21/05/08

Comités de crise

A coisa está mesmo a dar para o torto. Comité de crise, pedem 14 antigos altos responsáveis europeus, entre eles Jacques Delors (Público). Falam de coisas como estas: a incapacidade de auto-regulação dos mercados, a opacidade dos mercados financeiros, o crescente aumento das desigualdades nas nossas sociedades, a acumulação gigantesca de capital pelo mundo da finança, a qual melhora muito pouco a condição humana e a preservação do meio ambiente. O que espanta é que só agora estejam a dar por isso. Quando a Europa começou a rasgar o pacto social-democrata, esperavam que o ambiente melhorasse e as desigualdades diminuíssem? Depois da casa roubada, comités de crise.

Petróleo, petróleo

Mesmo para quem não se interessa pela economia, não deixa de ser interessante observar a evolução dos mercados. Hoje, o barril saltou, pela primeira vez, a fasquia dos 130 dólares. Estava há pouco a 132,08. Em tudo isto há uma coisa que tendemos a não ver. Há países que estão a enriquecer, os que vendem petróleo, e outros que estão a empobrecer, os que compram. Alguém me saberá dizer de onde vem o petróleo? Parece ser o destino de todas as civilizações inventar o veneno que as há-de matar.

20/05/08

António Manuel Couto Viana - La voz que habita en la calle 17

Horas muertas de la noche :
Los perros van por la calle,
Ladrando a la Luna llena,
Ladrando a todos los gatos.
Por la tarde, com los niños,
Menean, feliz, el rabo.
Persiguiendo su balón,
Saltan, corren, ladran, ladran…
Por el médio de la calle
Que atraviesa lado a lado,
Camina el perro del ciego,
Lento, seguro, callado.

Penguin Cafe Orchestra - Perpetuum Mobile

Maio de 68 - Entrevista a André e Raphaël Glucksmann

-¿Lo peor de aquella patética «crisis de civilización» fue el nihilismo que llevó al terrorismo?

-André y Raphaël: No ha sido. ¡¡Es!! Nos llevó al terrorismo y a una nueva forma de despotismo. Después del 68 hay una represión en los intelectuales, y dado que Marx ha muerto y que no se va a dar la gran noche ya no vale nada: el bien y el mal, lo verdadero y lo falso son de la misma tinta. Y esto nos lleva a dictaduras posmodernas, cínicas, por ejemplo el maltrato de los tibetanos y chechenos por los chinos y los rusos. Se permite todo al que gobierna, porque hace la ley, la filosofía, la verdad. Los marxistas no creen en nada y fusilan a los estudiantes en Tiannamen sin problema alguno. Y así...

-¿Creen que el mejor espíritu del 68 lo encarnaría Carla Bruni?

André: A mí me gustaba Cecilia Sarkozy, sin una gota de sangre francesa en sus venas. Es española, judía y zíngara. Pero a esta ex primera dama hoy en Roma seguro que la quemaban en una pira. Y Carla parece tan poco normal como Cecilia. Incluso participó en manifestaciones contra Sarkozy.
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Para ler a enrevista de Glucksmann pai (um dos chamados novos filósofos que saíram do Maio de 68) e de Glucksmann filho ir até ao ABC.

Quem será?

Estava angustiado. Havia noites que mal dormia. Os dias, passava-os sonâmbulo a matutar no assunto. Se alguém me dizia qualquer coisa, eu sorria com condescendência e lá continuava em secreta meditação. Remoía e tornava a remoer. Olhava para os e outros e descobria em muitos deles as mesmas marcas: noites por dormir, rugas trazidas pela insistente dúvida , o andar nervoso, o espírito inquieto, uma ansiedade que já nada disfarçava. Quem será? Perguntava-me a mim mesmo, naquela conversa que a minha alma comigo entretecia, para me ajudar a passar os dias, a esquecer os trabalhos da dúvida e o desassossego das horas. Quem será? E ouvia, como num eco, o pensamento de milhões como eu: Quem será? De súbito, tudo se iluminou e a vida voltou a ter sentido. O Público, na sua imensa generosidade, tirou-me a mim e a milhões de portugueses da estrénua dúvida ao titular a notícia: “Cristiano Ronaldo vai ser o novo 7 de Portugal”. Obrigado meu Deus, pela tua bondade, obrigado por teres iluminado o Filipão, o nosso amado seleccionador, e o Fernandes que, na sábia direcção do jornal, deixou que viesse até mim a boa-nova. Como poderia descansar se não sabia quem seria o 7 da equipa de todos nós. Esta noite, dormirei descansado.

