Rugas
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A verdade é um erro exilado na eternidade. (Cioran)
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A gôndola que fogo te penetra
que por dentro canais vai descobrindo
Até quando seremos os serenos
amantes que do fogo tudo aprendem
destroços que do fogo tudo esquecem
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César morreu com cinquenta e seis anos, tendo sobrevivido apenas quatro anos a Pompeu. Esta dominação, este poder soberano que ele não deixou de perseguir através de mil perigos, e que obteve com tanta dor, apenas lhe acarretou um título vão e uma glória frágil, que atraíram o ódio dos seus concidadãos. [Plutarco, Vida de César, LXXV]
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não são muitos, são muito poucos, os poetas
que inventam a poesia portuguesa
como radical abalo do mundo, ou metáfora
a estremecer que o refigura, ou como
crispação do destino e subversão,
no risco visceral da sua própria vida.
assim, e porque toda a liberdade reenvia
ao necessário exílio, eles atrevem-se
a atravessar sem rede o vão por sobre o abismo:
prendem-se a quanto é neles explosão, remorso,
erros, desequilíbrios, amores, visões, enganos,
nuvens de forma humana. pela palavra queimam
contradições passadas e presentes, peregrinam
em sarça que arde, enovelada, a fogo escuro,
iluminando a fronteira dúplice: os reflexos intermitentes
entre os vultos amalgamados de uma greda pobre
e uma sua imagem a lo divino feita;
não são muitos os que enfrentam o real,
retesando a percepção no meio dos salgueiros,
em desapego crepuscular dos instrumentos bíblicos:
flautas e cítaras sobre a terra tão áspera,
que tocam e rejeitam e rejeitam e tocam,
entre a decepção e o declive, no fio bambo
sobre os rios que vão por babilónia.
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O projecto da Modernidade funda-se, por conseguinte, — o que ainda nunca foi claramente enunciado — numa utopia cinética: todo o movimento do mundo deve passar a ser realização do plano que nós temos dele. Os nossos próprios movimentos vitais passam a ser, progressivamente, idênticos ao próprio movimento do mundo; o processo mundial, no seu todo, coincide progressivamente com a nossa manifestação de vida; as coisas acontecem conforme se pensa, porque aquilo que acontece cada vez mais se realiza por nós o fazermos. Seria demasiado pouco dizermos que a Modernidade prometeu ser ela própria, doravante, a fazer a história humana. No seu núcleo ardente, ela não quer apenas fazer história, mas também Natureza. Enquanto este século duro se aproxima do seu fim, vai-se espalhando a noção de que a história a fazer era um pretexto. O tema decisivo dos tempos modernos é a Natureza que há a fazer.
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Pelo secreto e espesso bosque da penumbra
que dolorosas viagens as indefesas figuras realizam
que terríveis segredos lhes revelam
pois se quedam assim emudecidas
e que brandura os líquenes adivinham
para crescer nelas e não em nós
Não te posso hoje dar nenhuma certeza
e se soprar o vento neste jardim de Villa Borghese
quem sabe talvez tudo voe
E destes nomes só um resíduo
uma réstia de alegria permaneça
a iluminar toda a vida
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Timbórica, morfia, ó persefessa
meláina, andrófona, repitimbídia,
ó basilissa, ó scótia, masturlídia,
amata cíprea, calipígea, tressa
de jardinatas nigras, pasifessa,
luni-rosácea lambidando erídia,
erímea, erítia, erótia, erãnia, egídia,
eurínoma, ambológera, donlessa.
Ares, Hefáistos, Adonísio, tutos
alipigmaios atilícios, futos
da lívia damitada, organissanta,
agonimais se esgorem morituros,
necrotentavos de escancárias duros,
tantisqua abradimembra a teia canta.
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Dentro de meu pensamento
há tanta contrariedade
que sento contra o que sento
vontade e contra vontade.
Estou em tanto desvairo.
que não me entendo comigo.
Donde esperarei repairo?
que vejo grande o perigo
e muito mor o contrairo.
Quem me trouxe a esta terra
alheia, onde guardada
me estava tamanha guerra.
e a esperança levada?
Comigo me estou espantando
como em tão pouco me dei;
mas cuidando nisto estando.
os olhos com que outrem olhei
de mim se estavam vingando.
[Écloga de Jano e Franco – extracto]
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Sempre o futuro, sempre! e o presente
Nunca! Que seja esta hora em que se existe
De incerteza e de dor sempre a mais triste,
E só farte o desejo um bem ausente!
