13/06/07

Sulcos


12/06/07

Carlos de Oliveira, Gândara IV

Ao lume da estrumeira
lagos esverdeados.
Passam os meninos a tarde inteira
a olhar os lagos encantados.

Os vermes que apodrecem
aconchegando-nos nas mãos avaras:
os dedos dos meninos enegrecem,
os lagos ficam mais claros.

Já esqueceram a lagoa e a maneira
de atirar pedras às águas calmas como um manto.
Enfeitiçados, os lagos da estrumeira
trazem-nos naquele encanto.

Carlos de Oliveira, Turismo

Pessoal e talvez transmissível

Quem são estes bravos rapazes? O eventual leitor que me perdoe, mas um blogue também serve para coisas destas. Estes bravos eram um conjunto de rapazes de Meia Via, a aldeia onde nasci, no dia em que inauguraram o campo de futebol da terra, faz hoje 57 anos. O que me liga a este acontecimento e a esta data? Na fila de cima, o quarto a contar da esquerda é meu pai. Nunca o vi jogar, nem aos outros, exceptuando o Lecas, mas o meu gosto pelo futebol herdei-o dele, bem como os meus amores clubísticos: Benfica, CD Torres Novas, de que ele foi dirigente, e CD Operário Meiaviense, de que ele foi um dos fundadores e presidente. Há coisas que se recebem com uma doação ou como se viessem nos genes. Mas hoje, 12 de Junho, seria ainda o 52.º aniversário de casamento de meus pais. Se ele ainda por cá estivesse e pudesse falar comigo, frente a frente, agora estaria ao pé dele, e trocaríamos umas ideias sobre o Benfica, ou sobre política, ou sobre coisas de família. Assim, falo eu e talvez ele, do lugar para onde a morte o levou, me escute…

Não me levar a sério

A única coisa positiva que tirava daquela forma de viver era o que ia aprendendo nos cursos da universidade. Possivelmente não me valeria de nada para viver no mundo, mas ao menos ajudava-me a entendê-lo. Pode-se estar no mundo metido nele, comprometido com ele: o que tem uma família, o que luta pelo seu trabalho, o que tenta modificá-lo; mas há outro modo de estar: situar-se de fora, contemplá-lo e fazer uma ideia do que se passa. Esta ideia não tem por que ser certa, basta que o pareça. Se se tiver talen­to, acaba-se por se ser filósofo, das muitas maneiras que a realidade oferece a es­te exercício; se não se tiver, tanto faz, porque a ninguém interessa nem ninguém o impede de ter ilusões. Há-os que escrevem as suas reflexões em jornais e revis­tas, letra morta que se esquece. Se o fazem em verso, e o verso é bom, podem durar um pouco mais. De uns e de outros conheci vários exemplares. Mostravam o seu poema ou o seu artigo como solução do mundo e seguiam pelas ruas como iluminados: uma luz que só eles viam. Eu tinha sobre muitos a vantagem de não me levar a sério, de considerar as minhas ideias como erros ou meras fantasias sem consistência, sem nunca esperar que acertassem em cheio. Nos meus estudos literários tinha aprendido o que é uma função: as minhas ideias cumpriam a sua, que não era a de me enganar a mim próprio porque nem mesmo isso me era da­do, o enganar-me.

Gonzalo Torrente Ballester, Filomeno para meu pesar, Publicações Dom Quixote

Caricatura de Ballester: www.gonzalotorrenteballester.com/obra.html

Os socialistas e a liberdade

O recente desaguisado entre o Ministério da Educação (ME) e a Associação de Professores de Matemática, no qual esta Associação foi convidada a sair de uma parceria como ME por ter criticado, com razão, diga-se, a senhora ministra, a socióloga Lurdes Rodrigues, é mais um exemplo da difícil relação que a actual geração de dirigentes socialistas tem com a liberdade. Contrariamente à geração de Soares, Alegre e Zenha, ou a posterior, a de Sampaio, esta tem um desprezo olímpico pela liberdade de opinião e de crítica.