Robert Musil - O homem sem qualidades - I


Vou dizer-te o que tenho contra ele - repetiu Ulrich. - O homem científico é hoje uma coisa absolutamente inevitável: não se pode deixar de querer saber! E em nenhuma outra época foi tão grande a distância entre a experiência de um especialista e a de um leigo. Qualquer um vê isso quando olha para o que um massagista é capaz de fazer, ou um pianista; ninguém manda hoje um cavalo para as corridas sem uma pre­paração especial. Só no que se refere às questões do que significa ser humano é que toda a gente acha que tem uma palavra a dizer, e há um velho preconceito que diz que nascemos e morremos seres humanos! Mas, embora eu saiba que as mulheres, há cinco mil anos, escreviam aos seus amantes exactamente as mesmas cartas que escrevem hoje, já não posso ler nenhuma dessas cartas sem me perguntar se isso não irá mudar um dia!

Clarisse parecia inclinada a concordar com ele. Já Walter sorria como um faquir que nem pestaneja quando lhe enfiam um alfinete de chapéu de um lado ao outro da cara.

- O que significa provavelmente que, até nova ordem, tu te recusas a ser um ser humano! - objectou.

Mais ou menos isso. Reconheço que suscita uma desagradável sen­sação de diletantismo!

Mas quero dizer-te que tens razão noutra coisa, totalmente dife­rente - acrescentou Ulrich, depois de um instante de reflexão. - Os especialistas nunca dão por acabada a sua especialização. Não só não a concluíram hoje em dia como também são incapazes de conceber um fim para as suas actividades. Talvez até nem o desejem. Será possível, por exemplo, imaginar que o homem ainda terá uma alma no momento em que aprenda a compreendê-la e a tratá-la biológica e psicologicamente? E, apesar disso, aspiramos a esse estado de coisas. É esse o problema. O saber é uma forma de comportamento, uma paixão. No fundo, um comportamento ilícito; porque, tal como a dependência do álcool, do sexo ou da violência, também a compulsão de saber molda um carácter em desequilíbrio. É um erro pensar que o investigador persegue a ver­dade; de facto, é ela que o persegue a ele. É ele que tem de suportá-la. A verdade é verdadeira, o facto é real, sem se preocuparem com ele: ele é que sofre da paixão, da dipsomania dos factos que define o seu carácter, e está-se nas tintas para saber se as suas descobertas levarão a alguma coisa de total, humano, perfeito ou o que quer que seja. É uma natureza contraditória, sofredora e, ao mesmo tempo, incrivelmente enérgica!

- Sim, e depois?

- E depois o quê?

- Não me vais dizer que podemos deixar as coisas tal como estão!
Por mim, deixava-as tal como estão - respondeu Ulrich calma­mente. - A ideia que fazemos do mundo, e de nós próprios, muda a cada dia que passa. Vivemos numa época de transição. E se não enfrentarmos os problemas mais graves que temos pela frente melhor do que fizemos até agora, talvez essa transição se prolongue até ao fim do planeta. Ape­sar disso, se formos lançados para o meio das trevas, de nada nos serve começar a cantar para espantar o medo, como uma criança. Mas é isso que fazemos, cantar por medo, quando fingimos que sabemos como devemos comportar-nos aqui em baixo; podes gritar desalmadamente, que continua a ser apenas medo! Mas uma coisa sei: avançamos a galope! Estamos ainda muito longe dos objectivos, estes não se tornam mais próximos, nós nem sequer os avistamos, ainda vamos perder-nos muitas vezes e muitas vezes teremos de mudar de cavalos. Mas um dia - pode ser depois de amanhã ou daqui a dois mil anos - o horizonte começará a deslizar e precipitar-se-á sobre nós com um rugido avassalador!

