06 - Gustav Klimt - Der Birnbaum, 1903 [A Pereira]Seis
Ali estão, suspensas da árvore da vida,
as peras que em teu regaço colherás.
Tão sérias e precisas elas são, na cor que lhe deram,
tão esquecidas da gravidade e do vento,
tão senhoras das alturas. Por vezes, sonham, oiço-as,
e são pássaros parados, suspensos no voo.
Que mão será a tua quando lhes tocares
e as inclinares para ti?
Ó perfeita mão lunar ilumina
de névoa os frutos e os ramos e as cores
que me fazem sonhar com pomares,
a mim que nada sei da vida dos campos.
Imaginei tantas e tantas vezes
o estar sentado na sombra destas árvores
e escutar o silvo dos deuses
ou o rufar das aves que passam. Ao longe,
apenas o silêncio vinha com o seu
vestido de cambraia lançar um véu
sobre o manto verde da erva.
Depois, enumerava os frutos e
entregava-me a uma contabilidade
de seiva a correr no papel. Se acordava,
erguia-me e amparado aos troncos
gritava pelo nome que te deram.
No céu, apenas as nuvens brancas sorriam
e passavam como passam todas as nuvens,
um risco, uma mancha, um ardor de vento.
Cansado de te aguardar, sento-me
e espero que dos ramos caia
o solícito fruto que me vais dar.
Jorge Carreira Maia, Sobre pintura e desenho de Gustav Klimt, 2008



















Vi, há pouco, numa caixa de comentários do Público, a melhor ofensa da semana, semana aliás recheada de muitas e boas ofensas: “Vai colar cartazes, pode ser que um dia chegues a Ministro.”
Se não houvesse injustiça, ignorar-se-ia até o nome da justiça.














Medeiros Ferreira
Há um excesso de China no Tibete e um excesso de violência e um excesso de silêncios cúmplices, mesmo em Portugal. A China é excessivamente capitalista ou excessivamente comunista para que certa direita fale ou certa esquerda se recorde que os tibetanos formam um povo. Depois, há uma carência de liberdade na China, uma carência de poder entre os tibetanos, uma carência de vontade no mundo. Há povos que têm um destino terrível.




