
Rabih Abou-Khalil - Ma Muse M'amuse
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Marcadores: Música
As graves dificuldades das finanças públicas
As graves dificuldades por que passavam as finanças públicas constituíram um tema recorrente, sobretudo nas Cortes do período final do reinado, entre 1475 e 1478. Nestas últimas a Coroa pediu um novo empréstimo, no valor de 80 milhões de reais, considerado «o maior pedido de toda a Idade Média portuguesa». Era o preço a pagar para garantir o contentamento e a deferência da nobreza face ao rei, para pagar a desventura militar na Guerra de Sucessão em Castela, para sustentar a manutenção das praças conquistadas no Norte de África. Não havia tesouro régio que pudesse aguentar tanta despesa, sobretudo num reino que nunca primara pela abundância de recursos naturais no seu território. [Bernardo Vasconcelos e Sousa, (2009). "Idade Média", in Rui Ramos, Bernardo Vasconcelos e Sousa e Nuno Gonçalo Monteiro, História de Portugal. Lisboa: A Esfera dos Livros, pp. 161]
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Não estamos a falar dos nossos dias, mas parece. Então, como agora, tínhamos os nossos elefantes brancos (intromissão na Guerra de Sucessão em Castela e manutenção das praças, que saíam bem caras, conquistadas em Marrocos). A necessidade de refrear os ímpetos dos clientes fazia o resto. Façamos, mais uma vez, o elenco. Um poder central frágil com necessidade de se proteger, poderes senhoriais clientelares vorazes, apesar da sua fragilidade, e um excesso de imaginação que nos transporta para aventuras que a razão não recomendaria. Os resultados estão à vista: as inacabáveis dificuldades das finanças públicas.
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Terramotos e pensamento
O terramoto de 1755 em Lisboa, devido às suas funestas consequências, teve uma influência enorme sobre o pensamento filosófico europeu da altura. A desmesura do acontecimento dava que pensar e servia mesmo para abalar certos fundamentos de algumas filosofia então em voga. Não irá acontecer o mesmo com recente terramoto no Haiti, como aliás não aconteceu com outros anteriores. O terramoto do Haiti comove-nos e gera em nós compaixão, mas não abala a nossa maneira de pensar. Curiosamente, é a expansão e rapidez dos media bem como as explicações científicas que nos protegem desse acto de pensar.
Os media, ao mostrar continuamente as cruas imagens de todas as tragédias que se sucedem, evacuam o carácter excepcional de cada uma delas e transformam-nas no hábito e numa norma peculiar - o que acontece é aquilo que é natural acontecer. A ciência, por seu turno, ao explicar as causas materiais do acontecimento tranquiliza o espírito. A nossa comoção e a nossa compaixão não nos perturbam, nem levam ninguém a pensar, pois tudo era expectável, pelo menos é aquilo que sentimos quando ouvimos, a posteriori, as sábias palavras dos sismólogos. O espanto perante o acontecer, aquilo que leva ao pensamento, está morto, mesmo que a fotografia que apresentamos mais acima dê demasiado que pensar.
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Marcadores: Pensar
13/01/10
O livro do entardecer 18 - o filósofo
ao filósofo cabe-lhe a tarefa do infinito
sobre os seus ombros – como se fora um atlas –
repousa a negação de tudo o que acaba
e na flor não vê pétalas nem o fruto a vir
apenas a ideia que lá não está
cego pela luz do sem fim
caminha nesta terra sem pátria ou lar
e ali vai arguindo o arconte da humanidade –
dissolve os diurnos filhos da velha árvore
na névoa invisível do esconso meditar
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Marcadores: Poesia, Poesia - em mim
Patxi Andion - Samaritana
Por vezes, embora não muitas, tenho uns ataques de nostalgia e o resultado é querer ouvir coisas que já ninguém (bem, isto é um exagero) ouve. Hoje deu-me para o Patxi Andion. Há coisas piores na vida.