Vagarosas silhuetas

Há um sol baço a correr entre nuvens, um rasto de luz que se quebra nos fios de água; do céu caem. Aqui e ali, manchas azuis, um sobejo de primavera, a nespereira carregada de frutos, as rosas desfolhadas pela chuva. As casas são agora vultos cansados, dobrados à garra afiada do tempo, casas sonolentas, pardas de esquecimento. Das janelas entreabertas assomam vagarosas silhuetas, olham aquilo que passa, olham da sua eternidade e abanam levemente a cabeça. Assim julgam, naquela sabedoria infinita que o cansaço traz, o bulício que corre sob a inclemência do tempo. Depois recolhem-se no vácuo negro onde habitam. No horizonte, há um vazio inominável e feroz. Alguém grita. E eu oiço, aqui tão perto, um eco mudo vindo sabe-se lá de onde. A tarde desvanece-se na vagarosa silhueta que em mim de súbito se recolhe.

O pecado metafísico de África

A tragédia do Zimbabué estende-se agora à África do Sul. Os motins, as perseguições, os homicídios parecem ter como causa a presença maciça de naturais do Zimbabué na África do Sul, numa altura de forte depressão económica. É verdade que também cidadãos do Malawi e de Moçambique se encontram entre as vítimas, mas o ódio xenófobo visa principalmente os 3 milhões de cidadãos do Zimbabué que fugiram, para a África do Sul, dos delírios de Robert Mugabe. Aquilo que poderia ter sido uma história feliz, a descolonização da Rodésia (Zimbabué) e o fim do apartheid sul-africano, está em vias de se transformar numa imensa tragédia. Parece que a África está condenada a expiar um qualquer pecado metafísico, do qual, aconteça o que acontecer, ela não se pode livrar.

19/05/08

António Manuel Couto Viana - Vasco da Gama

Fui a Pátria que foi,
Num momento de glória, no mundo deslumbrado
O meu vulto de herói
A descobrir, no mar, um caminho ignorado.

Chamo-me Vasco da Gama,
Almirante da índia, Conde da Vidigueira.
Quem maior que Camões a celebrar-me a fama;
A retratar-me a alma verdadeira?

Hoje, sou uma Torre e uma Ponte.
Elevo-me nos céus e uno margens.
Dono do horizonte,
A mirar-me no rio que consagra as viagens.

Antes assim que ser uma estátua escondida
Sob a ramagem plácida de um parque,
Daqui, meu nome é ainda um encontro da vida
E sirvo de memória ao cais do embarque.

Brad Mehldau Trio - Exit Music


- Brad Mehldau Trio - ''Exit Music
Colocado por mark-krisky

Investimento externo, petróleo e ambiente

Não quero ser de intrigas, mas a coisa está cada vez melhor para o ambiente. Com o investimento externo a cair 50% em 2007 e o petróleo a rondar os 128 dólares, a melhor coisa é o pessoal começar a pensar noutro estilo de vida, um estilo mais ecológico. Por mim, acabei de apagar a luz do candeeiro. Sempre me pareceu que Sócrates lá bem no fundo era um ecologista. Faltava-lhe a oportunidade para ecologizar.

A taxa de disponibilidade

Comecemos por outra coisa. Há uma companhia de telefone que, escorada numa certa tradição, mantém a cobrança da assinatura mensal. Perante a bondade da empresa em me facturar pela minha própria assinatura, decidi-me por outro operador, onde a assinatura não é paga. O governo, que por vezes se engana, decidiu defender os cidadãos e proibiu a aplicação de taxas aos contadores para os serviços públicos essenciais, entre eles a água. Os municípios, sempre muito criativos, decidiram então que cobrarão uma taxa de disponibilidade. É por isso que eu sendo, in abstacto, um defensor da regionalização, dispenso uma nova autarquia com mais uma quantidade de autarcas cheios de imaginação. Já chega de tanta e tão rotunda criatividade.

