Sulcos
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A verdade é um erro exilado na eternidade. (Cioran)
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Marcadores: Fotografia
Ao lume da estrumeira
lagos esverdeados.
Passam os meninos a tarde inteira
a olhar os lagos encantados.
Os vermes que apodrecem
aconchegando-nos nas mãos avaras:
os dedos dos meninos enegrecem,
os lagos ficam mais claros.
Já esqueceram a lagoa e a maneira
de atirar pedras às águas calmas como um manto.
Enfeitiçados, os lagos da estrumeira
trazem-nos naquele encanto.
Carlos de Oliveira, Turismo
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Quem são estes bravos rapazes? O eventual leitor que me perdoe, mas um blogue também serve para coisas destas. Estes bravos eram um conjunto de rapazes de Meia Via, a aldeia onde nasci, no dia em que inauguraram o campo de futebol da terra, faz hoje 57 anos. O que me liga a este acontecimento e a esta data? Na fila de cima, o quarto a contar da esquerda é meu pai. Nunca o vi jogar, nem aos outros, exceptuando o Lecas, mas o meu gosto pelo futebol herdei-o dele, bem como os meus amores clubísticos: Benfica, CD Torres Novas, de que ele foi dirigente, e CD Operário Meiaviense, de que ele foi um dos fundadores e presidente. Há coisas que se recebem com uma doação ou como se viessem nos genes. Mas hoje, 12 de Junho, seria ainda o 52.º aniversário de casamento de meus pais. Se ele ainda por cá estivesse e pudesse falar comigo, frente a frente, agora estaria ao pé dele, e trocaríamos umas ideias sobre o Benfica, ou sobre política, ou sobre coisas de família. Assim, falo eu e talvez ele, do lugar para onde a morte o levou, me escute…
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A única coisa positiva que tirava daquela forma de viver era o que ia aprendendo nos cursos da universidade. Possivelmente não me valeria de nada para viver no mundo, mas ao menos ajudava-me a entendê-lo. Pode-se estar no mundo metido nele, comprometido com ele: o que tem uma família, o que luta pelo seu trabalho, o que tenta modificá-lo; mas há outro modo de estar: situar-se de fora, contemplá-lo e fazer uma ideia do que se passa. Esta ideia não tem por que ser certa, basta que o pareça. Se se tiver talento, acaba-se por se ser filósofo, das muitas maneiras que a realidade oferece a este exercício; se não se tiver, tanto faz, porque a ninguém interessa nem ninguém o impede de ter ilusões. Há-os que escrevem as suas reflexões em jornais e revistas, letra morta que se esquece. Se o fazem em verso, e o verso é bom, podem durar um pouco mais. De uns e de outros conheci vários exemplares. Mostravam o seu poema ou o seu artigo como solução do mundo e seguiam pelas ruas como iluminados: uma luz que só eles viam. Eu tinha sobre muitos a vantagem de não me levar a sério, de considerar as minhas ideias como erros ou meras fantasias sem consistência, sem nunca esperar que acertassem em cheio. Nos meus estudos literários tinha aprendido o que é uma função: as minhas ideias cumpriam a sua, que não era a de me enganar a mim próprio porque nem mesmo isso me era dado, o enganar-me.
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Marcadores: Política
Episódios aeroportuários – 1
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A terra e o mar,
percorro em suspeita investigação.
E logo me chega o mundo em ardente gestação.
[Micropoemas, "Algumas Dádivas"]
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Com “Terra e Mar” acaba hoje a publicação do primeiro ciclo de Micropoemas, “Algumas Dádivas”. Durante os próximos sete dias, far-se-á uma viagem pela poesia de um grande escritor português, Carlos de Oliveira. Depois, retornarão os micropoemas, com um segundo ciclo.
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Corpo,
lago imenso e forte.
Da mulher, a orografia, o incêndio e a morte.
[Micropoemas, "Algumas Dádivas"]
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Transcrevo do DN de hoje:
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Do dia,
a mais pura aurora.
E na noite, a mão pelo desejo fora.
[Micropoemas, "Algumas Dádivas"]
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O economista disse-me, depois de considerar suficiente a minha informação, que lesse estes e aqueles livros. Fi-lo, e o salto da literatura para a economia teórica foi intimamente espectacular; e isso que não eram mais do que livros de divulgação! Rapidamente comecei a navegar num mar de nomes ou siglas, de números, de relatórios sucintos, de previsões. Não só era uma lingua nova, como uma nova sintaxe, onde se usavam as palavras com significados muito precisos, sem ambiguidades, das quais o sentido de humor parecia ausente. Não levei muito tempo a concluir que nada havia mais enfadonhamente sério do que a economia, nada mais racional e rigoroso. As vezes aparecia-me como uma cadeia interminável de números, e outras com a forma quase geométrica de uma rede que abarcasse o mundo inteiro, talvez que o oprimisse, se bem que não com a mesma força em todos os lugares. Naquele mundo, a única realidade era o dinheiro, que se movia, crescia ou minguava segundo as suas próprias leis, sem que nada humano interviesse neste ir e vir, crescer e decrescer. Uma vez em que disse ao meu economista que o desemprego era um factor humano, ele respondeu-me que, naquele mundo, o desemprego não existia senão sob a forma de subsídio, isto é, não fome e dor, mas sim mais números no cálculo geral. A realidade, segundo aquele homem me descrevia, era como se o mundo, por debaixo da sua multiplicidade infinita de acontecimentos, se movesse de acordo com um só e único argumento. Também me deu a entender que, por baixo dos governos, ou por cima, mas sempre com independência, o mundo era conduzido por umas quantas pessoas, na City ou em Wall Street.
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Ao visco da manhã,
cintila o clamor da jornada.
Frágil, a flor ao vento lançada.
[Micropoemas, "Algumas Dádivas"]
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