Ai! que importa o futuro, se inclemente
Essa hora, em que a esperança nos consiste,
Chega… é presente… e só à dor assiste?...
Assim, qual é a esperança que não mente?
Desventura ou delírio?... O que procuro,
Se me foge, é miragem enganosa,
Se me espera, pior, espectro impuro…
Assim a vida passa vagarosa:
O presente, a aspirar sempre ao futuro:
O futuro, uma sombra mentirosa.
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Comigo me desavim,
Sou posto em todo o perigo;
Não posso viver comigo
Nem posso fugir de mim.
Com dor da gente fugia,
Antes que esta assi crecesse:
Agora já fugiria
De mim, se de mim pudesse.
Que meio espero ou que fim
Do vão trabalho que sigo,
Pois que trago a mim comigo
Tamanho imigo de mim?
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Para concluir a música em tempo de Páscoa propõem-se, de novo, duas obras.A segunda proposta parece nada ter a ver com a Páscoa. É ópera de Mozart, A Flauta Mágica, filmada por Ingmar Bergman. Se
esta obra apresenta marcados caracteres maçónicos e iluministas, não deixa, no entanto, de ser possível aproximá-la da Páscoa cristã. O que na ópera está em jogo é a iniciação do herói, Tamino, à sabedoria. Esta iniciação, na leitura de Bergman, passa pela experiência simbólica da morte em imagens que remetem tanto para o Inferno, de Dante, como para o mito de Orfeu. Ao vencer a morte, o herói acede à vida verdadeira, à luz da sabedoria. Toda a temática é analogável à paixão do Cristo.
Pequenos óbices: 1. a ópera, nesta encenação cinematográfica, é cantada não em alemão, mas em sueco; 2. existem no mercado edições com interpretações bastante mais convincentes; 3. a fixação da imagem em DVD não é muito boa.
A arte de Bergman e o encanto da obra de Mozart superam tudo isso. Vi no cinema, no velho Virgínia, acerca de 30 anos e foi para mim uma autêntica revelação. Tornei a vê-la, agora, em DVD e o encanto permanece intacto. Está legendada em português.
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Senhora, partem tão tristes
meus olhos por vós, meu bem,
que nunca tão tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.
Tão tristes, tão saudosos,
tão doentes da partida,
tão cansados, tão chorosos,
da morte mais desejosos
cem mil vezes que da vida.
Partem tão tristes os tristes,
tão fora de esperar bem,
que nunca tão tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.
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Começar com a música de um príncipe da renascença, Carlo Gesualdo, príncipe de Venosa. Gesualdo é conhecido pela sua música, nomeadamente pelos livros de madrigais os quais seriam, segundo alguns historiadores da música, bastante inovadores para a época, bem como pelos tenebrae responsoria, música idêntica à dos madrigais, mas com textos sobre a paixão de Cristo. Também ficou conhecido pelos assassinatos da sua primeira mulher, Maria d’Avalos e do duque de Andria, que mantinham um já prolongado «love affair» e a quem surpreendeu em flagrante.
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É uma obra com cerca de 71 minutos e gravada numa única faixa. Nesta obra, as várias personagens do drama crístico “dialogam” entre si, com o evangelista e o coro.
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Isto de estar a ler uma biografia do rei D. Carlos, da autoria do historiador Rui Ramos, permite descobrir algumas idiossincrasias nacionais. Num dos anexos, há uma cronologia relacionada coma vida do rei. Nessa cronologia refere-se que a 25 de Abril de 1864 “o governo recusa a dispensa de exames aos estudantes de Coimbra para comemorar o nascimento de D. Carlos”. Note-se que príncipe tinha nascido a 28 de Setembro de 1863.
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A relva pisada pelos cães crescia anónima
nos dias já um pouco maiores. O Inverno
deixava entrever como uma promessa a Primavera e
havia bandeiras dispersas casas, um rumor surdo
suado os passos se escutavam se eram passos
mais pareciam vozes alumiadas, penduradas nos raios
que da lua o vento desprendia. Tudo neste mundo
e no outro também se repete. Um círculo tão perfeito,
a superfície inundada de erva, os lados um pouco rombos
um círculo tão perfeito, exclamara para logo de seguida
como o tempo tinha acabado calar-se.
