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26/01/09

Krisis e proairesis



Este é um pequeno retrato, um instantâneo, da situação a nível internacional. Há algumas coisas que merecem meditação:

O que se está a passar revela uma coisa que tendencialmente nós esquecemos: existir, viver, estar no mundo é uma coisa problemática e a vida, por mais que criemos direitos para a proteger, está constantemente à beira da crise. Se os direitos, neles incluídos os direitos socais, fazem sentido dentro do jogo da linguagem social, já não fazem qualquer sentido dentro do jogo da linguagem da natureza. Na natureza, sobreviveremos se nos conseguirmos adaptar. O problema é que esquecemos muitas vezes que as sociedades humanas são construções fundadas na natureza e que, por mais eficiência que se consiga na vida social, a natureza, com os seus humores variáveis, acaba sempre por irromper, mostrando a fragilidade da nossa existência. Seria bom, assim, compreender que as situações críticas não são uma especificidade dos sistemas capitalistas, mas do mero facto do homem vir ao mundo. O Iluminismo, tanto o de cariz liberal como o de feição marxiana, espalhou a ilusão de ser possível construir sociedades imunes às crises. Não podemos, pelo simples facto da nossa constituição ontológica o não permitir: a crise é inerente à natureza do homem e de tudo o que ele constrói.

Isso não significa, porém, que uma conduta descuidada e desregulada seja a resposta ao existir crítico do homem. As sociedades humanas não são uma espécie de duplicação de uma natureza anterior ao estado social, mas formas dos homens regularem as suas relações com a natureza, com os outros homens e, com o mundo sobrenatural (seja este real ou puramente imaginário). Se a crise se inscreve na estrutura ontológica do homem, a verdade é que o jogo cooperativo que é a sociedade visa diminuir ao máximo os perigos que, para o homem, representa uma natureza deixada sem vigilância. Quando se imagina o mercado, um produto social, como sendo regulado por leis "naturais", está-se a esquecer a essência social e reguladora de todas as instâncias sociais, entre elas o mercado. Uma das consequências pode ser, então, a seguinte: o mercado, em vez de produzir um papel regulador na distribuição dos bens que são necessários aos membros da espécie, pode arrastar muitos desses membros para situações críticas, porventura inultrapassáveis (veja-se: Continuam a faltar alimentos para 963 milhões de pessoas em todo o mundo).

Inerente à essência do homem é, ao mesmo tempo, a assunção da importância do risco e da regulação. No pensamento grego, à krisis responde a proairesis, isto é, a escolha deliberada. É na dimensão da deliberação que se encontra a resposta para a prevenção e solução das situações críticas. Deliberar implicar o uso da razão na ponderação, na busca do equilíbrio e da justa medida. Quando a razão se afasta da justa medida e se torna um mero instrumento de cálculo da eficiência, os actos tornam-se desrazoáveis e a capacidade dos homens fazerem frente às situações críticas, inerentes à existência, torna-se cada vez mais frágil. A crise financeira e o triste espectáculo a que se assiste deve-se, em última análise, a decisões de carácter filosófico que desvalorizam, tanto nas decisões individuais como nas institucionais, o papel da razão enquanto faculdade de deliberar em conformidade com o equilíbrio e a justa medida. O que mostra uma característica nem sempre muito clara da própria razão: a sua vulnerabilidade.