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Marcadores: Música
A irmandade europeia
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Educação e a falácia de Vital Moreira
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Morte lenta
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Google vs China
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12/01/10
O livro do entardecer 17 - livros
amo certos livros pela textura do papel
são frutos de seda ao tocarem os dedos
ou parecem navios que chegam ao cais
sobre a escura inquietação das águas
aqueles que mais amo são estátuas
hirtas figuras de papel de pedra –
olham-me da lonjura da estante
pedindo que os deixe no sono eterno
assim vagueio entre os meus livros
como se passeasse à tarde num jardim
sento-me e acaricio páginas como rosas
e adormeço sob o olhar que vela por mim
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Sheila Jordan & Steve Kuhn Trio - The Touch of Your Lips
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Marcadores: Música
A rede clientelar
A prodigalidade afonsina para com os nobres tinha os seus custos. As despesas do erário régio para pagar tenças e demais rendas à nobreza atingia valores astronómicos, destinados a manter uma vasta rede clientelar que não podia deixar de ver em Afonso V um monarca útil e compensador. A nobreza, sobretudo a grande nobreza, estruturava-se cada vez mais pela sua posição relativa face à Coroa, pelos laços de parentesco entretecidos com a família real, pelo montante das tenças que recebia, pelos cargos que ocupava na corte. Até a Casa de Bragança, verdadeiro potentado feudal que poderia rivalizar com o rei, não escapava a esta lógica. No fundo, era a lógica de uma simbiose que garantia à nobreza o seu engrandecimento e à realeza a sua segurança. [Bernardo Vasconcelos e Sousa, (2009). "Idade Média", in Rui Ramos, Bernardo Vasconcelos e Sousa e Nuno Gonçalo Monteiro, História de Portugal. Lisboa: A Esfera dos Livros, pp. 160]
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Como é que, em Portugal, o poder sobrevive? Não é apenas através da contenção de poderes concorrentes. Fá-lo também através das alianças com os potentados que possam emergir (mas em caso de necessidade, nunca hesitou em destruí-los) e pela criação de uma rede clientelar. O número de clientes muda em conformidade com o tipo de regime. É mais familiar em regime-monárquico-aristocrático ou mais amplo, na criação de uma imensa força de servidores de Estado, no regime democrático. A questão, porém, é a mesma, assegurar uma base de apoio que permita o regime funcionar e o poder não cair na rua. Esta é uma tradição inerente ao próprio desenvolvimento histórico do poder em Portugal.
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11/01/10
Casas senhoriais e questões regionais

Estes aspectos, a par de uma crescente dependência face à Coroa e do papel desta na estruturação e na hierarquização da nobreza, permitem compreender por que não surgiram, até ao início do século XV, verdadeiras Casas senhoriais, dotadas de um sólido e estável património fundiário e de uma enraizada e duradoura implantação local regional. Mesmo quando se constituíram, as grandes Casas senhoriais portuguesas foram directamente criadas pela Coroa e encabeçadas por membros da família real, como ocorreu com a que viria a ser a Casa de Bragança ou com os ducados de Viseu e de Coimbra. [Bernardo Vasconcelos e Sousa, (2009). "Idade Média", in Rui Ramos, Bernardo Vasconcelos e Sousa e Nuno Gonçalo Monteiro, História de Portugal. Lisboa: A Esfera dos Livros, pp. 97]
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10/01/10
O livro do entardecer 16 - estrela
essas súbitas estrelas que irrompem na tarde
e anunciam o calor vindo dos trópicos
fogem como se uma maldição crescesse
no lugar onde se tece o tempo
são mendigos a caminhar pelos campos
e estendem a mão a quem passa
e todos passam sem olhar a estrela caída
que errante adormece à beira da estrada
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Yves Montand - Les Feuilles Mortes (à l´Olympia)
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Marcadores: Música
O 'Cintinho e a Therezinha Velho
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Marcadores: Literatura, Portugal, Sociedade
09/01/10
O livro do entardecer 15
quando vieram as chuvas
ficaram as ruas alagadas
e os rios sem capitão
perderam-se ociosos
no além-margem
à janela deixo que o mundo
envolva os meus olhos
e me faça crer na existência
mas só vejo chuva e águas
e oiço a sombra das nuvens
a sucumbir em ruas de pedra
onde cresce a desolação
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Marcadores: Poesia, Poesia - em mim
Keith Jarrett - Autumn Leaves
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Marcadores: Música
A força do Benfica
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O professor como autoridade pública
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08/01/10
O livro do entardecer 14 - eternidade
nas ruas onde havia
uma sombra de eternidade
a melancolia vinha devagar
poisar no dorso da tarde
um punhal feria a palidez
com que a luz se despedia
e tudo se silenciava
na oscilação que a vida trazia
um restolhar de folhas
passos alvoraçados
e as horas tristes que passavam
para morrer na eternidade
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Marcadores: Poesia, Poesia - em mim
Toro Takemitsu - Requiem
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Marcadores: Música
Tornei-me um Kindle-man
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Marcadores: Ocasionália
A democracia nas escolas
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Jornal Torrejano, 8 de Janeiro de 2010

Online encontra-se já a edição semanal do Jornal Torrejano.