Precisamos de falar, tudo é uma ameaça:
Os sons, as mãos esventradas, os carros a passar,
os prédios como gruas a crescer, o ar das cidades,
a luz amarela, ainda não há centros comerciais, talvez
na América, lá há tudo isso, mas também é uma ameaça,
bem como os cães a ladrar durante o dia, as
crianças com insónia, mais do que tudo os sons, os sons. Só te quero
ouvir disse a rapariga ao telefone e ao telefone se calou,
olhos espetados no vidro da cabine, não as cabines
ainda não são de vidro um dia, de ar ou de éter. Talvez!
Precisamos de falar, preciso de te ouvir…
Admirara-se da perfeição de tudo, admirara-se da própria
perfeição. Depois, deixou-se levar pelo caminho e da casa
pois era de casa que se afastava afastou-se. Leu repetidamente
A primeira obrigação é acreditar que a nossa condição,
quanto à sua origem e à sua essência, é uma condição
desesperada que necessita de uma redenção. Repetiu mil
vezes a palavra redenção e toda a redenção se tornara
pela subtil mecânica uma impossível redenção. Disse
Erlösung e não acreditou no que disse enquanto da casa se afastava
pois era dela que vinha como se precisasse de falar e
por isso pisava a pisada relva que os cães abandonaram e
anónima crescia nos dias já um pouco maiores ainda no Inverno.
[Jorge Carreira Maia, 12 Poemas sob Il Canto Sospeso, de Luigi Nono]
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Não houve tempo nenhum em que não fizésseis alguma coisa, pois fazíeis o próprio tempo.
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Um obra de uma compositora, a russa Sofia Gubaidulina, "Johannes-Passio" (Paixão segundo S. João).
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Sempre os fios tecidos de tão delicada forma,
a manhã entreaberta sobre a janela do quarto e a voz,
essa voz, entre o restolho dos afazeres, chama por mim.
Se as portas se abrissem e o horizonte
chegasse, o vento frio a crescer na serra, a
empinar-se contra as paredes da casa, o branco
maculado, deixando entrever mapas de salitre,
regiões, mais ao norte, desgastadas, como se a vida
as tivesse, de forma tão infame, carcomido. Ouvem-se,
passados tantos anos, as folhas da parreira a baloiçar ao
vento, a despenhar-se contra o solo, a ranger fantasmas
na noite, sombrias ameaças contra a precária solidez
da brancura a casa sustenta. Eram as noites de Setembro
as mais ferozes, a impiedade bruxuleando por
toda a aldeia, raparigas exaustas deixaram marcas
pela terra húmida e elas tão húmidas e tão cansadas
tão velhas de tanta infância. O mundo tecia-se
quando falavas, gestos dóceis, a água que sobe
e ameaça transbordar os muros do poço: quando se respira o
orvalho desses dias é musgo o que se respira, ervas
infelizes semeadas nas abertas valetas por onde
as águas pluviais corriam a caminho sabe-se lá de quê.
Não é que houvesse uma vinha, apenas parreiras
sustendo a esplanada que aos domingos tórridos do Verão
fazia descer uma sombra, a luz do Sol cortada,
o astro a fugir na distância que as parras traziam. Os cachos
começavam a formar-se e todos caminhavam por estreitas
sendas de tijolo cravadas no chão, imitando caminhos de
lajes, rememorando antigas tradições, oculta
a poeira que a tudo se pegava. Nos canteiros, talvez nos
teus canteiros, violetas e as roseiras espinhavam
o mundo, eu gritava quando o sangue saía da pele
e sentava-me no chão. O vento amainava o calor do meio-dia
e se tudo era tórrido, ainda o coração se abrigava
das intempéries na luz soturna coada por vidros
cortinados, o ar fresco da manhã que aquecia nas horas
primeiras da tarde. Numa casa obscura, havia uma
talha de azeite, no Inverno coalhava, jornais
velhos se acumulavam, cheios de notícias e de heróis
desportivos e, nessas folhas um pouco poeirentas,
entravam na noite onde todos os esqueceriam.
Os fios tecidos de tão delicada forma estão lassos
e a manhã entreaberta sobre a janela do quarto é noite escura
onde a voz, essa voz, entre o restolho dos afazeres, por mim chama.
[Jorge Carreira Maia, 12 Poemas sob Il Canto Sospeso, de Luigi Nono]
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Tempo pascal. De hoje até domingo, apresenta-se um conjunto de obras musicais, tendo por referência a época litúrgica em que vivemos. Para começar e como preparação e reflexão sobre a morte, propõe-se um CD com música de J. S. Bach.