Perdi a fé

Desisto! Muito eu gostava de ter fé. Não estou a falar daquela fé que move montanhas, mas numa outra mais prosaica: a fé nos vaticínios económicos. Agora é o Presidente do Bundesbank (logo do Bundesbank), Alex Weber, que nos diz que a crise financeira internacional é muito mais ampla do que se esperava. Um pobre mortal, educado no temor e na reverência pela ciência económica, sente-se, a cada dia que passa, mais desgostoso e desorientado. Que ciência estaria mais apta, depois da morte de Deus, para dar sentido à vida e prever os fluxos favoráveis do nosso dinheiro, para atrair os bons espíritos da riqueza e afastar os demónios da perda e da desgraça? A Economia, gritará o leitor. Essa deveria ser a ciência exacta que nos guiaria na vida e na selva do mercado. Mas o que se passa é que, se prestarmos atenção, a Economia não é uma ciência, mas uma arte do vaticínio, tão eficaz e profunda como a astrologia, a leitura das mãos, ou a interpretação do voo dos pássaros. Tem, porém, algumas vantagens: contrariamente às outras artes suas irmãs, a Economia pode ir sempre refazendo as suas previsões, ora revendo em baixo isto, ora revendo em alta aquilo. É mais ou menos como se no totobola fosse permitido que alterássemos as apostas até ao fim dos jogos. Mas a vantagem maior é que, apesar desta desilusão constante que os economistas produzem, eles obtêm um efeito extraordinário. Quanto mais se enganam, quanto mais desconhecem e quanto mais revisões fazem, maior é o prestígio de que gozam na esfera pública. É como se, utilizando ainda uma metáfora futebolística, aqueles avançados que falham todos os remates e não marcam um golo que se veja, fossem considerados os melhores e mais bem pagos. Por mim, impediria a Economia de ser ensinada no sistema universitário. Permitia apenas um instituto de artes da adivinhação, onde se ensinaria economia, ao lado da astrologia e da leitura de búzios.

24/01/09

Ruínas tecnológicas


O turvo destino da Qimonda e da Delphi mostra a essência da política do actual governo: o caminho para a falência. O problema começa quando se toma os desejos pela realidade e se se deixa envolver pela retórica da propaganda, como se fosse possível que esta criasse um admirável mundo novo. O que se está a descobrir, todavia, não é sequer os escombros do velho mundo anquilosado da indústria portuguesa, mas as ruínas do universo fantasmagórico e virtual do plano tecnológico. O país faz lembrar aqueles que se aventuram, mar dentro, sem saber nadar: esbracejam e gritam quando perdem o pé.

02/12/08

BPP - O dinheiro na arena da vida

Imagem de Tiago Vital

Nunca a publicidade foi tão premonitória. Mas, como todos sabemos, o dinheiro não é igual para todos. Assim, não tendo certamente que ver com as personagens que rodeiam o BPP, o Estado, isto é o dinheiro dos contribuintes, tomou a sábia decisão de proteger o dinheiro do BPP das investidas do toiro, quero dizer da vida. Na nossa república socialista, a única coisa que comove o governo são as fragilidades dos poderosos. Seria desagradável aquela gente toda perder o seu Banco de gestão de fortunas, ou as fortunas que por lá estão a ser geridas. Cada vez me comove mais o liberalismo dos liberais e empreendedores portugueses. O liberalismo português nunca passou da ideologia de uns quantos figurões que por tudo e por nada se voltam para o Estado, como uma criança se volta para o pai. Ao menos que nos poupassem os ditirambos à mão invisível e à eficiência mercado.

25/11/08

A lei da gravidade

Consta que o Banco Privado Português vai cair. Ninguém lhe pega, ninguém parece dar-lhe ajuda. Mas a questão que ocorre perguntar é se esse banco que está prestes a sentir os efeitos da lei da gravidade alguma vez esteve efectivamente de pé?

04/11/08

Patres familias

Os jogos florais em torno do BPN mostram a essência do regime. As posições de Constâncio, Cadilhe e todos quanto orbitam a questão são o espelho de um país onde a política, os negócios, a universidade e as carreiras "independentes" dentro do aparelho de Estado se confundem. O problema não está na precipitação da nacionalização, nem na regulação serôdia ou temporã da vida do BPN. O problema é que o país é muito pequeno e os mesmo aparecem vezes demasiadas nos mais diversos lugares, como se estes fossem poucos, ou aqueles fossem os únicos. No fundo, é tudo uma família, onde os Presidentes da República não passam de meros patres familias, umas vezes mais severos, outras mais bonacheirões, mas sempre patres familias. O regime não é um regime político, mas uma família grande que se protege entre si, ao mesmo tempo que cada um tenta passar a perna ao primo mais próximo.

