09/03/07
Perplexidades perante o Cristianismo
O post de ontem com o texto de Cioran (cf. mais abaixo) está ligado a uma de duas perplexidades que há muito o cristianismo, nomeadamente o católico, fez nascer em mim.
A primeira perplexidade: o nível rasteiro, pimba e piroso da arte (arquitectura, música, escultura e pintura) que serve a vida da Igreja. A Liturgia é de uma pobreza franciscana. Toda a vida religiosa (há excepções, claro) está envolvida em elementos estéticos absurdos. Como é que uma religião que deu origem à catedral gótica, à grande pintura da renascença e posterior, à música de Tomás de Luís de Victoria e de Giovanni Pierlugi da Palestrina, chegou a um tão grande grau de decadência. Perante tal tipo de mau gosto, não admira que Deus se tenha retirado para longe…
A segunda perplexidade, a que se prende com o texto de Cioran: o carácter pouco viril do Cristianismo tal como me foi dado a conhecer. É preciso, porém, ter algum cuidado. Foi este mesmo Cristianismo que se casou com o Império Romano, que ordenou o mundo medieval e que sustentou as Cruzadas. Mas se compararmos Cristianismo e Islão, nota-se claramente uma diferença: o Cristianismo é essencialmente uma religião de mulheres, apesar destas estarem excluídas do acesso à ordenação sacerdotal, enquanto o Islão é uma religião de homens. O discurso sacerdotal é, no Cristianismo, fundamentalmente afectivo. No Islão, o discurso é racional, muitas vezes, de
uma racionalidade política. A Igreja Católica acabou por se tornar num lugar de exclusão dos homens, isto é, do elemento varonil e racional.
Mais do que a cultura profana, foi a própria cultura da Igreja que abriu caminho para a decadência da religião no Ocidente, ao tornar-se um espaço de mau gosto estético e de vivência religiosa emasculada. O triunfo do sentimento conduziu, muitas vezes, ao sentimentalismo mais atroz e repugnante. O sagrado, para além do bom gosto, também precisa de homens, daqueles que, como diz Cioran, levantam os punhos para os céus…
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A beleza da música da contra-reforma. Ouvir In Paradisum, pelo The Hilliard Ensemble, a partir de música de Victoria e de Palestrina, mostra-nos que nem sempre a grande qualidade estética esteve separada do catolicismo.
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08/03/07
XIV - Coloana infinita
Se o Sol entre nuvens logo desponta
As verdes folhas o rosto ao céu viram.
Cansada, esvoaça a ave louca e tonta
Pois da árvore a sua frágil casa tiram.
Tudo é pequeno e sem fim
Grande, só a morte em mim.
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Os homens do Antigo Testamento
Gosto dos homens do Antigo Testamento: são vingativos e tristes. Foram os únicos que pediram contas a Deus, cada vez que quiseram, e que não deixaram escapar nenhuma ocasião de lhe lembrar que Ele é impiedoso, e que eles não têm mais tempo para esperar. Naquele tempo, os mortais tinham instinto religioso, hoje apenas fé – e por enquanto. O maior defeito do cristianismo foi não ter sabido endurecer as relações do homem ao seu Criador. Excesso de soluções e excesso de intermediários. O drama de Jesus adocicou o sofrimento e retirou todo o direito à virilidade nas questões religiosas. Antigamente, levantava-se os punhos para os céus; hoje, só o olhar.
Cioran, Le Crépuscule des Pensées
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11 de Setembro - 07
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07/03/07
XIII – L’escalier du diable
Infinito movimento ascende
Do céu luminoso ao escuro inferno.
Com suaves mãos a alma se te prende
À escura noite e ao fogo d’inverno.
Em cadência sonora
Noite fecha-se p’la aurora.
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11 de Setembro - 06
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Contributos para um desastre anunciado
Voltemos a António Barreto. Agora, porém, por péssimas razões. Leiam-se os seguintes extractos do artigo do último Domingo, no Público.
“Não são ideias novas. Há muito que algumas pessoas as defendem ou estudam. A primeira: a entrega do sistema de ensino básico e secundário às comunidades locais, incluindo nestas as autarquias, as associações existentes, os pais e os interesses locais, assim como, evidentemente, os professores.”
“No caso do ensino básico e secundário, foi o presidente da Associação Nacional de Municípios, Fernando Ruas, que assim se exprimiu. Garantiu que as câmaras municipais querem essa transferência e que já a estão a preparar. Acrescentou que estão interessadas em assumir todas as competências, incluindo as de recrutamento e colocação de professores, de gestão, de investimento e até de disciplina. E esclareceu que as únicas competências que deveriam ficar nas mãos do ministério seriam as pedagógicas. Creio que é a primeira vez que as câmaras se exprimem desta maneira. É quase uma revolução”.