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Marcadores: Jornal Torrejano
Diferença entre Portugal e Espanha
No dia 29 de Novembro, comprei numa livraria portuguesa on-line um livro de que necessitava. Estamos a 8 de Janeiro e ainda não o recebi. Anteontem, enviei um email para saber o que se passava. Ainda não recebi qualquer resposta.
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Marcadores: Sociedade
Um dia de paz e amor
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07/01/10
O livro do entardecer 13
apaga-se a luz do inverno
uma melodia serena repousa
no canto da noite
e a água ao arder incendeia
de silêncio a tua voz
serás assim tão leve
os cabelos na treva
e a canção aberta na boca
ecoam como um velho navio
ao afastar-se do cais
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Ainda o referendo sobre o casamento homossexual
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Exercícios de travestimento
Independentemente da origem, da localização e mesmo da dimensão dos concelhos, o respectivo território englobava a vila (ou a cidade) e o termo ou alfoz. A primeira era a principal povoação, o centro da organização municipal, a sede política e administrativa; o segundo era a área em redor, com os seus campos de cultivo e terras bravias, onde podiam situar-se aldeias administrativamente dependentes da vila cabeça do concelho. Esta divisão reflecte uma hierarquia na organização social do espaço, uma vez que os vizinhos que habitavam na vila gozavam de melhores condições, tanto económicas como administrativas e judiciais, face aos habitantes do termo; mas, numa sociedade predominantemente rural, reflectia também a complementaridade existente entre o núcleo urbano e o campo, com este a ser imprescindível para o abastecimento alimentar do conjunto da população. Apesar da subordinação administrativa do termo à vila, apesar das por vezes gritantes desigualdades estipuladas no próprio foral entre os que residiam numa área ou na outra, o concelho só podia existir em função dessas duas componentes. [Bernardo Vasconcelos e Sousa, (2009). "Idade Média", in Rui Ramos, Bernardo Vasconcelos e Sousa e Nuno Gonçalo Monteiro, História de Portugal. Lisboa: A Esfera dos Livros, pp. 73/4]
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Estamos a falar, nesta citação, do Portugal medieval, praticamente na origem da nacionalidade. O espantoso, porém, é que pessoas da minha idade, e até mais novas, conheceram bem esta realidade e esta estruturação das relações intra-concelhias. No século XX, mesmo em concelhos bem industrializados, como era o caso do de Torres Novas, a vida dentro do concelho não apresentava estruturas muito diferenciadas daquelas que são descritas para a Idade Média. É evidente que há diferenças assinaláveis, nomeadamente diferenças tecnológicas, comunicacionais e sociais. Mas a matriz essencial manteve-se praticamente até ao 25 de Abril de 1974.
Não estou a dizer que Portugal era um país medieval no final do século XX. Estou a chamar a atenção para a existência de uma inércia social que mantém a mesma estruturação arcaica das relações sociais, apesar de estas se irem travestindo de diferentes formas, nomeadamente no campo da dominação política e social. Em Portugal, parece concretizar-se a ideia que o sobrinho do Príncipe de Salinas utiliza para explicar ao tio o seu compromisso político com os revolucionários de Garibaldi: é preciso que alguma coisa mude, para que tudo fique na mesma. A verdade, todavia, é que a nossa cultura social não será muito diferente daquela que vigorava na Sicília descrita em O Leopardo. Em Portugal, muita da mudança social foi apenas travestimento e ocultação da realidade efectiva. Significa isso, então, a existência de determinados núcleos da realidade social que quase apresentam uma natureza metafísica, o que determinaria a sua persistência no tempo. Aquilo que é eterno não muda, apenas ganhas novas e diferentes aparências. Esta metafísica social está na base de um certo fatalismo que se abate sobre os portugueses, e que os conduz à saída do país ou à resignação. Muitas das dificuldades pelas quais passamos neste momento estão relacionadas com isto. Este núcleo eterno da realidade social torna-se evidente cada vez que abrimos a televisão e deparamos com mais um despedimento colectivo.