16/10/08

Limpar as mãos à parede

Alguém ainda se lembra quando a Europa era sinónimo de eliminação da pobreza? Os europeus ufanavam-se do esplendor do seu equilíbrio social. Todos sabemos que a Europa se expandiu, mas, apesar dessa sabedoria, é com amargura que se vê que europeus com trabalho, com trabalho, repito, que vivem, União Europeia fora, abaixo do limiar de pobreza são já 8%, para não falar dos desempregados e daqueles que já nem sequer para as estatísticas contam. Podemos começar a limpar as mãos à parede com o que fizemos nestes últimos 20 anos. Talvez seja a altura de recomeçar a pensar o equilíbrio social e a justiça na distribuição de rendimentos e encargos.

15/10/08

O retorno do mouro?

Na Alemanha, as vendas do Capital, de Karl Marx, dispararam, em relação aos anos anteriores, e a expectativa é que continuem a crescer. Não se pense, contudo, que é o marxismo que está de volta. Este movimento de retorno a Marx inscreve-se na esfera dos eruditos. Não é o Marx que guia a acção e que conduzirá os homens ao paraíso, mas o Marx que se tornou um autor clássico. E como todos os grandes autores clássicos, e Marx é um grande autor clássico, é um mestre do pensamento, alguém que ajuda a pensar melhor e a melhor interpretar o mundo. É um Marx lido ao arrepio da sua célebre 11.ª tese ad Feuerbach: «Os filósofos limitaram-se até agora a interpretar o mundo de diferentes modos; do que se trata é de o transformar». Afinal, parece que é mesmo preciso continuar a interpretar o mundo. O velho Hegel sabia muito mais do que seu distante e belicoso discípulo.

14/10/08

A euforia das bolsas

A euforia voltou às bolsas. Parece que o maldito dinheiro do Estado tem animado, mundo ocidental fora, os génios sofisticados da bolsa, certamente adeptos da mão invisível e de menos Estado, ou de preferência Estado nenhum, ou quase. Mas o que cada vez me preocupa mais é mesmo o estado de euforia daquela gente. Parece que voltaram a ganhar muito dinheiro, mas quem o estará a perder?

Ser capitalista

A crise financeira tem pelo menos a virtude, não despicienda, de nos fazer sorrir. O governo português ameaça agora os bancos que não amortizarem as dívidas garantidas pelo Estado de os intervencionar, fazendo assim entrar o sector público no capital privado. O negócio não é mau. Se as coisas correrem bem, os bancos pagam ao Estado e amigos como dantes. Se correrem mal, o Estado entra no capital de um Banco que para estar morto só falta ser-lhe rezada uma missa pro defunctis. Cada vez mais acho que ser capitalista, do ramo da finança, não é nada mau. Bem me queriam atirar para um curso de economia, lá tinham as suas razões.

13/10/08

Salvar o quê e a quem?

Há uma coisa que me atormenta no meio destas medidas todas para fazer face à crise financeira global, seja o dinheiro disponibilizado por Sócrates, sejam os acordos europeus, seja a política de Bush: o que visa todo esse dinheiro salvar? Por vezes sou assaltado pela dúvida, eu que nada sei de feitiçaria económica, de que esse dinheiro se destina a manter o status quo e a premiar aqueles que conduziram as finanças mundiais ao colapso onde se encontram, à custa da economia produtiva e do rendimento dos mais fracos. Mas eu, repito, não sou feiticeiro. Desconfio que não são só os loucos e os políticos que são inimputáveis.

The Last Laugh - George Parr [a crise do subprime]

Eis uma notável explicação da crise. Melhor que as mil páginas de especialistas que por aí se escrevem. Ah, ainda tem direito a rir, para além da compreensão efectiva da coisa. Veja onde conduz a gestão por objectivos (dedicada, esta parte, aos presidentes dos conselhos executivos das escolas portuguesas, tão deslumbrados com a parolice).