Saberá António Barreto que Portugal não é a Suíça, onde viveu, nem a Finlândia?
Saberá o que é entregar, em Portugal, as escolas às câmaras, às associações, aos interesses locais (sic) e até aos professores? Vive em que planeta? Não percebe que tudo o que a comunidade tem de desprezo pelo saber, toda a cultura adversa à aprendizagem, ao rigor, à exigência, vai entrar, dessa maneira, e de uma forma ainda mais poderosa e radical nas escolas? A cultura de pechisbeque das autarquias vai fazer carreira na escola, os interesses locais vão minar o ambiente , o compadrio, ah esse, como deve estar a esfregar as mãos…
Quem disse a António Barreto que uma revolução, ou mesmo uma quase revolução, é uma coisa boa?
Queremos ensino de qualidade? Centralizemos a educação, fechemos as portas das escolas às comunidades, dêem-se condições, avaliem-se com rigor os alunos e os professores pelos resultados dos seus alunos, responsabilizem-se professores, alunos e famílias. Fora disto, em Portugal, qualquer coisa, como se viu, será um desastre.
Porque será que as autarquias querem – depois daquela saborosa experiência com os dinheiros para pagar os professores das expressões (Inglês, etc.) do 1.º ciclo, dinheiro esse que chegava apenas, a muitos desses professores, numa percentagem absolutamente ridícula – gerir a educação? Então as autarquias não hão-de querer? Não hão-de querer gerir escolas, colocar professores, etc., etc. E os interesses locais? E os pais? E os professores? Vai ser um fartar vilanagem...
Parece que o país enlouqueceu de vez e está toda a gente apostada em destruir o que resta de Portugal.
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06/03/07
XII – Entrelacs
As tranças que desfaço em teus cabelos
São moinhos de ervas secas ao vento.
Enrolam-se nas mãos brancos novelos
Se em ti meu corpo cai suave e lento.
Um sopro de luz e mágoa
Fonte breve de seca água.
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O Jeb e a nossa senhora da Educação
Eu sei, eu sei. A origem familiar, o país de proveniência, o cargo desempenhado, a cor política, tudo isto torna a personagem, aos olhos de muitos, pouco digna de crédito. E no entanto…
Jeb Bush, americano, ex-governador da Florida, irmão do actual Presidente, por certo republicano, apesar destes defeitos todos, conseguiu uma proeza extraordinária: inverteu a situação caótica da educação no Estado da Florida, tornando-o, hoje em dia, um exemplo para todos os EUA.
Como conseguiu este feito? Não foi inventando disciplinas estrambólicas como aquelas que existem no currículo português, nem perseguindo os professores, nem protegendo as crianças contra as exigências. Não seguiu nenhuma das reformas que os políticos portugueses tanto gostam. Não, não fez nada disso.
Destruiu alguns mitos, oiçamo-lo: 1) provámos que reter e acompanhar alunos do terceiro ano com rendimento fraco acaba por lhes dar maiores oportunidades de êxito no longo prazo; 2) testemunhámos, em primeira-mão, que exigir os mesmos padrões elevados a todos os alunos aumenta o seu êxito e melhora a taxa de conclusão dos estudos; 3) provámos que os professores não “ensinam para os testes”, mas sim em função dos padrões determinados pelos educadores; 4) Finalmente, demonstrámos que a responsabilização compensa.
Resuma-se: 1) reter um aluno pode compensar; 2) altos padrões de exigência são fundamentais; 3) responsabilizar é fundamental.
Como fez ele isso: 1) generalizou os exames (oh, palavra maldita em Portugal) entre o 3.º e o 10.º anos (cá dir-se-á: coitadinhos, tão pequeninos e já a fazer exame. O governo, qualquer que fosse, era logo demitido pela multidão em fúria. Por isso, cá agora existem provas aferidas que não contam para os alunos, é só para avaliar sabe-se lá o quê); 2) com os resultados destes exames organizou rankings credíveis, o que estimulou a competição entre escolas (coisa que cá faria cair outro governo); 3) com base nos resultados, premiou escolas e os professores (cá apenas se perseguem professores).