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A sede que se deseja
Este belíssimo anúncio à cerveja Sagres, retirado com a devida vénia do Rua Dos Dias Que Voam, um blogue cheio de coisas destas e a visitar com regularidade, evoca em mim a primeira experiência com a cerveja (bebida da qual não sou particular adepto). Não me refiro à experiência de beber cerveja, mas de admirar a própria garrafa. Uma garrafa castanha com os símbolos e o lettring pintados a creme. Julgo que a tampa, carica, era cinzenta ou prateada com Sagres escrito a vermelho e naquelas belas letras que se vêem na imagem. Há toda uma elegância, fundada num quase despojamento de elementos icónicos, que contrasta com o ruído visual que foi crescendo ao longo dos tempos. Nas raras ocasiões que se me coloca a questão de beber uma cerveja, nunca me passa pela cabeça preterir a Sagres pela concorrência. Isso deve-se, porém, à peça de arqueologia aqui representada, a velha garrafa da Sagres. É o que faz ter espessura temporal. O slogan também é perfeito, a sede que se deseja. Ha imagens que são verdadeiros arquétipos.
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Marcadores: Blogosfera, Memorália
06/01/10
O livro do entardecer 12 - tempestade
oiço a tempestade vinda de longe
aproxima-se coberta de flanela
e traz um ramo de orquídeas
nos braços do vento
canta ao trovejar
uma velha canção de amor
enquanto os olhos se abrem e escuto
o galopar sonâmbulo da chuva
um barco atravessa a noite
de velas embaladas pelo vento
e um enxame de pétalas desenha
a orquídea que se abre em tua mão
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Sviatoslav Richter: Schubert Sonata A major
Há dias que oiço consecutivamente umas velhas gravações, reeditadas há relativamente pouco tempo pela Brilliant Classics, do grande pianista russo Sviatoslav Richter de sonatas para piano de Beethoven, Schubert e Liszt. Aqui fica uma gravação de uma sonata de Schubert (A major). Talvez explique esta audição maníaca.
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Volta a saga
Volta a saga da avaliação de professores. Consta que no ano passado 83% dos professores foram avaliados com Bom. Isabel Alçada considera que o número elevado de classificados com Bom explica-se com “a tradição da atribuição desta nota aos docentes por parte de quem avalia. Para além da clara falsidade desta afirmação (como salientou Mário Nogueira, os critérios eram absolutamente objectivos e não permitiam qualquer torção subjectiva fundada ou não na tradição), o que isto demonstra é outra coisa. A enorme dificuldade de encontrar um método fiável para avaliar a função docente. O que esta gente não entende, incluindo a senhora ministra (para que lhe servirá um curso de Filosofia?), é que há coisas dificilmente avaliáveis com fiabilidade por este tipo de métodos provenientes do mundo empresarial e da burocracia de Estado. Não é por acaso que muitos países educacionalmente desenvolvidos têm métodos de avaliação largos e que permitem ae todos os professores chegarem ao topo da carreira. Esta é pensada para isso mesmo. A grande questão da qualidade dos professores não está na avaliação do seu desempenho. Está na sua formação inicial e na selecção. Por exemplo, é isso que faz a Finlândia, que nem avalia formalmente os seus professores, mas selecciona-os rigorosamente. Toda esta conversa sobre avaliação é intelectualmente indecorosa. É uma falsificação da realidade. O Estado demitiu-se durante décadas de seleccionar rigorosamente quem punha nas escolas e, agora, não tem dinheiro para pagar aos professores e inventa este tipo de ficções. Esta história cansa e a sua única finalidade, contrariamente ao que se propaga, é evitar que cheguem novos bons professores e desmoralizar aqueles que existem. Isto, depois de ter corrido com muitos dos que havia.
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O poder de proximidade
A atribuição ou a confirmação de forais por parte dos soberanos correspondeu também ao seu projecto de fazer difundir a autoridade da Coroa e de firmar alianças com estas comunidades de homens livres, de modo a contrabalançar o peso dos poderes senhoriais que se faziam sentir local e regionalmente. Por sua vez, tal aliança colocou os concelhos sob a protecção régia, procurando aqueles defender-se das pressões dos senhores locais. Os habitantes dos concelhos preferiam pagar ao rei os tributos fixados por escrito no foral, quer pela posse da terra, quer pela circulação e transacção de produtos, a estarem sujeitos à arbitrariedade e aos abusos praticados pelos senhores. [Bernardo Vasconcelos e Sousa, (2009). "Idade Média", in Rui Ramos, Bernardo Vasconcelos e Sousa e Nuno Gonçalo Monteiro, História de Portugal. Lisboa: A Esfera dos Livros, pp. 73]
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Aqui podemos surpreender não apenas um reforço do que se escreveu aqui ontem sobre a questão da regionalização, mas uma das características essenciais da relação dos portugueses com o poder. Por que razão somos tendencialmente favoráveis ao centralismo? Porque tememos o arbitrário do poder que está próximo. Os portugueses desconfiam do poder, desconfiam, certamente com razão, da sua arbitrariedade. Ora o poder central é longínquo e tem um carácter abstracto e universal. Ele é preferível aos poderes mais próximos, aparentemente mais fracos, mas com uma maior capacidade de interferir na vida concreta das pessoas.