11/10/08

Nacionalizemos, então

Afinal nacionalizar bancos não é uma coisa intrinsecamente má. Parece que os campeões da liberalização e do anti-estatismo se converteram às práticas gonçalvistas de 75. O que me faz rir, não porque seja adepto das nacionalizações, mas porque mostra a volubilidade dos homens e o ridículo que existe em todas as posições ideológicas extremas, sejam socialistas, sejam liberais. A maior parte das vezes, os protagonistas sociais, políticos e económicos deveriam pura e simplesmente estar calados. Os americanos que, na sequência da queda da União Soviética, lançaram um ataque impiedoso ao Estado providência, não têm agora pejo em armar o seu próprio Estado em deus benévolo que suprirá não a desgraça dos fracos, mas o desatino dos fortes. A humanidade desespera-me e dá-me vontade rir.

10/10/08

Dias negros

Eu sei, a comunicação social tem destas coisas, mas chega a ser cansativo. Agora, por tudo e por nada se fala em dia negro nas bolsas. Eu proponho que arranjem uma espécie de escala colorida, tipo alerta amarelo, laranja, vermelho, etc., para a bolsa. É que, a continuar assim, já ninguém distinguirá os dias que são negros, dos dias que são negros-escuros ou dos negros-claros. Ou então arranjem um calendário com os dias fastos e nefastos. Nos primeiros, abre-se a bolsa e transacciona-se em alta. Nos nefastos, fecha-se a bolsa e vai-se para as igrejas, mesquitas, etc. rezar.

07/10/08

A crise financeira e a escola portuguesa

Os professores portugueses andam, por ordem do governo, todos entretidos a determinar objectivos para serem avaliados. Os princípios da avaliação fundam-se em concepções retiradas da gestão de empresas. Muito desses princípios são análogos àqueles que orientaram a economia ocidental até ao presente buraco em que se encontra. O que se prepara na escola é, apesar de menos visível e espectacular, uma desgraça idêntica à do mundo da finança. Há um princípio comum que toda a gente percebe: no mundo da finança, vendia-se crédito a quem quer que seja, para atingir e ultrapassar os objectivos; na escola portuguesa, vão-se passar alunos sem saber nada, para atingir os ridículos objectivos que o delírio governamental impôs aos professores. Há muito tempo que descobri que a estupidez é uma coisa que se propaga a grande velocidade e tende para a dominação universal, nem as catásrofes a fazem recuar.

06/10/08

Afinal, a culpa é da moral

Tem-se assistido, devido à crise financeira mundial, a um certo retrocesso da louvação do capitalismo e uma crítica acerada às políticas económicas provenientes da era Reagan. Mas o capitalismo, aquele que está em crise, encontra os seus defensores. Henrique Raposo, no útimo Expresso, faz a apologia do que se tem passado, criticando a criação do bode expiatórios (sejam eles e cito «“os bandidos da Wall Street”, os políticos e as sociedades ocidentais»). O curioso é a lição maior que o articulista tira: «A maior lição desta crise não está ao nível da regulação institucional dos mercados, mas sim ao nível da auto-regulação que cada indivíduo deve possuir perante a tentação do crédito. Eis, portanto, a conclusão mais dolorosa: o capitalismo permanece de pé, mas estamos a descobrir que ter casa não é para toda a gente. Em 2008, morreu a democratização da propriedade através do empréstimo bancário.»