A rememoração do viandante

Começam a emudecer as ruas como se o silêncio viesse envolto pelo véu da noite. Ao longe, vejo ainda a mancha branca de povoados dispersos, restos de um tempo onde os homens viviam presos à terra. Agora que todos se libertaram, fica ali aquele casario como um sinal propiciatória, um lugar para a rememoração que o viandante sempre faz. As ruas, porém, estão juncadas pelo verde que a incerta primavera trouxe sobre as árvores, mas já não se chamam ruas às ruas onde vivo. Tudo agora são avenidas e nelas há gente e néons e uma pressa infinita. Por vezes, oiço o buzinar de um automóvel e penso no sino da minha aldeia, naqueles tempos em que quase não havia carros e as trindades anunciavam o silêncio da noite. Assim embalado, deixo vogar os olhos sobre a linha do horizonte para os poisar nos pássaros negros que em círculos imaginam na cidade a vida dos montes.

O PSD, as virtudes da pátria e a adesão à molhada

O PSD é um espelho das virtudes da pátria, da democracia lusitana e dessa coisa pardacenta e inominável a que se dá o nome de vida partidária. Segundo notícia do Público, o PSD está com uma enorme capacidade de penetração nos bairros sociais, como o da Boavista, em Lisboa. Só num apartamento de tipo T1, estão registados 11 militantes. É o que se chama adesão à molhada. Estes casos estão a multiplicar-se. Também expressivo do ethos que percorre o mais português partido de Portugal é o registo de domínios internacionais (.com, .net, .info) na Internet com nomes dos candidatos sem conhecimento destes e com o objectivo ou de fazer negócio ou de inviabilizar o uso daqueles domínios pelos próprios candidatos. Imaginemos agora esta ética irrepreensível transportada para as eleições nacionais. Enfim, chapeladas há muitos seus palermas e a demolição da democracia é levada a cabo por aqueles que vivem dela.

18/05/08

António Manuel Couto Viana - Momento Musical I

Oiço o gregoriano
Nos lábios infantis.
Qual o ouvido humano
Que seja mais feliz?

O ritual romano,
D’alva e sobrepeliz,
Oficia, soberano,
Na festa da raiz.

E a língua do divino,
Solene e encantatória,
Soa a bronze de sino,

Saúda paz e glória
E é púlpito do ensino
Da alma e da memória.

Bebo Valdes & Diego El Cigala - Lagrimas negras

A grande música aqui no A Ver o Mundo. Tenho um CD extraodinário deste duo, comprado em Sevilha, julgo. De súbito, veio-me uma imensa saudade dessa Sevilha de toreros, de paixões clubísticas ardentes - o Bétis e o Sevilha -, do Bairro de Santa Cruz, de uma fritada numa tasca popular da Triana, das procissões que passam, das mulher lindíssimas e dos tablados onde se dança ainda um flamenco autêntico. Se não me esquecer da promessa, voltarei a este duo e ao flamenco.

Bebo Valdes & Diego El Cigala - Lagrimas negras
Colocado por hijodelaluna

Maio de 68 - 02 Aceleração e informalismo

Se se olhar para a cronologia que Le Magazine Littéraire (Hors-série nº 13) publica, a propósito dos acontecimentos do denominado Maio de 68, cronologia que vai desde a constituição da chamada Quinta República, com De Gaulle na Presidência, até a 1976, quando Michel Foucault publica o primeiro volume da sua Histoire de la Sexualité, descobrimos dois “pequenos” acontecimentos que irão ter um enorme peso na contestação que irá surgir na Primavera de 68.