Na educação, então isso é notório há muito. Toda a estrutura escolar que começou a ser criada no tempo do Eng.º Guterres e do Eng.º Grilo, julgo que ambos pertencem à Ordem, estava pensada para tornar a escola num universo burocrático de perseguição aos professores. Como se sabe, devido à desistência do primeiro dos engenheiros, aliás de ambos, houve um interregno. Tendo os regentes fugido ou sido despedidos, o projecto concentracionário voltou pelas mãos de mais um Eng.º, embora não da Ordem, e de uma socióloga, parece que doutorada com uma tese sobre a profissão dos engenheiros, acolitada por um sociólogo e um homem de uma ESE (Escola Superior de Educação).

De projecto de engenharia em projecto de engenharia, os socialistas conseguiram já alienar o honroso e, em tempos, merecido título de guardiães da liberdade. Lentamente, os portugueses estão a descobri-los como inimigos firmes dessa mesma liberdade. O caso Charrua não foi um acaso, é a essência da coisa.

Aeroporto, aeroporto...

Episódios aeroportuários – 1

O senhor Van Zeller, prestimoso dirigente da CIP, tem um estudo sobre a possibilidade do novo aeroporto de Lisboa ser feito na zona de Alcochete. Quem pagou o estudo?, perguntaram. Ah, isso nunca se irá saber, respondeu. Como pode um estudo, que ninguém sabe quem pagou, comover um Presidente da República e demover um primeiro-ministro, da mesma República, nem que seja por seis meses?

Episódios aeroportuários – 2

Parece também que o senhor Van Zeller mantinha o engenheiro que nos governa, e que não pertence à ordem, informado, já há uns meses, do curso do estudo e que este confiara, talvez em segredo, ao influente cidadão Van Zeller a sua expectativa.

Será que o engenheiro que nos governa terá informado o outro, aquele que é da ordem, da sua expectativa? Ou tê-lo-á deixado brincar aos desertos e às otas como quem brinca aos engenheiros inscritos na ordem?

Episódios aeroportuários – 3

Agora quem atura os autarcas e as forças vivas do Oeste e Ribatejo? Haverá por aí algum beduíno?

E amanhã, caso a Ota seja mantida, quem aturará os autarcas e as forças vivas da península de Setúbal?

Episódios aeroportuários – 4

Não percebo nada de aeroportos. Como cidadão a minha opinião sobre o assunto é nula. Há uma coisa, porém, que eu sei: entre toda a gente que fala sobre o assunto, há uma voz que me merece o maior respeito académico, científico e cívico: o geógrafo Jorge Gaspar, coordenador do Programa Nacional de Política de Ordenamento do Território. Escutem-se os geógrafos, não apenas Jorge Gaspar, mas outros que trabalham no ordenamento do nosso desordenado território. Se tivessem sido ouvidos, muitas barbaridades teriam sido evitadas. Confesso também aqui uma parcialidade: considero a Geografia uma das áreas científicas mais importantes, apesar de ter vindo a ser tratada aos pontapés.

Opinião de Jorge Gaspar, consulte-se notícia do Público online:
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1296586
Foto da zona de Alcochete: Diário de Notícias www.dnoticias.pt/Default.aspx?file_id=dn01013...
Imagem do Aeroporto da Ota: Blogue António Maria oam.risco.pt/2005/10/aeroportos-2.html

Fugas

11/06/07

Algumas Dádivas - 9. Terra e Mar

A terra e o mar,
percorro em suspeita investigação.

E logo me chega o mundo em ardente gestação.

[Micropoemas, "Algumas Dádivas"]

Algumas Dádivas

Com “Terra e Mar” acaba hoje a publicação do primeiro ciclo de Micropoemas, “Algumas Dádivas”. Durante os próximos sete dias, far-se-á uma viagem pela poesia de um grande escritor português, Carlos de Oliveira. Depois, retornarão os micropoemas, com um segundo ciclo.