Veja-se o trabalho da senhora ministra da educação: andou a falar em avaliar professores, e em qualidade, diferenciação dos bons e dos maus, etc., etc. Agora chegou a altura de estabelecer regras para os professores chegarem a professor titular. Surpresa (minha não): nenhum item de avaliação contempla resultados dos alunos. Professores que andaram anos e anos a levar alunos a exame, a mostrar o que valiam, ou não, em provas públicas, estão em pé de igualdade com os outros. Não existe qualquer item, nem para disfarçar, que faça referência à qualidade do desempenho dos professores, nem aos resultados dos seus alunos em exames nacionais. Isso de ensinar com altos padrões de qualidade serve para quê? E depois se os alunos aprendessem mesmo, era um aborrecimento... Vão ser escolhidos os professores titulares à sorte, pois a sua escolha depende dos cargos que desempenharam e esses, na escola, são aleatórios e nada têm a ver com o mérito.
O pessoal que odeia os americanos, incluindo os da Florida, poderia fazer o favor de mandar para lá a nossa senhora da Educação mais os acólitos e os funcionários eduqueses do ME, para ver se, todos juntos e unidos, davam cabo daquilo…
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Marcadores: Educação
11 de Setembro - 05
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05/03/07
O superpolícia do governo e a minha brotoeja
A ideia da criação de um superpolícia (um secretário-geral) que coordene todas as forças policiais, sob a mão do governo, é algo que me deixa particularmente incomodado. Há qualquer coisa nesta geração de políticos socialistas que desliza sorrateiramente para situações de profunda ambiguidade...
A coisa não é nova. Já no governo de Guterres, não no próprio, mas num conjunto de jovens turcos de então se notava uma certa tendência desagradável para uma concepção de liberdade longe daquela que foi a de Mário Soares. Não eram factos, era mais uma espécie de sombra, uma inclinação. Notava-se, aqui e ali, uma certa pesporrência, um gosto pela criminalização, uma tendência para o controlo.
Esta sombra está de novo presente. Não é nada de muito definido, mas há qualquer coisa no ar que parece uma ligeira ameaça, um certo ar de desprezo pelos adversários, uma falta de respeito pelas pessoas, um erguer a mão do poder (dada pela maioria) de forma altiva, um tratamento dos que se opõem política ou socialmente como se de um bando de mentecaptos ou de parasitas se tratassem. Humilham-se, por questões tácticas, grupos sociais. Discretamente, mas de forma desagradável, o ambiente torna-se pesado. Um vácuo moral perigoso, ainda indefinido, parece crescer na vida pública.
Eu que me habituara a ver no Partido Socialista, devido a Mário Soares, um campeão das liberdades, confesso que quando olho para actual geração de governantes socialistas sinto brotoeja. Que a coisa não é boa, não é. A sensação é desagradável e quanto mais se coça…
Onde poderá chegar um governo, este ou outro, com um superpolícia à mão?
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Marcadores: Política
11 de Setembro - 04
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XI – En suspens
Fiapos de neve ao vento andrajoso
Suspendem-se antes de tocar o chão
São palácios de gelo rugoso
Mal os vejo à luz da líquida mão.
‘Strela que no céu flutua
Deusa breve, branca e nua.
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04/03/07
11de Setembro - 03
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X – Der Zauberlehrling
Suave cântico de espuma azul
Onde te escondes se por nós não passas?
Nas pesadas montanhas mais ao sul
Ou no rio já lêvedo de barcaças?
Searas de pedra dura
Crescem na noite mais pura.
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Manuel Bento, alguns outros guarda-redes e não só
Nestes dias, devido à parca maldita, tem-se falado de Manuel Bento como um dos melhores guarda-redes portugueses de todos os tempos. Jaime Pacheco refere mesmo que foi o melhor que encontrou, ele que jogou com o Vítor Damas e o Vítor Baía. Estas contabilidades são sempre difíceis de fazer. Os tempos são diferentes, o trabalho físico e técnico vai-se transformando, aquilo que o conhecimento e a metodologia de treino conseguem tirar de um jogador actual é muito diferente do que se conseguia fazer há apenas 10 anos. Como se poderão comparar jogadores dos quais já não há quase memória. Quem foram os grandes guarda-redes dos anos 30 e 40, mesmo dos anos 50?
Para mim Manuel Bento foi o último guarda-redes do Benfica. Depois dele já não consigo associar o nome do jogador e o clube. Talvez o belga Preud’homme ainda seja o nome mais significativo. Os outros, quem são os outros? Não sei, ou, melhor, nem quero saber. Mudam tanto e tão rapidamente que a memória mal os retém. Para mim o guarda-redes do Benfica será eternamente o Costa Pereira. Este representa, na minha memória, o arquétipo de todos os guarda-redes do meu clube. Foi o melhor? Não. Lembro dele um frango monumental na primeira final europeia, de muitas, que o Benfica perdeu, já não recordo se contra o Inter, se contra o Milan. Mas Costa Pereira era o monstro sagrado das redes da Luz, nessa longínqua infância em que despertei, através de meu pai, para o futebol e para o Benfica. Os melhores jogadores, na minha imaginação, são todos daquela época: Costa Pereira, Germano, Cavém, Santana, Coluna, Jaime Graça, José Augusto, Simões, Torres e Eusébio. Não há, no mundo, melhores jogadores do que estes. Eu sei, eu sei que isto é injusto. Basta referir os nomes de Figo e de Cristiano Ronaldo para mostrar quão enviesado é o meu imaginado gosto.