O primeiro acontecimento dá-se em 20 de Março de 1967. Os alunos de Nanterres introduzem-se na residência universitária reservada às alunas e são expulsos pelas forças da ordem. Note-se que o conflito emerge em torno daquilo a que Pedro Mexia chama o direito de visita. Vale a pena olhar para este acontecimento, não por ele ter detonado os acontecimentos que tiveram o seu esplendor no ano seguinte, mas pelo facto de representar um daqueles instantes em que a fronteira entre dois mundos aparece de uma forma nítida.

A moral burguesa que enviou as forças da ordem e a moral não menos burguesa que reivindicava o direito de visita e, presume-se, o direito a ser visitada entraram naquele instante em colisão. Aquilo que comandava as forças da ordem era um mundo moral que estava moribundo e assentava num conjunto regras que iriam desabar em muito pouco tempo.

O interessante neste caso de afrontamento entre dois mundos morais é, porém, o facto de o próprio poder político estar absolutamente dividido. Não me refiro aqui a hipotéticas divisões no seio governamental, mas a uma divisão que perpassa no seio das opções políticas referentes a assuntos que tenham incidência moral. A repressão dos estudantes que querem visitar as suas colegas, por um lado, e a publicação, meses mais tarde, a 28 de Dezembro de 1967, da lei Neuwirth, a qual autoriza a venda de medicamentos contraceptivos. Se a lei é publicada no final de 1967 é porque o debate sobre ela já é bastante mais antigo.

A reivindicação do direito de visita só se torna possível num mundo onde se prevê a «emancipação» da sexualidade relativamente à reprodução. Neste mundo, a divisão protectora dos sexos deixa de fazer sentido, pois deixa de haver o que proteger. Aquilo que para as novas gerações de então era claro tinha sido preparado pelo próprio poder e no seio do próprio poder. O que a contestação estudantil fez foi apenas acelerar um processo que decorria de uma forma mais lenta e formal. Aquilo que se revela na conjugação destes dados está muito longe de mostrar o Maio de 68 como um movimento de transformação das relações sociais de produção, mas mostra-o como uma continuação de uma metamorfose moral que estava a ocorrer já na esfera burguesa do poder. O que o Maio de 68 então traz pode ser definido por dois conceitos: aceleração e informalização. As transformações na moralidade, nomeadamente na moral sexual, tornam-se então cada vez mais rápidas e mais informais.

O entardecer de domingo

Tardes de domingo. São sonolentas e sombrias essas tardes onde tudo desliza para o amanhã que aí vem. Ao domingo, o tempo acaba ao fim do almoço. Depois é um penoso calvário onde o espírito deambula sem fim ou meta à vista. Há quem vá matar o tempo aqui e ali, mas o tempo já está morto, pois é domingo à tarde. Deixo-me dormitar e ando sonâmbulo pelos mundos que perpassam em mim, promessas nunca cumpridas de milhões de coisas a fazer. Reclino-me na cadeira e flutuo enquanto oiço os ruídos da casa, também eles flutuantes e desesperados pela luz que aos domingos sempre há. Se agora me levantasse e saísse, morreria às mãos dessa secreta atmosfera que, seja Inverno ou Verão, um deus maldoso desenhou para o entardecer de domingo. Ao longe, oiço um cão a latir. Tremo e um pavor de cinza cobre-me o coração. Quem virá? Apenas o dia declina, como se uma sombra quisesse esconder de mim a tarde de domingo que ainda há.

Menezes e as previsões eleitorais no PSD

Luís Filipe Menezes, em entrevista ao JN de hoje, refere que, por aquilo que ele conhece do PSD, Manuela Ferreira Leite poderá ficar, nas próximas eleições internas, em terceiro lugar. Muito bem. Mas isso dirá mais do estado de decadência a que o PSD chegou do que sobre Manuela Ferreira Leite. Informação, aliás, redundante, pois um partido que se entusiasmava com os discursos bacocos de Santana Lopes nos congressos, que o aceitou como primeiro-ministro sem pestanejar e que, por fim, elegeu para a presidência o próprio Menezes, só pode ser um partido absolutamente doente.