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O estar-fora-do-tempo, disse Austerlitz, que ainda há pouco vigorava tanto nas regiões atrasadas e esquecidas do nosso país como nos continentes por descobrir além-mar, continua a vigorar mesmo numa metrópole temporal, como Londres. Os mortos estão fora do tempo, os moribundos e todos os doentes, em casa ou nos hospitais, e não apenas estes, basta um tanto de infelicidade pessoal para nos separar do passado e do futuro. Na verdade, disse Austerlitz, nunca possuí qualquer relógio, de parede ou despertador, de bolso e muito menos de pulso. Os relógios sempre me deram vontade de rir, coisa basicamente mentirosa, talvez porque sempre resisti ao poder do tempo graças a um impulso interior que eu próprio não entendo muito bem, sempre me fechei à chamada actualidade, na esperança, penso eu hoje, disse Austerlitz, de que o tempo não passe, não seja passado, de poder ir atrás dele, de encontrar à chegada tudo como dantes, ou, melhor dizendo, de descobrir que todos os momentos do tempo existiram simultaneamente, caso em que nada do que a história conta seria verdade, os acontecimentos não aconteceram, estão à espera de acontecer no momento em que pensarmos neles, embora, naturalmente, a perspectiva pouco animadora de eterna infelicidade e interminável dor fique assim em aberto. [W. G. Sebald, Austerliz. Teorema]
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Como se tudo estivesse fragmentado, os estilhaços
da vida a correr, sangue infunde-se no olhar,
o raiado azul na córnea. Esboça-se o horizonte, o lugar
onde inevitável acontecerá. Uma estrela risca de
súbito o céu, e todos os reis magos se põem a caminho.
Vêm tão lentamente, pé ante pé, os olhos nunca do
céu apartados. Contam as estrelas, projectam constelações,
fazem os planetas, a seus olhos, fulgurar.
Não te apartes de mim! Depois ergueu-se e caminhou.
As horas no deserto, de areia; as pedras no deserto, de areia;
as nuvens no céu deserto, de areia; a água no deserto, de areia;
as mulheres no deserto, de areia. Entre cactos e areia
há um esquisso de uma estrada. À noite, o vento uiva e
ela, no rascunho onde se esboça, entreabre-se como
uma mulher na ânsia sonâmbula da
maternidade. Não te apartes de mim! O deserto, tão longe.
Na distância, ecoam, como sinos tingidos de negro, os relógios.
Assinalam os séculos, uma badalada hoje, outra a cem anos,
outra a duzentos. Soam de areia os relógios,
as horas tão lentas, a morte rápida. No deserto,
só as horas uivam, o vento, há muito, encontrou
no silêncio a sabedoria que falta. Quando aqui chegam
os reis magos esquecem de cansaço a estrela que os guia.
No deserto, os astros como a noite, de areia.
[Jorge Carreira Maia, 12 Poemas sob Il Canto Sospeso, de Luigi Nono]
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Se para nada ouvir os lírios dessa forma tão inquieta
cantassem… Tudo circula e na circulação a matéria
perde o peso, o ar sobe, a leveza é agora uma virtude.
De que se escondem os que nas águas-furtadas se abrigam?
Chegam já perto dos deuses e trazem nas mãos nuvens
os olhos cansados, a penumbra o mundo divide.
Os ramos esfriados de Invernos seguram
pelos pés os pássaros, as asas entreabertas como se o voo
uma longa premeditação fosse. Os pássaros de
Inverno; assim começa um demorado pensamento
sobrancelhas arqueadas, cara descaída para o livro
das horas. Da janela, escutava-se a voz dos lírios e
a luz entardecia no canto que se escutava.
Quando as mãos mergulhadas na frieza da água
seguram a terra molhada, os barcos partem
extasiados, remos rentes, os remadores parados
na fria noite. Se pudesse, escreveria a tua história,
mas os países são tropos breves onde tudo se resguarda.
[Jorge Carreira Maia, 12 Poemas sob Il Canto Sospeso, de Luigi Nono]
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“Um bom ensino superior é uma missão de soberania, não deve cair no economicismo”, diz o Prof. Adriano Moreira, em Entrevista ao “Público” e à “Rádio Renascença”. Adriano Moreia é uma personalidade que todos deveriam escutar, da esquerda à direita. Toda a entrevista, publicada hoje, merece atenção, mas a questão do ensino superior é tratada com mais desenvolvimento e com a clareza e a distinção habituais. Alguém escutará?