Depois do Costa Pereira, o guarda-redes do Benfica foi o José Henrique. Só após este chegou o Manuel Bento. Mas não foi o primeiro, foi o último. A partir dele já tinha crescido o suficiente para perceber que os futebolistas eram mortais e que os seus feitos eram muito mais imaginários do que reais. O futebol só tem sentido no espaço ingénuo da infância e da adolescência, nesse momento em que podemos acreditar em tudo. Quando se perde a inocência, o futebol, enquanto jogo de aventuras e realização de feitos divinos, desaparece. Ou a razão mata o encanto imaginário do jogo, ou o fanatismo clubista destrói a ingenuidade que nos fazia acreditar e ter fé naqueles rapazes. Hoje em dia que interesse poderá ter, para mim, o futebol? Nenhum, pois não passa de um jogo de rapazes, onde muitos jogadores, talvez a maioria, tem tão pouca idade, que poderiam ser meus filhos, como se costuma dizer. São profissionais, é certo, mas não passam de rapazolas.
Por falar em guarda-redes, refira-se que isto do Costa Pereira ser o meu guarda-redes do Benfica também se propaga a outros clubes. O Sporting terá sempre na baliza o Carvalho, o Porto, o Américo, a Académica, o Maló (esse mesmo, aquele que foi o primeiro a defender um “penalty” marcado pelo Eusébio), o V. de Guimarães, o Roldão, o V. de Setúbal, o Vital e depois o Mourinho (o pai do treinador do Chelsea), o Atlético, o Botelho, o Belenenses, o José Pereira. Há clubes que nos anos 60 estiveram na 1.ª divisão e cujos guarda-redes caíram no esquecimento, pelo menos no meu. Quem teriam sido os guarda-redes da CUF e do Barreirense? Do Leixões a memória traz-me o nome do Rosas (será?). Do Varzim, era o Benje. E do Sp. de Braga, que na altura tinha um avançado argentino (?) extraordinário, o Perrichon, quem seria o guarda-redes? À memória vem o nome de Armando. Será possível? Estes são os meus guarda-redes. Todos eles pertencem ao mundo encantado da infância e da adolescência. O Bento pertence já ao período final e ao meu tempo de entrada na idade adulta. Por isso, é o último dos guarda-redes do Benfica. Mesmo que seja o melhor.
Uma nota final sobre aquilo que se passou no estádio do Dragão aquando do minuto de silêncio em memória do Bento. Segundo li, parece que a falta de respeito foi total. Este fenómeno não é novo. Porém era impensável há 30 anos. Em 1977, estava a cumprir serviço militar no Porto e houve uma festa de homenagem ao guarda-redes Rui, que durante muitos anos foi o suplente do Américo, do FC Porto. Eu benfiquista desde sempre, lá fui ao velho estádio da Antas ver o jogo e participar na festa de um portista. Havia rivalidades, mas não havia paranóia, tão pouco havia, nas direcções dos clubes, quem suportasse manifestações deste novo tribalismo. Aquilo que aconteceu no Porto poderia ter acontecido em Lisboa. O que acho insuportável é o discurso que legitima estes comportamentos tribais. Há uma falência de humanidade nesta cultura que tomou conta do futebol. O fenómeno não é apenas futebolístico. O tribalismo urbano é uma das formas pós-modernas de desagregação da comunidade cívica, a substituição da pertença a uma totalidade nacional, pela pertença a micro-comunidades que forjam identidades simbólicas e pactos com a finalidade de enfrentar outras micro-comunidades. O resultado de tudo isto só pode ser a violência e a irracionalidade. Que significará o facto de já nem os mortos merecerem o mero respeito?
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Marcadores: Futebol, Ocasionália
02/03/07
Sistemas planetários em formação - V
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Marcadores: Heimat
IX – Vertige
Da branca ravina suspendo o salto
Sobre do rio a tranquila margem.
Subo logo mais além e mais alto
E no céu duma sombra vejo imagem.
Na noite verde do rio
Aves cantam ao desafio.
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Marcadores: Poesia - em mim
11de Setembro - 02
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