Foto de Carlos Oliveira: http://www.universal.pt/scripts/hlp/mm/FHLP10_z.JPG



O estado, a política esquizóide e a justa medida

Visitar blogues é uma tarefa curiosa. Deixa compreender a esquizofrenia da sociedade portuguesa. Por exemplo, os blogues dos liberais – existem em força na blogosfera – são uma cartilha intervencionista nas coisas dos costumes e das liberdades individuais. O estado só é inimigo quando intervém para regular a economia. Já os blogues dos adeptos da regulação da economia pelo estado são um paraíso liberal nos costumes. Esta forma de existência esquizóide não é nova. Ela encontra-se há muito espalhada pelo mundo ocidental e marca, mais ou menos, a cisão constitutiva da esfera política moderna: esquerda/direita. Eu sei que hoje está na moda falar também na oposição aberto/fechado, mas isso não passa de moda linguística. Amanhã estará esquecida, terá passado de moda.

O problema principal é que a modernidade política, pós-Maquiavel e talvez pela superior lição deste, nunca percebeu o estado. Os liberais vêem nele um inimigo da sociedade civil, embora sirva para defender os costumes que eles advogam. A esquerda, se não se converteu ao liberalismo, vê o estado, a partir da lição marxiana, como aquilo que há a ultrapassar na sociedade perfeita, o comunismo ou qualquer outra utopia.

Mas o Estado é mais do que tudo isso. É, na visão clássica de Hannah Arendt, a comunidade organizada para tomar decisões. Sem Estado não há sociedade civil, nem indivíduos, nem liberdade, nem segurança, nem vida, nem humanidade. A querela liberal-marxiana sobre o estado anima a vida política, mas assenta na ocultação da dialéctica comunidade-indivíduo-sociedade-estado. Os quatro membros desta dialéctica são solidários na sua existência: a falta de um arrasta o fim dos outros. A excelência é encontrar a «justa medida», o equilíbrio entre estes elementos, não deixar que uns dissolvam os outros.

Como tratar a esquizofrenia moderna? Voltar a Platão e a Aristóteles, voltar aos medievais, estudar Grécia e Roma, mas também o mundo político medieval. A Europa, a da UE, tal como a chegámos a conhecer foi uma das tentativas mais interessantes deste equilíbrio, desta justa medida, enquanto resistia ao marxismo de leste e ao liberalismo vindo do mundo anglo-saxónico. Hoje, porém, deixou-se arrastar e perdeu a arte da mesotes (meio termo), sintoma político da justa medida moral.

Talvez o fundamental seja retomar a relação entre moral e política, posto em causa por Maquiavel. A política como um puro jogo de forças, a política amoral, corrói as nossas sociedades democráticas, roubando-lhes a substância que faz delas algo de preferível a outro tipo de sociedades.

Império colonial

10/06/07

Algumas Dádivas - 8. Corpo

Corpo,
lago imenso e forte.

Da mulher, a orografia, o incêndio e a morte.

[Micropoemas, "Algumas Dádivas"]

Escravatura, o admirável mundo novo

Transcrevo do DN de hoje:

«Os portugueses e os polacos são os novos escravos da Holanda. Há também turcos, mas estes protegem-se mais. A classificação só pode parecer excessiva a quem não viveu nas condições destes emigrantes. O problema não é a dureza do trabalho - às vezes mais de dez horas em pé num espaço de 50 cm de uma fábrica e de madrugada ou numa estufa com um calor insuportável, estar sempre a ouvir snel, snel (rápido), não poder descansar ou ir à casa de banho fora das pausas e ter um chefe com os olhos fixos no que fazemos. O problema é saber que esse trabalho não está garantido. É estar disponível 24 horas por dia, seis dias por semana. É dormir com o telemóvel à cabeceira e acordar com o sobressalto de que nesse dia fica em casa. E se tiver a sorte de ir trabalhar, pode ser apenas por quatro/quatro horas e meia/cinco horas. E também pode acontecer estar de folga e ser chamado porque há mais trabalho que o previsto. É levantar-se às quatro da manhã para estar pronto às 04.45 para o carro da empresa o levar ao local de trabalho e o condutor não aparecer. O problema é estar permanentemente a mudar de casa. É nunca saber quem irá dormir no seu quarto, no sofá ou, até, na sua cama. É não ter privacidade. Em resumo: não ter vida própria.» Ver aqui:
http://dn.sapo.pt/2007/06/10/tema/portugueses_alimentam_nova_escravatu.html

Sobre tudo isto:

Eis a lógica da desregulamentação do mercado de trabalho: o que se visa é o trabalho escravo, que é inerente à lógica das sociedades modernas, aliás como muito bem viu, já no século XIX, Nietzsche. Ver mais abaixo post sobre o assunto:

Mas esta escravatura não é um episódio deslocado do contexto. Ela está no cerne de toda a vida social. Das palavras citadas, as finais dizem a essência do que se passa: “não ter vida própria”. Ora esta desapropriação da vida, para além da retórica sobre o privado e a defesa do privado, é a ideologia que subjaz à cultura televisiva que pulula por todo o Ocidente. No mundo como o nosso, não existe o «indivíduo», existem indivíduos que, não tendo rosto, nem nome, mas grandes contas bancárias, e interesses, legais, claro, destroem a possibilidade de outros terem também a sua individualidade, isto é, vida própria. Veja-se a televisão, os “media” em geral, mas também a forma como os indivíduos começam a ser a tratados nas instituições. Veja-se o caso da saúde ou da educação em Portugal. Neste aspecto, Portugal está na vanguarda. É uma tristeza ter nascido em Portugal, eis o que significa o 10 de Junho.

Imagem: Abelardo da Hora. Ver em:

Traços de sangue

07/06/07

Algumas Dádivas - 7. Dia

Do dia,
a mais pura aurora.

E na noite, a mão pelo desejo fora.

[Micropoemas, "Algumas Dádivas"]

O economista

O economista disse-me, depois de considerar suficiente a minha informação, que lesse estes e aqueles livros. Fi-lo, e o salto da literatura para a economia teórica foi intimamente espectacular; e isso que não eram mais do que livros de divulgação! Rapidamente comecei a navegar num mar de nomes ou siglas, de números, de relatórios sucintos, de previsões. Não só era uma lingua nova, como uma nova sintaxe, onde se usavam as palavras com significados muito precisos, sem ambiguidades, das quais o sentido de humor parecia ausente. Não levei muito tempo a concluir que nada havia mais enfado­nhamente sério do que a economia, nada mais racional e rigoroso. As vezes apa­recia-me como uma cadeia interminável de números, e outras com a forma quase geométrica de uma rede que abarcasse o mundo inteiro, talvez que o oprimisse, se bem que não com a mesma força em todos os lugares. Naquele mundo, a úni­ca realidade era o dinheiro, que se movia, crescia ou minguava segundo as suas próprias leis, sem que nada humano interviesse neste ir e vir, crescer e decrescer. Uma vez em que disse ao meu economista que o desemprego era um factor hu­mano, ele respondeu-me que, naquele mundo, o desemprego não existia senão sob a forma de subsídio, isto é, não fome e dor, mas sim mais números no cálculo geral. A realidade, segundo aquele homem me descrevia, era como se o mundo, por debaixo da sua multiplicidade infinita de acontecimentos, se movesse de acordo com um só e único argumento. Também me deu a entender que, por baixo dos governos, ou por cima, mas sempre com independência, o mundo era con­duzido por umas quantas pessoas, na City ou em Wall Street.