Extraordinária lição. Imagine o leitor que perante uma onda avassaladora de crimes, onde as instituições de segurança se impedissem de interferir e regular a segurança dos cidadãos, viesse alguém dizer que o principal problema estava ao nível, não da acção política, mas da auto-regulação que cada indivíduo deve possuir perante a tentação do crime. Isto é para levar a sério? Mas como é possível não responsabilizar todos aqueles que induziram, com interesses e ganhos evidentes, pessoas que não podiam cumprir os seus compromissos a comprar casa? Parece que os culpados de uma derrota militar são os cozinheiros. Os generais e a estrutura responsável é que não pode ser responsabilizada e muito menos a ideologia subjacente, ou a estratégia seguida. Pensar que o problema é moral (auto-regulação dos indivíduos) é querer iludir-se e iludir os outros. O mercado deixado a si-mesmo tal como aconteceu gerou a situação em que vivemos. Agora diabolizar os milhões de pobres que se deixaram tentar pelos cantos de sereia dos gestores inovadores parece ser, assim, um acto de profunda inteligência e compreensão da natureza dos homens e uma óptima solução para o que se está a passar. O melhor ser prendê-los a todos, aos que ficaram sem casa, por atentado à moralidade. Ao mesmo tempo deve-se gratificar infinitamente a gestão política ocidental por se ter demitido da fiscalização e regulação da economia e promover todas as administrações das instituições falidas.

Notícias do paraíso

Olhemos apenas para a edição on-line do Público. O paraíso a que se chegou está aí em todo o seu esplendor: Autoeuropa pára produção de monovolumes por quebra na procura. Quer continuar na área da economia? Maior queda sempre para o PSI-20 (índice da Bolsa de Lisboa): quase dez por cento. Esta, um pouco anterior, também não é desinteressante: Lisboa cai mais de oito por cento e liderava mais um dia negro para bolsas europeias. Mais economia? Mercados antecipam contágio de crise financeira ao resto da economia. E do mundo da política, de que feição correm os ventos para nós, pobres europeus: NATO alerta para dificuldade de travar produção de bomba nuclear iraniana. Bem-vindos ao paraíso, ao admirável mundo novo.

02/10/08

A minha desrazão

O Público escreve isto: “O Presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, afirmou hoje que a actual crise financeira constitui um acontecimento “sem precedentes desde a II Guerra Mundial” e pediu uma maior cooperação dos países europeus para a enfrentar. “Nada no passado se assemelha ao que assistimos actualmente”, afirmou o líder da entidade central, em entrevista ao canal de notícias France 24, antes de acrescentar: “Os acontecimentos que enfrentamos são provavelmente os mais graves desde a II Guerra Mundial”. Não sei se estaremos a perceber o que se vai dizendo. Sinto muita comichão quando vejo em tão curto espaço duas referências à II Guerra Mundial. Parece que eu sou pessimista, mas gostava que o optimismo reinante me mostrasse a minha desrazão.

01/10/08

Sob o princípio da irresponsabilidade

A vida não deixa de ser irónica. Há dez anos atrás alguém imaginaria ver um primeiro-ministro russo dar lições de economia e de resolução de crises económicas aos americanos? Não há quadro mais claro da humilhação americana do que as palavra de Vladimir Putin: “Não é tanto a irresponsabilidade de pessoas em concreto, mas sim a irresponsabilidade do sistema que, como é de conhecimento público, tenciona ser líder mundial”. Assim, da irresponsabilidade da regulação económica Putin passa e torna clara a irresponsabilidade na gestão dos negócios políticos mundiais.

30/09/08

Tranquilidade

Percebo, um primeiro-ministro não pode fazer outra coisa, mas que garantias pode José Sócrates dar daquilo que diz? Será que os portugueses com poupanças podem estar tranquilos? E os muitos portugueses que não têm rendimentos nem para ter poupanças, também podem estar tranquilos? Diz, o primeiro-ministro, que a culpa é dos americanos. Claro, mas os europeus, coitados, nunca alinharam em nada daquilo, nem fizeram proselitismo dos novos tempos da economia mundial. Mas para que serve culpar agora os americanos? O importante é compreender até onde vai a interdependência das economias. Tranquilidade? Mas não é quando o mar está mais tranquilo que ele é mais perigoso?