Isto revela uma outra coisa. A natureza do poder de proximidade em Portugal, ainda hoje, é dada pela capacidade de decisão arbitrária. A ocupação de determinados lugares na estruturas municipais e nas instituições locais dependentes do Estado, como escolas, hospitais, etc., não significa uma representação local de um poder abstracto e universal, que trata todos por igual, mas a possibilidade dos indivíduos e grupos locais exercerem o seu arbítrio. Não é isto, obviamente, que está consignado na lei, mas é isto que é sentido por todos.
O exemplo mais recente é o da contestação, mais ou menos surda (pois o medo está instalado), dos professores relativamente aos directores de escola. Enquanto as escolas eram dirigidas por presidentes de conselhos executivos, a arbitrariedade destes estava limitada, pois não deixavam de ser professores. A solução encontrada pelo governo anterior foi a pior possível para os professores. Não apenas lhes impôs um director, mas um director dependente dos poderes fácticos locais. Seria menos doloroso para os docentes que o director fosse estranho à comunidade local e nomeado pelo poder central. Pelo menos havia, uma aparência de universalidade e abstracção.
O triunfo nas escolas portugueses do arbitrário local tem uma consequência absolutamente devastadora para o futuro do país. As escolas, já com fraca capacidade de debate interno, são hoje em dia túmulos relativamente ao debate pedagógico e educativo. Desapareceram as condições para a divergência e para pensar contra, e para fazer de outra maneira, a não ser aquela que os poderes instalados conseguem idealizar e realizar. Uma segunda consequência, de não menor impacto no futuro, é a que deriva destes poderes existentes nas escolas, a chamada gestão intermédia ser entregues a pessoas com um pensamento extraordinariamente frágil sobre a educação e o sistema educativo, mas que, pelo princípio de autoridade, fazem calar os elementos esclarecidos, claramente minoritários, que possam existir, e que teriam capacidade crítica. As escolas ficaram sujeitas ao menos denominador comum.
A referência à escola é apenas exemplar, pois é a instituição que melhor conhecemos. Isto passar-se-á nas outras instituições. A proximidade do poder, desde a origem da nacionalidade, é sentida não como a presença do universal abstracto, mas do arbitrário concreto. Há uma profunda linha de continuidade na nossa tradição, embora na Idade Média o que estava em causa fosse a liberdade das comunidades locais perante os senhores e, hoje em dia, seja a dos indivíduos perante os poderes locais ancorados em outros indivíduos.
Em Portugal, não há um amor ao anarquismo, mas fundamentalmente um medo da arbitrariedade do outro, quando esse outro é investido por qualquer tipo de poder. Isto revela uma longa tradição de uma determinada forma de exercício de poder.
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Jorge Carreira Maia
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Dia de Reis
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Marcadores: Religião
05/01/10
O referendo sobre o casamento homossexual
Assim como não estive de acordo com a realização do referendo sobre o aborto, também discordo do referendo sobre o denominado casamento homossexual. O parlamento tem legitimidade suficiente para legislar sobre o facto e não me parece que 90 mil assinaturas (menos de 1% da população) sejam suficientes para que ele abdique de o fazer. Se a recolha de assinaturas tivesse uma expressão avassaladora, os partidos deveriam reflectir sobre o assunto. Neste caso, deve legislar e concentrar forças nos problemas efectivos do país.
Das propostas em jogo, gostaria que a aprovada fosse a do PSD. De facto, um casamento pressupõe um casal, e este é constituído por pessoas de sexo diferente. Mas a questão não é meramente lexical ou sequer de tradição, embora esta tenha a sua importância. Há uma diferença ontológica e uma diferença social. Por fim, há também uma questão ética. Tolerar a diferença é aceitá-la na sua natureza e na enunciação dessa mesma natureza. A insistência na confusão lexical entre o casamento de um homem e uma mulher e o reconhecimento civil da união de pessoas do mesmo sexo tem uma curiosa perversidade. Oculta a diferença daquilo que é efectivamente diferente. No fundo, chamar casamento a esse tipo de união não é mais do que um acto de intolerância perante a diferença.
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Regiões, uma viagem de 800 anos
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Jorge Carreira Maia
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