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Ali na varanda as corridas janelas ainda acesas
se mãos as percorrem. O ritmo quebrado dos dias
a morte, a aleivosia, o espírito escancarado, o espinho
se encrava, a garganta incendiada, o ondulado ritmo das noites,
a vida, a lealdade, o fechado espírito, o cravo se espinha,
o incêndio da garganta. Voltemos às enumerações,
às correntes circulares, de um mundo a outro mesmo retorna.
Se descrevo ainda é porque já não descrevo
apenas impressões, cadência insinuada que se desfaz,
a Terra a correr na ponta dos olhos. Como compões a melancolia?
Olhas, soletras sílaba a sílaba, deixas a entoação
tomar conta, o vento, o sopro interior,
as casas de Verão há muito fechadas. Começas a contagem
pelos dedos e o mar nunca terá fim.
Quando se rouba uma expressão, são infinitas variações
uma letra aqui, o acento tónico ali, as dunas a uivar
como gaivotas atravessadas pela dor. Poderei?
Poderás se o teu ofício te esquecer, se os saltos
rasos te caírem e os sapatos alteados
levar-te-ão para lá. Depois, retornam as enumerações
as cantigas que a memória de velhas foi esquecendo.
[Jorge Carreira Maia, 12 Poemas sob Il Canto Sospeso, de Luigi Nono]
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Agora que o concurso do maior português acabou, como sou um bocado serôdio, vou escolher os meus melhores portugueses. Não é um, são 15. E em vez de votar, vou explicar por que motivo os escolho. Tirando Afonso Henriques, por ter sido o primeiro, todos os outros vêm segundo o acaso.
D. Afonso Henriques, porque foi o primeiro e ao querer ser rei, fez de nós portugueses, para o bem e para o mal.
Luís de Camões pela minha língua, pela épica, mas mais do que todo o resto pela lírica.
O Marquês de Pombal, apesar daquele tique para o torcionário, pelo que fez pelo país, pela Lisboa pombalina e pelo vinho do Porto.
Pedro Hispano ou Pedro Julião ou João XXI. Por ter sido Papa, o único português, pela medicina e pela filosofia.
Rainha D. Leonor, pelas misericórdias. Chegaram até hoje.
Fernando Pessoa, só ele é já um povo. E pela minha língua, e pelo Caeiro, e pelo Reis, e pelo Campos, e pelo Mora, e pelo Soares, e pelo Guedes, e por todos eus que ele teve...
D. Dinis, pelo pinhal de Leiria, ainda está aí, pela poesia, por outras folias, e pela Universidade.
Amália, pela voz, pelo sentimento singular de ser português.
Infante D. Henrique, pelo mar aberto, pelas viagens espantosas, pelas caravelas, pela capacidade de lançar mãos a uma aventura desmedida.
Mário Soares, pela liberdade, por se ter enganado muitas vezes, mas nunca no essencial, pela ilusão que me deu de poder ser europeu. E porque ninguém, incluindo este blogger, é perfeito.
Maria Helena Vieira da Silva, pela pintura, por aquela extraordinária biblioteca...
Vasco da Gama, pelo caminho marítimo para o mundo. Um dos primeiro grandes globalizadores, gostemos ou não da coisa.
José Saramago, pela língua portuguesa, pela forma extrordinária como o português se renova na sua escrita, mesmo que o conteúdo, muitas vezes, me desagrade.
D. Pedro I, pela Inês. Ter dotado um povo de um mito amoroso basta para fazer de D. Pedro um dos maiores portugueses.
Amadeo de Souza Cardoso, pela pintura, por ser verdadeiramente europeu do ponto de vista da arte. Quase um Fernando Pessoa da pintura.
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A brotoeja cresce. Não bastava já aquela história do superpolícia – também coordenará as investigações às universidades? –, agora também apareceu aquela mania de uns assessores, como não sabem, coitados!, o que fazer, de telefonar para as redacções. É evidente que não se pretende controlar a informação. É só para passar tempo, convidar os jornalistas para ir ver a bola. Nada de más intenções. O “Expresso”, de ontem, e o editorial, de hoje, do “Público”, tiveram, porém, o condão de me assanhar a brotoeja.
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