Gonzalo Torrente Ballester, Filomeno para meu pesar, Publicações Dom Quixote

Estado social português: um exemplo

Hoje encontrei uma professora, minha amiga, à saída de uma farmácia. Tinha gasto, contou, cerca de 500 euros, só à sua conta, com a medicação que precisa de tomar no próximo mês e a fisioterapia a realizar. Está cancerosa. O prémio de dezenas de anos de dedicação à escola e aos alunos foi, depois de descoberta a doença, que doença, e passado um mês de atestado médico, cortarem-lhe um sexto do vencimento.

Eu sei que é para todos, mas nestes casos há qualquer coisa de absolutamente revoltante e de ignóbil. E a revolta perante casos destes, seja qual for o tipo de profissional em causa, público ou privado, resulta da consciência de que a governação das instituições foi durante muitos e muitos anos de uma absoluta irresponsabilidade. Quem paga, porém, não são os irresponsáveis, mas a imensa maioria dos governados.

O poder é o lugar por excelência do mal e muitas vezes do mal absoluto, mesmo que este não pareça tão absoluto quanto é. O véu da inimputabilidade talvez seja uma necessidade, mas permite, com o fim da ética do serviço público, a mais desenfreada irresponsabilidade das elites políticas. E um desprezo infinito pela dor dos outros. É a economia, estúpido, dirá um qualquer secretário-de-estado.

Sangue novo

Há dias, para fugir ao mundo dos professores, fui jantar a um restaurante de uma vila vizinha, onde não conheço ninguém. Espaço acolhedor, comida óptima. Como fui cedo, a sala estava vazia. Mais tarde as mesas que rodeavam a minha foram ocupadas. Por quem? Não conhecia, mas pelas conversas que, sem querer, fui ouvindo, descobri que eram professores, melhor professoras. Enfim, daí não viria mal ao mundo. A dado momento, oiço claramente o seguinte: «o que as escolas precisam é de sangue novo, de professores novos.» Olho para a senhora que proferiu a frase e sinto uma náusea, a excelente corvina ‘revolveu-se-me’ no estômago.

As escolas precisam de sangue novo? Eu pensava que as escolas precisavam de bons professores, velhos, novos, de meia-idade, mas professores com sólida formação científica, com capacidade de estar perante os alunos, indivíduos que se pudessem constituir como exemplos e modelos. Indivíduos que gostassem de ensinar e que gostassem de estudar, que amassem a Literatura, as Ciências, a Matemática, a História, a Filosofia, de indivíduos que tivessem um mundo, que fossem cultos. É destes professores que os alunos precisam. Novos? Tanto faz. Precisava também de outras coisas, como um Ministério da Educação que não perseguisse os professores e não os humilhasse, não os obrigasse a fazer coisas sem sentido. Precisaria também de pais que interferissem não na escola, mas em casa para educar e disciplinar os seus filhos.

Aquela senhora, cuja idade deveria aproximar-se da minha e que já há muito terá deixado de ter «sangue novo», é o símbolo da irrelevância de pensamento existente na educação. A novidade pela novidade, como se isso fosse bom. Mas este tipo de discurso esconde a concepção de escola dominante, aquela que tem levado o caos ao ensino. O «sangue novo» pretendido não é de gente com conhecimento e saber, mas antes de gente mais “aberta” às “inovações”, àquelas que têm vindo a desestruturar o sistema educativo.

De «sangue novo» em «sangue novo» conseguimos transformar uma escola sofrível numa escola péssima. É provável que aquela senhora seja uma das raras admiradoras da socióloga Maria de Lurdes Rodrigues, quem sabe. Quando os próprios professores já interiorizaram o discurso dos algozes, a coisa está definitivamente perdida.

Alma dilacerada


06/06/07

Algumas Dádivas - 6. Manhã

Ao visco da manhã,
cintila o clamor da jornada.

Frágil, a flor ao vento lançada.

[Micropoemas, "Algumas Dádivas"]